Felizmente este ano, de forma improvável, consegui cumprir a tradição.
No meio dos cuidados da pandemia ainda houve quem fosse colher o ramo de espiga.
Ganhei o dia.
quinta-feira, 21 de maio de 2020
quinta-feira, 14 de maio de 2020
Objecto Mistério Nº 62. Resposta: Paliteiro em cristal
A maior parte dos paliteiros
são facilmente identificáveis. Feitos de diversos materiais e de formas
variáveis, foram sempre apreciados. Não encontramos infelizmente, descrições
sobre a forma de os colocar sobre as mesas ou representações do seu uso à mesa.
Por razões óbvias os palitos foram usados desde o
início da humanidade e chegaram a ser feitos em metais preciosos. Contudo, a
divulgação dos paliteiros deu-se apenas no início do século XIX quando aumentou a produção,
manual ou industrial, dos palitos em madeira.
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| Palito portátil já apresentado. Ver Objecto Mistério Nº13 |
O seu uso sobre a mesa
tornou-se moda sobretudo na Europa, por vezes fazendo parte de conjuntos com os
saleiros e pimenteiros. A partir de meados do século XX começaram a ser menos
populares e nas últimas décadas, abandonaram as mesas e hoje só se podem observar em
vitrines, quando dignos dessa honra.
Os paliteiros de um modo geral apresentam-se de duas formas: com uma base perfurada (mais frequentes nos feitos em ceramica ou metal) ou com um recipiente onde se guardam os palitos. São sobretudo deste tipo os paliteiros em vidro, tornando a sua identificação mais complicada.
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| Pormenor de um catálogo que nos mostra que o mesmo objecto podia servir para paliteiro ou fosforeira |
A dificuldade é distingui-los
dos suportes para fósforos, dos oveiros, das pequenas jarras, dos afiadores de
penas, porque muitas vezes a forma era a mesma, só se distinguindo pela
legenda dos catálogos dos fabricantes.
| Afiador de canetas, preenchido com arames verticais, onde coloquei penas |
Neste caso concreto a sua
forma é mais rara, uma vez que apresenta um pé, podendo confundir-se com um
cálice. A espessura das paredes, que lhe dá maior estabilidade, torna-o
inadequado para levar aos lábios.
A cavidade é demasiado pequena para conter
flores ou um ovo e lembrei-me de já ter visto paliteiros com este formato. Os
catálogos que consultei não me permitiram identificar a fábrica. Parecia-me
Baccarat, mas não o consegui provar.
Mas o teste dos palitos não
nos deixa com dúvidas.
quarta-feira, 13 de maio de 2020
Objecto Mistério Nº 62: Pergunta
O objecto que hoje se
apresenta tem pequenas dimensões.
Mede de altura 9 cm e a base
tem um diâmetro aproximado de 5 cm.
A que se destinava?
quarta-feira, 29 de abril de 2020
Uma Ementa de 29 de Abril de 1965
Faz hoje 55 anos esta ementa
destinada às comemorações promovidas pelo Comissariado de Turismo, intituladas
«Abril em Portugal». O cartaz que acompanhava esta campanha promocional,
de
autor desconhecido e feito na Litografia Costa & Valério, era precisamente
igual à capa desta ementa.
Eram mencionados os «Vinhos do
Dia», podendo o cliente escolher qual o que achava mais adequado para
acompanhar os aperitivos, as conservas e o peixe, a carne, o doce e a fruta e
por fim o café. Não se ficava por aí a escolha.
Na página seguinte era
apresentada uma extensa Lista de Vinhos que iriam ser servidos durante a
temporada.
Recorde-se que foi associada a
estas campanhas promocionais que surgiu a canção «Avril au Portugal».
Inicialmente cantada por Yvette Giraud, com letra de Jacques Larue, baseava-se
no fado canção Coimbra, composta por Raul Ferrão e que a cantora francesa ouviu
Amália Rodrigues cantar e a quem pediu autorização para a transformar. Foi um sucesso.
Aqui fica a mesma para
acompanhar a refeição.
segunda-feira, 20 de abril de 2020
O gastrónomo Charles Monselet
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| Charles Monselet. Paris Musées |
Ao adquirir vários outros
números do jornal referido vejo a sua imagem numa cartela associada às de Brillat-Savarin e de
Alexandre Dumas Pai e interroguei-me como nunca o havia investigado.
O seu papel como escritor na
área da gastronomia valeu-lhe na época o nome de «Rei dos Gastrónomos»[1]. Foi, juntamente com Grimod
de la Reynière, o Barão Brisse e Joseph Favre, um dos primeiros jornalistas franceses
de gastronomia.
Como
escritor tem uma vasta lista de publicações mas centrem-nos apenas nas que dizem
respeito às áreas da culinária e da gastronomia. Publicou entre outros:
· La Cuisinière
poétique, 1859, com outros autores
· Almanach des gourmands, 1862-1870, 6 vol.
· Teofilo Barla, cuisinier
de la Maison de Savoie: à propos de sa vie et de sa mort, Paris, 1873.
· Gastronomie.
Récits de table, 1874.
· Lettres gourmandes. Manuel de l’homme à table.1877.
Prefaciou a obra
de Joseph Favre, Dictionnaire universel
de cuisine et d'hygiène alimentaire : modification de l'homme par
l'alimentation. 1889-91.
Prefaciou igualmente a obra de Brillat
Savarin. Physiologie du goût. 1879.
No que respeita a periódicos fundou o Le Gourmet: journal des intérêts gastronomiques, em 1858, que publicava receitas
detalhadas a par de comentários gastronómicos.
Colaborou no já referido La Cuisine des Familles. Recueil hebdomadaire de Recettes d'Actualité
très clairement expliquée, très faciles à exécuter (de 1905 a 1908), onde
surge a foto que despertou a minha curiosidade. Este jornal era dirigido por Mme
Jeanne Savarin (1854-1907), um nome feminino a justificar uma divulgação do
tema também junto das donas de casa.
Foi com surpresa que descobri que se
tratava de um pseudónimo de Gabriel-Antoine Jogand-Pagès, jornalista anticlerical
e antimaçónico, que usou muitos outros pseudónimos, adaptando-os ao tipo de
escrita.
Foi com este nome femenino que publicou vários
livros de receitas como:
- La bonne cuisine
dans la famille. Recettes choisies. 1905.
- L'art de bien acheter. 1904.
- Guide de la ménagère pour tous ses achats journaliers.
Afinal não foi apenas Monselet
que descobri. A falsa Mme Jeanne, que chegou a ser descrita como filha de Jean-Anthelme Brillat-Savarin, veio como prémio adicional. È que para além do nome chegou a ter uma pretensa imagem física, divulgada nas suas obras.
sexta-feira, 10 de abril de 2020
Venda das amêndoas nas ruas
Este ano na Páscoa, em tempo de pandemia, interrompem-se muitas tradições.
As famílias não se juntam e os
festejos são mais comedidos no que se refere aos consumos alimentares. Alguns
vão tentar manter os alimentos tradicionalmente associados a esta época como o
carneiro e o cabrito, mas nem todos o vão poder fazer.
Quanto às amêndoas doces
suponho que não terão feito a sua aparição nos supermercados e as pequenas
lojas de iguarias ou encontram-se fechadas ou as pessoas, confinadas nas suas
casas, não se deslocam a esses locais que, de resto, vão escasseando.
O achado destas duas imagens publicadas no jornal A Época, de 4 de Abril de 1926, que mostra o "Tempo Pascal" e a "Venda das amêndoas nas ruas" (provavelmente em Lisboa) levou-me a escrever esta pequena nota.
O achado destas duas imagens publicadas no jornal A Época, de 4 de Abril de 1926, que mostra o "Tempo Pascal" e a "Venda das amêndoas nas ruas" (provavelmente em Lisboa) levou-me a escrever esta pequena nota.
Uma Boa Páscoa!. Se têm
saúde, o confinamento no domicílio deve ser a menor das nossas preocupações, mesmo sem amêndoas pela primeira vez em tantos anos.
terça-feira, 7 de abril de 2020
A Casa Oásis
Este folheto publicitário, que encontrei nas minhas arrumações, descreve em pormenor o que hoje seria uma instalação hoteleira (com dormidas), restaurante, barbearia e leitaria.
Quem o guardou escreveu em cima a data (1922?) e o local em que se situava (Entroncamento).
O seu proprietário António Lopes Leitão explicava a localização da casa, perto da Estação de Comboios do Entroncamento, onde existia um candeeiro que iluminava a porta e uma tabuleta onde se representava uma vaca, em alusão ao serviço de leitaria, tal como se podia ver no folheto.
Além de salientar «o esmerado serviço» o texto mencionava a “higiene” e a “limpeza”, noções que hoje tendemos a sobrepor.
Na altura eram conceitos distintos e importantes sobretudo atendendo às grandes preocupações desenvolvidas com a Higiene, resultantes dos conhecimentos adquiridos com a pandemia de gripe pneumónica de 1918-1919.
Os atractivos da Casa Oásis não se ficavam por aqui e, no que respeitava à alimentação servia em exclusivo os afamados leite, queijos e manteiga da Quinta da Cardiga, pães moletes e bolos, para além de enchidos e conservas e diversas bebidas, como era descrito em pormenor. Na altura eram conceitos distintos e importantes sobretudo atendendo às grandes preocupações desenvolvidas com a Higiene, resultantes dos conhecimentos adquiridos com a pandemia de gripe pneumónica de 1918-1919.
Por fim a barbearia, que rivalizava com as de Lisboa e do Porto e em que se utilizavam máquinas de desinfecção, para satisfação dos clientes.
Não me parece nada mal.
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