Podia chamar-se uma gemada risonha. Agora com a linguagem simplificada das redes sociais é um smile.
Uma foto da minha amiga Conceição Montez, sempre atenta à forma expontânea que as coisas apresentam.
Para começar o dia a sorrir.
segunda-feira, 31 de julho de 2017
terça-feira, 25 de julho de 2017
A propósito de biscoiteiras
Não é fácil escrever sobre
este tema. Como não é igualmente fácil distinguir por vezes as biscoiteiras das
confeiteiras e das bomboneiras. Estas últimas foram mais precoces na história
da civilização e do gosto pela sofisticação da mesa, pelo que merecem um estudo
à parte. Ficamo-nos então pelas biscoiteiras a propósito destes exemplares de vidro que
adquiri recentemente.
Não fossem os americanos e a
história das biscoiteiras seria curta. Dito assim parece-nos estranho, mas eu
explico.
Embora haja quem diga que as
biscoiteiras surgiram no século XVIII em Inglaterra, o que poderá ser verdade dado
o seu gosto pelos biscoitos, não consegui encontrar representação de nenhuma
até ao momento. O período áureo destas delicadas peças foi o século XIX.
Os principais
exemplares são em vidro, com estética Art Nouveau, em vidro simples, pintadas
ou irisadas, de que os alemães e os franceses foram os principais produtores.
Com uma armação metálica que servia de pega, tinham uma tampa correspondente,
embora este sistema nunca tivesse sido o mais eficaz, para que estas não
amolecessem. Talvez por isso eram utilizadas as caixas em folha-de-flandres,
que eram herméticas. Embora mais úteis sob este ponto de vista não se prestavam
contudo ao fim a que as belas boleiras se destinavam. Eram normalmente objectos
únicos, usados no período do pós jantar, isto é, do café e dos licores. É conhecido
o uso de determinado tipo de biscoitos, as ratafias,
introduzidos no licor com o mesmo nome, deleite dos apreciadores no século
XVIII[1].
Por volta da década de 1920
surgiram na Europa modelos em cerâmica com forma de caixa com bases
rectangulares ou ovais, algumas com pegas e fechos metálicos. Por vezes apresentavam-se com
características Art Deco, com desenhos geométricos aerografados.
Mas foi nos Estados Unidos que
a partir de 1929 se começaram a produzir biscoiteiras em cerâmica de formas
variadas, de animais, bonecos, etc. Muito apreciadas foram desde sempre objecto
de coleccionismo. O coleccionador mais conhecido foi Andy Warhol, cuja colecção
foi vendida por uma fortuna o que impulsionou ainda mais esse interesse.
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| Colecção de biscoiteiras de Andy Warhol. Imagem retirada da internet |
Aos europeus nunca entusiasmaram
muito estes modelos. Em Portugal existem biscoiteiras em cerâmica feitas na Fábrica
de Sacavém, ou outros modelos mais imaginativos da Fábrica Aleluia e pouco
mais. O nosso gosto ficou pelas de vidro e o nosso sentido prático pelas
caixas de lata. Servidos os biscoitos à hora do chá, uma vez que se perdeu o
hábito de acompanharem o café, são habitualmente apresentados em pratinhos,
saídos das ditas caixinhas para quem os faz em casa, ou directamente do pacote
para quem os compra já confeccionados.
É tudo uma questão de gosto.
P.S.1 - Depois de publicado no facebook a Cristina Neiva Correio sugeriu que seria mais adequado usar a expressão biscoteira em vez de boleira que eu sempre tinha ouvido.
Consultei o catálogo dos grande Armazéns Hermínios no Porto de 1911-2 e a designação era «biscouteira».
Já no catálogo do Armazéns Grandella de 1928-9, eram designadas «Biscoiteiras», assim sendo corrijo a designação e agradeço a correção. Com calma vou ver outros catálogos e voltarei a este tema.
P.S. 2 - Agradecia que as pessoas, em especial as mais velhas, dissessem se se lembram de ser usada a expressão «boleira» ou «biscoiteira». É possível que fossem utilizadas as duas e penso que não terá a ver com as regiões do país.
| Catálogo de 1911 |
| Catálogo de 1911 |
| Catálogo de 1928-1929 |
P.S. 2 - Agradecia que as pessoas, em especial as mais velhas, dissessem se se lembram de ser usada a expressão «boleira» ou «biscoiteira». É possível que fossem utilizadas as duas e penso que não terá a ver com as regiões do país.
domingo, 9 de julho de 2017
Batatas floridas
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| As batatas floridas |
O nome atrai-nos
imediatamente. Não se trata de uma modernice mas de um prato tradicional da
cozinha transmontana que conhecemos tão pouco.
A alimentação habitual nas
regiões de Trás-os-Montes tinha por base o que se produzia localmente, pelo que era sazonal
por excelência. Na época da floração da abóboras usavam-se as flores para fazer
este prato. Para o confeccionar só era preciso cebolas cortadas às rodelas e
batatas cortadas em fatias finas.
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| As flores de abóbora antes de arranjadas |
Num tacho colocam-se as
cebolas e as batatas em camadas e por cima as flores da abóbora a que se
retiram os pés e o interior. Rega-se com azeite e polvilha-se com sal. Tapa-se
o tacho e deixa-se cozer em lume brando. Cerca de 15-20 minutos está pronto.
Polvilha-se com pimenta preta e serve-se.
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| Os vários elementos em camadas |
O resultado de um prato tão simples é
magnífico. Pode acompanhar-se com o que se quiser, carne ou peixe, embora
antigamente, em épocas de maiores dificuldades este fosse um prato em si.
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| A bola sovada transmontana |
Experimentei esta receita feita
pela minha amiga Matilde, natural de Pombal, Carrazeda de Ansiães, que transporta
o gosto deste prato desde a infância. A completar comemos «bola sovada» (designação que tem a ver com a forma intensa como é amassada), um
tipo de pão ázimo, que leva azeite que havia sido trazido de
Trás-os-Montes para matar as saudades desta família. Para acompanhar queijo é
uma delícia.
É por estas e por outras que
me irritam às vezes as modernices bacocas, muitas vezes sem sentido, quando
temos pratos tão simples que nunca experimentámos.
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