sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Museu Virtual: Escalfador

 


Nome do Objecto: Escalfador (réchaud)

 Descrição:

Objecto com três braços móveis e lamparina central, destinada a conter combustível, com três furos de entrada para colocar as torcidas. Os braços de suporte permitem com um pequeno movimento ajustar as bases em concha ao tamanho do objecto que se pretende aquecer.

 Material: Prata e marfim

 Época: Século XVIII (provável)

 Marcas: Não tem

 Origem: Mercado português.

 Grupo a que pertence: Equipamento culinário. Recipiente para o consumo.

 Função Geral: Acessório de serviço. Utilidade.

 Função Específica: Aquecer prato ou outro recipiente com alimento.

 Nº inventário: 3719

 Objectos semelhantes: Não classificados

sábado, 26 de setembro de 2020

A procissão do Corpo de Deus

As primeiras procissões do Corpo de Deus começaram no século XIV e tornaram-se rapidamente em manifestações populares de fé que se mantiveram até aos nossos dias. Regulamentada desde o século XV, nela surgiam dezenas de confrarias religiosas e representantes das corporações dos mesteres que se agrupavam na Casa dos Vinte e Quatro.

Esta comemoração religiosa era um momento de festa partilhada por milhares de pessoas, que nelas participavam, ou que viam passar a procissão nas ruas ou das janelas engalanadas com colchas.

No século XX Diamantino Tojal (1897-1958) responsável, como construtor civil, de importantes obras lisboetas, como o IPO, e a vila Berta, nas Graça, entre outras, decidiu reconstituir o que poderia ter sido a procissão do Corpus Christi.

Tendo começado em 1944 realizou 1587 miniaturas em barro pintado do que imaginava teria sido aquele acontecimento. Com ele colaboraram José Daniel Santa Rita Fernandes, arquitecto, Vasco Pereira da Conceição, escultor e António Soares, pintor.

Presentemente podemos ver a obra completa, extraordinária, exposta na antiga sala do Capítulo do Convento da Graça, um espaço envolvente adequado e agora recuperado.

A associação não podia ser mais perfeita. Mas como os contos de fadas a amostra está preste a acabar. Se quiserem ter o prazer mágico da visão destas figuras, não percam a oportunidade porque acaba já no dia 11 de Outubro.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Louis-Francois Dronne, o «Carême da charcutaria»

Nascido em Sarthre, na região do Loire, 1825 Louis-François Dronne começou por trabalhar numa loja de charcutaria em Paris, em 1842, la Maison Breton. Esta charcutaria era uma das mais antigas e tinha sido fundada em 1777 por Cailloux. Dronne abriu em seguida uma outra loja mas, em 1857, viria a adquirir a Charcutaria Breton.


A sua actividade e conhecimento levou-o a desenvolver técnicas modernas e processos mais higiénicos para trabalhar as carnes. Foi também responsável pelo desenvolvimento da parte mais tradicional da charcutaria da sua zona natal, com o reconhecimento dos produtos regionais de Sarthois, na França, como as rillettes, o boudin e a salsicha de Mans.

Utilizando novas receitas num ramo que estava muito desactualizado obteve grande êxito comercial e chegou a ganhar vários prémios inclusive na Exposição Universal de Paris de 1867.

Chegou a ser apelidado o “Carême da charcutaria”, designação que não percebi bem no início até ter consultado o seu livro Charcuterie ancienne et moderne. traité historique et pratique renfermant tous les préceptes qui se rattachent à la charcuterie proprement dite et à la charcuterie-cuisine, suivi des lois... et statuts concernant cette profession.

Publicado em Paris, em 1869, mostra-nos que realmente havia muito a dizer sobre o tema ao contrário do que somos inicialmente levados a pensar. Começando com a evolução histórica da charcutaria, onde se incluem as várias associações profissionais ao longo do tempo, são-nos apresentadas as raças animais adequadas aos vários enchidos, os seus tipos, as máquinas para fazer os mesmos, as receitas, etc.

Com ilustrações que aqui se mostram e que integram vários pratos montados, de forma artística, fazem-nos compreender porque lhe chamaram o «Carême da salsicharia».

Mostra-nos bem que a charcutaria não é só «encher salsichas».

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PS: O livro foi consultado na BNF, na Gallica, de onde retirei as imagens. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Histórias de regadores e regadores sem história

Nunca pensei vir a escrever sobre regadores. Contudo quando os meus olhos caíram sobre um exemplar puro dos anos 60, de cor laranja e grande flores amarelas, violetas e roxas, a fazer-me lembrar a insígnia da Mary Quant, não resisti. É verdade que sobre ele não posso contar qualquer história porque desconheço a quem pertenceu. Achei-o lindíssimo e extraordinariamente pouco prático e, o pouco uso que deve teve ter tido, atendendo ao seu excelente grau de conservação, confirma-o.

 Quando o vi lembrei-me de uma história da minha vida de estudante. No meu tempo de Faculdade as noitadas eram raras, ao contrário do que hoje acontece. Talvez por isso os episódios também ficassem mais marcados na memória. Numa noite apareceu-me em casa uma amiga, acompanhada de uns amigos. São pessoas conhecidas mas ignoro aqui os nomes, embora não possa deixar de mencionar a presença do pintor Jorge Martins, que deu azo a esta história. Ficámos na sala a conversar longas horas. A sala de esquina de uma casa pombalina, com várias janelas, permitia a entrada de luz vinda de um grande largo onde se situava. A ele se juntava a luz fraca do interior. 

Num ambiente calmo falámos durante horas, mas não me recordo do tema da conversação. Usavam-se então plantas no interior e quando a luz começou a abrir, constatei que as plantas estavam a precisar de água. Fui buscar um regador e reguei as plantas. Lembro-me de o Jorge Martins ter dito que num ambiente daqueles se justificava um regador com maior beleza. Fiquei estupefacta com a sua sensibilidade estética, sobre um tema que nunca me havia ocorrido.

Passado algum tempo fui à loja do Vergílio Seco, que tinha então um antiquário no Príncipe Real e vi o jarro de louça branca com flores que aqui mostro. Lembrei-me da conversa e pensei: é este o adequado. Comprei-o e durante muito tempo usei-o com o fim de regar as plantas da sala.

Um dia promovi-o a jarro de flores e deixou de ser um objecto utilitário.

Hoje, bem mais prática, como nos ensina a idade, uso um regador de plástico, sem estilo ou história. 

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Encontros felizes Nº 3: as varinas de Lisboa

De entre as figuras populares femininas atrai-me à cabeça a da varina de Lisboa, logo seguida pela lavradeira minhota. As primeiras já desapareceram, ao passo que as segundas continuam a ser lembradas numa tradição local, pelo menos durante o período das festas. Em comum têm a beleza da elegância feminina com trajes de saias rodadas que acompanham o movimento do corpo, nas suas actividades. Mais simples, a varina apresentava-se muitas vezes descalça, escondendo na canasta as chinelas que a legislação higienista as obrigava a usar. Perante a visão do polícia regulador, lá saltavam apressadamente as chinelas para os pés habituados ao chão da rua.

Quando em 2015 o meu amigo António Miranda, então director do museu da Cidade de Lisboa organizou uma magnífica exposição sobre as Varinas de Lisboa, emprestei algumas peças simples da minha colecção para estarem presentes. Se fosse agora este azulejo iria fazer-lhes companhia.

O azulejo, feito na Fábrica Viúva Lamego tem como assinatura: Jorge Pinto. Penso tratar-se de Pedro Jorge Pinto (1900-1983), atendendo à provável data de produção e à fábrica, uma vez que o seu pai trabalhou sobretudo com a Fábrica Constança. A sua assinatura era muito semelhante à de seu pai José António Jorge Pinto (1875-1945) que deu luz a imensos trabalhos de azulejaria, com lindíssimos painéis de Arte Nova, muitos dos quais ainda hoje visíveis na cidade como vários painéis em habitações da Avenida Almirante Reis, os azulejos da Leitaria a Camponesa, na Baixa, os da pastelaria a Tentadora, em Campo de Ourique e muitos mais que aqui não refiro.

O seu filho Pedro, que assina este azulejo, foi também o responsável pelos painéis do Mercado do Livramento em Setúbal, com temas relacionados com a Agricultura.

Este simples azulejo, de linhas límpidas, remete-nos para um enquadramento de Lisboa antiga e para uma profissão já desaparecida, que eu recordo ainda da minha meninice.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Galheteiro de vidro Art Deco da CIP: adenda

Na ficha anterior de Museu Virtual identifiquei mal a fábrica de origem. Lembrava-me de ter visto esta peça em catálogo mas não consegui identificá-lo.

Hoje o catálogo chegou do encadernador e ao abri-lo deparei-me com a imagem do galheteiro, bem como de outras peças da mesma linha.

O catálogo é o Nº 35 da Companhia Industrial Portuguesa (CIP). Não apresenta data mas é provável que esta linha seja ainda mais precoce que este catálogo.

A designação IVIMA não estava completamente errada porque ambas as designações vêm da fábrica inicial, a Empresa da Nova Fábrica de Vidros da Marinha Grande, cuja construção se iniciou na Marinha Grande em 1894, tendo começado a laborar em Janeiro de 1895.

Ao longo dos anos teve várias designações, consoante as sociedades que a adquiria. A CIP data de 1926. 

Aqui fica a correcção.


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Museu virtual: Galheteiro

 

Nome do Objecto: Galheteiro

Descrição: Conjunto de dois frascos de vidro azul, facetado, com tampas em vidro, inseridos numa base de vidro idêntico com concavidades, onde estes encaixam. Tem suporte central com pega no mesmo material.

 Material: Vidro azul moldado.

 Época: Década 1940.

 Marcas: Não apresenta. CIP.

Origem: adquirido no mercado português.

Grupo a que pertence: equipamento culinário.


Função Geral: Recipiente para serviço ou consumo.

                                   Acessório de serviço

 

Função Específica: Temperar alimentos na mesa.

 

Nº inventário: 3718.

 Objectos semelhantes: Não classificados.

 

Observações:

As formas dos galheteiros inspiram-se nas galhetas usadas nas cerimónias religiosas, destinadas a conter água e vinho, usados na liturgia.

Estes acessórios do serviço de mesa apresentam-se aqui na sua forma mais simples, tendo por fim conter apenas o azeite e o vinagre. Na grande maioria dos conjuntos que possuem base, estão incluídos outros objectos, como o saleiro, pimenteiro, mostardeiro, paliteiro, etc.

Apesar de me recordar de ver este modelo em catálogo não me foi possível identificá-lo nos catálogos consultados. Parece não existir dúvidas de que se trata de um modelo português, de que se conhecem formas semelhantes em açucareiros, manteigueiras e taças de sobremesa.