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quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Dia de Reis

Votos de um feliz Dia de Reis.

Fica a imagem de parte da minha colecção de brindes de Bolo-rei, a lembrar os dias felizes em que descobríamos estes pequenos objectos embrulhados no meio da massa.

Pequenas alegrias de infância.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

O Bolo-rei no Porto

Hoje os locais comerciais estão ávidos de história. Ter um passado valoriza o local e o produto. Nalguns países é assim há muitos anos, mas os portugueses forma-se esquecendo disso e paulatinamente foram destruindo sem qualquer apego as antigas lojas, cafés, drogarias, livrarias, etc. Foram registadas já tardiamente as “lojas históricas”, mas nem isso as salvou da destruição. Em seu lugar surgiram lojas turísticas algumas semelhando um passado que não tinham. 

Esta introdução vem a propósito do bolo-rei e da sua introdução em Portugal hoje atribuída à Confeitaria Nacional, por Baltazar Roiz Castanheiro, na década de 1870. Esta antiga confeitaria tem sabido manter-se e apresenta uma história que hoje dificilmente pode ser rebatida e que lhes permite com orgulho vender um produto com passado.

Mas as origens de doces ou de pratos que os restaurantes e pastelarias hoje tomam como suas com o tempo pode revelar-se diferente. Em História, como na Medicina, o que hoje é verdade amanhã pode não o ser. É isso que ambos os ramos do conhecimento têm de entusiamante.

Pastelaria Lisbonense. Foto Guedes AHCMP

Passemos então ao Porto onde a primeira introdução do bolo-rei terá tido lugar em 1890 na Confeitaria Cascais, na Rua de S. António, de acordo com os autores do blogue Porto de Antanho.

Num papel publicitário de 1897, o proprietário da Confeitaria e Pastelaria Lisbonense, J. Augusto Ferraz de Menezes, que tinha loja na Rua Formosa 404, no Porto, onde também existia uma refinação de açúcar e onde eram feitas conservas de frutas, contava a história do bolo-rei em forma de lenda.

A lenda explicava a história do bolo que fora encontrado por uma fada nos jardins do seu palácio. Tocado pela sua varinha mágica revelou-se ser o bolo-rei da Confeitaria Lisbonense. A fada, proclamada rainha do bolo-rei pela sua comitiva, fez saber aos seus vassalos que incorriam num crime de lesa-majestade se deixassem de comprar o bolo-rei da Confeitaria Lisbonense nos dias 3, 4, 5 e 6 do mês de Janeiro de 1897.

Embora não saibamos as datas do início da produção do bolo-rei ficamos assim esclarecidos da sua origem, e bem mais descansados. A Confeitaria parece datar de 1882, mas a presença de duas medalhas ganhas em Exposições no Palácio de Cristal, no Porto, a da Exposição Hortícola que teve lugar em 1877 e a Industria Portuguesa em 1897, situam-na, provavelmente como conservaria ou  refinaria, pelo menos na década de 1870.

Pormenor das medalhas ganhas em Exposições
Em 1897, J. Augusto Ferraz de Menezes, era mencionado no Jornal dos Cegos, referindo uma notícia publicada na Voz Pública, e quem este teria oferecido ao grupo de cegos, que visitaram os seus trabalhos na Exposição patente no Palácio de Cristal, «uma grande quantidade de doces».

Voz Pública, 23 de Dezembro de 1900
O que percebemos é que este bolo era no final do século XIX vendido apenas no início de Janeiro, destinando-se a ser consumido no dia de Reis. Num anúncio publicado em 23 de Dezembro de 1900 no jornal "Voz Pública" a Confeitaria Lisbonense disponibilizava já o bolo-rei a partir dessa data e até ao dia de Reis, fazendo crer que então o hábito se estendia já ao Natal.

Curiosamente na mesma publicidade era dito que já fabricavam aquele bolo há vários anos e que tinham sido os primeiros a produzi-lo no Porto.

Confusos? O tempo esclarecerá as contradições.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Regresso à infância


Por três dias regressei à minha terra para investigar um tema para o meu próximo livro. Instalei-me em casa da minha amiga Cilinha que me deu todo o apoio logístico.
Durante três dias fomos recordando as nossas histórias, algumas já meio esquecidas, muitas com graça, outras não tanto, dependendo de quem as ouve. De uma recordação comum, que eu gosto de contar, a Cilinha dizia-me: «Outra vez essa história!», com um tom de quem já não a quer ouvir e eu tinha que abreviar. 

Passeávamos pelas ruas da Covilhã e identificávamos casas e dizíamos: «Lembraste? Aqui vivia fulana tal, nossa amiga». Lembrávamos o primeiro nome e o apelido já nos ia esquecendo. Na época em que estudávamos no Liceu, o nosso era um mundo feminino. Nos primeiros anos as turmas não eram mistas e o recreio das meninas era separado dos rapazes. À hora de entrada, no velho Liceu Heitor Pinto, os rapazes encostavam-se às paredes, ou à porta do café e ficavam a conversar e a ver a entrada das meninas.
Tínhamos os nossos percursos e as nossas pastelarias de eleição, e claro, os nossos bolos preferidos, alguns dos quais nunca mais souberam ao mesmo. Lembro-me de ir com a Cilinha a casa de uma senhora que vivia ao fundo das Escadas do Quebra Costas comprar pequenos biscoitos caseiros que ela fazia. Tentamos lembra-nos dos nomes, mas já desapareceram da nossa memória e da memória dos covilhanenses.
Recordei alguns dos antigos comeres: os pastéis de molho, pois claro, que a minha amiga já tinha comprado e as deliciosas cerejas da Cova da Beira. Trouxe comigo os Biscoitos de Azeite, diferentes dos do Fundão, onde também os fazem. Ainda tão suavemente deliciosos que rapidamente chegaram ao fim e as saudades fazem-me querer repetir a receita aqui em casa. Vamos ver se não sou preguiçosa e se saem tão bem.
Biscoitos de Azeite da Covilhã
À medida que envelhecemos os amigos de infância vão sendo cada vez menos. E aqueles com que continuamos a identificar-nos menos ainda. Por isso são uma pérola preciosa. Alguém que apesar das rabugices inevitáveis nos transmite um prazer imenso, uma sensação de calor agradável trazida pelas recordações da nossa meninice. Quando em comum existe um gosto pela estética infantil, que soubemos manter e que rodeia o nosso dia-a-dia, tudo fica mais fácil.
Obrigada Cilinha por continuares a ser a menina que conheci no início da minha adolescência.
Relógio de cozinha, obra da Cilinha e um santinho da açúcar das feiras


terça-feira, 26 de março de 2019

Os bolos com azeite da Beira Baixa

Biscoitos de azeite

Na minha última ida à Covilhã, onde fui apresentar o livro «Vestir a Mesa», curiosamente tive dois presentes de bolos de azeite. Embora na Beira Baixa existam outros, como o Bolo de Azeite e Mel, são estes dois os mais apreciados: a Bica de Azeite e os Biscoitos de Azeite. 
Bica de azeite
Qualquer um deles me traz recordações de infância. O bolo de azeite ou bica de azeite que a minha avó fazia e mandava cozer no forno do padeiro era, tal como os esquecidos e as cavacas que iam de casa para a padaria em tabuleiros, os bolos secos mais saborosos de que me lembro. 
No meu livro «Do comer e do falar….», um dicionário de termos gastronómicos, pode encontrar-se a seguinte definição:

BICA – Tipo de pão de trigo comprido e achatado, que os padrinhos davam aos afilhados; esta era uma tradição em alguns locais da Beira-Baixa, em que a bica, com o feitio de uma grande bolacha, decorada com furos feitos com um garfo, ou em ferradura (em S. Miguel de Acha, p. ex.), era feita com massa de pão e azeite e polvilhada com açúcar e canela, sendo oferecida pelos padrinhos aos afilhados pelos Santos. Também chamada Bica de azeite, Bolo de azeite ou Bica dos afilhados; nalguns locais a bica é cozida no forno embrulhada numa folha de couve; pode ser simples ou levar sardinha chamando-se então bica de sardinha ● Refeição entre o almoço e o jantar. Merenda ● Nome dado em Lisboa e em outras localidades ao café servido em pequena chávena tirado directamente da máquina ● Peixe (Pagellus erythrinus) do litoral com corpo rosa-prateado com uma banda vermelho-vivo no dorso.
BICA DE AZEITE – Ver Bica. 

Voltando aos nossos bolos devo dizer que fiquei decepcionada com a Bica de Azeite, de Salgueiro do Campo, uma freguesia de Castelo Branco. Parece provável que a bica inicial fosse apenas a massa de pão a que se juntava algum azeite e um pouco de açúcar. Numa época em que o consumo de doces era raro este pão transformado em bolo já dava para fazer a festa.
Dois biscoitos de azeite de diferentes dimensões e proveniências
Lembro-me porém que em casa da minha avó estes bolos achatados e picados com um garfo, sempre eram cobertos com açúcar e canela, antes de irem ao forno. A massa pouco açúcar teria (ou nenhum?) mas com este sistema ficavam deliciosos. A memória desse sabor perdura nas minhas papilas gustativas e, talvez por isso, este bolo, igualmente com pouco azeite me decepcionou. 

Quanto aos biscoitos de azeite, se bem que os mais conhecidos sejam os do Fundão fazem-se em toda a Beira Baixa e estes concretamente foram feitos na Covilhã. De massa quebradiça, levam além do azeite, aguardente. Ligeiramente compridos são, antes de irem ao forno cortados com uma tesoura (geralmente dois cortes). Estes eram muito bons, daqueles que se comem sem vontade.
De qualquer modo, para além do gosto, serviram para me transportar à infância.

domingo, 25 de dezembro de 2016

O Bolo de Natal de 2016

Este foi eleito o bolo de Natal cá de casa. É todos os anos igual e tornou-se uma tradição. O que muda de ano para ano é a decoração, embora as cerejas estejam quase sempre presentes.
Não quero ficar com os louros. Não foi feito por mim mas pela Antónia, o meu braço direito caseiro desde há 30 anos, a quem eu ensinei coisas que já me esqueceram e que as executa agora melhor que eu, a começar pelas sopas.
A receita é a de um chifon de chocolate e as alterações por mim introduzidas foram adicionar uma camada de doce no meio do bolo e cobri-lo com outra camada do mesmo antes de colocar o chocolate no exterior. Esta é nitidamente a minha interpretação da «Sacher torte» e nalguns anos não fica inferior.
Uso habitualmente geleia de marmelo caseira ou, quando não tenho da Pastelaria Cister, mas este ano foi utilizado um doce de ameixa que fiz este Verão e o contraste do ácido da ameixa como o chocolate ficou óptimo.
Os amigos mais chegados ainda podem provar nos próximos dias, mas têm que ser rápidos.

P.S.: Todos os anos me interrogo porque só se faz este bolo no Natal.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Os Biscoitos D' São Cristóvão

Ao descer do castelo entrei na igreja de S. Cristóvão. Sobem-se as escadas e entra-se num espaço repousante. A posição dos bancos, retirados do centro e colocados lateralmente, convidam a repousar e a observar as imagens de um rio a correr projectado num grande ecrã que nos transmitem ainda mais uma sensação de frescura.
O espirito descansa enquanto os olhos vagueiam pela nave única, com o seu tecto pintado e pelas telas laterais pintadas, rodeadas de talha dourada.
Ao entrar reparámos que na entrada e fazendo parte do projecto de recuperação da igreja, que tem também uma actividade artística, pode comprar-se uma telha (20 euros) ou um pacote de bolinhos (3,5 euros) para ajuda das obras.
Os biscoitinhos são produzidos pela Cozinha Popular da Mouraria, especialmente para este projecto e são caseiros. Uma delícia para as nossas papilas gustativas, óptimos para acompanhar o chá, além de nos fazerem bem à alma por nos fazer sentir solidários com uma boa causa.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Bolo de agrião: uma agradável surpresa

Fui hoje agradavelmente surpreendida com esta oferta: um belo bolo de agrião coberto de chocolate.

Não conhecia esta receita e lembrou-me imediatamente o «castella ou kasutera», o pão-de-ló japonês, uma herança portuguesa, que numa das versões modernas, é feito com chá verde e sobre o qual já escrevi.
Este bolo de agrião é do tipo húmido, muito agradável e o contraste com o chocolate é perfeito. Na internet é possível encontrar várias receitas; é só escolher. Fica recomendado.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Dia de Reis

Pequeno bolo rei, um sinal dos tempos modernos, e brindes antigos do bolo, sinais de outros tempos. Feliz dia de Reis.