Desejos de um Feliz Natal a todos os seguidores do blogue.
Sinto-me em modo natalício minor mas não quero deixar de expressar os meus votos de Boas Festas e de mostrar a minha versão minimalista das decorações deste ano.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2018
sábado, 15 de dezembro de 2018
Convite: lançamento do livro «Vestir a Mesa», em Lisboa
Dia 20 de Dezembro, às 18 horas, vai haver o lançamento do meu último livro «Vestir a Mesa- Dressing the Table», na Livraria Ferin.
A apresentação será feita pela Prof. Ana Isabel Buescu.
Eu farei uma pequena apresentação e os agradecimentos, neste caso muito especiais, uma vez que o livro foi feito através de uma campanha de crowdfunding .
É-me grato constatar que embora não existindo ainda o livro materialisado tantas pessoas acreditaram que ele viria a existir e que justificaria o valor que por ele pagaram antecipadamente.
O livro ficou lindíssimo do ponto de vista gráfico e o tema é completamente inédito no panorama nacional e internacional.
Venham assistir, confirmar estas afirmações e seguramente rever amigos.
A apresentação será feita pela Prof. Ana Isabel Buescu.
Eu farei uma pequena apresentação e os agradecimentos, neste caso muito especiais, uma vez que o livro foi feito através de uma campanha de crowdfunding .
É-me grato constatar que embora não existindo ainda o livro materialisado tantas pessoas acreditaram que ele viria a existir e que justificaria o valor que por ele pagaram antecipadamente.
O livro ficou lindíssimo do ponto de vista gráfico e o tema é completamente inédito no panorama nacional e internacional.
Venham assistir, confirmar estas afirmações e seguramente rever amigos.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
O convite de Luís XIV a Molière
A maior parte das vezes
olhamos para as coisas e só vemos uma parte. Isto é, recebemos a mensagem e
aceitamo-la como se nos apresenta. É a diferença entre olhar e ver. Este “ver”
pressupõe análise.
Foi o que me aconteceu com uns
cromos publicitários de chocolate em que se reproduz um almoço do rei Luís XIV
com Molière.
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| François-Jean Garneray. |
Os cartões pecam pela
incorrecção histórica com a imagem do rei de costas, o rei sentado no lado mais
estreito da mesa, ou a presença de copos sobre a mesa, entre outras.
Mas onde é que os
publicitários da época foram buscar a inspiração? No final do século XIX e
início do século XX havia um gosto pelo historicismo, com o uso de imagens “à
antiga” em cartazes publicitários. Dois dos cartazes de publicidade ao vinho do
Porto Rainha Santa, que fazem parte da minha colecção, apresentam essas mesmas características.
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| Jean Hégesippe Vetter |
O sucesso do livro foi seguido
por representações imaginadas por vários pintores. Assim, no salão de 1824, podiam-se
já admirar duas versões desta refeição: a de Édouard Pingret e a de de
François-Jean Garneray. O tema foi retomado posteriormente por Ingres em 1857 e
por vários outros pintores, entre os quais Jacques-Edmond Leman, em 1863 e Jean
Hégesippe Vetter, em 1864.
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| Reprodução do quadro de Ingres que desapareceu num incêndio |
No final, os erros históricos
já não podem ser atribuídos aos encarregados de divulgar as marcas de chocolate,
mas aos pintores que, no século XIX, imaginaram o cenário deste improvável
acontecimento. Molière seguramente que encenaria melhor esta cena.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
Convite para Guimarães
Para quem estiver no Norte
gostaria de contar com a vossa presença no lançamento do livro «Vestir a mesa /
Dressing the Table».
Para os outros é uma boa desculpa para visitar Guimarães.
Apareçam!.
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
Convite: Conferência no GEO
Dia 4 de Dezembro às 18,30h
irei falar sobre o tema «Da solidão da mesa real à convivialidade da mesa
burguesa».
Com a proximidade do Natal, o
tema da mesa e da convivialidade põe-se com maior acuidade e pareceu-me um bom
ponto de partida para analisar a evolução do seu papel.
No fundo trata-se de um raciocínio
sobre as várias condutas e mensagens que o anfitrião pretende transmitir aos
seus convidados.
A imagem do poder vai se
transformar ao longo dos séculos, mas mantém-se o respeito pelas hierarquias,
como se pode constatar no posicionamento dos convivas.
A sala de jantar que surgiu no
século XVIII, mas que no século XIX se divulgou pela sociedade em geral, veio
facilitar a realização de refeições em conjunto.
A partir de então, e durante
todo o século XX, a mesa foi também um local de ensino dos mais novos e um factor
aglutinador do agregado familiar.
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| Norman Rockwell 1943 |
Embora muitos destes aspectos
se tenham perdido, a mesa de Natal retoma todos esses elementos de ligação, em
que estão também presentes os de representatividade, através da encenação da
sala e da decoração com a melhor baixela da casa e o respeito pela hierarquia.
Digo eu, que gosto de falar de
situações idílicas.
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
Betty Crocker, a escritora que nunca existiu
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| Imagem da autora na contracapa do livro Picture Cook Book |
A sua criação esteve a cargo
de um publicista chamado Samuel Gale que, em 1921, publicou no jornal Saturday Evening Post um anúncio a um
tipo de farinha da empresa Washburn-Crosby, criada no final do século XIX e mais
tarde designada General Mills. Tratava-se de um puzzle que as pessoas
completavam e enviavam para a empresa, a troco de um prémio que era uma
almofada de alfinetes com a forma de um saco de farinha (Gold Medal Flour).
O sucesso foi extraordinário e
a empresa recebeu mais de 30.000 respostas. Com elas vinham muitas perguntas
sobre bolos e outros cozinhados. À época era evidente que as respostas tinham
que ser dadas por uma mulher e o departamento de marketing, masculino, inventou
a figura de Betty Crocker.
Durante anos esta figura foi uma presença constante
na imprensa e na rádio, tornando-se numa mãe orientadora em conselhos
culinários em questões variadas postas pelas donas de casa.
Respondendo às suas perguntas Betty Croker deu confiança às suas leitoras que recebiam cartas assinadas e que em 1924 ganhou mesmo voz num programa de rádio onde eram dadas lições de culinária. A primeira pessoa a interpretar essa voz foi uma professora de Economia Doméstica chamada Marjorie Child Husted.
Em 1951, a empresa decidiu dar um rosto a essa voz e contratou uma artista chamada Adelaide Hawley para fazer de Betty na televisão.
Mas a cara de Betty já surgia impressa a partir de 1920 em vários anúncios. Até 1936 foi usada uma imagem que era um misto de pintura e de fotografia. Em 1955 a cara de Betty foi modificada e o mesmo aconteceu posteriormente por várias vezes. Em 1965 chegou a parecer-se com Jaqueline Kennedy, mas democratizou-se posteriormente.
Respondendo às suas perguntas Betty Croker deu confiança às suas leitoras que recebiam cartas assinadas e que em 1924 ganhou mesmo voz num programa de rádio onde eram dadas lições de culinária. A primeira pessoa a interpretar essa voz foi uma professora de Economia Doméstica chamada Marjorie Child Husted.
Em 1951, a empresa decidiu dar um rosto a essa voz e contratou uma artista chamada Adelaide Hawley para fazer de Betty na televisão.
Mas a cara de Betty já surgia impressa a partir de 1920 em vários anúncios. Até 1936 foi usada uma imagem que era um misto de pintura e de fotografia. Em 1955 a cara de Betty foi modificada e o mesmo aconteceu posteriormente por várias vezes. Em 1965 chegou a parecer-se com Jaqueline Kennedy, mas democratizou-se posteriormente.
Em 1950 foi publicado o seu
best seller «Picture Cook Book», de que aqui se apresenta a primeira edição. Ainda
hoje se podem adquirir dezenas de livros publicados com o nome desta autora,
que serviu igualmente para vender sopas e misturas em pó para bolos.
Em
Portugal aconteceu o mesmo quando Maria de Lurdes Modesto, a trabalhar para a Fima-Lever,
começou a assinar textos de culinária com o pseudónimo de Francine Dupré, numa
campanha publicitária feita pela Lintas para a Margarina Vaqueiro e não é caso único.
Por
aqui se conclui que a figura do escritor fantasma, que eu só descobri há alguns
anos através de um filme, pode ter mais sucesso que um verdadeiro escritor. Que
o digam as muitas figuras públicas que agora publicam livros com o seu nome,
sem nunca terem escrito uma linha.
terça-feira, 13 de novembro de 2018
Uma escova terapêutica
O fascínio pela electricidade
e em especial pelos campos electromagnéticos, que teve grande desenvolvimento
com as teorias de James Clerk Maxwell em 1861, levou ao aparecimento de novos
objectos domésticos.
Utilizando esta ideia o Dr. George
A. Scott, um inglês empreender, inventou vários objectos por ele descritos como
curativos como pentes, escovas, espartilhos, etc.
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| Imagem tirada da internet |
Apoiado numa campanha publicitária,
publicada em várias revistas e jornais, expandiu-se para os Estados Unidos onde
registou as suas patentes.
Foi uma sorte o aparecimento
desta escova que atraiu a minha curiosidade por ter características de século
XIX mas ter escrito «Electric» e mais abaixo, em círculo, a afirmação: "The
Germ of all Life is Electricity".
Feita num material plástico
duro, que não sei identificar, mas que era ele também uma inovação na época,
tem incorporadas as cerdas para pentear o cabelo. A acompanhar a escova vinha
uma bússola cujos ponteiros se desviavam na presença da escova. Não sendo
metálica mas em plástico isso provava que a mesma continha “electricidade”.
Era essa característica que lhe conferia efeitos terapêuticos. Na realidade na sua pega existiam fios de ferro ligeiramente magnetizados que produziam esse efeito. Segundo o seu inventor o uso desta escova levava a um cabelo mais sedoso, fazia crescer o cabelo e tirava as dores de cabeça. Mas adicionavam-se outras vantagens terapêuticas dizendo que curava doenças do sangue (esta é do meu especial agrado), obstipação, reumatismo, etc.
Com o seu sentido prático advertia que a escova não podia ser partilhada pelos outros elementos da família, correndo o risco de se tornar ineficaz.
Na década de 1890 o entusiasmo com estes utensílios, começou a desaparecer mas surgiram outros objectos igualmente inúteis a explorar a boa-fé e ignorância das pessoas. Muitos ainda se devem lembrar das pulseiras magnéticas, extensíveis, dos anos 70 que inundaram Portugal. Substituídas por outras diferentes, metálicas e com duas bolas nos anos 80, surgiram novamente em 2010 dessa vez com a desculpa de que resultavam de estudos da NASA.
Era essa característica que lhe conferia efeitos terapêuticos. Na realidade na sua pega existiam fios de ferro ligeiramente magnetizados que produziam esse efeito. Segundo o seu inventor o uso desta escova levava a um cabelo mais sedoso, fazia crescer o cabelo e tirava as dores de cabeça. Mas adicionavam-se outras vantagens terapêuticas dizendo que curava doenças do sangue (esta é do meu especial agrado), obstipação, reumatismo, etc.
Com o seu sentido prático advertia que a escova não podia ser partilhada pelos outros elementos da família, correndo o risco de se tornar ineficaz.
Na década de 1890 o entusiasmo com estes utensílios, começou a desaparecer mas surgiram outros objectos igualmente inúteis a explorar a boa-fé e ignorância das pessoas. Muitos ainda se devem lembrar das pulseiras magnéticas, extensíveis, dos anos 70 que inundaram Portugal. Substituídas por outras diferentes, metálicas e com duas bolas nos anos 80, surgiram novamente em 2010 dessa vez com a desculpa de que resultavam de estudos da NASA.
Nada de novo à superfície da
Terra. Só a descoberta desta escova.
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