Durante o festival da Cherovia, na Covilhã, irei apresentar o meu último livro.
Remete-me para recordações da minha adolescência na Covilhã, onde descobri a obra de Luís Sttau Monteiro, pela primeira vez, na extinta Livraria Nacional.
Apareçam!
Durante o festival da Cherovia, na Covilhã, irei apresentar o meu último livro.
Remete-me para recordações da minha adolescência na Covilhã, onde descobri a obra de Luís Sttau Monteiro, pela primeira vez, na extinta Livraria Nacional.
Apareçam!
Podia apresentar qualquer um dos conjuntos em Museu Virtual, mas a associação dos dois fazia-me mais sentido. Vieram de locais diferentes, mas de repente percebi a sua semelhança.
O pequeno cesto
de piquenique, em vime, contém um serviço de brincar para chá, com quatro chávenas,
bule, açucareiro, leiteira e quatro colheres monumentais em relação aos
restantes objectos. Mas isso não é importante porque sabemos que estamos no
reino do “faz de conta”, tão apreciado pelas crianças.
Já o serviço de
adultos é igualmente para chá. Aqui apenas se apresenta o bule e o açucareiro,
mas tenho ideia de que existem ainda as chávenas respectivas, vindas de um
outro local. O serviço, em porcelana, é da Fábrica da Vista Alegre e apresenta
a marca VA Portugal, em verde, que corresponde ao período de 1924-1947.
O modelo, conhecido por “bolas”, teve bastante aceitação no período Art Deco português, provavelmente pela alegria inovadora que transmitia. Terá servido de inspiração para o pequeno serviço infantil e reuniram-se agora.
Pensei que se tratava de pequenas
receitas em dois pedaços, mas quando comecei a colá-las percebi que era uma
folha grande partida. Como de costume esqueci-me de fotografá-las antes de
iniciar o restauro e não posso dar uma ideia do estado inicial.
O mau estado do papel e as
manchas de doce faziam as folhas parecer mais antigas, mas afinal trata-se de
receitas de início do século XX, por já estarem escritas com o sistema métrico
actual. Ainda assim muito interessantes e provavelmente de origem muito
anterior.
Das receitas constam: os Ovos Brancos;
os Ovos Reais; [Rebuçados de ovos]; Bolos de D. Christina Cruz; Puding de Queijo; Bolos de Londres
e um Bolo de ??? (não consegui perceber o nome).
Imprimi as folhas e consegui
escrever por cima nas lacunas e locais menos nítidos.
Aqui fica o resultado do meu
trabalho
Primeiro apareceu-me uma
publicidade enorme, às águas referidas, num jornal “O Distrito de Portalegre”, num
número festivo, de 1912.[1] Logo no dia seguinte surge
um postal com publicidade às mesmas.
Confesso que embora já possa
ter visto alguma publicidade não me diziam nada. Tinha que as pesquisar. E,
surpresa, como elas estavam aqui tão perto.
As águas do Mouchão da Póvoa, situavam-se
no concelho de Vila Franca de Xira e foram concessionadas à Sociedade do
Mouchão da Póvoa por alvará de 1 de Novembro de 1910. Mas primeiro há que
explicar que os mouchões são as ilhotas do Tejo e que esta, concretamente, era
a maior. Era um local importante com terrenos agrícolas férteis e ancoradouro para
muitas aves aquáticas invernantes.
Em Abril de 2016, deu-se o rompimento
de um dique no Mouchão da Póvoa. Várias tentativas de entidades diversificadas
e até mesmo os próprios pescadores tentaram resolver o problema. Em vão. O
terreno era privado e nada foi feito. Adélia Gominho, autarca em Vila Franca de Xira,
entre outros, chamou à atenção para o aumento da salinização das águas
muitos quilómetros rio adentro, com consequências futuras também na agricultura
de proximidade. A extensão do dique destruído foi aumentando, as casas e os
terrenos foram-se afundando e a água do mar misturou-se com a salobra. O
mouchão da Póvoa está neste momento quase submerso.
Nunca existiram termas,
propriamente ditas, mas uma fonte de água captada num poço artesiano com 46 metros de profundidade e ao lado uma
oficina de engarrafamento. Situada na ponta sul do mouchão, a
instalação da nascente da outrora famosa Água Minero Medicinal do Mouchão da
Póvoa foi abandonada em Abril de 1951. Actualmente
apresenta-se tudo em estado de ruína.
De acordo com a publicidade da época, esta água tinha indicação para tratamento de úlceras da pele e mucosas, eczemas e todas as doenças da pele, inflamações da boca, olhos e garganta, etc. E, para acentuar as suas capacidades curativas, vendia-se apenas nas farmácias e drogarias.
No passado, foi distinguida com a medalha de ouro nas exposições mundiais de
Londres e Roma, em 1913, e em 1915 no Panamá. Hoje apenas se podem encontrar as
antigas garrafas e manifestações da actividade publicitária a enaltecer as suas
qualidades.
Apresento aqui uma folha de um
livro escolar As primeiras letras, que me atraiu pelo tema e que me fez descobrir o seu autor, na
época, sobejamente conhecido.
Trata-se do professor Manuel
António Janeiro Acabado, nascido na aldeia de Pias (Serpa), em Novembro de 1888.
Foi um nome importante nas áreas da didáctica e da pedagogia, sobretudo
aplicadas às primeiras letras, tendo criado um método que tomou o seu nome.
Ficou conhecido principalmente pela autoria de dezenas de manuais escolares (mais de 40), de que o ABC dos pequeninos é um deles, tal como o aqui apresentado. São todos muito interessantes e com um grafismo facilitador da leitura.
Fundou em 1956, em Beja, a Escola do Magistério Primário, de que foi director até à data da sua morte, em 1970.
![]() |
| ABC dos pequeninos |
Quando há dois dias o José
Daniel falou na marmita norueguesa, a propósito de uma notícia publicada em O Universo
Ilustrado, de 1880, tinha acabado de me chegar às mãos um folheto com
receitas para a mesma. Achei que já tinha falado sobre o tema, o que é verdade,
mas com o nome de “fogão norueguês”. Ver aqui no blogue 👈
Já tinha vontade de falar neste tema desde que o o italiano Giorgio Parisi, Prémio Nobel de Física de 2021, defendeu que cozinhar a massa com o fogão desligado, depois da água ferver, permite consumir menos energia. O cientista da Universidade Sapienza, de Roma, calculava que "pelo menos oito minutos de consumo de energia" eram economizados com este método. Nada de novo, uma vez que algum tempo antes a associação Unione Italiana Food, que representa os fabricantes de massas, argumentou que manter a tampa na panela durante a fase de fervura acelerava o processo de cozedura e permitia poupar "até 6% de energia e emissões de CO2". Isto é, desligar o fogo após dois minutos de fervura, deixando a tampa, economiza energia e emissões de CO2 que podem chegar a 47%. Claro que estas noções desagradaram a chefes de cozinha. Antonello Colonna, italiano, detentor de uma estrela Michelin, disse que o método tornaria a massa borrachuda.
Já experimentei com o esparguete e não ficou mal. Mas para o arroz e outros cozinhados é perfeito. A minha técnica, sem fogão norueguês, consiste em deixar ferver o alimento alguns minutos no máximo e depois de ligeiramente cozido, retiro, coloco dentro da caixa do microondas (apagado), com tampa, e uma protecção de cortiça por baixo e tapo com uma mantinha, que reservei para o efeito. Fica perfeito.
É
interessante que este tipo de cozimento, tenha sido dado a conhecer no final,
do século XIX, tenha tido grande divulgação durante a guerra (este folheto é
dessa altura) e passado todo este tempo voltamos a ter preocupações energéticas,
não por necessidade absoluta, mas por consciência. O que parecia um retrocesso
é na realidade um grande avanço.