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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Livro «Receitas e Truques para Doentes Oncológicos»

O meu livro «Receitas e Truques para Doentes Oncológicos» ficou finalmente pronto, depois de uma série de peripécias que levaram ao atraso da publicação. Estas passaram por um acto de ingenuidade minha, que me levou a concorrer a um prémio de Nutrição Comunitária, aos contactos demorados com uma editora que se mostrou interessada em o publicar, para finalmente me decidir a fazer uma edição de autor.

Para a realização do livro contactei um cozinheiro competente para fazer e apresentar os pratos, mas os adiamentos sucessivos levaram-me a decidir ser eu a confecionar os pratos.
Segui-se o problema do fotógrafo. As fotografias de comidas são feitas por fotógrafos especializados que se fazem pagar bem.
Como não havia verba para esse fim decidi aprender como se fotografa comida. Li o que havia disponível na internet e fui aos sites e blogs mais premiados para perceber as últimas tendências do “stiling of food”. Fui fazendo experiências e com o tempo fui melhorando. No final do livro estou já mais habilitada para começar um outro livro.

Finalmente o livro ficou pronto. Felizmente contei com a colaboração de um gráfico, o sr. Adelino Domingos, da Rios de Tinta, com quem já havia trabalhado anteriormente, para conceber o lay-out do livro.
Tenho agora que fazer a sua distribuição, o que me parece que não vai ser fácil. Tentei fugir ao esquema das editoras e distribuidoras, mas já recebi a primeira resposta de que não aceitam edições de autor. Aconselharam-me a contactar uma distribuidora. Como sou teimosa, não desisti ainda. Espero vir a colocar o livro nas livrarias dos hospitais das principais cidades.

Para já está à venda pela internet, através deste blog. É por isso que adianto estas explicações. Em Portugal, quando queremos fazer alguma coisa encontramos sempre alguns obstáculos. Há que aprender a contorná-los.

Sempre tive urgência na publicação deste livro, porque sei por experiência própria, que os doentes oncológicos consideram o problema da alimentação como crucial.
Muitos dos conceitos nele apresentados são gerais e internacionais, e do conhecimento da maioria dos hematologistas e dos oncologistas, que os transmitem aos doentes no espaço de tempo das consultas, curto para tanta informação.
Outros são conhecimentos que fui adquirindo na minha vida profissional, mas sobretudo na experiência familiar vivida.
Por fim, a parte onde se integram as receitas traduz os meus conhecimentos de culinária e os meus gostos pessoais. Foram pensadas para se adaptarem a pessoas com dificuldades na alimentação e com necessidades de refeições mais calóricas, com maior aporte de proteínas e mais fáceis de comer.

O livro aí está e faço votos para que seja útil a um grande número de doentes oncológicos e que lhes melhore e facilite a vida e a dos seus familiares.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Entrevista sobre o livro «Receitas e Truques para Doentes Oncológicos»

Era minha intenção apresentar um vídeo da entrevista que me foi feita pela Fátima Lopes.
Penso que se tratou de uma boa forma de divulgação do meu livro "Receitas e Truques para Doentes Oncológicos".
Pretende apenas ser uma fonte de informação para os doentes ou familiares que se interessem pelo assunto.
É um abrir de páginas para quem tiver a curiosidade de saber sobre o que o livro fala.
Na impossibilidade de incluir o vídeo, por falta de geito meu, ou dificuldades técnicas, aqui fica o link.

http://sic.sapo.pt/online/video/programas/vida-nova/2010/3/receitas-e-truques-para-doentes-oncologicos10-03-2010-18239.htm

sábado, 18 de abril de 2009

A Tapioca

Nas últimas semanas tenho cozinhado pratos para fotografar para o meu próximo livro com receitas para doentes oncológicos.
Sobre o livro falarei mais tarde, quando estiver pronto para publicar. Por agora quero falar-lhes sobre um dos doces que fiz, e que faz parte das minhas recordações de infância: a tapioca.
A minha mãe costumava fazer tapioca doce, depois decorada com canela, à semelhança do arroz doce.
Era bastante apreciado lá em casa e sempre pensei que se tratava de um doce do conhecimento geral. Ultimamente tenho constatado que a grande maioria das pessoas com quem falo não conhece a tapioca ou nunca a provou. Foi isso que me levou a falar sobre a mesma.

Chama-se tapioca ao prato feito com farinha de mandioca.
A Mandioca, a que os brasileiros também chamam Aipim ou Macaxeira, é o nome pelo qual é conhecida a espécie comestível e mais divulgada do género Manihot e que inclui várias raízes comestíveis.

A palavra Mandioca vem do tupi mandi oca, raiz da planta denominada mandi iwa (Manioc esculenta C.) e é um vocábulo que já se encontrava em documentos portugueses do século XVI.
O arbusto que a produz teve a sua origem mais remota no oeste do Brasil (sudoeste da Amazónia). É interessante constatar que existem inúmeros estudos sobre esta planta, uma grande maioria concentrando-se na investigação da sua origem. Cito por exemplo «Evidence on the origin of cassava: Phylogeography of Manihot esculenta» da autoria de Kenneth M. Olsen e Barbara A. Schaal do Departamento de Biologia, da Universidade de Washington, em St. Louis, que contribuíram para esclarecer a controvérsia das origens geográficas e evolução da mandioca.

A partir de um estudo filogeográfico (que devo confessar desconhecia que existia, para não parecer muito sabichona) baseado na identificação de um locus G3pdh de um gene nuclear da mandioca (Manihot esculenta subsp. esculenta) e de variantes selvagens, conseguiram concluir pela probabilidade da mandioca ter sido domesticada a partir da variedade selvagem M. Esculenta ao longo do região sudoeste da bacia do Amazonas.

Ainda antes da chegada dos portugueses ao Brasil já esta estava divulgada como uma cultura alimentar na América do Sul em vários países como a Guatemala e o México.
A tapioca foi um alimento básico dos índios brasileiros e ainda hoje faz parte da alimentação brasileira. É usada em granulado, em farinha torrada, por exemplo para fazer a farofa e também para fazer aguardente, conhecida por Tiquira, que foi também usada pelos indígenas.
Os portugueses usaram-na como pão e é, ainda hoje, na forma salgada que ela é mais consumida no Brasil. Feita numa frigideira como um crepe e recheada com vários alimentos desfiados é depois dobrada.

Em Portugal só tenho conhecimento de que seja consumida como doce, usando-se o granulado. Para se obter esse granulado é necessário que os rizomas sejam submetidos a um processo que passa pela lavagem, descascamento, demolhamento, esmagamento, secagem e moagem dos mesmos, para os transformar em farinha ou granulado. Os brasileiros são capazes do o fazer em suas casas. Mas entre nós compra-se o que está acessível no mercado português que é um granulado. Podem comprá-lo em pequenos pacotes no supermercado ou ao quilo numa das lojas da Rua do Arsenal.
O produto é um hidrato de carbono, facilmente digestível, não contém vitaminas e quase nenhumas proteínas, ou lípidos e é altamente calórico. Está especialmente indicado em pessoas que têm diarreias, como na doença celíaca, ou doentes oncológicos com íleostomias, que apresentem fenómenos frequentes de diarreia.
Embora habitualmente não mencione receitas, abro hoje uma excepção e apresento-lhes a minha receita. Espero que gostem.

Tapioca
Para 4 pessoas
(Por dose: Calorias – 557 kcal, proteínas – 9,5 g)

2 chávenas de tapioca
1 ¼ de açúcar (175 g)
0, 750 L de leite
3 gemas
Canela em pau e em pó
Baunilha em pó ou em vagem
Põe-se a tapioca de molho em água, pelo menos 2 horas antes. Coze-se a tapioca em cerca de 5 chávenas de água, a que se adicionou uma pitada de sal. À parte aquecem-se 75 dl de leite que se adicionam a pouco e pouco à tapioca. Junta-se casca de limão e 1 pau de canela. Adiciona-se o açúcar e deixa-se acabar de cozer a tapioca. Junta-se baunilha em pó ou em vagem. Quando estiver cozida, retira-se do lume e juntam-se 3 gemas de ovos batidas. Deita-se tudo no tacho e vai novamente ao lume para cozer as gemas e engrossar. Retiram-se as cascas de limão, o pau de canela e a vagem de baunilha. Serve-se num taça polvilhada com canela.

Pequeno pudim de Tapioca decorado com açucar púrpura, uma "delicatessen" que comprei nos Estados Unidos no Dean and Deluca, e que não resulta grande coisa nas fotografias.

sábado, 11 de março de 2017

Uma panacota de nutricionista

Foto tirada do blog Deelightfully Veg
Por razões pessoais tenho-me deslocado frequentemente à Covilhã. O Hotel onde ficamos tem ao jantar um buffet agradável, mas da penúltima vez o que nos surpreendeu foi a excelente qualidade das sobremesas.
Foi portanto com entusiasmo que cheguei à hora do jantar, mais com a expectativa dos doces do que dos salgados, o que para mim era uma novidade. Normalmente evito sobremesas fora de casa porque não compensa o mal que fazem pelo sabor que oferecem, normalmente apenas a açúcar.

Quando comuniquei o meu entusiasmo à pessoa que nos recebeu foi-me dito que eram sempre diferentes, o que era natural. Naquele dia para além das frutas havia um leite-creme bom, um bolo húmido em fatias que não experimentei e panacota de chocolate. Esta apresentava-se dentro de um frasco de vidro decorada com framboesas e nozes. Esta moda do frasco de vidro aceito (até nos cansarmos) mas numa panacota não nos permite ver a sua consistência. Quando a experimentei era uma pasta dura, onde dificilmente a colher entrava, sem gosto e sem açúcar, na realidade incomestível. Decepcionada chamei o empregado da sala e disse-lhe que aquilo não era panacota e que não sabia o que era. Foi saber e quando voltou disse-me que era uma receita da nutricionista no sentido de ter uma sobremesa menos calórica. Era feita com leite de soja e estivia e por lapso não estava identificada como opção saudável.
Imagem do blog  Panning the Globe
Expliquei-lhe, apesar de não ter culpa, que panacota (panna cota) significava natas cozidas e que portanto não podia ser feita com leite e ainda menos com uma coisa que não é leite porque não existe nenhum animal chamado “soja” que dê leite. Por outro lado o que caracteriza esta sobremesa de origem italiana é a sua consistência gelatinosa, isto é, no prato deve tremer. Portanto o melhor era dar outro nome àquela sobremesa, como por exemplo: «sobremesa saudável, sem calorias, sem açúcar e sem sabor» e assim já não enganavam ninguém.
Foto tirada da internet
Este pequeno incidente despertou em mim uma profunda irritação contra esta profusão de nutricionistas que interferem agora também nas receitas em restaurantes. São centenas (ou milhares?) de meninas jovens, com a beleza e elegância natural da idade, que não sabem estrelar um ovo e saem da Faculdade a querer transformar a alimentação dos outros. Tem uma aptidão natural para as câmaras de televisão, ou vice-versa, e entram-nos pela casa adentro quando menos damos por isso.
Quando eu trabalhava como médica no hospital, em serviços de Oncologia, lamentava que não existissem nutricionistas para apoiar os doentes. Falava com as dietistas e acabei por escrever um livro destinado à alimentação dos doentes oncológicos, uma vez que não havia outro. Não sei se nessa altura ainda não tinham saído da Faculdade nutricionistas suficientes ou se estavam todas (não sei porquê mas o predomínio é feminino) na televisão.

Agora é esperar que esta moda passe e que eu possa comer nos restaurantes pratos salgados ou doces feitos e pensados por cozinheiros. Não é pedir muito, pois não?

PS. Não fotografei a sobremesa pelo que as imagens não correspondem.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Os livros do Dr. Adrián Vander

Ao folhear o livro Regimenes Agradables para Sanos Y Enfermos, não pude deixar de me lembrar que, em muitas das dedicatórias para pessoas saudáveis que faço no meu livro Receitas e Truques para Doentes Oncológicos, ressalvo que as mesmas também são boas para pessoas sãs.
O livro, da autoria de Dr. Vander e data de 1955 (5ª edição), despertou-me a curiosidade pelo autor e a sua obra.
O seu verdadeiro nome era Adrian Van Der Put e era de nacionalidade Holandesa, onde nasceu em 1820. Terá sido director do Sanatório Kuhnne, em Leipzig mas, provavelmente por não ser médico, passou para Espanha em 1912, onde adaptou um novo nome mais fácil. Instalou o seu consultório em Barcelona e começou a dar consultas de naturopatia, que publicitava na revista la Salud, de que era editor. 
Embora inicialmente lhe tenha sido concedida licença esta foi-lhe retirada e passou a desenvolver a sua actividade literária publicando mais de 50 livros, todos tendo como tema a Medicina Natural ou Naturismo. Hoje é considerado o pai da naturopatia em Espanha. 
Os seus livros, de que não vou mencionar os nomes (por razões evidentes), apresentavam características ideológicas e gráficas semelhantes ao apresentado.
 
As imagens são aparentemente desenhadas pelo próprio autor, uma vez que apresentam num dos cantos «DR V» e são todas muito interessantes. Ilustram de forma encantadora e muito colorida o que devia ser uma alimentação correcta. Nesse sentido apresenta os principais produtos alimentares e os pratos bem decorados de forma a serem apetitosos. 
Nas suas obras o autor fazia a apologia da «Medicina Natural» e dentro desta destacava os regimes de alimentação lacto-ovo-vegetariano, que considerava mais adequado para pessoas saudáveis e para algumas doenças, e os regimes vegetariano puro e crudíveros (purificador e reconstituinte), mais adaptados aos doentes. 
Os seu livros tiveram um imenso sucesso, o que não admira porque ao observarmos as imagens até nos esquecemos de que se trata de pratos exclusivamente vegetarianos.
Os seus conceitos são ainda hoje actuais, e fazem-me lembrar uma frase do meu professor de desenho, o arquitecto Calais (um homem avançado para a época), que dizia: «Não há nada de novo à superfície da Terra». 

domingo, 27 de junho de 2010

"Clafoutis" de Cerejas


É tempo de cerejas.
Embora a melhor maneira de as consumir seja comê-las frescas, ao natural, ou misturadas em saladas de frutas, existem algumas boas receitas para fazer sobretudo quando se tem fácil acesso a elas.
As cerejas são uma boa fonte de β-caroteno, um precursor da vitamina A, mas também de vitaminas C e E. São ricas em fibras, potássio e em ferro.
Nesta receita utilizei as belas cerejas da Beira Baixa.

“Clafoutis” de cerejas
Para 6 pessoas (Por dose: Calorias – 227,5 kcal, proteínas - 11 g)
750 g de cerejas pretas
150 g de farinha
3 ovos
2 dl de leite
4 col de sopa de açúcar
1 noz de manteiga
1 pitada de sal
Faz-se uma massa semelhante à massa dos crepes. Põe-se a farinha numa taça, com os ovos inteiros, 1 pitada de sal e o açúcar e bate-se com um batedor de mão. Junta-se o leite e vai-se batendo. Deixa-se repousar durante 2 horas.
Cobre-se o fundo de uma forma de tarte com as cerejas, a que não se tira o caroço para ficar mais saboroso (opcional). Cobrem-se com a massa. Salpica-se bem com açúcar por cima e vai ao forno quente. Coze durante 40-45 minutos.


Serve-se morno acompanhado de natas batidas.
Esta sobremesa também pode ser feita com cerejas congeladas ou de conserva.

Pode também substituir-se as cerejas por morangos, ou outro fruto vermelho, ou por ameixas secas que se deixaram de molho em chá preto durante algumas horas.

Receita extraída do Livro “Receitas e Truques para Doentes Oncológicos”.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Paisagens alimentares hospitalares

Neste mês de Agosto, em que as pessoas procuram destinos exóticos, fui parar a uma cama de hospital.

Porque este não é um blog pessoal, passo sobre a experiência para me focar apenas no problema da alimentação.

Nos últimos tempos, desde que escrevi o livro «Receitas e Truques para Doentes Oncológicos» tenho feito conferências em vários hospitais sobre o tema da alimentação do doente oncológico.

Descubro agora que, para além de alguns pontos que distinguem os vários tipos de dietas, os erros cometidos são os mesmos.

Com o corpo e o espírito enfraquecido o doente entrega-se ao cuidado do hospital para o alimentar. Confia nele e aguarda que à hora programada a refeição chegue.

No caso concreto, que não especificarei, a refeição chegava, quente e em quantidade suficiente. Exagerada mesma para o apetite. A qualidade dos produtos era boa. Que tenho então eu a dizer?

Durante 8 dias foi-me dada a mesma sopa de cenoura. Talvez não fosse mesmo igual porque me queixei e veio outra. Mas a base era a mesma: uma base alaranjada de abóbora/cenoura, onde num dia finalmente sobrenadavam dois bocados de couve. A sopa nunca foi branca, ou verde ou amarela ou às cores.
Comecei a ficar traumatizada. Hoje, já em casa, ainda estou porque não deixo de pensar nisto e não consigo esquecer o cheiro.
Não vou falar em mais pormenores mas o problemas que acompanham a falta de apetite do doente são agravados pelos seguintes factores:

1 - A falta de variedade, que costumo, nas minhas comunicações,  documentar com um slide que tirei da net «Food Bingo», que representa a facilidade de fazer bingo, pela repetição.

2 - Alimentos duros, que cansam a mastigar.

3 - Falta de molhos que misturem tudo (proteínas, hidratos de carbono, etc).

Fico por aqui. Estou ainda muito cansada.