sexta-feira, 5 de julho de 2024

Museu Virtual. Batedor de ovos do século XIX

Nome do Objecto: Batedor de ovos e de massas.

Descrição: Objecto em cerâmica com forma cilíndrica globosa, assente numa base circular. Com vidrado branco tem escrito nas duas faces, em letra violeta, informações sobre a sua utilidade e sobre o prémio que a empresa tinha já ganho em Exposições universais anteriores (1851 e 1861). No seu interior assentava um batedor metálico, que não está presente.

 

Material: Pó de pedra.

 Época: 1862.

 Marcas: Tem apenas um W inciso na pasta.

Origem: Fabrico inglês adquirida no mercado nacional. Produzida por George Kent Ltd, situada em High Holborn, Londres.

 

Batedor completo. Fotografia tirada da internet.

Grupo a que pertence: Equipamento culinário para misturar os alimentos.

 Função Geral: Bater alimentos em forma líquida.

 Função Específica: Bater ovos e massas.

 Nº inventário: 5280.

 Objectos semelhantes: Vários batedores metálicos e batedores de manteiga com recipientes em vidro.

 

História da Fábrica:

Empresa fundada por George Kent em 1838. Designada inicialmente George Kent Ltd, situava-se nos nº199 a 201 em High Holborn, London WC. Em 1848 patenteou um afiador de facas, que ficou famoso, e que viria a receber vários prémios em exposições internacionais, como é declarado em publicidade e neste batedor que refere as datas de 1851 e 1862. Nos anos seguintes criou vários utensílios de cozinha que são patenteados e obtêm grande aceitação sobretudo nos Estados Unidos. Em 1868 registou uma nova patente com uma invenção de “conservadores de gelo melhorados, refrigeradores e caixas de gelo”. Em 1974 a empresa foi adquirido pela companhia suíça Brown, Boveri and Co.

 

NOTA:

Os primeiros batedores com peças rotativas devem-se provavelmente a um design americano, patenteado em 1856.

 Em Inglaterra, o primeiro batedor parece ter sido o “Whisk” de Griffiths, com patente de 1857.
 Alguns dos primeiros exemplares eram fixados dentro de uma panela, o que impedia de ser usados com outras tigelas. Muitos deles foram desenvolvidos pelos mesmos inventores que projectaram as pequenas batedeiras de manteiga accionadas manualmente e que eram de uso mais frequente.

sexta-feira, 28 de junho de 2024

De como a memória é curta

 

Em 1914 a revista Ilustração Portugueza publicava esta foto com a legenda: "Prisioneiros civis russos e franceses em Berlim esperando o momento de lhes ser servida a sopa".

No final do ano, na mesma revista, Stuart de Carvalhais, com uma bela gravura de um anjo, fazia votos para que a paz voltasse em 1915. Seriam precisos ainda quase mais quatro anos para que tal acontecesse.

sexta-feira, 21 de junho de 2024

As Festas Populares vistas por Bernardo Marques

Aproxima-se o São João, santo adoptado pelas gentes do Norte. Lisboa já festejou o seu principal dia, dedicado a Santo António, mas os arraiais mantém-se até ao final de Junho. 
Pelo país festejam-se ainda estes santos populares, com feiras, romarias e festas.
Para lembrar estas efemérides aqui ficam os desenhos delicados, de traço ligeiro, de Bernardo Marques. 
Não há como não gostar.

segunda-feira, 10 de junho de 2024

As Festas da Cidade em 1958

 

Há 56 anos as Festas da Cidade de Lisboa estendiam-se por quase todo o mês de Junho.

O programa publicado numa revista especial mostrava-nos artigos com pormenores sobre os melhores momentos das festas dos anos anteriores, um artigo sobre Santo António, as letras das marchas dos diferentes bairros e outro tipo de informações adequadas.

O trono de Santo António premiado em 1952
De grafismo cuidado incluía um programa desdobrável para os diferentes dias. Apresentava igualmente extensa publicidade. De entre esta chamou-me a atenção um anúncio a um “Forno Mignon”, pelos vistos um antecedente da “Patusca” eléctrica, destinado a fazer Bolos, Empadões, Pudins, etc.

O mais surpreendente era o título do anúncio que o publicitava para uso nas “Festas da Cidade ou da Aldeia”, que assim se tornavam mais alegres. Original, pelo menos!.


segunda-feira, 3 de junho de 2024

Tradições: Oferta de lenço é apartamento

  

O achado de um pequeno bilhete agradecendo a oferta de um lenço fez-me recordar a crença de que tal acto pode provocar azar. Tratava-se de uma época em que era costume oferecer-se lenços de mão. Sozinhos, ou em conjunto, apresentavam-se dentro de uma embalagem ou caixa, mais ou menos elaborada.

À sua volta havia, no entanto, alguma preocupação. Apesar de ser um objecto apreciado como oferenda, significava “apartamento”, isto é, afastamento. Para evitar a separação entra as pessoas amigas havia que dar um tostão, simulando uma compra, para evitar esses malefícios.

Para quem levava as “tradições” a sério, isso era feito e, este bilhete não datado (anos 60?), é disso uma prova.

Achei muito interessante.

terça-feira, 21 de maio de 2024

Conserva de Cenouras à Alentejana

 

Lembrei-me desta receita, que já não fazia há algum tempo, quando visitei em Coimbra o restaurante Mar e a Sardinha. Este nome original, que lido rapidamente dá “Maria Sardinha”, fica na baixa da cidade e é um restaurante de rodízio de peixe grelhado. Foi um almoço muito agradável, mas sou suspeita na apreciação, porque pertence ao Bruno, o filho de uma colega e amiga minha.

Para além do prato principal, de peixe claro, apresenta umas entradas que variam, como escabeches de peixe, etc. e umas cenouras, que me fizeram lembrar as que vou agora apresentar.

Faço-as há vários anos e é uma meia conserva. Isto quer dizer que não duram tanto como uma conserva, mas são óptimas para acompanhamentos. Convém esperar uns dias depois de feitas.

Aqui deixo a receita e algumas imagens. Prometo que vão gostar!



terça-feira, 14 de maio de 2024

Doce de Fraca Saúde

  

Se as embalagens antigas são normalmente fascinantes, a que nos trazem qualquer tipo de informação são-no ainda mais.

Neste caso trata-se de uma embalagem de doces do século XIX. De fabrico manual, como era habitual, apresenta a base em madeira e é construída em cartão forrado a papel.

Foi, contudo, o rótulo que me chamou a atenção. O título informa-nos que se trata de um “Doce de Fraca Saúde”, remetendo-nos para uma época em que o açúcar era considerado terapêutico. O seu uso inicial, nas Farmácias, só depois foi desviado para as Copas e outros locais de confecção de doçaria.

Desconheço que tipo de doce conteria, sendo possível que se tratasse de uma conserva de fruta, isto é, de uma fruta cristalizada, uma forma de preservar o fruto mais tempo e que se adaptaria bem a este tipo de caixa, como aconteceu com as ameixas de Elvas.

Quanto ao produtor Adelino Pinto, que tinha o seu comércio em Coimbra, na zona de Celas, nada consegui saber. Pode saber que alguém da zona venha a descobrir.

PS:
Apenas consegui detectar uma notícia no jornal Gazeta de Coimbra, de 25 de Fevereiro de 1912, onde se encontrava o seu nome incluído numa lista de pessoas doentes, mas não posso confirmar tratar-se da mesma pessoa.