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sábado, 19 de janeiro de 2019

Toalhas e guardanapos...

Toalhas e guardanapos, a forma como “vestimos a mesa” deu um livro

Alexandra Prado Coelho, Jornalista

Parece um assunto doméstico, mas a história dos tecidos que  colocamos entre a mesa e os pratos cruza-se com a história da economia e da sociedade. Ana Marques Pereira seguiu as pistas dos panos que, ao longo dos séculos, têm vestido as mesas.
Falamos muito do que se coloca em cima da mesa – da comida, em primeiro lugar, mas também, e cada vez mais no universo do fine dining, da louça, dos talheres. Há, no entanto, um elemento que tende a ficar esquecido: as toalhas. Juntamente com os guardanapos, as tolhas são hoje os parentes pobres em muitas mesas. Muitos restaurantes optaram mesmo por prescindir delas, preferindo o contacto directo com a madeira (ou outro material). E, em casa, as boas toalhas geralmente só saem das gavetas em dias de festa.
Foi precisamente para as modas que, ao longo dos tempos, ditaram a forma como se “veste a mesa” que a investigadora na área da alimentação Ana Marques Pereira se propôs olhar. O resultado é Vestir a Mesa, um livro de peso, com uma recolha de imagens excepcional e um trabalho de pesquisa como nunca antes tinha sido feito sobre este tema que, sendo do quotidiano, vai da arte à indústria..........
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Parte da crítica da jornalista Alexandra Prado Coelho publicada hoje no «Fugas« do Jornal Público (19-1-2019), que muito me agradou. Obrigada.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Convite: lançamento do livro «Vestir a Mesa», em Lisboa

Dia 20 de Dezembro, às 18 horas, vai haver o lançamento do meu último livro «Vestir a Mesa- Dressing the Table», na Livraria Ferin.
A apresentação será feita pela Prof. Ana Isabel Buescu.
Eu farei uma pequena apresentação e os agradecimentos, neste caso muito especiais, uma vez que o livro foi feito através de uma campanha de crowdfunding . 
É-me grato constatar que embora não existindo ainda o livro materialisado tantas pessoas acreditaram que ele viria a existir e que justificaria o valor que por ele pagaram antecipadamente.
O livro ficou lindíssimo do ponto de vista gráfico e o tema é completamente inédito no panorama nacional e internacional.
Venham assistir, confirmar estas afirmações e seguramente rever amigos.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Dois corações num toalha

No meio da minha roupa de enxoval, que só ao fim destes anos decidi recuperar, encontrei uma toalha pequena que fez parte do enxoval da minha mãe. É rectangular e as suas cores vivas, que só foram usadas em toalhas em Portugal a partir de 1925, fazem-me pensar que deve datar de cerca de 1940.
O facto de ter uma bordadura noutro tecido, um aproveitamento de uma outra toalha que devia já estar envelhecida, mostra-nos de que forma os têxteis de uso doméstico antigamente eram aproveitados com outros fins. Era uma época em que as velhas toalhas, tal como os lençóis que se “viravam”[i], ganhavam uma nova vida transformando-se em panos mais pequenos.
As pequenas dimensões e o colorido colocam-na posição de toalha para pequeno- almoço, menos provavelmente para chá, uma vez que estas eram mais frequentemente quadradas. O bordado é simples, feito por uma pessoa com pouca experiência, em cores contrastantes, em que se destaca o coração como motivo central. O que me surpreendeu foi estes terem escrito no interior “meu”, referindo-se ao seu próprio coração e “teu” ao do meu pai e utilizados como símbolos de amor.
Agora que o coração do meu pai também já não bate esta toalha ganhou para mim um valor especial e aqueles dois corações ali unidos comoveram-me.
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[i] Virar um lençol significava cortá-lo ao meio e meter as ourelas para dentro, uma vez que esta zona estava menos gasta. 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Vamos à lua

 No dia em que o homem caminhou pela primeira vez na lua, em 20 de Julho de 1969, eu estava sentada em frente ao televisor, com as minha primas para ver as imagens históricas. Como eu milhares de pessoas em todo o mundo aguardavam com expectativa esse momento mágico, a preto e branco, em que Neil Armstrong deu os primeiros passos. Lembro-me perfeitamente da minha tia Olinda que mal olhou para as imagens, porque nunca acreditou em nada naquilo.
A ideia de o homem ir à lua era antiga. As imagens da lua em quarto minguante foram, sobretudo no século XIX, um apetite para a imaginação do homem. Utilizadas em postais e cartazes publicitários contam-se pelas centenas.
 O que eu não sabia é que os portugueses estavam tão bem informados. John Kennedy só em Setembro de 1962, faria o famoso discurso em que disse: «Escolhemos ir à Lua» e que foi aproveitado pela Omega para fazer publicidade.
Em 8 Janeiro de 1960 o proprietário da «Fábrica de Tecidos da Mata», que se  situava na freguesia de Caldas de S. João em Guimarães requereu o registo de um desenho industrial para a barra de uma toalha em que estava escrito «Vamos à Lua».
Nunca vi nenhuma dessas toalhas e duvido que tenham tido grande venda. Fiquei contudo impressionada com a ideia. Como é que alguém pensou que no Portugal de 1960 se iam vender toalhas com aqueles dizeres?. Só se fosse algum lunático, mas esses não compram toalhas.