Falo hoje do único licor monástico português: o «Licor de Singeverga», que toma o nome do próprio mosteiro beneditino.
Tal como veio a acontecer noutras ordens monásticas a regra de S. Bento estabelecia que o convento devia ser autónomo. Dentro da cerca e junto à zona das cozinha existia a viridaria. Uma das áreas estava reservada à plantação da ervas aromáticas usadas não só na alimentação mas também na botica, enquanto que no horto eram cultivadas as verduras para a alimentação e no pomar os frutos.
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| Antiga casa dos donatários |
A reforma monástica iniciada pelo rei D. Sebastião e levada a cabo pelo Cardeal D. Henrique levou à criação das “Congregação dos Monges Negros de S. Bento dos Reinos de Portugal”. Tendo como casa mãe o Mosteiro de Tibães, daí disseminaram muitos mosteiros beneditinos.
Hoje o único mosteiro beneditino masculino em Portugal é o de Singeverga. Tem uma história curta. Foi fundado em 1892 na freguesia de Roriz (Santo Tirso), após a restauração da vida beneditina, na sequência da extinção das Ordens Religiosas, em 1834.
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| Edifício antigo do mosteiro junto ao qual se situa a fábrica de licores |
Quem melhor que os frades, que tinham acesso à ervas e ao processo da destilação, para serem os iniciadores da produção de licores. No início os xaropes, as infusões e as decoções eram usadas para produzir medicamentos. O seu mau gosto levou adição do mel, substituído mais tarde pelo açúcar.
O «labora» desta ordem de que falamos passa pela produção de um licor ainda mal conhecido, o único licor de origem monástica produzido em Portugal. Esta especificidade justificava uma vista. Falei com o padre Albino Sampaio Nogueira, encarregue da produção e comercialização desta bebida. Foi em 1945 que começou a sua produção, graças à acção de um amigo do mosteiro, o engenheiro químico de nome Botelho.
O «labora» desta ordem de que falamos passa pela produção de um licor ainda mal conhecido, o único licor de origem monástica produzido em Portugal. Esta especificidade justificava uma vista. Falei com o padre Albino Sampaio Nogueira, encarregue da produção e comercialização desta bebida. Foi em 1945 que começou a sua produção, graças à acção de um amigo do mosteiro, o engenheiro químico de nome Botelho.
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| Os garrafões de infusão |
Os licores estão sempre envoltos em mistérios e nunca nos explicam como são feitos, mas o padre Albino explica-nos com simplicidade o moroso processo. Assim explicado até parece fácil. Começa com a maceração das especiarias em álcool etílico a 95º, onde ficam quatro dias, com agitação regular manual. É aqui que entra o açafrão, a canela em pau, a noz-moscada, o cravinho, o cálamo aromático, raiz angélica, a baunilha em vagem, etc.
É feita depois a destilação da água e a do álcool a que se junta depois um xarope feito com água, açúcar e ácido cítrico de modo a descer a graduação alcoólica. No final adicionam-lhe caramelo e chá preto para dar cor ao licor e acertar o teor alcóolico que no final se situa nos 30º.
Passa depois o licor para barricas de carvalho onde estagia pelo menos durante um ano. O licor é depois filtrado e engarrafado manualmente, tal como os rótulos e as garrafas são embaladas. E lá vão elas, em três tamanhos, para as grandes superfícies.
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| Local de destilação |
Passa depois o licor para barricas de carvalho onde estagia pelo menos durante um ano. O licor é depois filtrado e engarrafado manualmente, tal como os rótulos e as garrafas são embaladas. E lá vão elas, em três tamanhos, para as grandes superfícies.
Esta produção, tal como a venda de leite produzido pelas simpáticas vacas que pastam nos terrenos circundantes são a fonte de rendimento desta ordem.
Tal como aconteceu com uma loja do Porto, que depois de eu ter feito várias perguntas e fotos me perguntou quanto tinha de pagar pela publicidade, eu respondi: «Nada. A minha publicidade é de graça». Aqui eu posso acrescentar que nestes casos: «O gosto em fazê-la é todo meu».






