Mostrar mensagens com a etiqueta Nestlé. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nestlé. Mostrar todas as mensagens

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Brincar às bonecas…com a Nestlé


As bonecas de papel ou cartão recortados foram um presente apreciado para as meninas brincarem. O seu período áureo foi no final do século XIX e início do século XX.
Vinham acompanhadas de vestidos que se colocavam no corpo das bonecas mudando as toiletes. Era mais frequente que tivessem umas pequenas dobras de papel, encaixando nos ombros. Estas contudo apresentam-se com os fatos duplos, isto é, com a parte da frente e a de trás, dobrados, que se metem na cabeça da boneca.
A surpresa foi ao abri-las ter constatado que eram um brinde Nestlé. No interior podem ver-se diferentes tipos de dizeres publicitários referentes a essa marca.
Numa delas há menção às 42 medalhas de ouro e 32 diplomas de honra recebidas na Exposição de Paris de 1900 e à Exposição Internacional de Bruxelas de 1910, onde estiveram presentes os produtos Nestlé. Este dado situa as bonecas nesta época, o início do século XX, o que a estética confirma.
Fizeram a alegria de alguma menina que muito as usou levando mesmo a que a cabeça de uma delas se apresente cosida com linha. É a nossa vez de nos deliciarmos.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Cocktail Alaska para crianças


 Cresci numa época em que não havia ainda as restrições ao consumo do açúcar. Mas as pessoas tinham bom senso e dar às crianças doces, chocolates ou refrigerantes era a excepção e não a regra.
Lembro-me que o meu avô nunca nos deu um doce. Argumentava que faziam mal aos dentes dos meninos e nós aceitávamos. Com o tempo deixámos de pedir, por sabermos que era inútil. 
Agora as crianças são gordas, comem imenso e especialmente maus alimentos, onde se incluem os doces e refrigerantes. Nunca percebi como se passou de uma geração que não queria comer, não tinha apetite, pelo que era magra, para uma geração de crianças que devora a comida e é obesa.

Por isso mesmo me surpreendeu este anúncio de um cocktail para crianças feito com leite condensado açucarado e uma outra bebida preferida. É verdade que se referem a groselha, laranjada e bebidas à base de sumos de frutas e não propriamente a refrigerantes que então se começavam a divulgar.
O anúncio publicado no jornal O Século Ilustrado em Agosto de 1958, seria hoje dieteticamente incorrecto.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

ABC Illustrado Nestlé

Este raro livro para crianças deve ter sido publicado logo no início do século XX, de acordo com a grafia que apresenta e que não obedece ainda à proposta feita em 1904 por Gonçalves Viana, que viria a ser oficializada em 1911.
Tem contudo todas as características do século XIX, data em que deve ter sido concebido na Suíça e traduzido posteriormente para outras línguas. Numa época de raros livros infantis este era oferta dos proprietários da farinha láctea Nestlé. No prologo é introduzida a ideia de que a vida de uma criança, que no início é constituída por carícias, dádivas, brinquedos e farinha Nestlé, no futuro tem maiores exigências, sendo necessário alicerçar a cultura para a qual contribui este abecedário.
Esta farinha láctea resultava da investigação do farmacêutico alemão Henri Nestlé cuja maior aspiração era solucionar o problema da desnutrição infantil. Grassava na Europa a fome e as crianças apresentavam-se mal alimentadas e em muitos casos corriam o risco de adquirem tuberculose através do leite.
Na segunda metade do século XIX os estudos sobre tuberculose obtiveram grandes progressos. Em 1865 Villemin tinha verificado, pela primeira vez, a capacidade de transmissão da doença para os animais, a partir de material proveniente de humanos e em 1882 Robert Koch identificou o agente infecioso. o Mycobacterium tuberculosis que tomaria o nome do seu descobridor como bacilo de Koch. Só mais tarde, em 1897, Smith conseguiu a diferenciação entre o bacilo humano, o bovino e o aviário.
A Nestlé é uma indústria alimentícia que foi fundada em 1866 e na sua primeira fase foi este leite, sobre a forma de farinha, que Henri Nestlé produziu com o seu nome, designando-o um alimento completo para crianças. Foi com este produto que ganhou dezenas de medalhas em exposições nacionais e internacionais que ostenta na capa posterior deste livro.
Farinha produzida em Portugal pela Soc. de Produtos Lácteos AVANCA para a Nestlé
Em Portugal foi em 1923 que ocorreu a Fundação da Sociedade de Produtos Lácteos, Lda., que tinha como principal sócio o Prof. Egas Moniz. A primeira fábrica portuguesa de leite em pó simples foi fundada em Avanca, no concelho de Estarreja, no distrito de Aveiro. Era nela que eram produzidos os produtos Nestlé que então já eram publicitados como alimentos completos para crianças, adolescentes e pessoas idosas.
Mas à época da edição deste livro a produção era ainda feita exclusivamente em Vevey, na Suíça. Neste abecedário o texto apenas nos remete para descrições directamente relacionadas com a produção, consumo e indicações da farinha alimentícia.
As gravuras, de vários autores, são na maior parte feitas por Harry Rountree (1878–1950) um notável ilustrador nascido na Nova Zelândia mas que em 1901 já se encontrava em Londres. Foi responsável por um número enorme de ilustrações de livros infantis, entre eles, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Foi também reconhecido como ilustrador de cartazes publicitários; trabalhou para a revista Punch e ilustrou livros para adultos como os de Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes.

Por tudo isto, este livro resultou tão bem do ponto de vista gráfico, informativo e publicitário.

quarta-feira, 13 de março de 2013

As Bonecas Nestlé da Estevão Nunes

Esta folha de bonecas recortáveis em cartolina era oferecida pela Farinha Láctea Nestlé no início do século XX. Em subtítulo surgia a explicação de que esta era «um alimento completo para crianças de peito e também para crianças em geral e para doentes padecendo do estômago».
Apesar disso as designadas bonecas suíssas Nestlé destinavam-se evidentemente às meninas e eram «a alegria das crianças e o descanso dos pais».

No reverso do cartão eram apresentadas mais informações sobre as vantagens desta farinha e o seu modo de preparação. Não é contudo sobre este produto que quero falar hoje, mas sobre a tipografia onde estas imagens foram impressas.
Ao olharmos para as imagens somos levados a pensar que o cartão podia ter vindo directamente da Suíça, mas na realidade foi feito em Lisboa na Tipografia da Papelaria Estevão Nunes. Este nome já me havia surgido com frequência durante a investigação para o livro «Mesa Real» uma vez que foi nesta tipografia que foram feitos muitos das ementas e cartões para concertos da Casa Real, durante os reinados de D. Luís e D. Carlos. Eram também da sua responsabilidade toda a variedade de cartões para convites assim como de planos de mesa destinados a estudar a posição dos convidados à mesa, antes dos banquetes.
Foi ainda no reinado de D. Luís que foi nomeado Fornecedor da Casa Real (18 de Julho de 1874)[1], título que, embora não incluísse qualquer obrigação de compra pela Casa Real, era um atestado de qualidade e distinção muito almejado pelas empresas na época.

Neste cartão menciona-se um prémio ganho pela Farinha Nestlé na Exposição Internacional de Bruxelas em 1910, pelo que deve ser de data aproximada.

No livro Os Fornecedores da Casa Real (1821-1910)[2] o autor apresenta um cartão desta empresa, da sua colecção, onde se pode ver que Papelaria se situava na Rua do Ouro 56-60 e Rua da Conceição 131-137 em Lisboa, e que tinha a Tipografia na Rua da Assunção, 18-24 e Rua dos Douradores, 101-11. Aliás a forma habilidosa como se apresentam estes endereços levam, numa primeira leitura, a fazer-nos crer na existência de vários locais pertença da firma uma vez que as oficinas e a  tipografia são apresentadas separadamente mas com a mesma morada.
Imagem retirada do livro Os Fornecedores da Casa Real
Para além de serem fornecedores da Câmara Municipal de Lisboa, eram-no também de vários Bancos e companhias, como declaravam nesse mesmo cartão.
Tinham contudo uma outra actividade, a editorial. Das sua tipografia saíram títulos como As Progressões Dolivaes - Demonstração e sua applicações a uma serie de 2.500 numeros[3], da autoria de Sallustio de Souzel, em que o autor apresentava o «mundialmente famoso método Dolivaes para roletas de cassinos, criado por Dolivaes Nunes em Portugal», a Casa com duas portas é má de guardar, uma comédia em verso sobre a mocidade de D. Nuno Álvares[4], ou o relatório da comissão dos festejos na Rua Áurea apresentada aos subscritores no Tricentenário de Camões, feito pelos Thesoureiros da Comissão Estevão Nunes & F.os[5], entre outros.
Fica por aqui a conversa sobre esta empresa, cuja qualidade de trabalho já me havia surpreendido ao constatar que as ementas da sua responsabilidade, impressas no final do século XIX, em nada ficavam a dever às de origem francesa, consideradas paradigma da época.


[1] Mesa Real, p. 223.
[2] Da autoria de Lourenço Correia de Matos, publicado em 2009 pela Dislivro Histórica.
[3] Typographia da Papelaria Estevão Nunes & Filhos, 1909.
[4] Da autoria de Calderón de la Barca, tradução de Francisco Serra. Papelaria Estevão Nunes, Lisboa, 1901.
[5] Lisboa, 1880.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Os Caldos Maggi em Cubo

Decerto ficarão surpreendidos por saber que os caldos Maggi começaram a ser fabricados no início do século XX. Refiro-me aos caldos de carne concentrados, em cubos, porque as sopas em pó começaram a ser produzidas ainda no final do século XIX. Surgiram como uma necessidade criada pela industrialização na Europa, com a saída das mulheres para as fábricas e, consequentemente, menos tempo para o trabalho doméstico.
Foi um suíço, Julius Michael Johannes Maggi (1846-1912), filho de moleiro e habituado a ver moer cereais que trabalhou numa fórmula para tornar estes mais saborosos, o que veio a conseguiu em 1863 e que se considera como sendo o início da marca Maggi.
Dr. Schuler, um médico suíço, que era também inspector fabril, apercebeu-se das condições de vida das trabalhadoras e de como a sua actividade afectava a alimentação das famílias. Foi ele quem alertou o governo suíço para este problema e sugeriu que fosse proposto a Julius Maggi a criação de um produto vegetal nutritivo que fossem fácil de confeccionar. Em 1885 nasciam as sopas instantâneas, produzidas em grande escala, sendo as primeiras as de ervilha e as de feijão.
Em 1886 Maggi & Cª começou a produzir molhos e, no início do século XX, os célebres caldos em cubos. É sobre estes que queremos falar.
Em primeiro lugar quero salientar, se tudo isto nos parece muito moderno, o que dizer dos caldos de carne já propostos por Vincente la Chapelle, na obra Le Cuisinier Moderne, em 1736, e que em Portugal foram também apresentados sob forma de receita no livro O Cozinheiro Moderno ou Nova Arte de Cozinha de Lucas Rigaud, publicado em 1780, com o título:

«Caldo em pastilhas, ou conserva para se transportar, ou por mar, ou por terra a países desertos em jornadas dilatadas; para Comandantes de Exércitos, Governadores de Praças Sitiadas, Cidades aflitas de peste; e outros acidentes, que podem sobrevir, e em que por nenhum dinheiro se pode encontrar, nem galinha, nem carne».

Mas avancemos um século para falar novamente nos cubos Maggi. Logo nos finais de 1888 a Maggi começou a abrir armazéns nas principais capitais europeias, como em Paris, em Berlim, Viena e Londres.
Em 1908, quando surgiu em França o caldo concentrado de carne em cubo foi chamado «KUB».
Olhado inicialmente com desconfiança pelas donas de casa, foi sendo aceite por substituir de forma mais económica a carne. Para isso foram necessárias grandes campanhas publicitárias. E nem os grandes nomes da culinária foram esquecidos para recomendar a sua utilização.
Em Paris Maggi contactou Escoffier para divulgar o seu caldo KUB nas cozinhas comercias. Mas as donas de casa ficavam também abrangidas quando, no seu livro «Le Guide de la bonne Cuisinière», Escoffier declarou:

«Na minha longa carreira de chefe de cozinha pude examinar vários produtos de extractos de carne, utilizados para economizar o tempo de preparação dos alimentos, realçando as suas qualidades saborosas. Posso atestar que os caldos Kub se podem colocar em primeiro lugar».

De forma subtil Escoffier fazia uma comparação com outras marcas que posteriormente tinham aparecido, como a marca alemã de caldos OXO, o Viandox lançado em França pela firma Liebig e a marca Knorr, igualmente alemã.
O grafismo simples de KUB agradava às pessoas e até Picasso foi sensível à sua imagem quando o incluíu num dos seus quadros «Paisagem com cartazes», de 1912, levantando celeuma nos críticos sobre se a sua intenção seria usar uma alegoria à palavra CUBismo ou outra. Alguns chegaram a considerar este quadro como um precursor da Pop-art, antecendento em muitas décadas o trabalho de Andy Wharhol ao usar as latas de sopa Campbell's nos seus quadros.

Não encontrei em Portugal qualquer registo dos caldos Maggi antes da aquisição desta pela Nestlé em 1947. Os caldos em cubo eram no entanto já vendidos pelo seus concessionários em Portugal, a firma Alves & Cª, situada na Rua dos Correiros, nº 41-2º, em Lisboa. Este empresa existia desde 1916 tendo sido fundada pelos irmãos José Bernardo Alves, que era farmacêutico e António Bernardo Alves, guarda-livros e dedicavam-se à actividade de representações estrangeiras.

Mais tarde associaram-se os irmãos Eugénio Bernardo e Joana Maria e passaram a denominar-se Alves e Cª (Irmãos). É interessante que tenha sido também esta firma a representar uma outra empresa suíça, a sociedade Wander, que eram os fabricantes do “Ovomaltine”.
Em 1947 já a representação dos caldos Maggi tinha passada para a Sociedade de Produtos Lácteos, como se pode constatar pelo carimbo aposto sobre a antiga morada, no folheto de 1947, que justificou este poste.
Esta empresa foi fundada em 1923 pelo médico Professor Egas Moniz, que impulsionou a industria leiteira em Portugal e fundou a  primeira fábrica de leite em pó, em Avanca. A fábrica começou a laborar em 1924. Posteriormente a Nestlé e a Anglo Swiss Condensed Milk Cº que já haviam confiado, em 1933, a licença para produção dos seus produtos lácteos à Sociedade de Produtos Lácteos, cuja sede ficava situada na Rua Sociedade Farmacêutica 2, em Lisboa, passou também para essa firma a representação da Maggi. Em 1934 esta firma foi adquirida pela Nestlé.
Os mais novos já não conheceram estes cubos, mas eu recordo-me ainda em pequenina destes em casa da minha tia Olinda, em Lisboa, onde vinha passar férias. Este folheto despertou a minha memória. Ontem, se me perguntassem, diria que estes cubos nunca existiram em Portugal.

domingo, 9 de janeiro de 2011

O Chocolate em pó «Dois Frades»


Encontrei uma caixa de chocolate em pó da Nestlé «Dois Frades». Data dos finais dos anos 80 e tem ainda o pó no seu interior.
Devo dizer que não me recordava desta embalagem, o que é natural, pois vim a constatar que foi feita para o mercado brasileiro.

O que inicialmente me chamou à atenção foi o tacho em cobre que um dos frades utiliza para fazer o chocolate que, por coincidência, é praticamente igual a um que eu tenho. Até a parte terminal do cabo em ferro apresenta uma argola, embora não visível na minha foto.
Ia ficar por aqui. Tencionava apenas falar nesta coincidência. Mas como sempre, as histórias são mais complexas. Descobri que a presença dos frades nesta embalagem de chocolate não foi casual.
Imagem idêntica aprecia já numa embalagem de chocolate em pó, produzida numa fábrica inaugurada em S. Paulo, em 1921 por um brasileiro de nome Mário Gardano. Tratava-se dos «Chocolates Gardano», cujo proprietário produziu também outros doces e dropes sob a marca Dulcora. A fábrica situava-se em S. Paulo, no bairro Mooca, e o chocolate era vendido numa loja situada na Rua D. João de Barros.
A escolha dos frades para a imagem ficou-se a dever ao gosto de Mário Gardano por um pintor do século XIX, italiano, Alessandro Sani. Este natural de Florença, pintou vários quadros em que utilizava a figura dos frades para se referir à luxuria e à gula. O referido tacho aparece igualmente em, pelo menos, dois dos seus quadros, embora a imagem não corresponda exactamente a nenhum deles, mas tenha sido adaptada.
A imagem dos frades ficou de tal modo associada ao Chocolate Gardano, que este era conhecido como o “chocolate dos padres”.
Em 1957 a Gardano foi comprada pela Nestlé, mantendo no entanto esse nome durante mais dois anos, em virtude do sucesso das vendas deste tipo de chocolate.
As embalagens depois dessa data deixaram de mencionar o nome Gardano mas mantiveram a imagem que a associava aos dois frades gulosos a comer chocolate.
E tudo isto foi desencadeado por um tacho de cobre que, por acaso, também tem uma história interessante, que fica para uma próxima vez.