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quinta-feira, 7 de abril de 2016

O Aspirador Electrolux contra inimigos

No Boletim da Legião Portuguesa, de 1941, surgiu um anúncio peculiar ao aspirador Electrolux, que me chamou à atenção. De maiores dimensões que os restantes era dirigido explicitamente ao leitor da revista, designado por «Amigo legionário».
Num tom intimista, com tratamento por tu que não era usual à época, apresenta algum espírito militarista aconselhando a defender-se dos inimigos da saúde que se escondem na própria casa. A mensagem veiculada tem também um sentido higienista aconselhando o aspirador na luta contra os pós e micróbios.
Esta ideia de purificação do ar, ao permitir uma limpeza mais profunda, que hoje nos é estranha era uma das bandeiras da empresa como podemos ver neste anúncio do próprio jornal Electrolux, distribuído nos Estados Unidos na década de 1940. 
E para terminar a análise deste anúncio não posso deixar de chamar à atenção para o facto do texto ser dirigido ao elemento masculino que o não utilizava. Era contudo o período em que o homem oferecia os eléctrodomésticos à sua mulher, juntando o útil ao agradável e tornando esta feliz. Perfeito.

domingo, 3 de abril de 2016

Museu Virtual: Torradeira Carrossel

 Nome do Objecto: Torradeira
Descrição: Torradeira circular rotativa com 4 entradas para torradas que podem ser alouradas ao mesmo tempo movendo as grelhas de inserção. A resistência encontra-se num cilindro central.

Material: Metal niquelado e baquelite grenat no botão superior e nos três pés.

Época: c. 1925-1930

Marcas: SALUTA 584 N.

Origem: Produzida na Alemanha, foi adquirida no mercado português.
Grupo a que pertence: Equipamento culinário.

Função Geral: Confecionar alimentos.

Função Específica: Torrar fatias de pão.

Nº inventário: 2081 

Objectos semelhantes: Ainda não inventariados.
Observações: Esta torradeira Art Deco, também conhecida por torradeira carrossel, é uma das mais famosas torradeiras rotativas.

sábado, 31 de maio de 2014

Uma máquina de sumos japonesa National

  
A marca “National”, que já não existe, foi fundada por Konosuke Matsuhita (1897 -1989). Este camponês de uma aldeia do Japão partiu para a grande cidade e, após muitas dificuldades, conseguiu construir uma empresa de sucesso que, a partir da década de 1980, se passou a designar Panasonic.
A empresa Matsushita fez o registo da marca National em 1925 e começou por fabricar faróis para bicicletas. Antes de passar a produtor de materiais electrónicos produziu também um gama variada de electrodomésticos de que este espremedor de sumos é um exemplo .
O seu eletrodoméstico de maior sucesso seria contudo a panela para cozer arroz, criada em 1956, que se tornaria num objecto indispensável em todos os lares asiáticos.

A insígnia que caracterizou a empresa National surgiu em 1937, ainda em japonês. Em 1959 adoptou como insígnia o “N” gordo que a iria caracterizar, mas ainda com um lettering em japonês. Só em 1966 passaria a ostentar a palavra “National” em inglês.
Esta conversa serve para tentar datar a máquina aqui apresentada. É que apesar de a empresa possuir um museu e um site onde se mostra a evolução dos seus produtos não consta este espremedor eléctrico. Também não me foi possível determinar com exactidão o início de produção deste tipo de espremedores por outros fabricantes.
Microondas National de 1966
Foi também no ano de 1966 que a Nacional criou o primeiro microondas, um aparelho espantoso, vertical, estreito para caber num pequeno espaço, que nada tem a ver com os de hoje. Mas a sua produção para o mercado doméstico incluiu ventoinhas, frigoríficos, aspiradores, ferros eléctricos, etc.
Em 1967 foi lançado um gravador de cassetes, que aqui menciono por achar que esta máquina de sumos tem imensas semelhanças com os gravadores da época. Como se pode constatar apresenta-se na forma paralelipídica, com botões na frente e até tem uma asa para transporte, à semelhança de um rádio ou gravador.

Foi a partir da década de 1930 que nos Estados Unidos surgiu a moda dos sumos, em especial por acção de Norman Walker que defendia a «alimentação viva» com frutas e legumes crus, mas a sua máquina de sumos, que ainda hoje tem um sucesso enorme e é vendida por mais de 2000 dólares, não era eléctrica.
Nas décadas seguintes, começaram a entrar na cozinha os primeiros aparelhos eléctricos. Na década de 1940 surgiram os espremedores de citrinos eléctricos de que a marca Sunkist é um interessante exemplo. Mas aparelhos do tipo do apresentado (juice extractor) só surgiram nas décadas de 1960-1970. Existe um pedido de patente de uma máquina semelhante a esta, feito pela Matsushita para o mercado americano, que seria aprovada em 1980.

Em Portugal foi após os anos 70 que se começaram a usar estes electrodomésticos. Antes as pessoas faziam os sumos nas liquidificadoras, ou máquinas de batidos, que actuam por processos diferentes. Os sumos de tomate que eu bebi em criança eram feitas com essas máquinas.

Para não me alongar mais sobre este assunto, concluo dizendo que me parece bastante raro o aparecimento desta máquina de sumos em Portugal, felizmente acompanhada pelo livro de instruções e receitas, e que deve datar da década de 1970.
E porque o texto ficou um pouco denso decidi aligeirá-lo com um vídeo promocional dos ABBA aos electrodomésticos National , numa adaptação da canção «Fernando». Uma pérola publicitária!

sábado, 24 de agosto de 2013

Um sorteio dos Bombeiros Voluntários da Ajuda em 1956

 
Abre-se a televisão e lá estão os fogos que devoram o país durante o verão, este ano com a agravante da perda de vidas de bombeiros.
A propósito, lembrei-me de um folheto publicado pela associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Ajuda (Cruz Verde) para um sorteio de utilidades domésticas que se realizou em 15 de Agosto de 1956.
O dinheiro realizado com a venda dos bilhetes do sorteio destinava-se à compra duma auto-maca da marca Mercedes, de cor verde como a cruz que caracteriza a corporação. 
O interessante é que este folheto, de grande beleza gráfica, me levou a descobrir a existência desta associação de bombeiros que ainda hoje se mantém activa e que tem uma longa história. Foi fundada em 10 de Abril de 1880, no Largo da Ajuda, em Lisboa, por iniciativa de um grupo de cidadãos que teve conhecimento de que existia no Palácio da Ajuda, uma bomba do sistema flaud (caldeira que projecta água assente sobre a estrutura de uma carroça), que havia sido oferecida por D. Pedro I ao rei D. Luís. 
Os estatutos iniciais basearam-se nos da 1ª associação de bombeiros portugueses, os Bombeiros Voluntários de Lisboa e na assembleia geral que teve lugar em Maio de 1881, foi decidido que o infante D. Afonso fosse nomeado presidente honorário da associação passando esta a usar no seu título a expressão «Real Associação». 
Talvez tenha sido esta ligação que fez com que o infante D. Afonso, um dos primeiros portugueses a possuir carro, e apreciador da velocidade, exclamasse «Arreda, arreda» para afastar as pessoas do caminho. Ficou conhecido pela alcunha do «Arreda», mas quem sabe se não terá sido influenciado pela urgência dos bombeiros em chegar aos locais, numa forma sui generis de sirene pessoal. 
Esta associação teve uma actividade de grande apoio à população durante o período da revolução republicana que não foi reconhecida pela Cruz Vermelha, a que não terá sido alheio o facto de ter sido uma colectividade protegida pela família real, o que levou a que, em 1911, em assembleia decidissem passar a utilizar o distintivo da Cruz Verde, em tom esmeralda. 
Um outro aspecto interessante e desconhecido é que o grande actor António Silva entrou ao serviço como bombeiro de 3ª classe em 1905 e foi subindo na hierarquia até ser comandante em 1932, cargo que efectuou com zelo, pelo que em 1941 passou ao Quadro de Honra como comandante. 
Referidos estes aspectos passemos ao folheto que nos mostra as imagens das «utilidades domésticas» que eram objectos desejados em todos os lares portugueses. Embora as marcas não sejam as mais divulgadas na época mostram-nos uma grande variedade, que incluí mesmo uma máquina de fazer gelados, e que seguramente terá despertado grande interesse.
Espero que o objectivo da compra da auto-maca verde tenha sido conseguido. Esta é, pelo menos, uma história refrescante neste verão quente sobre uma associação de bombeiros com 133 anos de existência.

domingo, 9 de junho de 2013

Museu Virtual: Misturadora e Máquina de Gelados Starmix

Nome do Objecto: Misturadora e Máquina de Gelados Starmix

Descrição: Base em metal com motor da máquina,com copo misturador de vidro com lâmina. Tem como acessório um copo em baquelite com espaço para colocação de gelo e que era adaptado à base.

Material: Metal, vidro e baquelite.

Época: cerca de 1950.

Marcas: Starmix. Electrostar.

Origem: adquirido no mercado português.

Grupo a que pertence: equipamento culinário.

Função Geral: Equipamento para preparar os alimentos

Função Específica: Equipamento culinário para misturar os alimentos junto com Equipamento para arrefecer os alimentos.

Nº inventário: 1080.

Objectos semelhantes: Não classificados.
Observações:
A designação do aparelho é a de misturadora. Contudo, os múltiplos acessórios para picar, ralar, cortar pão, centrifugar leite e fazer gelados, que se podiam agregar, fazem dela um dos primeiros processadores de alimentos, mais tarde integrados num único objecto.
Foi em 1921 que Robert Schottle fundou em Estugarda uma firma de produtos eléctricos. A sua primeira comercialização foi de um aspirador de saco designado «Ventus». Em 1925 a firma, com um longo nome alemão, passou a designar-se Electrostar. Em 1946 surgiu o conceito de uma máquina de cozinha Starmix como uma ideia revolucionária. Em 1948 foi feito o 1º exemplar, mas apenas em 1949 foi comercializado. Considerado um dos primeiros sinais da retoma da economia na Alemanha, foi apresentado em feiras industriais e tornou-se um grande sucesso nos anos seguintes.
Em 1950 iniciou-se a exportação para vários países entre os quais Portugal. Em 1951 a Starmix ganhou uma medalha de Ouro no Culinary Art Show International, em Frankfurt. No ano seguinte foi apresentado na Autumn Fair de Colónia uma nova forma da Starmix, a «Electro Estrel», que combinava o liquidificador com o misturador e que ganhou nova medalha de ouro. Presentemente a firma pertence ao grupo ALGO.

Ver apresentação em :

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O ferro de engomar eléctrico nas facturas da CRGE

Nas décadas de 1920 e 1930 as facturas da Companhias Reunidas de Gás Electricidade (CRGE) não se limitavam as apresentar as contas aos seus clientes. Eram também educativas e serviam de veículo para a divulgação dos novos electrodomésticos.
Apresentei há algum tempo uma factura em que se fazia a defesa do uso do frio para a conservação dos alimentos.
Hoje mostro outras facturas, por ordem cronológica, em que se focavam as vantagens de engomar com ferros eléctricos. Vantagens evidentes se pensarmos nas alternativas.
Na realidade no final dos anos 30 os ferros de engomar, que a própria CRGE vendia a prestações mensais, eram já o segundo electrodomésticos nos lares portugueses, apenas suplantado pelos rádios.

domingo, 27 de janeiro de 2013

O passe-vite ou o passador de legumes

 Quando há alguns anos mudei de casa, pela primeira vez deitei fora imensas coisas que pensei já não me faziam falta. Entre elas estava um passe-vite. Tinha entretanto comprado utensílios eléctricos que achei que substituíam os manuais e se podiam dispensar.
Arrependi-me mais tarde e há alguns meses adquiri um novo passe-vite, porque me apercebi que algumas pratos, como o puré de batata, não podem ser feitos com as máquinas eléctricas.
 Estas memórias vêm a propósito de um leque publicitário sobre «A família Mouli» oferecido pelo representante da marca em Portugal, A. Castanheira, em 1960.
 A história da invenção do passador de legumes ou «passe-vite» é disputada entre um francês Jean Matelet, que registou um «Moulin-legumes» em 1932 e um belga, Victor Simon, que registou a marca «Passe vite» para um passador de acção rápida para legumes e outros comestíveis, na Bélgica, em 1928.
 Na realidade o ganhador foi Mantelet que rapidamente comercializou o seu modelo e iniciou a sua produção. Feito em metal o modelo foi não só aperfeiçoado como dele resultaram muitos outros com fins semelhantes. Assim surgiram os moinhos para ralar, o moinho de salsa, os corta legumes, o moinho de carne e o moinho bebé. Da família Mouli aqui representada neste leque publicitário faziam também parte os moinhos para sal, pimenta e mostardeiro.
Passador usado sobretudo para moer salsa. Os dois modelos estão separados por mais de 20 anos.
Jean Mantelet apoiou-se em campanhas publicitárias bem pensadas dirigidas às mulheres, com a mensagem de que os seus produtos lhes facilitavam a vida, enquanto ia transmitindo aos maridos a ideia de que deviam perceber esse conceito e que a felicidade do casal passava pela oferta desses bens.
Lembro-me perfeitamente de o pai oferecer nos anos 60 e 70 electrodomésticos à minha mãe, pelo Natal e pelos aniversários. Nessa época tornaram-se no presente adequado para a mulher, como se a única função fosse a de dona-de-casa.
Em Portugal a marca «Mouli» foi registada pela empresa Moulinex, S.A. em maio de 1952, enquanto o «Mouli julienne» apenas o foi em Março de 2000. Mas já era comercializado muito antes, penso que também desde a década de 1950-60. Recordo-me de este cortador de legumes ter chegado a casa da minha tia, de abrirmos a caixa e tirar de lá o aparelho com as suas 3 pernas desdobráveis e as várias placas de corte. Não sei se alguma vez foi utilizado porque aquela caixa manteve-se fechada muitos anos.
Mas estes aparelhos foram um sucesso e invadiram todos os lares. Em França apenas entre 1933 e 1935 foram vendidos mais de 2 milhões de exemplares.
A imaginação de Mantelet não parava e entre 1929 e 1953, registou 93 patentes. Em 1956, influenciado pelas «Velosolex» então em moda (lembram-se?), integrou um moinho eléctrico numa das suas invenções nascendo o primeiro moinho eléctrico de café, o «Moulinex», que viria a dar o nome à própria empresa em 1957.
Na década de 1970 a empresa estava no auge com a venda de pequenos eletrodomésticos vendidos a preços acessíveis.
Mas em 1985 os problemas financeiros levaram ao despedimento de pessoal, revelando os problemas da empresa. Em 1996 a crise estava instalada, sobretudo depois da compra da Krups em 1991. Em 2001 deu-se a liquidação da empresa, embora a marca tenha sido posteriormente comprada pela SEB.
Mantelet não viveu o suficiente para assistir a esta parte final. Mas ninguém lhe tira o mérito de ter revolucionado a cozinha e facilitado a vida das donas-de-casa. Para a história ficam ainda o uso de duas palavras: «passe-vite», como sinónimo (e não tradução) de passador de legumes e a palavra «Moulinex», a que se associa imediatamente um pequeno electrodoméstico.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Quando as facturas de Electricidade eram bonitas

 Talvez ainda se lembram da C.R.G.E (Companhias Reunidas de Gás e Electricidade). O que já não se podem lembrar é das facturas antigas.
 Vejam como eram bonitas, informativas e com um preço tão agradável.
A empresa na altura estava apostada na divulgação dos electrodomésticos, ainda raros em Portugal.
 Nesta factura valorizava-se a importância do frio na conservação dos alimentos e deixava-se um convite para uma exposição sobre o tema no Cinema Tivoli.
 Como sugestão apresento um anúncio dessa época a um frigorífico «Electrolux». Foi publicitado no jornal «O Século» de 18 de Julho de 1939.
O seu preço era ainda elevadíssimo, o que explica que fossem uma raridade nos lares portugueses. Quanto ao modelo, se tiverem curiosidade, podem vê-lo num poste anterior.

domingo, 15 de julho de 2012

A Maria Papoila e os electrodomésticos

"Maria Papoila" era o título de um filme realizado por Leitão de Barros, no período áureo do cinema português. Estreado a 15 de Agosto de 1937 no cinema S. Luís foi uma comédia de grande sucesso em que participaram mais de 50 artistas portugueses e de que faziam parte Amarante e António Silva.
Conta a história de uma pastora beirã, chamada Maria Papoila que vem servir para Lisboa. Integrando-se num estereótipo de casal “a sopeira e o magala” é a narrativa da vida de uma rapariga simples, criada de servir numa casa rica, que se enamora por um soldado raso que pensa ser da sua condição social. Na realidade é um menino rico por quem se apaixona. E se não conhecem o resto da história têm que descobrir no filme, que está disponível no youtube.
O fogão grande dentro da lareira
As cenas do filme mostram o mundo de Maria Papoila (Mirita Casimiro) que é a cozinha, que partilha com a sua colega de trabalho Alzira (Virginia Soler). É esse aspecto, e não a engraçada história, que hoje focamos.
Se bem que nos parece antiga a cozinha era, para a época, extremamente moderna, de tal modo que foi publicada, em 1937, na revista «O Amigo do Lar» que era o «Órgão de Propaganda das Companhias Reunidas de Gás e Eletricidade».
 O pequeno fogão a gás
A imagem mostra os fogões a gás que a companhia fornecia a prestações, um atrás de Alzira e outro, mais pequeno, sobre o móvel junto ao menino da casa (Alves da Costa).

E a revista chamava à atenção dos leitores para a «excelente máquina de lavar roupa» à esquerda, bem como para o aspirador que Maria Papoila «empunhava com garbo, no diálogo das três sopeirinhas» na escada.
 O aspirador nas mãos de Maria Papoila
E o artigo concluía que « se outros motivos de êxito não  bastassem para o sucesso retumbante deste filme, bastaria o admirável estudo da criada lisboeta para o impor ao público, como o melhor espectáculo desta época.»
 Pacote de açucar com a capa da partitura da autoria de Stuart Carvalhais
É natural que estas imagens tenham contribuído para a aceitação dos electrodomésticos que se foram insinuando nos lares portugueses, mas o que ficou mesmo foi o significado de «Maria Papoila» aplicado a pessoas simples e íntegras. E se os primeiros se divulgaram progressivamente, pelo contrários as «Maria Papoilas» entraram em extinção.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Os Ferros Eléctricos Morphy Richards

O ferro eléctrico foi o aparelho doméstico que mais depressa ganhou lugar nos domicílios portugueses. Não é de admirar se pensarmos no que existia anteriormente: os ferros aquecidos com carvão em brasa.

A primeira patente de um ferro eléctrico surgiu em 1882 registada por Henry W. Seely, um americano de Nova Iorque. Os primeiros ferros utilizavam um arco de carbono que não era um método seguro. Foi dez anos depois, em 1892, que surgiram ferros com resistência eléctrica, registados inicialmente por duas companhias a Crompton Cº. e a General Electric.
Em 1905 Earl H. Richardson introduziu no mercado um ferro que concentrava o calor na base do mesmo, um enorme avanço se nos lembramos que até aí todo o corpo do ferro aquecia. A presença deste ponto quente (hot point) foi um sucesso e em 1907 a própria empresa que os produzia passou a designar-se Hotpoint Electric Heating. Seria mais tarde integrada no grupo General Electric.
Esta é uma parte da história americana dos ferros eléctricos. Na Europa foi em Inglaterra que um engenheiro de nome Charles Richards, se  associou a um vendedor, Donal Morphy, para formarem uma empresa designada Morphy Richards a 8 de Julho de 1936. Em 1938 começaram a fazer ferros eléctricos que tiveram grande divulgação tanto no país de origem como no nosso.
 Quanto aos ferros a vapor só surgiram na década de 50 e os créditos para a sua invenção são atribuídos a Thomas Sears. Quanto à Morphy Richards começou a produzi-los em 1954, tendo lançado um modelo tão revolucionário que se iria manter durante 20 anos.
Em Portugal foi sobretudo a partir da década de 1930 que se deu a passagem do uso de ferros de passar não eléctricos para eléctricos. O Instituto Nacional de Estatística, em 1930, registou uma importação de ferros não eléctricos da ordem dos 80%, mas em 1932 esta já tinha descido para 30% e em 1937 para 13%. Nos anos 50 os ferros eléctricos estavam à frente de qualquer outro electrodoméstico nos lares portugueses, apenas superado pelas telefonias.
A marca Morphy Richards, uma das mais divulgadas, era vendida em Portugal pelos Estabelecimentos Sida, situados na rua de S. Nicolau, 44-48. Publicitados em várias revistas como a Eva, estes ferros tiveram na década de 1950 grande sucesso com uma linha com cores suaves em azul, amarelo e verde.
O expositor aqui apresentado tinha a finalidade de mostrar um modelo de ferro da marca Morphy Richards. Destinava-se ao mercado português e foi feito no nosso país por S. Freitas, que realizou outras peças deste tipo, para outros produtos.

A imagem de um casal feliz em que a mulher agradece ao marido a oferta de um ferro Morphy Richards com vários beijos na face traduz uma realidade que durante décadas se viveu em Portugal: a da oferta de electrodomésticos pelos aniversários e Natal às donas-de-casa. A legenda sucinta diz tudo:«Ah. Um Morphy Richards».