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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A bebida criada por Friederich Bilz

Utilizando os conceitos naturistas Friedrich Eduard Bilz alargou a sua acção à criação de uma bebida, tipo limonada, feita com água mineral e sumo de limão, que administrava aos seus pacientes na clínica, desde 1902, com o nome Bilz Brause.
Foi a sua associação ao industrial local, Franz Hartmann, que viria a desenvolver a comercialização desta bebida. Registada em 1905 com o nome Sinalco, que ia buscar a etimologia latina para «sem álcool», tornou-se na mais antiga marca de refrigerantes europeia. A partir de 1907 começou a ser comercializada em mais de 40 países, com relevo para a América do Sul e Médio Oriente.
O sucesso da bebida na Alemanha foi interrompido pela I Guerra Mundial e retomado nos anos 30, como resposta aos refrigerantes americanos que chegavam ao país.
Novamente suspensa a produção durante a II Grande Guerra ressurgiu nos anos 50, para uma população ansiosa de bebidas e de doces. 
O consumo deste refrigerante foi sempre apoiado por campanhas publicitárias bem estruturadas que se iam adaptando aos tempos.
Publicidade dos anos 60, tipo flower power. Imagem tirada da internet.
Do mesmo modo também a bebida se foi alterando sendo introduzido vários sabores, com a Sinalco Kola que surgiu logo em 1954. Hoje as múltiplas variedades desta bebida colocam-na em terceiro lugar no consumo de refrigerantes na Alemanha (depois da Fanta e da Sprite).
Publicidade para o Chile de Oscar Ramos
Na América do Sul foi no Chile que esta bebida teve maior desenvolvimento. A Bilz entrou pela primeira vez no mercado chileno em 1902, comercializada pela Cervejaria Ebner cujo dono era um alemão, Andrés Ebner Anzenhofer.
Em 1912, a Cervejaria Ebner foi comprada pela Compañía de Cervecerías Unidas (CCU), que era a maior engarrafadora chilena da época e o refrigerante passou para essa empresa. Foi esta que, em 1927, lançou uma outra bebida gasosa com sabor a papaia chamada inicialmente Papaya Rex que, a partir de 1960, se passou a chamar Pap.
A partir de 1970 surgiu a comercialização das duas bebidas com o nome Bilz y Pap que se tornaram nas mais consumidas no Chile (campanha publicitária com desenhos do ilustrador chileno  Oscar Ramos).
Embora estes refrigerantes, apesar do nome Bilz, já nada terem a ver com a bebida inicial, também esta empresa seguiu o exemplo da alemã com campanhas publicitárias agressivas e imaginativas, tendo transformado Bilz e Pap em figuras da banda desenhada, com aventuras publicadas em revistas infantis.
Por alguma razão a marca Sinalco faz parte das 300 marcas presentes no livro «Deutsche Standards - Marken des Jahrhunderts» («Padrões alemães - Marcas do Século») onde se encontram as imagens mais icónicas dos produtos "Made in Germany". E tudo começou com Friedrich Eduard Bilz e os seus conceitos naturalistas.

sábado, 9 de julho de 2011

Weihenstephan. A fábrica de cerveja mais antiga do mundo.

Tive esta semana uma reunião em Munique. Na verdade nunca lá cheguei. Fiquei instalada num hotel de congressos a meio caminho entre o aeroporto e a cidade, que não visitei.
Sempre que vou ao estrangeiro procuro descobrir algum alimento ou característica alimentar local que seja interessante para incluir no contexto do meu blog. Desta vez pensei que não ia conseguir.
Mais eis que me transportam para um jantar numa cervejaria. Antes do jantar oferecem-nos uma visita guiada à fábrica de cervejas contígua. Fico entusiasmada quando ouço que se trata da mais antiga fábrica de cervejas do mundo em laboração.
No exterior, numa das fachadas dos enorme complexo, deparo-me com a data de 1040. Esta é a data de que há confirmação escrita do início da fabricação de cerveja. Contudo, existiu anteriormente no local uma abadia beneditina: a abadia de Weihenstephan. Fundada cerca de 725, esteve na origem da produção de cerveja e viria a dar origem a uma das fábricas de cerveja mais conhecidas na Alemanha: a Weihenstephan.
A abadia de Weihenstephan
Um aspecto que sempre me interessou em relação à cerveja foi a diferença da sua constituição inicial.
Esta bebida antiga, que se sabe ter existido desde o século VI A.C., era diferente. Deparei-me há alguns anos atrás com essa discussão no livro de Leo Moulin, Les Liturgies de la Table. A diferença é difícil de explicar, para nós portugueses, que só temos uma única palavra «cerveja». Por isso usarei as palavras francesas e inglesas para distinguir a bebida “cerveja”, tal como a conhecemos hoje, da forma anterior, a «cervoise» ou «ale», em que não era acrescentado o lúpulo.
A flor do lúpulo
No século XV o lúpulo (hop) ainda era mal conhecido e num texto de 1444 fazia-se referências à «cervisia lupulina». No livro «Histoire des Plantes», de Rembert Dodoens, publicado em Antuerpia em 1557, surge a imagem e descrição das características do lúpulo (Lupus salictarius).
No entanto o lúpulo já era conhecido desde o fim do século VIII, o que levou Leo Moulin a fixar a data do início da fabricação da cerveja no final do século VIII ou início do século XIX.
Na minha investigação para a Mesa Real encontrei referência ao preço de venda da “cerveja do Reino” no século XVII. Em 1698 o seu consumo tendia de tal modo a aumentar que levou a uma consulta da Câmara a El-Rei. Considerava-se que uma grande ruína ameaçava o vinho «se continuar, como se vai introduzindo, a fabrica e venda de cerveja». Existiam nessa altura seis tabernas de cerveja no Poço de Fotea (actual Rua de S. Julião) e no sítio dos Remolares (actual cais do Sodré).


Voltemos à visita às instalações da Weihenstephan com a zona inicial da adição da água, arrefecimento e formação do mosto, seguida da fermentação e a cozimento da cerveja e da adição do lúpulo e que precedeu uma prova de cervejas.
Foto das antigas cubas em cobre agora substituídas por outras em aço
Foram apresentadas algumas das variedades produzidas e e iniciou-se a prova, à semelhança de uma prova de vinhos, observação da cor, cheiro da cerveja e só depois a prova propriamente dita.


Não estou habituada a este tipo de cerveja, de gosto distinto e excessivamente gasosa para os nossos padrões. Mentalmente comparo-a com a cerveja portuguesa e fico satisfeita por a nossa ganhar. Gostos adquiridos, evidentemente discutíveis.
Informam-me que a produção é enorme e a exportação importante para a Ásia, Japão, USA, etc., países com poder económico que podem adquirir uma cerveja de preço mais elevado. Fico satisfeita por eles, e pela pujança económica que a Alemanha transmite, mas também por mim, tal como nas histórias para crianças com final feliz.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Lebkuchen, um bolo típico do Natal alemão

O meu amigo Helmut antes de partir para a Alemanha, para passar o Natal, veio trazer-me umas caixinhas de um bolo típico alemão, chamado «Lebkuchen».

Abrevio a história do Lebkuchen, que data da Idade Média.
Inicialmente um doce conventual, passou a doce comercial constando a sua produção em regimes de ofícios no século XVII. Mas os primeiros registos deste tipo de doce são muito anteriores, variáveis com as cidades, normalmente situadas em rotas de especiarias.
O primeiro registo deste tipo de bolo de Nuremberga data de 1395. Refiro este porque é precisamente do tipo Nuremberga o bolo que lhes apresento. São uns bolos achatados, feitos com farinha, açúcar e ovos, com muitas especiarias como anis, canela, cardamomo, coentros, cravo, gengibre, noz-moscada, pimenta, a que se junta mel e nozes, avelãs ou amêndoas. São decorados com laranja ou limão cristalizados e cobertos com um glacé ligeiro.

A marca aqui apresentada Haeberlein-Metzger vai buscar as suas origens a um confeiteiro de pão de gengibre (lebkuchen), de nome Junkman, que iniciou a sua produção em 1492. Em 1864 Heinrich Haeberlein comprou a padaria e industrializou-a. Quanto a Metzger era já mencionado em 1586. Em 1920 associou-se à empresa Haeberlein. Ambas foram compradas em 1999 por Lambertz GmbH & Co KG, uma empresa de Aachen. Para quem já não se lembra, Aachen é aquela cidade que aprendemos no liceu, que se chamava Aix-la- Chapelle.

Agora que a história se complicou com estas aquisições, tão habituais nos tempos que correm, deixo-vos neste final de Natal, com mais um doce típico desta época. Devem ter todos ainda as mesas cheias com o resto de doces que se fazem, e se consomem, em excesso, nesta época. Ao menos este, como é um bolo virtual, não lhes faz mal.