domingo, 18 de julho de 2010

Um catálogo dos "Grandes Armazéns Herminios"

De um extraordinário lote de catálogos comerciais, que o meu fornecedor mais habitual me arranjou, seleccionei hoje o de “Os Grandes Armazéns Herminios”.
Este estabelecimento comercial foi construído no Porto no local do antigo Teatro Baquet, nome que se deveu ao seu fundador António Pereira Baquet e que foi inaugurado em 1853. Um grande incêndio, em 20 Março de 1888, destruiu-o completamente. Foi um dos grandes armazéns portugueses, a par do Grandela e do Chiado, influenciados pelos grandes armazéns parisienses, como o Bon Marché, que foi o primeiro grande armazém construído em Paris. Com início em 1852 foi alterado em 1878 pelo arquitecto L. A. Boileau e pelo engenheiro Gustave Eiffel. A introdução dos novos conceitos do uso do ferro e do vidro na arquitectura levou à construção de uma armazém luminoso, com cúpula de vidro central e grades de ferro circundando cada piso e deixando um espaço central, modelo que viria a servir de inspiração para vários outros edifícios comerciais. Os Grandes Armazéns Herminios eram na altura o maior estabelecimento comercial do Porto, visitado pela melhor sociedade. Tinham entrada pela Rua 31 de Janeiro e pela Rua de Sá da Bandeira.
Não consegui apurar quem foi o seu fundador mas sei que Henry Burnay (1838-1909), o financeiro que era chamado na imprensa "O Senhor Milhão" e a quem D. Luís, em 1886 , concedeu o título de Conde de Burnay teve, entre outras actividades, participação na exploração dos Grandes Armazéns Herminios. Em 1894 a casa tinha já um moderno sistema de iluminação, ainda antes de o mesmo ser introduzido nos Grandes Armazéns Grandela de Lisboa, o que foi motivo de regozijo para a cidade do Porto.
Não sei dizer quando fecharam estes armazéns mas existem catálogos, pelo menos, até 1918.
Este catálogo é de Outubro de 1911, data em que tinha sido nomeada uma nova direcção para os Herminios, ficando como Director-gerente o sr. L. Hubert.
O catálogo incluía os modelos de confecção para senhora, homem e criança, roupa branca para senhora e criança, camisaria, perfumaria, sapataria, papelaria, passemanaria, faianças e porcelanas, artigos para cozinha e casa, etc. É interessante notar que vendiam também postais ilustrados, de edição própria, que são hoje objecto de coleccionismo.
Proximamente darei a conhecer outros catálogos destes e de outros grandes armazéns.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pickles de salicórnia

Ficaram prontos os pickles de salicórnia. Agora há que esperar que se impregnem de vinagre e fiquem saborosos.

Pela foto pode ver-se como o vinagre aquecido lhe mudou a cor, passando de um verde vibrante para um verde escuro, que lhes dá agora um aspecto de algas.
Quando estava a fazer os pickles pensei: quantas pessoas no mundo estarão a fazer pickles de salicórnia?.
Quando nasce uma criança ou morre uma pessoa acontece, ao mesmo tempo, o mesmo a milhões de pessoas em todo o mundo.
Mas a fazer pickles de salicórnia nesse preciso momento serão seguramente poucas.
Este pensamento deu-me uma sensação de isolamento estranha.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A salicórnia ou cachelro

Numa visita às salinas da Figueira do Foz e ao Núcleo Museológico do Sal, que recomendo, tomei conhecimento com uma planta designada salicórnia e que naquela região tem também a designação de cachelro.

É uma planta anual que cresce nas salinas mas também nos sapais, e nas arribas temporariamente encharcadas por água salgada ou salobra ou que sofrem o efeito da maresia. É uma planta carnuda, um pouco semelhante aos espargos selvagens, razão porque também é conhecida por espargos do mar.

Deve ser colhida no fim da Primavera ou início do Verão, porque depois se torna mais fibrosa. Sempre me fascinaram as plantas que se adaptam a habitats difíceis e esta é uma delas. Tem a grande vantagem de ser comestível, apresentando fresca um sabor salgado, dispensando por isso o uso do sal.
Com o aquecimento global e a carência de água doce a cultura de plantas halófitas (isto é que crescem em solo salgado), como a salicórnia, para uso como fonte alimentar é extremamente atractiva e há já nalguns países campos de cultura desta planta. Para além de fonte alimentar pode também ser convertida em “biofuel”.


Do ponto de vista ecológico a sua produção em campos ajuda a diminuir as quantidades de dióxido de carbono e a ajustar o nível dos mares, que têm vindo progressivamente a subir.
Portanto, apesar de ser uma planta antiga, tem agora possibilidades futuras de desenvolvimento. Vejamos o seu uso como alimento: Do ponto de vista calórico 75g (1/2 chávena) têm 100 calorias, 70 g de sódio (cerca de 3% da nossa ingestão diária), hidratos de carbono 2,5 g e 10 g de proteínas. É portanto uma planta rica em proteínas. Pode ser comida crua, cortada em pedaços e misturada em saladas, por exemplo com tomate, ou outros legumes. Temperar como habitualmente, mas omitir o sal. Pode também ser cozida e nesse caso utiliza-se sobretudo em pratos de peixe ou por exemplo com mexilhões. Pode cozer-se ao vapor, no microndas ou alourar-se em manteiga ou azeite para acompanhar salmão ou outro peixe. Usa-se também para quiches ou pratos de ovos. Ainda se pode adicionar em molhos como o molho tártaro ou molhos de iogurte.
Ainda só a experimentei crua mas logo vou fazer uma omelete. E como consegui uma quantidade razoável vou experimentar fazer pickles. Andei à procura de receitas de pickles de salicórnia. Encontrei poucas mas todas diferentes. Uns deixam a salicórnia com sal durante 24 horas e cozem-na depois. No final adicionam o vinagre. Outros cozem-na no vinagre.
Já me decidi e não vou usar nenhuma das receitas. Vou fazer como faço com alguns legumes, como a couve-roxa. Costumo deixá-los macerar em sal, passo que vou saltar dado o seu teor elevado em sal. Fervo o vinagre com açúcar e especiarias e quando estiver pronto (cerca de 10 minutos), deito-o, ainda quente, nos frascos onde já introduzi a salicórnia. Daqui a umas 3-4 semanas vou poder dizer se esta receita é boa.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Pérolas Publicitárias. "Casa dos Fogões e Candeeiros"

A Casa dos Fogões e Candeeiros é também conhecida pelo nome dos seus fundadores Américo Roldão e Tarquínio Caldeira, que deram início à empresa há cerca de 75 anos.

A Casa Roldão e Caldeira situa-se na Baixa, na Travessa Nova de São Domingos nº 28 e começou por ser um ponto de venda e distribuição dos produtos fabricados pela Casa Hipólito de Torres Vedras.


O cartaz publicitário colocado no exterior da loja mostra-nos um desses produtos, um fogareiro a petróleo. Outro produto comercializado com êxito foram os candeeiros de iluminação, igualmente a petróleo.
Com o apareceimento do gás associaram-se à Casa Hipólito para a distribuição do primeiro fogareiro a gás fabricado em Portugal, denominado Lusogás, que a viria a ser adquirido pela Cidla.


Hoje a loja modernizada mantém-se na mão dos descendentes.

Felizmente perdurou na sua fachada o cartaz publicitário que apresentamos, para nosso deleite.

(Informações recolhidas em http://roldaoecaldeira.com/)

sábado, 3 de julho de 2010

A Aguardente Foguetão e as aventuras de Tim Tim

A lua sempre exerceu uma grande fascínio sobre o homem. Mesmo antes de Neil Amstrong ter chegado à lua, em 1969, a bordo da Apolo 11, já tinham sido escrito livros sobre viagens à lua.

Embora haja livros mais antigos sobre este tema não podemos deixar de falar em Julio Verne que, em 1865, escreveu «Da terra à lua» e, em 1870, «Viagem ao redor da lua». Hergé seguiu-lhe o exemplo ao colocar o seu herói Tim Tim na lua. Em 1953 era publicado «Objectif Lune» (Objectivo lua) e em 1954 «On a marché sur la Lune» (Explorando a lua).
Acontece que a nave em que Tim Tim se deslocou, acompanhado dos seus companheiros habituais, serviu de modelo a uma espectacular garrafa de aguardente portuguesa.
Encontrada num mercado de velharias da Covilhã, a garrafa, em grés, sem identificação de fábrica, foi produzida para as caves de S. Pedro, em Aguada de Baixo, Águeda, sob a marca «Foguetão».
Poucas semanas antes, ao visitar o Museu do Chocolate, em Barcelona, tinha fotografado a mesma nave do Tim Tim que inspirara um chocolateiro que reproduziu uma cena do livro de Hergé. Coincidências!.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Chá Pólvora

Ao folhear uma revista Modas e Bordados, de Novembro de 1935, deparei-me com um artigo enviado por uma correspondente em Londres, de nome Miss Edy Gray, intitulado «Aqui Londres». Tratava-se de uma pequena crónica em que dava notícias da corte inglesa e das últimas modas na capital britânica.

Entre as várias notícias podia ler-se: «os chás mais raros e perfumados como o Lapsang, o Souchong e o Orange Pekoe, são vendidos como a última moda do militarismo, nas montras que primam e se excedem em originalidade, metidos numa embalagem do feitio de balas, polvarinhos, com esta simples legenda sugestiva “Chá pólvora”».
Vista à distancia, e sabendo nós hoje que se estava num período entre duas guerras mundiais, esta moda do militarismo, levada até ao chá, choca-nos.
Parece também haver aqui alguma confusão. Na realidade o chá pólvora (gunpowder tea) é uma variedade de chá verde que nada tem a ver com alguns dos tipos de chá mencionados na notícia.

Este chá é originário da província de Zhejiang, na China, e o seu nome advém do facto de apresentar as folhas enroladas em pequenas pérolas. Era um trabalho manual, hoje feito por máquinas, de que resultam pequenas bolas escuras que parecem grãos de pólvora e daí o nome.
O início da sua produção data da dinastia Tang (618–907). Continuou a ser produzido na China mesmo após a Segunda Guerra Mundial, mas com o advento do comunismo passou de grande exportador de chá, com mais de 50% do consumo, para 6% de exportação mundial. O chá marroquino é um variante do chá pólvora, feito com uma mistura deste, a que se adiciona açúcar e folhas de menta. Para quem já o esperimentou, de preferência in loco, é uma agradável recordação.

domingo, 27 de junho de 2010

"Clafoutis" de Cerejas


É tempo de cerejas.
Embora a melhor maneira de as consumir seja comê-las frescas, ao natural, ou misturadas em saladas de frutas, existem algumas boas receitas para fazer sobretudo quando se tem fácil acesso a elas.
As cerejas são uma boa fonte de β-caroteno, um precursor da vitamina A, mas também de vitaminas C e E. São ricas em fibras, potássio e em ferro.
Nesta receita utilizei as belas cerejas da Beira Baixa.

“Clafoutis” de cerejas
Para 6 pessoas (Por dose: Calorias – 227,5 kcal, proteínas - 11 g)
750 g de cerejas pretas
150 g de farinha
3 ovos
2 dl de leite
4 col de sopa de açúcar
1 noz de manteiga
1 pitada de sal
Faz-se uma massa semelhante à massa dos crepes. Põe-se a farinha numa taça, com os ovos inteiros, 1 pitada de sal e o açúcar e bate-se com um batedor de mão. Junta-se o leite e vai-se batendo. Deixa-se repousar durante 2 horas.
Cobre-se o fundo de uma forma de tarte com as cerejas, a que não se tira o caroço para ficar mais saboroso (opcional). Cobrem-se com a massa. Salpica-se bem com açúcar por cima e vai ao forno quente. Coze durante 40-45 minutos.


Serve-se morno acompanhado de natas batidas.
Esta sobremesa também pode ser feita com cerejas congeladas ou de conserva.

Pode também substituir-se as cerejas por morangos, ou outro fruto vermelho, ou por ameixas secas que se deixaram de molho em chá preto durante algumas horas.

Receita extraída do Livro “Receitas e Truques para Doentes Oncológicos”.