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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

O que se passou entre Isabel, Pedrinho, Glaxo, Tótó e Mimi


Este título longo encima um poster publicitário que, ao modo da banda desenhada, conta uma história.
Suspeitei logo do Glaxo, entre os nomes da Isabel e do Pedrinho. Estava cheia de razão. Afinal tinham humanizado a lata de leite. Que o gato se chamasse Mimi e o cão Tótó, ainda vai, apesar de estarmos nos nos 40-50, mas uma lata!.
Mas a história prometia. O Pedrinho não crescia porque o leite da mãe não era bom e o das vacas era tão perigoso! Felizmente a amiga Maria Luiza, mãe do Luizinho foi visitá-la e recomendou-lhe Glaxo. O médico concordou e lá foi a Luiza à farmácia com o Tótó. Ao 3º dia o Pedrinho já estava melhor e pedia mais leite.
Mas não era só o Pedrinho que gostava do leite, também a Mimi e o Tótó se lambiam quando o bebiam. E a Mariquinhas «a irmãzinha maior», que ainda não conhecíamos, também gostava muito e mais feliz ficou quando o Pedrinho já começou a brincar com ela.
No final todos estão contentes, sadios e brincam alegremente. Mas ninguém é tão feliz como a Isabel por ver o seu filho tão formoso graça ao Glaxo, o excelente alimento para bébés.
FIM.
Como eu gosto destas histórias simples!.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A guerra, a fome e o humor, um triângulo estranho

Parece-me que há 10 anos que não como um bocado de porco. Simplicissimus.
Dificilmente associamos o humor à guerra e à fome. Foi contudo uma das estratégias usada durante a I Grande Guerra como forma de propaganda da guerra, tanto pelos alemães como pelos aliados.
Os dias sem carne seriam suportáveis...se houvesse carne nos outros dias. Simplicissimus. 1915
Foi a primeira vez que se formaram grupos organizados ou associações que tinham como fim tornar as massas populares mais receptivas à ideia da guerra e minimizar a visão negra que dela tinham as populações envolvidas.
Que se passa? É horrível! Sonhei que tinha perdido o meu cupão de cerveja.
Os meios utilizados para manter a opinião pública do lado dos decisores políticos foram variados, em especial o uso de cartazes, de postais e a divulgação em revistas e jornais.
Este assunto pouco actual foi-me suscitado pela leitura de um livro sobre este tema, designado «Peints para eux-mêmes» e com legendas em quatro línguas: inglês, italiano, espanhol e português.
O título retoma um anterior «Les Français peints par eux-mêmes» que tinha como subtítulo «Enciclopédia moral do século XIX», um conjunto de livros com início de publicação em 1839, mas que nada tem a ver com ele.
Gretchen faz-se fotografar diante de acessórios em cartão para o noivo na frente não suspeitar da escassez de víveres.
O mais interessante do livro é presença de um carimbo de pertença do “Comité de Propaganda Aliadófila” que se situava em Lisboa na Rua de Campolide, nº 146, 2º. Sobre esta associação, que existiu em vários países, nada consegui saber, o que não deixa de ser curioso.
O talhante Schinagel corta o seu primeiro nabo
As gravuras apresentadas reproduzem imagens publicadas em jornais e revistas de vários países, nos anos de 1915 e 1916, e entre eles saliento as publicadas na revista alemã Simplicissimus. Nesta revista, de grande qualidade gráfica, publicaram os seus textos escritores como Thomas Mann e Rainer Marie Rilke e ilustradores famosos.
Esta associação guerra e humor estava tão divulgada que, em 1917, em plena guerra, no Salon des Humoristes de Paris, o tema da exposição foi "A guerra e os Humoristas".
Miau. 10 de Março de 1916. Leal da Câmara
Para acompanhar o texto fui buscar algumas imagens nacionais como as ilustradas por Leal da Câmara para a revista «Miau», em 1916. Nesse ano a legislação nacional alterou-se terminando a liberdade de imprensa no que respeitava às notícias da guerra, situação que se manteria até 1919 quando regressaram ao país os soldados portugueses que tinham partido para França e entre os quais se encontrava o meu avô. 
Miau 1916. Ilustração de Leal da Câmara

domingo, 12 de outubro de 2014

Palestra: «Seguir os conselhos de Hipócrates...»

No dia 16 de Outubro, Dia Mundial da Alimentação, vou falar em Coimbra sobre "Nutrição e Cancro".  
Sob o título «Seguir os conselhos de Hipócrates...» farei uma abordagem histórica, seguida de conceitos teóricos e conselhos práticos. Irei mostrar com Hipócrates, no século IV aC, estava certo e o seu discurso era actual.
A palestra terá lugar no Instituto Justiça e Paz e terá início ás 18,30.
Para quem viver em Coimbra e lhe interessar o tema apareça porque a entrada é livre.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Natal dos Animais

No Natal de 2009 tentei saber qual a Alimentação do Pai Natal, mas esse assunto revelou-se profundamente misterioso.
Mais sorte tive com este livro que nos mostra o «Natal dos Animais».
Com o titulo em inglês «The Animal’s Merry Christmas», conta 23 histórias de Natal de vários animais humanizados.
Foi publicado em 1950 e o texto é de Kathryn Jackson, que escreveu dezenas de livros infantis, muitos deles publicados nesta série «Golden Books».
 O mais interessante contudo são os desenhos de Richard Scarry (1919-1994) que foi autor e ilustrador de mais de 300 livros, sempre com um enorme sucesso devido aos seus animais antropomórficos.
As crianças adoraravam as histórias com animais, o que lhe permitiu vender um número impressionante de exemplares, mais de 300 milhões de livros, em 30 línguas.
Logo ao abrir a capa salta-nos um Pai Natal em «pop-up», a entrar na chaminé, que ocupa duas páginas.
 Depois começam as histórias profusamente ilustradas com as aventuras dos vários animais.
O que me impressionou no livro, e se adapta bem a este blogue, são as inúmeras imagens que retratam cozinhas onde se confeccionam os pratos natalícios ou as salas onde a família animal se reúne à volta da mesa para a consoada.
Não faltam mesmo os sonhos sobre comida que inevitavelmente incluem outros animais.
 Um livro que é um prazer para os olhos e extremamente informativo para quem tinha dúvidas de como os animais passam o Natal.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

De pequenino se torce o pepino


Este curso para crianças vai ter lugar no Centro de Artes Culinárias no Mercado de Santa Clara, em Lisboa.

Alia duas vertentes importantes:
  • Despertar os jovens para o mundo da culinária.
  • Ensinar novas técnicas e uso de energias alternativas.
Não percam e levem as crianças da família. 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Cozinheiro e o Médico

Esta gravura colorida à mão é da autoria de Charles Williams e foi publicada por T. Tegg, em outubro de 1815. Este caricaturista teve uma actividade artística intensa entre 1797 e 1830 e a sua crítica social cobriu vários campos da sociedade inglesa da época. Embora algumas caricaturas tenham cariz político, e nos sejam mais difíceis de compreender, na maioria são ainda deliciosas, como outras que mostro como exemplo.
 A gravura inicial intitulada «O Amigo do Médico» mostra um médico e um cozinheiro no interior de uma cozinha e serve como crítica aos maus hábitos alimentares dos ricos.
De forma sarcástica, revela-nos o diálogo que tem lugar no interior da cozinha de uma grande casa, com uma lareira onde se encontra um caldeirão e ao lado uma fornalha onde fumegam vários pratos.
Um médico, de casaco azul, após visitar o seu doente foi cumprimentar o cozinheiro e agradecer-lhe o seu trabalho.
O cozinheiro, empunhando uma colher de pau, afirma orgulhosamente: «Como vê, cá estou a fazer os fricassés, os ragouts e os kickshaws.»
Ao que o médico, agradece: «Sim meu bom amigo, vejo que trabalha duramente. Quando venho a casa dos meus doentes ricos não deixo de cumprimentar o cozinheiro, a quem devo muito. É a sua arte de “envenamento” que permite aos médicos andarem de carruagem. Sem a vossa ajuda andávamos a pé.»
Mais ao fundo duas ajudantes de cozinha continuam o seu trabalho, uma delas colocando um espeto num leitão, sem deixarem de ouvir a conversa, o que leva uma delas a dizer para a outra:«Vamos dar-lhe um pontapé».

É interessante salientar que há aqui uma crítica a um tipo de alimentação pouco saudável, com refogados e cozinhados feitos com carne e gorduras, a que o próprio médico não diria que não, a avaliar pelo seu perfil redondo.
Os kickshaws a que se refere o cozinheiro é uma expressão usada em língua inglesa para se referir a um prato elaborado. Era usada no plural e a sua etimologia vem do francês «quelque chose», sendo já utilizada desde o século XVI. Em português diríamos «qualquer coisinha».

domingo, 1 de julho de 2012

Um livro sem nome


Foi ao fazer a ficha deste livro que me deparei com uma dificuldade inultrapassável. O livro não tinha título, nem autor, nem uma única palavra. E  contudo estava completo.
Na contracapa tem escrito em letras pequenas que foi impresso na Suécia, na Tipografia Helsingsborgs, seguido de um número que me leva a pensar datar-se de 1958.


Este livro infantil, de grossas folhas cartonadas, faz-nos interrogar sobre o que é um livro. Quando lemos, cada um de nós tem uma interpretação do escrito, que se aproxima mais ou menos da ideia do autor, consoante a clareza deste e a nossa compreensão.

Neste caso concreto, as imagens de um grafismo depurado, extremamente simples, para serem identificadas por uma criança, sem qualquer texto a acompanhar permitem uma interpretação livre do adulto. A este é-lhe dada toda a liberdade para, a partir das representações, construir uma história ou transmitir um ensinamento.

Até a ausência do título permite dar asas à imaginação. Podia chamar-lhe «A papa do bébé», porque seleccionei as fotografias para o blogue, mas chamei-lhe «Livro sem nome».

quarta-feira, 14 de março de 2012

A carne líquida do Dr. Valdés Garcia


Começo por dizer que comprei a revista onde vinha este anúncio pelo fascínio que este me causou.
A revista intitula-se «Mundo Gráfico», é de 1916, e  tem na capa o anúncio ao sabão Heno de Pravia  com um original de Ricardo Gracia que, presume-se, ganhou o concurso de cartazes de «Heno de Pravia» que teve lugar em Barcelona.

Na contracapa e, ocupando mais de metade desta, encontra-se esta publicidade.

Os reforços alimentares são um tema que me agrada e falei já sobre o Bovril e o Phosphatine, entre outros.
O autor deste produto chamava-se Ramon Valdés Garcia, nasceu em 1884 no Uruguai, onde chegou a ministrar uma aula de Homeopatia na Universidade da República, em 1882 . Durou apenas quatro anos, segundo dizem os seus seguidores por perseguição da medicina clássica.

Este produto era exportado para vários países da América latina e da Europa, como Espanha e Portugal. Era vendido nas farmácias e extensamente publicitado na imprensa. Para além da publicidade clássica era acompanhado nos jornais por declarações de médicos, de várias nacionalidades, que atestavam as suas qualidades benéficas.

Esta “Carne Líquida” do Dr. Valdés Garcia era sobretudo promovida como um tónico nutritivo em que existia «mais de 19% de verdadeira peptona de carne, com o certificado correspondente e a opinião de outros colegas» (1908).
Nalguns anúncios afirmava-se mesmo que dar a uma criança 2 colheres deste fármaco, era o mesmo que dar meio kilo de carne, com a vantagem de ser mais facilmente digerida do que o leite. Isto mesmo era repetido numa “notícia” publicada num jornal português, «Resistência. Órgão do Partido Republicano Português de Coimbra» de 19/3/1908.

Desconhecia esta «Carne Líquida» que, temos que concordar, é uma maneira engenhosa de apresentar este tónico. E resultou. O tónico teve imenso sucesso na época e ainda hoje é referido como uma publicidade enganosa que não seria aceite nos nosso dias. E daí até nem sei. Não há agora no mercado um produto que diz que «aspira as gorduras»? 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O «Natal» na Alimentação

 

Reconheço que o título é dúbio e que pode levar a pensar que vou falar sobre os chamados alimentos tradicionais de Natal. Não é o caso.

Em 2009 falei na Alimentação do Pai Natal, para concluir que é um ser etéreo, que praticamente não come, apesar de muitos meninos deixarem, na chaminé, copos de leite e outros alimentos do seu gosto.

Falo este ano nos produtos alimentares em que a palavra «Natal» foi registada como uma marca.
Começo com esta bela lata de «Azeite Natal», produzido por Carvalho & Sobrinho, de Elvas, fabricantes e exportadores de Frutas Doces e Secas, Azeitonas e Azeite. Desconheço a sua data, mas talvez tenha sido produzida na década de 1940-1950.

Já anteriormente, em Dezembro de 1930, Agostinho Cabral, comerciante estabelecido na Rua do Bonjardim, 421 a 425, no Porto, tinha pedido o registo da marca «Azeite Natal». 
Como mostrei o ano passado, a firma Salgado & Martins, Lda, comerciantes com sede na Rua Eugénio dos Santos, 61, em Lisboa, pediam o registo da marca «Licor Natal», que aqui se apresenta em imagem repetida do post de 2010, mas que se justifica pela sua beleza.

Também as conservas de peixe não escaparam a este conceito e a Sociedade Peninsular de Conservas, estabelecida em Peniche, registou em 1922, uma marca de sardinhas em conserva denominada «Pai Natal». 
Do mesmo modo, uma firma de comerciantes estabelecida no Porto, designada Moreiras e Barbosa, com sede na Rua Mártires da Liberdade, 216, em Maio 1928, registava a marca «Natal» para os doces que produzia. A imagem associada mostrava uma mulher com uma canastra à cabeça onde se pode ver a palavra Natal. 
E os estabelecimentos de venda de víveres não escaparam a esta tendência. Tenho conhecimento de pelo menos dois deles com o nome de Casa Natal. Um deles situava-se em Beja e era, em 1929, pertença de Armando Inácio Gonçalves, comerciante estabelecido na Rua de Mértola, 16 e 18.
Um outro, com o mesmo nome, era pertença de Agostinho Francisco Cabral, que possuía um estabelecimento de mercearia na Rua do Bonjardim, 421, no Porto, em 1933, e que se manteve durante vários anos
Seguramente que estes são apenas alguns dos exemplos. Com o tempo, estou segura, será possível detectar outros mais.
Não podemos contudo, deixar de estranhar esta escolha que, à semelhança dos filmes de Natal, nos fazem pensar que apenas fazem sentido na época natalícia.