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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Um serviço infantil em forma de palhaço

Este objecto com a forma de brinquedo é na realidade um conjunto em plástico que serve para dar as refeições a uma criança, de forma divertida. Foi feito na década de 1940 nos Estados Unidos e trazido para Portugal por um avô Coutinho que o personalizou para a sua neta Celina Maria, ao mandar gravar o seu nome na barriga do palhaço.
O conjunto ou serviço é composto por 5 peças: um pires azul, uma chávena encarnada, uma taça amarela, um oveiro branco e um saleiro cónico azul. 
Era na altura produzido pela forma Crown Craft Produts, situada em Nova Iorque que usou a expressão «tak-a-part», que não existe, em vez de «take apart», para explicar que é uma peça desmontável.
 Na embalagem o fabricante dizia que o número da patente estava pendente mas na realidade nunca chegou a ser pedido. Talvez isso explique a produção do mesmo objecto na década de 1960 pela firma Monarch Plastics Corp. de St. Albans, NY., idêntico na forma e na embalagem, embora nessa altura o boneco já não apresentasse pinturas.
Palhaço feita pela Monarch Plastics
Um presente que certamente provocou a alegria da sua neta, embora seja de concluir que nunca chegou a ser usado dado o bom estado do palhaço e da embalagem.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Um "tête-à tête" do Moinho Fluminense

Este conjunto de porcelana parece um tête-à-tête de brincar. Todas as peças apresentam escrito a dourado «O Moinho Fluminense. Manáos».
Pensei no início ser um presente de algum restaurante, mas na realidade apenas encontrei na cidade de Manaus um estabelecimento com essa designação, que correspondia a uma loja de venda de produtos alimentares, pertença de J. Guimarães Júnior.
É provável que fosse uma sucursal da conhecida fábrica de moagem «Moinho Fluminense» (1), fundada no Rio de Janeiro em 1883 e com alvará de funcionamento com a data de 1887. O edifício de grandes dimensões, foi construído de raiz de acordo com o projecto do arquitecto António Januzzi e destinava-se à moagem de cereais. A importância do edifício acompanhava a da indústria da panificação que dava no Brasil os primeiros passos; na realidade o pão de trigo só foi conhecido no Brasil no século XIX. A corte portuguesa habituada ao pão de trigo em Portugal seguramente que deve ter estranhado.
Foto da Fundação Bunge
Em 1914 o «Moinho Fluminense» foi adquirido pela empresa alimentar «Bunge Brasil». Em 1955, de acordo com um anúncio aos seus produtos existia também o chamado «Moinho Central» em S. Paulo, igualmente pertença da então designada firma «Moinho Fluminense, SA.». Ambos os edifícios foram abandonados e sofreram incêndios. Tiveram, contudo, destinos diferentes; enquanto o moinho de S. Paulo foi implodido, o do Rio de Janeiro transformou-se num centro comercial.
Quanto à  provável filial em Manaus só consegui encontrar uma foto, em que a simplicidade do edifício contrasta com o requinte do serviço de porcelana. Seguramente que falta um elo nesta história, que deve estar relacionado com o progresso associado ao “ciclo da borracha”.
Aqui fica a imagem do requintado serviço que, imagino, foi trazido para Portugal por alguém que viveu no Brasil. Quanto à explicação da identificação em letras douradas «Moinho Fluminense. Manáos» é um desafio de que fico a aguardar achegas para esclarecimento.  

(1) A ausência do «O» inicial torna esta hipótese menos consistente.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Servicinho de luxo em louça

Antigamente os meninos depois do Natal juntavam-se e mostravam as suas prendas.
Penso que já não acontece isso. Em primeiro lugar os meninos já não vão para a rua brincar. Depois, o número de presentes que recebem é tão grande, que já não lhes atribuem o mesmo valor que nós atribuíamos.
Eram presentes especiais porque desejados durante muito tempo e raros.

Lembrei-me disso ao mexer nesta caixa que, por acaso, recebi pouco antes do Natal.
Não tem qualquer marca identificadora na caixa ou na base da louça.
Deve ser portuguesa e datar dos anos 40.
No interior tem um rótulo que diz: «Servicinho de luxo em louça».
Uma doçura que deve ter feito a alegria de uma menina, num Natal distante.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Um serviço de louça para criança de Peter Fraser

Tive a sorte de adquirir um conjunto raríssimo de louça para criança. Trata-se de um serviço composto por 5 peças, com um prato raso, um prato para papa, um prato para sopa, uma caneca e um copo. O conjunto vinha acompanhado por um pequeno livro, da autoria de Peter Fraser, intitulado «Animal Frolics». Peter Fraser nasceu nas Ilhas Shetland em 1888. Entre 1907-1910 trabalhou em Londres e estudou na Central School of Arts & Crafts. Foi ilustrador de vários livros e caricaturista, tendo publicado o seu primeiro desenho no Punch, em 1912. Trabalhou depois em vários jornais e revistas.
O seu primeiro livro foi Funny Animals, publicado em 1921. Durante os anos seguintes continuou a trabalhar para várias revisitas fazendo desenhos infantis.
Na área da publicidade desenhou para a empresa de tabacos Stephen Mitchell desenhando cartões para acompanhar os cigarros, bem como para uma empresa de confeitaria chamada H. J. Packer, de Bristol, com um trabalho gráfico idêntico, em 1936.

Durante os anos 30 criou a figura de um cão, de raça terrier, que viria a tomar um papel importante no livro Tufty Tales, publicado em 1932. Quando começou a II Guerra Mundial foi encarregue pelo Ministro da Informação para desenhar um poster que se destinava a encorajar as pessoas a produzirem alimentos nos jardins de suas casas. O seu desenho de um jardineiro, com um ancinho às costas e com um cesto cheio de vegetais, tornou-se numa das imagens mais famosas das campanhas de incentivo durante a guerra. A própria mensagem «Dig on for Victory», transformou-se numa palavra de ordem.
Durante os anos 40, juntamente com a sua mulher Edith Fraser, publicou uma série de livros infantis. De entre eles salientam-se títulos como Chuffy, Floppity-Hop e Helping Mrs Wigglenose.

Embora tenha encontrado informação de que esta louça data dos anos 40, penso que será dos anos 50 a série de louça intitulada «Animal Frolics». O nome de Peter Fraser vem na base de todas as peças, bem como o numero de registo 846382.

Esta louça foi feita na Fábrica de James Kent, Ltd, intitulada «Old Foley Pottery». Situada em Longton, no Staffordshire, teve o seu início em 1897 e seria demolida em 2006.

As palavras “Old Foley Pottery" passaram a ser usadas nas peças depois de 1955, pelo que acredito que é dessa data este conjunto de louça infantil.

Quanto ao livro que acompanha este serviço conta a história de uma vila onde viviam vários animais. As principais personagens são o Elefante, o Porco, o Esquilo e o Urso, cada uma com as suas características. No livro recomenda-se que as crianças observem os animais representados nas várias peças, incluindo o esquilo que não consegue pescar um peixe e que vem desenhado na caneca e no copo. Peter Fraser retomou aqui um tema em que havia colaborado anteriormente. Intitulado igualmente «Animal Frolics», continha seis poemas da minha apreciada Enid Blyton. Foi ilustrado por Peter Fraser e por M. Claytone e a primeira edição data de 1926.
Há encontros felizes.