Podia chamar-se uma gemada risonha. Agora com a linguagem simplificada das redes sociais é um smile.
Uma foto da minha amiga Conceição Montez, sempre atenta à forma expontânea que as coisas apresentam.
Para começar o dia a sorrir.
segunda-feira, 31 de julho de 2017
domingo, 9 de julho de 2017
Batatas floridas
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| As batatas floridas |
O nome atrai-nos
imediatamente. Não se trata de uma modernice mas de um prato tradicional da
cozinha transmontana que conhecemos tão pouco.
A alimentação habitual nas
regiões de Trás-os-Montes tinha por base o que se produzia localmente, pelo que era sazonal
por excelência. Na época da floração da abóboras usavam-se as flores para fazer
este prato. Para o confeccionar só era preciso cebolas cortadas às rodelas e
batatas cortadas em fatias finas.
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| As flores de abóbora antes de arranjadas |
Num tacho colocam-se as
cebolas e as batatas em camadas e por cima as flores da abóbora a que se
retiram os pés e o interior. Rega-se com azeite e polvilha-se com sal. Tapa-se
o tacho e deixa-se cozer em lume brando. Cerca de 15-20 minutos está pronto.
Polvilha-se com pimenta preta e serve-se.
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| Os vários elementos em camadas |
O resultado de um prato tão simples é
magnífico. Pode acompanhar-se com o que se quiser, carne ou peixe, embora
antigamente, em épocas de maiores dificuldades este fosse um prato em si.
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| A bola sovada transmontana |
Experimentei esta receita feita
pela minha amiga Matilde, natural de Pombal, Carrazeda de Ansiães, que transporta
o gosto deste prato desde a infância. A completar comemos «bola sovada» (designação que tem a ver com a forma intensa como é amassada), um
tipo de pão ázimo, que leva azeite que havia sido trazido de
Trás-os-Montes para matar as saudades desta família. Para acompanhar queijo é
uma delícia.
É por estas e por outras que
me irritam às vezes as modernices bacocas, muitas vezes sem sentido, quando
temos pratos tão simples que nunca experimentámos.
quarta-feira, 28 de junho de 2017
Cozinha Saborosa e Prática
Há livros que passam despercebidos
e não são seguramente os piores. Todas as semanas leio o top 5 do jornal Expresso
e não paro de me espantar com os títulos. Publica-se muito e lê-se pouco em
Portugal de que resulta muitas obras ficarem desconhecidas, ao passo que outras,
menos merecedoras de atenção, são amplamente divulgadas.
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| 1944 |
Tenho este livro «Cozinha
saborosa e Prática» há vários anos e não fosse a beleza da capa não lhe tinha
dado importância. Foi publicado em 1956 pela Portugália Editora na sua fase
inicial e encontrei novas publicações em 1957 e 58. No início da década de 1960
esta editora tinha escritórios na Avenida da Liberdade, tendo publicado
sobretudo nas décadas de 1960 e 1970.
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| 1956 |
Nos anos 60 era dirigida por Mário
Henriques Leiria e as capas dos livros eram desenhadas pelo João Câmara Leme. A
capa deste livro não está assinada mas é provável que seja da sua autoria. Nela
se apresenta, em posição central, uma dona de casa a bater um bolo manualmente,
tendo à sua frente vários utensílios de cozinha de formas modernas.
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| 1957 |
O autor desta obra é J. Jamar de nacionalidade espanhola, que publicou vários títulos na área da culinária com
receitas muito práticas, dedicadas a donas de casa e sobre o qual nada consegui
descobrir. A primeira edição deste livro saiu em Madrid, em 1944, e apresentava
770 receitas. A boa aceitação deste livro fê-lo aumentar o número de receitas
que, na edição portuguesa traduzida por Maria Ponce, era de 1100 receitas.
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| 1958 |
Em
Espanha continuou a ser editado e em 1978 ia já na 19ª edição. Em 1956 publicou
Cocina con la olla a presión y batidora
eléctrica; em 1964 La cocina
internacional; em 1965 La cocina
rápida e em 1961 Menús familiares y de invitados, muitos
deles reeditados várias vezes.
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| 1961 |
Em
Portugal, deste autor parece ter sido apenas publicado este título que no jornal República de 18 de Abril de 1956 o anunciava como «um novo livro sobre a agradável arte de bem comer… pelo
especialista espanhol J. Jamar… indispensável às boas donas de casa».
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| 1963 |
No seu interior
podemos encontrar um extenso número de receitas agrupadas por temas, como
«cozidos e sopas», «sopas secas», «molhos», «ovos», «peixes», receitas de carne
divididas por tipo de animal, «acepipes», «aperitivos quentes» e «doçaria»,
entre outras, todas de excelente qualidade.
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| 1964 |
O
título era apelativo (que mais se pode desejar do que uma cozinha saborosa e
prática) pelo que variantes do mesmo surgiram mais tarde como: «Cozinha rápida
e saborosa com microondas Sharp», publicado em 1993 por Maria Helena Gomes ou, ainda mais ambicioso, «Cozinha
essencial: saborosa, divertida, rápida, inteligente e com estilo...» da autoria
de Sabine Sälzer e Sebastian Dickhaut,
publicado em 2003.
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| 1971 |
Mostramos
igualmente imagens das edições espanholas da época, que são também interessantes,
pelo que se quiséssemos tirar uma conclusão sobre este texto seria mesmo sobre
a importância das capas dos livros como forma de nos atrair para o seu interior.
sexta-feira, 23 de junho de 2017
O cardo nos Santos Populares
O uso do cardo, ou alcachofra
brava, foi uma das práticas que mais se perdeu nos Santos Populares. A
tradição dizia que se devia queimar na fogueira a parte florida do cardo que
posteriormente era colocado num vaso. Quando este floria novamente era sinal de que o amor era
correspondido, provocando uma alegria serena e antevendo na imaginação da jovem
a possibilidade de um casamento futuro.
Nesta capa do livro «Poeira das Cantigas» de 1939, escrito por José Castelo e ilustrado por Mário Costa (1902-1975) representam-se as festas populares com danças à volta da fogueira e, em primeiro plano, o vaso com o manjerico onde desponta o cravo e o cardo.
Hoje resta-nos o manjerico com os cravos com quadras de amor!
quinta-feira, 15 de junho de 2017
Dos rebuçados brancos
Ontem no final do almoço
trouxeram no prato a conta e alguns rebuçados brancos envoltos em celofane
encarnado. Era uma gentileza habitual nalguns restaurantes, mas foi
desaparecendo e agora só se encontra na província.
Estes tinham escrito no papel
«Bolas de neve» Nazaré e o dono do restaurante disse-me que devido ao aumento
do imposto sobre o açúcar ia deixar de os oferecer. Mostrou-me uns outros,
igualmente envoltos em papel idêntico, mas sem qualquer impressão.
Não aprecio especialmente rebuçados
mas quando ouço falar em desaparecimento ficou logo em estado de alerta. Lembrava-me
de uns rebuçados semelhantes mas que eram de côco e em forma de bola e que
penso também já desapareceram.
Quando comecei a pesquisar
descobri que imensas pessoas tinham nostalgia destes rebuçados e associavam-nos
à infância. Seguramente pessoas muito jovens porque, como vim a descobrir, a
sua produção é muito recente em Portugal.
As chamadas «Bolas de neve»
são produzidas pela empresa Nazaré, de J. Diniz e Filho, uma fábrica fundada em
1955 em Afife, Viana do Castelo. O pedido de registo desta marca foi feito em
Agosto de 2001, mas viram-se envolvidos na oposição do uso da marca por uma
outra empresa até 2006, tendo perdido o processo.
Descobri depois que também o Continente vende uns rebuçados semelhantes chamados «Lágrimas de neve», possivelmente os tais sem letras no papel de que falei anteriormente. No meio das informações surgiram ainda uns rebuçados deste tipo, chamados «Flocos de nieve» Diana e que seriam produzidos em Espanha.
Não me foi possível descobrir
o raciocínio por detrás da criação destes rebuçados que, em comum, têm a
brancura do produto que o liga à neve e o invólucro transparente encarnado que
devia remeter para o Natal, numa época em que ainda se associavam os doces às
festas. Mas para haver tanta competição entre os vários rebuçados é porque se trata
de um produto de sucesso.
segunda-feira, 12 de junho de 2017
Um tostãosinho para o Santo António
Ilustração de Nuno San Payo para o livro «Calendário de Lisboa», com versos de Silva Tavares, publicado em 1948.
sexta-feira, 9 de junho de 2017
Licores de Portugal na Mercearia Santana
A
Mercearia Santana, da família Montez, fica situada no centro antigo de Sacavém.
O local de comércio e a habitação foram transformados em museu pela equipe do
Museu de Sacavém que dinamiza o projecto cultural.
Sobre o
espaço em si falarei noutra oportunidade, com maior pormenor.
Hoje
quero convidar as pessoas interessadas para estarem presentes amanhã à tarde,
dia 10 de junho, para me ouvirem falar sobre licores e degustarem o Arrobe de
Arinto, uma cortesia da Master Flavours of Portugal.
O
programa cultural pode ser consultado neste link.
Apareçam
e aproveitem para visitar o local. São três em um!
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