Mas não resisto a uma boa receita literária. Esta, que vinha no meio de um manuscrito, é um bom exemplo. O requinte dos pormenores, na sua pretensa simplicidade, revelam um gastrónomo empenhado que não se esquece mesmo de nomear os vinhos apropriados para acompanhar esta iguaria.
segunda-feira, 1 de novembro de 2021
Lebre à Bernardine. Uma receita poética
quarta-feira, 20 de outubro de 2021
Há chá em Ponte de Lima
Diz-se habitualmente que os Açores são o único local da Europa onde se cultiva a planta do Chá. Na realidade será o único onde se cultiva com produção extensa e transformação comercial.
Foi assim, com surpresa, que
durante a minha última visita ao meu amigo Álvaro Teixeira de Queirós, que
descobri uma outra realidade. Em Ponte de Lima, na sua bela propriedade, nos
jardins da casa do Cruzeiro ou de Nossa Senhora da Piedade, cresce um tipo de
camélia especial, a Camellia sinensis.
Bordejando os dois lados de
uma álea do jardim cresce, há quase cem anos, uma variedade Assamica, trazida de Moçambique por um tio
do dono da casa. Esta variação, diferente da var. chinesa sinensis, é endémica na Índia, em Assam, e a base da maioria dos
chás pretos indianos como o Oolong, o Preto e Pu-erh. Distingue-se da variante
chinesa por ter folhas maiores e por apresentar maior concentração de
polifenóis, menor concentração de aminoácidos e serem menos aromáticas.
Embora a sua função, com as
belas flores brancas e amarelas, tenha sido durante décadas decorativa, o dono
da casa recolhe, desde há algum tempo, os seus rebentos que depois de secarem e macerarem
manualmente servem para consumo da casa.
À hora do chá, um ritual diário
sagrado para mim, tive oportunidade de beber o resultado da sua cultura.
Efectivamente um chá suave e pouco aromático, que constitui uma experiência
surpreendente.
quarta-feira, 6 de outubro de 2021
Objecto mistério Nº 65. Resposta: Terceira mão.
Este objecto tão singelo destina-se a ser pendurado numa torneira para fixar uma das asas de um tacho. A asa oposta ficará segura com a outra mão.
Desta forma é possível lavar o
tacho com a mão livre.
Foi por isso que o inventor
deste ovo de Colombo lhe chamou “3ª mão”.
Essa designação surge em ambas
as faces do papel envolvente, num dos lados em inglês e do outro em francês,
acompanhando a imagem explicativa que não deixa margens para dúvidas.
Simples, não é?
segunda-feira, 4 de outubro de 2021
Objecto mistério Nº 65. Pergunta.
O objecto em si é desinteressante. Simples de mais. Um tubo em metal (aço?) dobrado ao meio e curvado para cumprir a sua função.
Mede apenas 16 cm.
Já a sua utilidade e, mais
ainda, o nome dado pelo fabricante, são uma surpresa.
Para que serve?
.........................
P.S. Aviso que não é fácil.
domingo, 26 de setembro de 2021
A senhora dos sacos
Nas últimas eleições, no auge da pandemia, fui votar cedo para evitar ajuntamentos. Quando cheguei ao local de voto, na Praça da Ribeira, verifiquei que as mesas estavam vazias.
Não havia qualquer fila e, à minha
frente, apenas um senhora carregada com sacos de supermercado, mais de dois em
cada mão. Interroguei-me sobre a necessidade de se deslocar com aquele peso,
num dia de acto eleitoral, para o qual só é necessário um cartão e uma caneta.
Votando no mesmo local que eu, pensei
que devia ser aqui da freguesia, mas nunca a tinha visto. Durante todo o ano de
confinamento vi-a apenas por duas vezes, a descer a rua, carregada de sacos em
ambas as mãos. Com o rosto sempre tapado por grandes chapéus de abas continuei
sem lhe visualizar a cara.
Voltei hoje ao mesmo local
para votar. O movimento era escasso, quase nulo. À minha frente, novamente, estava
a senhora dos sacos. Tirei uma fotografia de costas, porque pensei que se eu
contasse esta história ninguém acreditaria.
Mal posso esperar pelas
próximas eleições.
………….
segunda-feira, 13 de setembro de 2021
Ementas da pandemia
Faz agora ano e meio que comecei a registar os pratos que comíamos cá em casa durante o período de confinamento.
Não cobri tão bem esta fase da
minha vida como devia e só a meio fotografei as ruas desertas de Lisboa. Também,
foi já tardiamente que abri uma pasta de ephemera
com os papéis e documentos da pandemia. Ainda assim, a tempo de guardar publicidade
adequada à situação, cartões relacionados com a vacinação, incluindo o pacote
de bolachas e a embalagem de água oferecidos, etc.
No total estão incluídas as
refeições feitas por mim e as compradas nos nossos dois fornecedores: o sr. Zé
da Rua das Flores e o sr. Cotrim de S. João da Talha, dois locais de comida
caseira feita com produtos de qualidade.
A propósito lembrei-me de um
registo de pratos, feito numa folha de calendário por pessoa desconhecida em
data incerta (anos 70?) que aqui mostro. Não sei se é um planeamento, tal como
encontramos nas agendas, se um registo do comido, mas achei muito adequado para
acrescentar aqui.
Ignoro se houve muitas pessoas
que tenham efectuado uma recolha do que comeram neste período tão especial, em
que o isolamento fez as pessoas dedicarem mais atenção à alimentação. Sei
também que este não é um registo vulgar, até porque nele figuram salgados e
doces antigos que foram feitos para as fotografias do meu próximo livro. De
todo o modo correspondem às nossas preferências.
Se tiverem interesse para alguém
que consiga arranjar outras listas, estão disponíveis para estudo.
sábado, 4 de setembro de 2021
Modelos de desenhos do séc. XIX
Agrupados dois a dois,
preenchem várias folhas, a maioria com temática Arte-nova, mas também
neoclássicos.
Foram pacientemente coligidos
e guardados por alguém que os guardou como modelos, para utilização posterior
nalgum projecto.
Pelo que percebi, graças ao
meu amigo “Google tradutor”, destinavam-se a ser utilizados como pintura de
painéis em salas de jantar ou afins ou, para outros trabalhos menores, como
pinturas e menus.
Escolhi quatro modelos belíssimos que ficariam bem em qualquer sala, de preferência na sala de café para onde as
pessoas depois de jantar se deslocavam, no século XIX, para continuar a
conversação e beber café e licores.













