domingo, 31 de maio de 2026

Uma ementa histórica

 

Nos anos 70 visitei a Pousada da Caniçada, no Gerês, e a beleza do local ficou sempre na minha memória. Sabia que tinha fechado, mas não tive mais qualquer informação. Agora ao organizar umas ementas da Maria Emília Cancela de Abreu encontrei uma da inauguração e não resisti a falar nela.

Na década de 1950 surgiu como alojamento para engenheiros envolvidos na construção da barragem da Caniçada. Esteve encerrada ao público durante quase cinco anos, no início da década de 1960.

Foi oficialmente inaugurada como pousada pelo Presidente Américo Tomás, em 1968. Foi este momento o registado pela RTP (em 21-06-1968), onde pode ser vista uma filmagem da mesma, com a chegada do Presidente, aclamado pelo povo e o jantar da inauguração. A deslocação integrava-se na visita oficial à região norte de Portugal.

A ementa apresentada, apesar de não ter especial beleza tem o interesse de estar assinada por Américo Tomás e de nela constar o registo da refeição que, hoje seria considerada bem simples.

Os primeiros responsáveis pelo espaço, ainda no tempo do Estado Novo foram os Ballier, um casal francês que ficou com a concessão da pousada até ao 25 de Abril. A pousada que tinha o nome de S. Bento da Caniçada e de que fazia parte uma estátua do mesmo tinha o aspecto de casa dos Alpes. As suas vistas eram deslumbrantes. 

Esteve encerrada durante a década de 1980 para obras de remodelação e ampliação, mas manteve o espírito inicial. A unidade reabriu oficialmente em 1999. Em 2008 sofreu nova ampliação para os actuais 36 quartos.

Momento da oração que antecedeu o jantar
A ementa transportou-me para o passado e trouxe-me a vontade de rever a barragem da Caniçada deste local magnífico. A propósito, vale a pena ver o filme no site da RTP. É também um regresso ao passado.

 

 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Um bule inglês Cosy

Esta peça corresponde a um bule "Cosy", fabricado pela prestigiada fábrica Wood & Sons, em Burslem, Inglaterra. O nome "Cosy" deve-se ao facto de ter sido pensado para manter o chá quente por mais tempo. O seu formato arredondado e a tampa com um encaixe profundo, ajudavam a vedar o calor. Muitas vezes eram vendidos como uma capa de metal, cromada e forrada a feltro, que encaixava na cerâmica para isolar ainda mais o calor.

A fábrica foi fundada em 1865 por Absalom Wood, e durante o século XX, expandiu sua produção e exportou para inúmeros países, como é visível na base da peça. Viria a encerrar em 2005.

Chama-nos à atenção o contraste entre o azul vibrante e a asa em preto, que lhe dá uma estética Art Déco muito elegante e, aos nossos olhos, inovadora.

 

Surpreendente é a base, com um autêntico "mapa-múndi" de registos. Refere patentes nos EUA (1923), Grã-Bretanha, Canadá (1922), Argentina, Brasil e Chile. De acoro com as datas das patentes (1922-1923), esta peça foi provavelmente fabricada entre meados da década de 1920 e 1930. Isso indica que, na altura, este era um produto de exportação inovador e muito protegido legalmente. Apesar desta internacionalização interrogamo-nos, como veio parar a Portugal, onde nunca tinha visto nenhum, razão porque aqui o mostro.