quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Objecto Mistério Nº 55

Este utensílio doméstico tinha uma função específica. 
Feito em ferro tem de diâmetro cerca de 35 cm (não medi).
A que se destinava?

Como se chamava?

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Ó amor, ajunta a roupa.......

Foto da minha autoria para o futuro livro «Vestir a mesa»
Ó amor, ajunta a roupa,
Que eu ta quero ir lavar,
Já me dói o coração
De te ver assim andar.

De te ver assim andar,
De te ver andar assim.
A roupa do meu amor
É lavada no jardim.

É lavada no jardim,
Coradinha na roseira,
Ó amor ajunta a roupa,
Vai-a dar à lavadeira.*

*Canção tradicional portuguesa recolhida na freguesia de São Paio. Publicada no Cancioneiro Popular do Concelho de Oliveira do Hospital, por Francisco Correia das Neves. 2005.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O livro «Ginjinha Portuguesa»

Acabaram de chegar a casa, saídos do “forno” da gráfica, mais dois livrinhos meus. Digo meus de foram enfática porque foram escritos por mim, pensados por mim e editados por mim.
A minha relação com as editoras não tem sido a mais feliz porque, segundo já me disseram, não escrevo para as massas. Como o lucro de ser autora não é nenhum então prefiro perder dinheiro e fazer os livros à minha maneira.
Há maneiras piores de gastar dinheiro e esta dá-me total independência. Tenho mais trabalho, demoro mais tempo, mas fico cheia de livros para dar de presente. Aos amigos claro! Mas também às livrarias que ficam com eles à consignação e nunca me pagam.
O que escrevi anteriormente foi apenas um desabafo, resultado das experiências vividas. Mas agora abre-se novo ciclo e, como sempre, tenho esperança que com este corra melhor.
O livro chama-se «Ginjinha portuguesa» e é uma pequena história desta bebida e da sua evolução em Portugal. Termina com um roteiro das ginjinhas lisboetas, de que eu tenho falado nas minhas conferências e que é uma característica verdadeiramente nacional. 
Fiz também uma versão em inglês «Portuguese Ginjinha» porque penso que é um assunto que interessa aos estrangeiros. Curiosamente houve já vários estrangeiros que compraram (sem saberem uma palavra de português) o meu livro «Licores de Portugal» por acharem o tema interessante. 
De pequenas dimensões tem apenas 54 páginas e custa 10 euros. Se estiverem interessados escrevam-me para o mail (garfadasonline@gmail.com) e eu envio por correio.

domingo, 26 de novembro de 2017

A Adega do Galo de Domingues Alvarez

Alvarez nesta sua pintura fixou um momento, possivelmente no Porto, em que figuras humanas, sempre representadas por silhuetas escuras, passam à frente da Adega do Galo. É esta taberna de venda de “vinhos tintos e brancos”, o motivo central. A palavra «galo» foi substituída pela imagem do animal, reforçada pela presença do dito e de uma galinha que se passeiam num ressalto sobre o anúncio que ocupa a frontaria do modesto edifício. Na escuridão do interior vê-se a imagem de um cliente junto ao balcão e cá fora adivinham-se dois outros clientes, um bebendo ainda e outro vomitando o vinho que já havia bebido.
A representação de pessoas que se passeiam pela cidade, como sombras negras de si mesmo, sempre inclinadas, que abundam na obra de Domingos Alvarez inspirou um livro infantil de José Viale Moutinho intitulado «A cidade das pessoas tortas». Não tive oportunidade de ler o livro, mas o título não podia ser mais apelativo e adequado para descrever a crianças uma visão alternativa e atraente deste mundo intrigante de um pintor que em vida não teve reconhecimento.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Exposição de Garrafas de Licores de Portugal

Recebidos à entrada por D. Afonso Henriques, D. Nuno Álvares Pereira e uma garrafa feita para a Exposição do Mundo Português
Para quem não pode ir à inauguração recomendo uma visita à Marinha Grande. De Lisboa pela A8 demora 1,30 h e vale a pena visitar o Museu do Vidro e ver a exposição.
Claro que sou suspeita, mas ao fim de tantos anos a ver exposições pelo mundo inteiro sei o que é uma exposição interessante.

As nossas garrafas de licores enchem-nos de orgulho. São imaginativas e variadas e reflectem a sociedade portuguesa de meados do século XX.
Procurou-se o registo das mesmas de forma a determinar a data exacta de feitura e essa informação foi complementada, sempre que possível, através de catálogos de fábricas e visitas a algumas fábricas ainda existentes, sempre que as mesmas não apresentavam identificação de origem.
Os desenhos de trabalho, colocados junto das máquinas durante o seu fabrico, pertença do Museu do Vidro, permitiram a confirmação ou identificação dos locais de produção.
Fica aqui uma amostra para abrir o apetite. A exposição é complementada por um catálogo de grande qualidade com fotografias de Jorge Soares, muito experiente neste tipo de trabalhos.

A Exposição vai estar aberta ao público até Abril, mas não deixem para o fim.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Exposição de Garrafas de Licores no Museu do Vidro

As garrafas de licor são diferentes de todas as outras. As de vinho ou de champanhe são sóbrias e obedecem a formas standard.
As garrafas de licor, em especial na primeira metade do século XX, tomaram formas antropomórficas ou geométricas para competirem com o uso dos licoreiros. Desde o século XIX que a moda ditava que o consumo dos licores se devia fazer após as refeições, isto é, no período do café. Era um momento de descontracção dedicado à conversa e em que a dona de casa tinha a oportunidade de mostrar os seus belos licoreiros ou até, como em França, as grandes caves à liquer.
Os comerciantes não se deram por achados e começaram a desenhar garrafas atraentes, que tiveram o seu apogeu nas garrafas figurativas.
São algumas dessas garrafas da minha colecção (que conta já com mais de 600 exemplares) que vão estar expostas no Museu do Vidro da Marinha Grande, até Abril.

A inauguração é no próximo sábado, dia 18 de Novembro às 16 horas e seria um prazer contar com a vossa presença.

sábado, 11 de novembro de 2017

Botelhas e Botelhocos

 
A minha versão adulterada do botelhoco
A minha amiga Adriana, transmontana dos sete costados, ofereceu-me na última vista uma refeição transmontana com casulas, botelhoco e entrecosto.
Nunca tinha comido botelhoco que na realidade é uma abóbora no estado imaturo que permite cozinhá-la com casca. É cortada em fatias e estufada com cebola, azeite e sal. Tão simples como isto. Mas para a fazer é evidente que tem que se ter este tipo de abóbora, nesta fase de maturação. 
Os transmontanos, tal como os alentejanos souberam contornar as dificuldades alimentares de forma inteligente. Se no Alentejo recorrem às ervas para condimentar ou servir de base aos pratos, em Trás-os-Montes utilizam os legumes ou as leguminosas em vários estádios de maturação. Isto é, utilizam-nos ainda verdes, ou nalguns casos em flor como com as abóboras; quando no seu desenvolvimento adequado e, por fim, secos, para as épocas mais difíceis.
Não sei dizer qual a variedade de abóbora utilizada mas mostro-lhes alguns exemplos das abóboras cultivadas pela minha amiga.
Depois desta refeição constatei que me faltava esta palavra no livro Do Comer e do Falar. Vocabulário Gastronómico, que escrevi em colaboração com outra amiga, a Graça Pericão. Vejamos então os vocábulos relacionados existentes no mesmo:
BOTELHA – Galicismo que designa um recipiente, geralmente de vidro, provido de um gargalo estreito e tapado com uma rolha onde se conservam bebidas ● Vinho ou licor nela contido ● Espécie de abóbora. Batefa. Cabaço. Colondro. Na Beira-Baixa designa o mesmo que Abóbora.
BOTELHA COM LEITE – Doce da Beira-Baixa feito com abóbora cozida (botelha) a que se junta leite e açúcar. Serve-se decorado com canela.
BOTELHEIRO – Pessoa encarregada da frasqueira e dos vinhos engarrafados.
BOTELHO (reg.) – Abóbora pequena (Riba Côa).
 Botelha” tem origem na palavra francesa bouteille, do latim butticula, segundo José Pedro Machado. Os nossos irmão espanhóis usam a palavra botella apenas para a garrafa de vidro, descrita no Dicionário de Autoridades (1726) como «Redóma de vidro mui doble negra, con el cuello angosto, que contendrá à lo mas dos ù tres quartillos de vino, las quales se usan oy mui comunmente para traher vinos de fuera y otros liquóres».

É verdade que também há quem chame nalgumas zonas transmontanas “botelho” ao “botelhoco”, em ambos os casos referindo-se a uma abóbora jovem, mas sendo assim devia surgir no nosso dicionário como sinónimo. Não me safo.
A palavra vai engrossar a lista das palavras que serão adicionadas se existir uma reedição e que entretanto vamos descobrindo. Fazem o favor compram o livro (que na minha opinião suspeita devia ser de leitura obrigatória nas escolas hoteleiras) para eu poder acrescentar o vocábulo na nova edição.