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| Aguarela de Alberto de Souza |
No meu último livro acerca da Casa de Bertiandos, feito em parceria com a minha amiga Sandra Fernandes Morais incluímos várias imagens da mesma, com representações do século XIX. Na altura socorremo-nos de postais ilustrados existentes no Arquivo de Ponte de Lima, que gentilmente nos cederam as imagens.
Acontece que na minha última visita a Coimbra tive a possibilidade de adquirir vários postais de Ponte de Lima, da mesma época, entre os quais se encontravam duas visões da fachada da casa, uma delas com a centenária araucária e outra com duas figuras humanas, um trabalhador da casa e provavelmente um dos habitantes da mesma.Há cerca de uma semana um amigo meu arranjou-me um a outra visão dessa fachada, reprodução de uma aguarela colorida, da autoria de Alberto de Sousa e datada de 1935. Frente à escadaria principal pode ver-se a presença de uma jovem camponesa, descalça.
Uma beleza que vem completar a
pesquisa para o livro, mas que infelizmente já não chegou a tempo de o
integrar. Uma obra, por mais completa que seja, nunca fica acabada!
Na minha última apresentação em Coimbra, na Mostra de Doces, pediram-me para falar no livro Vestir a Mesa.
Foi-me sugerida uma referência aos têxteis de Almalaguês, assunto que não havia mencionado. Foi um desafio para mim. Li o que havia sido publicado, fui visitar Almalaguês e até consegui descobrir uma reportagem feita pelo Fernando Pessa em 1979.
Em Almalaguês, que fica perto de Coimbra, falei com a Cristina Fachada, uma das tecedeiras desta arte. Esclareci as dúvidas que tinha e adquiri vários panos feitos em tear, precisamente os destinados a cobrir cestos de transporte de doces. As tipologias agora produzidas são variadas e incluem-se toalhas, panos de mesa, colchas, panos de tabuleiros e outras formas mais adaptadas aos dias de hoje.
Foi com gosto que apresentei estes panos destinados a cobrir os cestos. Muitos eram usados na altura dos casamentos com os pratos de arroz-doce e outros doces para oferta aos convidados. Eram enviados pela mãe da noiva ainda antes da cerimónia e transportados em dois tipos de cestas: tipo canastras, ou cestas com asa.
| Vários usos das Toalhas de Perugia |
Foi com espanto que percebi que afinal eu conhecia este trabalho desde sempre. Herdei da minha mãe muitos panos de tabuleiro, toalhas de mão e outras. Até a colcha branca, com puxados, que tenho na cama, me parece de Almalaguês.
Como vivíamos na Beira Baixa, mais concretamente na Covilhã, pergunto-me se estes trabalhos lá chegavam na altura da feira anual de São Tiago, onde a variedade era muita, ou se haveriam outros centros beirões com esta actividade.
É uma tradição
antiga e podemos ver já numa pintura de Josefa de Óbidos uma cesta com doces
parcialmente cobertos com um pano circundado por uma renda.
Aqui fica o convite para a apresentação do livro em Coimbra, no próximo sábado.
Abaixo o programa geral, para poderem escolher.
No próximo sábado estarei em Coimbra para participar na Mostra de Doçaria Conventual e Contemporânea onde falarei sobre têxteis de mesa.
Procurarei integrar os têxteis de Almalaguês nas suas várias vertentes, com especial enfoque nos panos de cobrir pães e doces.
Como ainda não tenho convite, nem programa, aqui deixo este aviso para os meus amigos de Coimbra.
Espero que possam estar presentes.
Os objectos mostrados
correspondem a pegas de bule. São sobretudo usados em bules metálicos que
aquecem mais do que os feitos em cerâmica. Na imagem, a sua utilização é
exemplificada com um bule de chá e um de café.
Feitos em feltro grosso, o
isolamento é também acentuado com um material interior (sumaúma?) que preenche
a peça e a torna mais resistente e macia. Internamente encontra-se forrado com
um feltro rosa, a lembrar o interior do animal, e tem uma mola que o permite
fixar à asa do bule.
Os detalhes são interessantes,
com olhos em vidro, fixos por pontos de bordado em ponto pé-de-flor. As plumas
são simuladas com pontos largos.
Não sei dizer a época com
precisão, mas penso tratar-se de um trabalho caseiro da década de 1940 ou 1950.
Úteis e bonitos, chegam mesmo
a ser simpáticos.