quinta-feira, 28 de setembro de 2023

O queijo da Serra da Estrela

 

Imagem tirada da internet

Na última semana os jornais noticiaram que 30% do queijo da Serra da Estrela (DOP) acaba dentro dos pastéis de bacalhau.

É caso para dizer: “E anda um pai a criar um filho para isto”.

terça-feira, 26 de setembro de 2023

A Confraria da Cherovia

 

Falando à antiga, cresceram-me os dentes a comer cherovia. Em Portugal, é apenas na região da Covilhã que cresce esta raiz (Pastinaca sativa), classificada definitivamente por Lineu, em 1753, no livro Species Plantarum. Até então existiam muitas confusões entre esta e a cenoura, sobretudo numa época com menos uniformidade desta última. As duas eram "raízes" e por isso mesmo desprezadas na Idade Média.

As cherovias surgem pela primeira vez num livro de culinária em 1450. Maestro Martino da Como, dá uma receita de cherovias fritas no livro De honeste voluptate. Outros se lhe seguem. Durante a Renascença foi recuperada, para cair mais tarde no abandono, substituída pela batata.

Fico por aqui na sua história. Este texto é uma parte da comunicação que fiz durante a minha entronização como confrade de honra da Confraria da Cherovia e da Panela no Forno, na Covilhã, no passado dia 28 de Setembro.

Aveludado de cherovia
No juramento prometia-se divulgar estes produtos característicos da cidade. Cá estou a fazê-lo, embora o meu empenho seja sobretudo dirigido à Pastinaca.  

Panela no forno
Nos últimos tempos tem sido descoberta pelo cozinheiros e foram criadas novas receitas. Aqui lhes mostro a ementa do jantar que tivemos no restaurante A Laranjinha, referência a um antigo jogo com bolas, onde comemos muito bem.

Sobremesa: Imperador de cherovia e creme inglês
A acompanhar este evento houve três dias de festejos que incluíram uma feira onde se podia comer a cherovia nas suas variantes e outros sabores da região, como o famoso pastel de molho, de que falei há já uns anos.

Já acabou, mas para o ano há mais festa, novamente em Setembro. Não percam!

domingo, 17 de setembro de 2023

Livro Luís de Sttau Monteiro Gastrónomo na Covilhã

 Durante o festival da Cherovia, na Covilhã, irei apresentar o meu último livro.

Remete-me para recordações da minha adolescência na Covilhã, onde descobri a obra de Luís Sttau Monteiro, pela primeira vez, na extinta Livraria Nacional.

Apareçam!


quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Brincar às casinhas

  

Podia apresentar qualquer um dos conjuntos em Museu Virtual, mas a associação dos dois fazia-me mais sentido. Vieram de locais diferentes, mas de repente percebi a sua semelhança.

O pequeno cesto de piquenique, em vime, contém um serviço de brincar para chá, com quatro chávenas, bule, açucareiro, leiteira e quatro colheres monumentais em relação aos restantes objectos. Mas isso não é importante porque sabemos que estamos no reino do “faz de conta”, tão apreciado pelas crianças.

Já o serviço de adultos é igualmente para chá. Aqui apenas se apresenta o bule e o açucareiro, mas tenho ideia de que existem ainda as chávenas respectivas, vindas de um outro local. O serviço, em porcelana, é da Fábrica da Vista Alegre e apresenta a marca VA Portugal, em verde, que corresponde ao período de 1924-1947.

O modelo, conhecido por “bolas”, teve bastante aceitação no período Art Deco português, provavelmente pela alegria inovadora que transmitia. Terá servido de inspiração para o pequeno serviço infantil e reuniram-se agora.

 

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Receitas antigas


  Ao organizar um conjunto de receitas antigas encontrei no meio das folhas soltas um conjunto de 8 pequenos papéis amarelados e partidos.

Pensei que se tratava de pequenas receitas em dois pedaços, mas quando comecei a colá-las percebi que era uma folha grande partida. Como de costume esqueci-me de fotografá-las antes de iniciar o restauro e não posso dar uma ideia do estado inicial.

O mau estado do papel e as manchas de doce faziam as folhas parecer mais antigas, mas afinal trata-se de receitas de início do século XX, por já estarem escritas com o sistema métrico actual. Ainda assim muito interessantes e provavelmente de origem muito anterior.

Das receitas constam: os Ovos Brancos; os Ovos Reais; [Rebuçados de ovos]; Bolos de D. Christina Cruz; Puding de Queijo; Bolos de Londres e um Bolo de ??? (não consegui perceber o nome).

Imprimi as folhas e consegui escrever por cima nas lacunas e locais menos nítidos.

Aqui fica o resultado do meu trabalho

 

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

A Água do Mouchão da Póvoa

  

Primeiro apareceu-me uma publicidade enorme, às águas referidas, num jornal “O Distrito de Portalegre”, num número festivo, de 1912.[1] Logo no dia seguinte surge um postal com publicidade às mesmas.

Confesso que embora já possa ter visto alguma publicidade não me diziam nada. Tinha que as pesquisar. E, surpresa, como elas estavam aqui tão perto.

 

As águas do Mouchão da Póvoa, situavam-se no concelho de Vila Franca de Xira e foram concessionadas à Sociedade do Mouchão da Póvoa por alvará de 1 de Novembro de 1910. Mas primeiro há que explicar que os mouchões são as ilhotas do Tejo e que esta, concretamente, era a maior. Era um local importante com terrenos agrícolas férteis e ancoradouro para muitas aves aquáticas invernantes.

Em Abril de 2016, deu-se o rompimento de um dique no Mouchão da Póvoa. Várias tentativas de entidades diversificadas e até mesmo os próprios pescadores tentaram resolver o problema. Em vão. O terreno era privado e nada foi feito. Adélia Gominho, autarca em Vila Franca de Xira, entre outros, chamou à atenção para o aumento da salinização das águas muitos quilómetros rio adentro, com consequências futuras também na agricultura de proximidade. A extensão do dique destruído foi aumentando, as casas e os terrenos foram-se afundando e a água do mar misturou-se com a salobra. O mouchão da Póvoa está neste momento quase submerso.


Nunca existiram termas, propriamente ditas, mas uma fonte de água captada num poço artesiano com 46 metros de profundidade e ao lado uma oficina de engarrafamento. Situada na ponta sul do mouchão, a instalação da nascente da outrora famosa Água Minero Medicinal do Mouchão da Póvoa foi abandonada em Abril de 1951. Actualmente apresenta-se tudo em estado de ruína.

De acordo com a publicidade da época, esta água tinha indicação para tratamento de úlceras da pele e mucosas, eczemas e todas as doenças da pele, inflamações da boca, olhos e garganta, etc.  E, para acentuar as suas capacidades curativas, vendia-se apenas nas farmácias e drogarias.

No passado, foi distinguida com a medalha de ouro nas exposições mundiais de Londres e Roma, em 1913, e em 1915 no Panamá. Hoje apenas se podem encontrar as antigas garrafas e manifestações da actividade publicitária a enaltecer as suas qualidades.  

 Mas estes vestígios alertam-nos também para um desastre ecológico, mesmo às portas de Lisboa, que ignoramos todos. Vejam então este filme, para se inteirarem melhor.

 https://cnnportugal.iol.pt/rio-tejo/mouchao-da-povoa/exclusivo-maior-ilha-do-tejo-em-risco-promessas-do-governo-nunca-sairam-do-papel/20230117/63c5eb950cf2c84d7fc3851d



[1] O periódico O Distrito de Portalegre foi fundado a 27 de Abril de 1884 e durou até 2010.