quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Porque não precisamos do Halloween

As festividades do Halloween têm poucos anos em Portugal. Tendo como base as tradições irlandesas, de origem céltica, foram absorvidas pela cultura americana que lhe conferiu o carácter comercial que hoje é conhecido. Só a industria e comercialização de fatos e adereços ligados a esta festividade calcula-se em milhões de dólares.

Estas celebrações têm-se estendido a toda a Europa, vindo a substituir as festividades existentes nos vários países.
O facto do Halloween serem celebrado a 31 de Outubro e o dia de Todos-os-Santos ser a 1 de Novembro, nada altera, ainda menos numa época de crise em que a própria Igreja admite rever os seus dias santos.

Ligada às festividades do dia de Todos-os-Santos existem rituais e hábitos alimentares que, em Portugal, variam de região para região. Em comum têm o facto de começarem com um peditório feito porta a porta por crianças. Este era feito em forma cantada, variando as melopeias de acordo com as regiões.
Era costume a população responder com a oferta de vários alimentos, de acordo com as tradições da terra e as possibilidades de cada um. Assim, ofereciam maçãs, romãs, castanhas, rebuçados, nozes, bolos, como broas de milho, chocolates e até dinheiro.
Guardadas as ofertas nas suas sacolas as crianças retribuíam cantando uma nova cantilena de agradecimento e elogio aos donos da casa. Nos casos em que os pedidos não eram atendidos, os donos da casa eram igualmente “presenteados” com uma cantilena, mas desta vez insultuosa.
A estes peditórios cerimoniais chama-se pedir o “Pão por Deus” ou «pedir os santorinhos» consoante as regiões. Na região de Coimbra chama-se pedir «bolinhos e bolinhós». Neste caso era tradicional os jovens apresentarem-se com abóboras ocas, recortadas, com uma vela lá dentro, a cantarem a cantilena. Em alternativa utilizavam uma caixa de sapatos, em papelão, em que faziam recortes que semelhavam os olhos, o nariz e a boca, contrastados pela luz da vela. Este costume pagão, que parece ter origens celtas e que foi absorvida pelos romanos, não existe só na Irlanda, mas noutras regiões europeias, como em França.

Lamentavelmente os jovens hoje preferem o Halloween de origem americana às nossas tradições, mesmo quando as origens parecem ser as mesmas e o ritual semelhante.

8 comentários:

Carlos Caria disse...

É verdade Ana, eu andei de sacola de pano no meu Pão por Deus, com os meus amigos de infância, pois os tempos eram outros e bem mais vividos, com sentimento.
Outro dos costumes, desta época, é a abertura da agua pé e do vinho novo.
Abraço amizade
Carlos Caria

Sofia Loureiro dos Santos disse...

É verdade, Ana. É como o famoso dia dos namorads, outra importação que não tem nada a ver connosco. Não sabia que Bolinhos e Bolinhós faziam parte das nossas comemorações de Todos os Santos.
Bjs

Ana Marques Pereira disse...

Carlos Caria,
Eu também me lembro de pedir o Pão por Deus.
Um abraço

Ana Marques Pereira disse...

Sofia,
Escrevi um pequeno texto sobre as tradições alimentares no dia de Todos-os-Santos para a Associação Idade dos Sabores, que há-de aparecer no site.
Falo um pouco mais sobre os Bolinhos e Bolinhós e as cantilenas cantadas às portas.
Um bj

ESpeCiaLmente GaSPaS disse...

Infelizmente cada vez mais se perdem as nossas tradições. E o sair das aldeias para as grandes cidades em muito contibui para esta grande perda, onde a preocupação é o consumo... e o halloween vende!

Ana Marques Pereira disse...

Especilmente Gaspas
É por isso que devemos divulgar as tradições e tentar que se não percam.
Um bj

Anónimo disse...

Dia de Finados
Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Que estão mortos enterrados.
À porta da bela cruz, truz, truz…
A senhora está lá dentro
Sentada num banquinho
Faz favor de vir à porta
P’ra nos dar um tostãozinho ou um bolinho.

Se derem canta-se:

Esta casa cheira a broa aqui mora gente boa.

Esta casa cheira a vinho aqui mora algum santinho.
Se não derem canta-se:

Esta casa cheira a alho aqui mora algum espantalho.

Esta casa cheira a pão aqui mora algum papão.

Ana Marques Pereira disse...

Anónimo,
Agradeço o envio das letras das canções, que não introduzi para o post não ficar demasiado grande.
É bom que não sejam esquecidas.