terça-feira, 6 de novembro de 2018

Evolução dos hábitos de mesa nos séc. XVIII e XIX


Um pouco em cima da hora venho convidá-los para assistirem ao Colóquio «Um lugar à mesa Real» que terá lugar no Palácio de Queluz, no dia 8 de Novembro a partir das 9 horas da manhã.

O programa é muito interessante, como podem consultar em

Eu irei falar sobre a «A evolução dos Hábitos de mesa nos séculos XVIII e XIX».
Espero que ainda consigam lugar.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Uso diversificado de fontes

Amanhã, dia 6 de Novembro às 18 horas, irei falar sobre o tema referido na Faculdade de Ciencias Sociais e Humanas, na Avenida de Berna, às 18 horas.
A conferência faz parte de um conjunto de iniciativas sobre História Moderna, de que se anexa programa e é aberta ao público.

sábado, 3 de novembro de 2018

Objecto Mistério Nº 58. Resposta: Lavatório


 Usamos ainda hoje uma forma simplificada deste lavatório, que designamos por lavabo. Trata-se de um pequena taça com pires destinada a lavar os dedos após o consumo de alimentos comidos à mão, como o marisco. Este tipo de utensílio foi o herdeiro natural do que apresentámos como objecto mistério.
A designação de lavabo explica-se por ser a mesma que se utiliza para os depósitos de água com torneira para alguém se lavar. A mesma palavra refere-se, na religião católica, à cerimónia da lavagem dos dedos e à oração que a acompanha na missa.
Imagem tirada da net
 Quanto ao lavatório, no início do século XIX, surgia nos inventários de bens, como no de D. Fernando II[1], como finger glass ou rince bouche. Estas expressões estrangeiras explicam bem a forma como era utilizado. Ele vinha à mesa com água tépida dentro do copo da qual se despejava uma parte na taça. Entregues no final da refeição lavavam-se os dedos na taça, bochechava-se com a água do copo que se deitava na taça já utilizada e o todo era recolhido. Era por esta razão que os lavatórios eram em vidro opaco, branco, ou azul em vários tons. Nalguns casos, como nalguns existentes ainda nas reservas do Palácio da Vila em Sintra, eram em vidro espesso espiculado, que igualmente lhes retirava transparência.  
 Estiveram em grande moda na corte de D. Maria II. O Marquês de Fronteira, D. José de Trazimundo, nas suas memórias descreveu uma cena passada com o representante de França em Portugal, em 1848, Mr. Mallefille[2]. Desconhecendo as regras de etiqueta da época bebeu a água tépida. Tivesse ele lido o livro Manual de Civilidade e Etiqueta e evitar-se-ia esta cena.



[1] Inventário das Louças antigas e modernas que sairam da real Mantearia... 1857. ANTT. AHMF.CR. Cx 4471.
[2] Pereira, Ana Marques, Mesa Real, p, 172.


terça-feira, 30 de outubro de 2018

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Dez anos de blogue

 Foi há 10 anos, em Outubro de 2008, que comecei a escrever este blogue. Neste intervalo de tempo os leitores foram aumentado a pouco-e-pouco, sempre poucos, sobretudo se comparados com os blogues de culinárias que têm milhares de leitores. Os tempos estão mais para receitas do que para a história das mesmas, dos alimentos, dos objectos, da evolução dos hábitos, etc.
Neste período escrevi vários livros, fiz dezenas de conferências, várias exposições, mas sobretudo aprendi muito. Descobri muitas coisas que ignorava, encantei-me por mil objectos e papéis e tentei desvendar os seus segredos.
Acumulei milhares de livros, revistas, ephemera e utensílios de cozinha, enovelada no sonho de fazer um museu/fundação onde, para além de mim, outros possam fazer investigação nesta área da história da alimentação. Não posso dizer que as portas a que bati (talvez as erradas) se tenham fechado. Na realidade nem se abriram porque, bem à portuguesa, nem me responderam.
O projecto mantém-se. Todos os dias entra nova informação na minha vida. O tempo vai escasseando e talvez por isso o blogue tenha ido ficando para trás. Escrevo artigos mentalmente que não chego a publicar por falta de tempo.
O próximo livro (Vestir a Mesa) está quase pronto. As conferências a partir de Dezembro vão abrandar. Prometo então voltar com mais atenção a este projecto do blogue, tão abandonado que quase me ia esquecendo de festejar o seu décimo aniversário.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Teoria da relatividade aplicada aos piques

Ainda mergulhada na fase de ilustração do livro Vestir a Mesa, chegaram-me às mãos dois cartões perfurados para rendas de bilros, normalmente conhecidos como piques.
Após o primeiro momento de contentamento virei os cartões e constatei que tinham recortado um belo cartaz da Empreza das Águas de Vidago para este efeito. Os dois pedaços não permitem datação mas serão certamente do final do século XIX-início do século XX.
Fiquei triste por se ter perdido uma imagem publicitária tão interessante. Contudo após reflexão pensei: provavelmente o cartão não teria chegado aos dias de hoje se não tivesse tido uma utilização prática.
Com este pensamento alegrou-me pensar que, no que restava do cartaz, entrevia a beleza da buvette e das medalhas de ouro ganhas nas exposições internacionais que as empresas da época se orgulhavam de ostentar.
Realmente é tudo relativo e depende da forma como encaramos os factos.
A minha dúvida agora é a forma de arquivar estes cartões. Em Rendas ou em Termas?