quinta-feira, 19 de março de 2020

Objecto Mistério Nº 61. Resposta: Infusor de chá para caneca


O desafio parecia-me fácil sobretudo porque, apesar de lavada a peça, ficaram ainda alguns vestígios da teína. 

É minha preocupação utilizar os termos correctos das palavras, neste caso dos utensílios de uso doméstico.
A designação “infusor” pareceu-me adequada, descrevendo-a como um tipo de filtro para o chá. No seu interior são colocadas as folhas secas e é introduzido na água quente para fazer o chá e este ficar sem folhas. Pessoalmente, apesar de os achar muito atraentes, dispenso-os e prefiro utilizar as folhas soltas e aguardar que assentem no bule.
Pode-se considerar os infusores de chá como os percussores das saquetas de chá. Foram muito utilizados no século XIX, em especial pelos ingleses que usavam um tipo de chá proveniente da Índia, mais moído, se comparado com as folhas dos chineses. Podem ter formas variadas, as mais frequentes em bola ou ovo, mas podem apresentar-se com imensos modelos. Gosto especialmente das casinhas. 
Durante o século XX surgiram modelos de design extremamente divertidos, como o preguiçoso, o submarino amarelo ou o escafandrista, por exemplo.
Embora o mais frequente seja apresentarem-se suspensos por uma cadeia, podem ter a forma de uma colher dupla ou outro tipo de suportes, como braços ou argolas, que permitem suspendê-los no bordo do recipiente.
Dadas as grandes dimensões deste robot experimentei-o em vários utensílios para descobrir de que tipo de infusor se tratava.
Como podem ver não se destina a bules, porque não permitiria colocar a tampa. Também não serve para colocar numa chávena, porque o corpo do robot é grande demais.
Por fim experimentei com uma caneca e confirmei que é um infusor de chá para canecas. Foi muito utilizado e apresentava-se castanho, tanto no exterior como no interior. Ainda hoje se encontra à venda e é um produto de design Kikkerland.
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P. S. Não confundir com outro tipo de filtro, o passador de chá, muito mais antigo, usado de modo diferente e que tem sempre uma forma aberta.

terça-feira, 17 de março de 2020

Objecto Mistério Nº 61


 Ora então vamos lá ocupar o cérebro com outras coisas além do vírus.

Este objecto tem 8 cm de altura e uma função específica.

Para que serve?

quarta-feira, 4 de março de 2020

O cozinheiro e a galinheira

Pormenor de fotografia estereoscópica
Esta bela imagem é um pormenor de uma fotografia estereoscópica e o seu título, identificado na frente e no verso em várias línguas, é: «Uma vendedora de galinhas numa casa do bairro aristocrático de Braga».
Esta profissão tão antiga era designada galinheira e referia-se à pessoa que tratava das galinhas mas também a quem as vendia, funções que frequentemente se completavam. 
Pormenor de papel de Prateleira
Existiam também galinheiros, mas a referência a esta actividade masculina é mais rara.
A primeira vez que me deparei com esta profissão foi quando fiz a investigação para o livro Mesa Real e em que encontrei o nome de Josefa Rodrigues, que surgia frequentemente nos pagamentos da Casa Real. Foi galinheira da Ucharia Real, pelo menos desde 1759. Nessa data era já viúva de Manuel Pereira e morava na cidade de Lisboa, a Nossa Sª dos Remédios. Fornecia toda a variedade de criação onde se registavam, para além dos animais que hoje nos são familiares, as rolas, os adéns, as frambolas, os pássaros, as marrecas, canárias, perdigotos, galinholas, tordos, etc[1]. 
Vendedor de Patos. Porcelana de Vista Alegre
Esta tipo de venda fazia-se também em lugares públicos como nos mostra o requerimento de Maurícia Rosa da Conceição, galinheira, solicitando licença para um lugar de galinheira na Praça Nova da Figueira, em 1816[2].
Nas grandes cidades como em Lisboa, Porto, Coimbra e Braga, como aqui se demonstra, era sobretudo uma actividade ambulante. Em Lisboa a sua presença típica, em que os animais eram contidos em cestas cobertas com uma rede, transportadas à cabeça pelas vendedoras, durou até meados do século XX. Várias fotografias e gravuras imortalizaram essa profissão.
Figuras típicas de Lisboa. Pormenor de papel de prateleira
Percorriam as ruas chamando as suas clientes através de refrão que cantavam bem alto: «Éh galinhas! Merca frangos! Galinhas! Quem nas quer e com ovo?».
Durante muitos séculos o seu consumo tinha sobretudo um intuito medicinal. Destinavam-se à canja dos doentes e apenas em situações de festa as víamos surgir à mesa dos mais abastados. As galinhas eram caras, razão para que fizesse sentido o ditado: «Quando o pobre come galinha um dos dois está doente».
Transportadas por estas mulheres indefesas, que muitas vezes eram assaltadas durante o que se chamava atravessamento de galinhas, razão porque também foram chamadas Travessadeiras de galinhas.

Fotografia de criança mascarada de galinheira
Maria Antónia Lopes, no livro «Pobreza, assistência e controlo social em Coimbra (1750-1850)» descreve o seguinte passo das Actas da Câmara de Coimbra[3], datado de Dezembro de 1751: «e tendo chegado aos ouvidos deste Senado os Clamores do Povo em ordem a dar remedia concludente ao prejuízo, qui cauzavaõ as Travessadeiras das Gallinhas e mais aves de penna deste genero, naõ bastando tanta providencia dada nem penas impostas para impedir hum delito, que continuadamente se comette, abrangendo o prejuízo tambem a tantos pobres doentes, que ficcaõ sogeitos a inpiedade da ambiçaõ das vendedeiras deste genero».
Ficamos por aqui, neste desfiar de memórias e registos sobre as galinheiras, a propósito de uma foto em que salientámos o papel da vendedeira, mas não esqueçamos o do cozinheiro, o comprador, que quase afaga as aves para escolher a melhor para transformar na sua casa. Uma bela imagem perdida no tempo.




[1] Mesa Real. 2012. p. 108.
[2] ANTT. Ministério do Reino, mç. 878, proc. 50
[3] AHMC, Vereações, L.º 64.º, sessão de 11.12.1751.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Objecto Mistério Nº 60. Resposta: Base de copos


Surpreendentemente este desafio foi mais fácil do que esperava e várias pessoas acertaram na resposta.
Trata-se de uma forma especial de base de copo, concebida para envolver o pé do cálice e proteger assim a mesa, ou outra superfície, sobre a qual o mesmo era colocado.

A variedade de bases de copos é grande e recordo aqui algumas.
O clássico pequeno naperon bordado ou em renda, com dimensões ligeiramente maiores do que o pé do cálice e de que foram produzidos muitos e variados exemplares na Ilha da Madeira. 
Mas todos os materiais foram utilizados para esse fim, tal como o vidro e o plástico.
Quanto ao uso da cerâmica com esta finalidade mostro um exemplar feito pela Fábrica Secla, que se apresentava com variadas imagens.


Os anos 60 viram surgir exemplos de bases de copos em papel, alguns coordenados com os guardanapos feitos no mesmo material.
Nos anos 80 forma comercializadas pequenas placas de madeira decoradas com estampas impermeabilizadas, que se faziam acompanhar por individuais com o mesmo desenho e que se encontram amplamente divulgadas ainda hoje em dia.

O uso destas bases persistiu na restauração e foram utilizados como veículos publicitário do bar em que as bebidas eram servidas, da própria bebida ou dos eventos que se comemoravam. 
São sobretudo feitos em cartão, mas outros recorrem a diferentes materiais. Por vezes está presente a cortiça como material único, ou associado a outro, para evitar os ruídos, em locais que valorizam o silêncio.
Mas estes que envolvem o pé do cálice, adaptando-se às suas dimensões, apesar das resposta certas, temos que reconhecer que são raros.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Objecto Mistério Nº 60


Estou a preparar uma exposição sobre têxteis de mesa em Guimarães sobre a qual darei mais informações posteriormente, embora fiquem desde já convidados.
No meio dos “panos”, como eu gosto de lhes chamar, encontrei umas pequenas peças redondas com uma abertura no meio, de que eu já nem me lembrava, e de que mostro aqui um exemplar.
Tem de diâmetro cerca de 6,5 cm.
O que é? Qual a função?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

O restaurante Taínha em Matosinhos

Hoje já não existe e no seu lugar situa-se a Marisqueira Majára. Devia o seu nome ao proprietário José Taínha. 
Começou por ser um restaurante mas depois transformou-se em marisqueira quando o dono decidiu alugar uma outra parte do prédio e estender o espaço, acompanhando uma tendência de consumo de mariscos que entretanto se estendera a outros restaurantes da terra.
Foi neste restaurante que começou por trabalhar Henrique da Silva Torres que, mais tarde, iria abrir a Esplanada Marisqueira, igualmente em Matosinhos e posteriormente outras casas marisqueiras na Póvoa de Varzim.
Em 1960, quando encomendou para oferta aos seus clientes um pequeno livro de gravuras com imagens de Matozinhos, o negócio devia estar próspero.

Com um total de 6 vistas, tipo pequeno postal, mostrava os pontos mais interessantes da terra onde desenvolvia o seu negócio. Mas não se ficou por aqui. Nas traseiras de cada postal podem ler-se os principais pratos que então servia, designados Especialidades da Casa e que aqui mostramos.

O restaurante, situado na Rua Roberto Ivens, 603, tinha também acesso pela Rua do Godinho n. 343, o que sugeriu uma quadra promocional, com que encerrava a vasta ementa.

Nota:
A informação sobre o restaurante é escassa mesmo depois de consultarmos o livro «História da Restauração em Matosinhos (1800-2015)» disponível online.