Um Santo António em recolhimento, mas não esquecido!
sexta-feira, 12 de junho de 2020
quinta-feira, 4 de junho de 2020
As escovas. Uma grande família
Fiquei com um fascínio por
escovas quando vi, há alguns anos, um episódio do Antique Roadshow, onde se
apresentava uma colecção de escovas do século XIX e início do XX. O mais
interessante era que a colecção pertenciam a uma miúda de 10 anos, que tinha
decidido interessar-se pelo tema e possuía uma variedade notável. Conseguia
identificar a sua utilidade, assunto que não só desconhecemos como nem nos
passa pela cabeça.
![]() |
| https://catherinewhite.com/rough-ideas/2010/07/brushes.html |
Encontrei também no Porto uma
alfarrabista que possuía uma escova diferente para limpar os livros do século
XVIII, outra para os livros do século XIX e uma outra para os do século XX.
| Várias escovas de toilete do séc. XIX e XX com costas em prata |
Eu própria tornei-me sensível
ao tema e vou guardando escovas originais antigas. Há alguns anos lembro-me de
ter entrado numa loja em Espinho que vendia escovas e pincéis de fabrico local.
Ia fechar e não resisti em adquirir alguns modelos mais interessantes em
especial de pincéis de barba.
Quando hoje folheei o 1º
volume da Encyclopedia Pratica, que
começou a ser publicada em 1905, encontrei um artigo sobre escovas. Nele se
descrevem os materiais com que habitualmente eram confeccionadas as “costas” e o
tipo de pêlos empregues nas “barbas”. Uma diversidade que nada tem a ver com as
escovas de hoje, que são todas em plástico.
Há poucos meses comprei uma
escova para o cabelo e desloquei-me de propósito à Casa Polycarpo onde compro este
tipo de material. Passado pouco tempo escorregou da bancada para o chão e a
ponta do cabo partiu-se. Apanhei-a e pensei em colá-la. Coloquei novamente a
escova sobre a bancada, agora desequilibrada pela falta da extremidade, e rolou
novamente para o chão separando-se o cabo da escova. Não consegui evitar uma gargalhada
e pensei que nunca mais comprava uma escova de plástico. É contudo uma
realidade difícil de contornar.
Fiquemos pois com os vários
modelos existentes à época. Fiquei fascinada com as escovas para “lavar caras”,
que desconhecia. Ainda existem e chamam-se presentemente «escovas para limpar o rosto»
ou de «limpeza facial» e são um bocadinho diferentes.
domingo, 31 de maio de 2020
Museu virtual: Mostardeira
Nome do Objecto: Mostardeira.
Descrição: pequeno pote gomado em porcelana vidrada com
ramos de flores dispersas. Foi-lhe montada uma base e uma tampa em prata. Tem
pequena colher igualmente em prata.
Material: porcelana e prata.
Época: 1930-1940.
Marcas: SP Coimbra.
Origem: mercado português.
Grupo a que pertence: utensílios
para servir alimentos.
Função Geral: recipiente
para o serviço ou consumo das especiarias.
Função Específica: servir mostarda na mesa.
Nº inventário: 3715
Objectos semelhantes: não numerados ou classificados
Nota:
A sociedade de Porcelanas de
Coimbra foi fundada por antigos operários da Fábrica Vista Alegre e alguns
modelos são muito semelhantes. Foi adquirida na década de 1940 pela Vista
Alegre, para evitar a concorrência.
O que surpreende nesta peça tão
simples é a sua montagem com prata. As mostardeiras eram geralmente acompanhadas
por saleiros e pimenteiros, formando conjuntos homogéneos. Este motivo de
pequenos ramos de flores surge também em serviços de mesa e chá.
quinta-feira, 21 de maio de 2020
Quinta-feira de Espiga
Felizmente este ano, de forma improvável, consegui cumprir a tradição.
No meio dos cuidados da pandemia ainda houve quem fosse colher o ramo de espiga.
Ganhei o dia.
No meio dos cuidados da pandemia ainda houve quem fosse colher o ramo de espiga.
Ganhei o dia.
quinta-feira, 14 de maio de 2020
Objecto Mistério Nº 62. Resposta: Paliteiro em cristal
A maior parte dos paliteiros
são facilmente identificáveis. Feitos de diversos materiais e de formas
variáveis, foram sempre apreciados. Não encontramos infelizmente, descrições
sobre a forma de os colocar sobre as mesas ou representações do seu uso à mesa.
Por razões óbvias os palitos foram usados desde o
início da humanidade e chegaram a ser feitos em metais preciosos. Contudo, a
divulgação dos paliteiros deu-se apenas no início do século XIX quando aumentou a produção,
manual ou industrial, dos palitos em madeira.
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| Palito portátil já apresentado. Ver Objecto Mistério Nº13 |
O seu uso sobre a mesa
tornou-se moda sobretudo na Europa, por vezes fazendo parte de conjuntos com os
saleiros e pimenteiros. A partir de meados do século XX começaram a ser menos
populares e nas últimas décadas, abandonaram as mesas e hoje só se podem observar em
vitrines, quando dignos dessa honra.
Os paliteiros de um modo geral apresentam-se de duas formas: com uma base perfurada (mais frequentes nos feitos em ceramica ou metal) ou com um recipiente onde se guardam os palitos. São sobretudo deste tipo os paliteiros em vidro, tornando a sua identificação mais complicada.
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| Pormenor de um catálogo que nos mostra que o mesmo objecto podia servir para paliteiro ou fosforeira |
A dificuldade é distingui-los
dos suportes para fósforos, dos oveiros, das pequenas jarras, dos afiadores de
penas, porque muitas vezes a forma era a mesma, só se distinguindo pela
legenda dos catálogos dos fabricantes.
| Afiador de canetas, preenchido com arames verticais, onde coloquei penas |
Neste caso concreto a sua
forma é mais rara, uma vez que apresenta um pé, podendo confundir-se com um
cálice. A espessura das paredes, que lhe dá maior estabilidade, torna-o
inadequado para levar aos lábios.
A cavidade é demasiado pequena para conter
flores ou um ovo e lembrei-me de já ter visto paliteiros com este formato. Os
catálogos que consultei não me permitiram identificar a fábrica. Parecia-me
Baccarat, mas não o consegui provar.
Mas o teste dos palitos não
nos deixa com dúvidas.
quarta-feira, 13 de maio de 2020
Objecto Mistério Nº 62: Pergunta
O objecto que hoje se
apresenta tem pequenas dimensões.
Mede de altura 9 cm e a base
tem um diâmetro aproximado de 5 cm.
A que se destinava?
quarta-feira, 29 de abril de 2020
Uma Ementa de 29 de Abril de 1965
Faz hoje 55 anos esta ementa
destinada às comemorações promovidas pelo Comissariado de Turismo, intituladas
«Abril em Portugal». O cartaz que acompanhava esta campanha promocional,
de
autor desconhecido e feito na Litografia Costa & Valério, era precisamente
igual à capa desta ementa.
Eram mencionados os «Vinhos do
Dia», podendo o cliente escolher qual o que achava mais adequado para
acompanhar os aperitivos, as conservas e o peixe, a carne, o doce e a fruta e
por fim o café. Não se ficava por aí a escolha.
Na página seguinte era
apresentada uma extensa Lista de Vinhos que iriam ser servidos durante a
temporada.
Recorde-se que foi associada a
estas campanhas promocionais que surgiu a canção «Avril au Portugal».
Inicialmente cantada por Yvette Giraud, com letra de Jacques Larue, baseava-se
no fado canção Coimbra, composta por Raul Ferrão e que a cantora francesa ouviu
Amália Rodrigues cantar e a quem pediu autorização para a transformar. Foi um sucesso.
Aqui fica a mesma para
acompanhar a refeição.
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