quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Dez anos de blogue

 Foi há 10 anos, em Outubro de 2008, que comecei a escrever este blogue. Neste intervalo de tempo os leitores foram aumentado a pouco-e-pouco, sempre poucos, sobretudo se comparados com os blogues de culinárias que têm milhares de leitores. Os tempos estão mais para receitas do que para a história das mesmas, dos alimentos, dos objectos, da evolução dos hábitos, etc.
Neste período escrevi vários livros, fiz dezenas de conferências, várias exposições, mas sobretudo aprendi muito. Descobri muitas coisas que ignorava, encantei-me por mil objectos e papéis e tentei desvendar os seus segredos.
Acumulei milhares de livros, revistas, ephemera e utensílios de cozinha, enovelada no sonho de fazer um museu/fundação onde, para além de mim, outros possam fazer investigação nesta área da história da alimentação. Não posso dizer que as portas a que bati (talvez as erradas) se tenham fechado. Na realidade nem se abriram porque, bem à portuguesa, nem me responderam.
O projecto mantém-se. Todos os dias entra nova informação na minha vida. O tempo vai escasseando e talvez por isso o blogue tenha ido ficando para trás. Escrevo artigos mentalmente que não chego a publicar por falta de tempo.
O próximo livro (Vestir a Mesa) está quase pronto. As conferências a partir de Dezembro vão abrandar. Prometo então voltar com mais atenção a este projecto do blogue, tão abandonado que quase me ia esquecendo de festejar o seu décimo aniversário.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Teoria da relatividade aplicada aos piques

Ainda mergulhada na fase de ilustração do livro Vestir a Mesa, chegaram-me às mãos dois cartões perfurados para rendas de bilros, normalmente conhecidos como piques.
Após o primeiro momento de contentamento virei os cartões e constatei que tinham recortado um belo cartaz da Empreza das Águas de Vidago para este efeito. Os dois pedaços não permitem datação mas serão certamente do final do século XIX-início do século XX.
Fiquei triste por se ter perdido uma imagem publicitária tão interessante. Contudo após reflexão pensei: provavelmente o cartão não teria chegado aos dias de hoje se não tivesse tido uma utilização prática.
Com este pensamento alegrou-me pensar que, no que restava do cartaz, entrevia a beleza da buvette e das medalhas de ouro ganhas nas exposições internacionais que as empresas da época se orgulhavam de ostentar.
Realmente é tudo relativo e depende da forma como encaramos os factos.
A minha dúvida agora é a forma de arquivar estes cartões. Em Rendas ou em Termas?

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Vestir a Mesa. Financiamento colectivo

Pormenor de Uma família feliz. Rijksmuseum.

Está a chegar ao fim o tempo para o crowdfunding do livro «Vestir a Mesa».
Tem corrido muito bem e posso garantir que o livro estará pronto ainda em Novembro: isto é, a tempo das ofertas de Natal.
A todos os que acreditaram neste projecto o meu agradecimento e estou certa de que o livro lhes dará o prazer que merecem. O texto é informativo e inovador e a apresentação gráfica de grande qualidade (claro que eu sou suspeita).
 A quem tinha a intenção de adquirir o livro e ainda não o fez é agora a altura para o fazer, uma vez que o livro está já em fase muito adiantada.
Por favor preencham a ficha anexa ao poste anterior (ver aqui) e enviem para a associação dos amigos do Museu Alberto Guimarães e Paço dos Duques de Bragança juntamente com as indicações pretendidas e a transferência bancária.
Qualquer dúvida contactem comigo para o e-mail do blogue.
Aproveito para pedir a quem efectuou o pagamento e não se identificou que o faça, caso contrário será difícil fazer chegar o livro, porque os bancos não fornecem a identificação dos clientes.
Espero vê-los no lançamento que será anunciado aqui.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Uma colherada no Garfadas


 Agora, que o uso de colheres de pau foi proibido nos restaurantes e as pessoas usam cada vez mais colheres noutros materiais, este vai ser um objecto em vias de extinção.
Este raciocínio não se aplica contudo às colheres decorativas. Embora as mais famosas sejam as colheres russas feitas em Khokhloma, em Portugal aparecem às vezes colheres pintadas.
Feitas habitualmente em madeira apresentam normalmente pinturas simétricas simples. Muitas têm uma pequena argola ou gancho que permite a sua suspensão. 
A colher aqui apresentada não se enquadra em nenhumas dessas categorias e surpreende pela qualidade da sua pintura. A imagem do cozinheiro remete-nos para o século XIX e é provável que seja dessa época ou do início do século XX.

Apresento-a apenas para que apreciem a sua beleza.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Convite: Tertúlia no Palácio de Queluz

Sala da Merendas. Fotografia do site do Palácio de Queluz

TERTÚLIA: A MESA REAL E OS PALÁCIOS

Data: 9 setembro de 2018
Local: Palácio Nacional de Queluz

Ana Isabel Buescu e Ana Marques Pereira
com moderação de Fortunato da Câmara

Os hábitos alimentares da corte, os banquetes reais e o esplendor de como se ‘vestiam’ de tecidos, loiças, e acessórios as mesas palacianas nacionais. No faustoso Palácio de Queluz, saboreie, durante a tertúlia, iguarias como o “Bacalhau Espiritual”, receita original do Palácio, servido pela cozinha que o criou.
Um dos painéis da Sala das Merendas. Fotografia do site do Palácio
 Parceiros na degustação: Restaurante Cozinha Velha – Pousada de Queluz D. Maria I

Horário e ponto de encontro: 14h45, átrio de entrada do Palácio

Público: público em geral

Lotação: 30 pessoas

Duração: visita guiada 45 minutos; tertúlia e degustação aprox. 90 minutos

Custo de participação: €1,00 (este valor acresce ao custo do bilhete de entrada no monumento)

A tertúlia tem início às 16h00, após visita guiada ao pomar, estufas e jardim de aromáticas.


sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Cocktail Alaska para crianças


 Cresci numa época em que não havia ainda as restrições ao consumo do açúcar. Mas as pessoas tinham bom senso e dar às crianças doces, chocolates ou refrigerantes era a excepção e não a regra.
Lembro-me que o meu avô nunca nos deu um doce. Argumentava que faziam mal aos dentes dos meninos e nós aceitávamos. Com o tempo deixámos de pedir, por sabermos que era inútil. 
Agora as crianças são gordas, comem imenso e especialmente maus alimentos, onde se incluem os doces e refrigerantes. Nunca percebi como se passou de uma geração que não queria comer, não tinha apetite, pelo que era magra, para uma geração de crianças que devora a comida e é obesa.

Por isso mesmo me surpreendeu este anúncio de um cocktail para crianças feito com leite condensado açucarado e uma outra bebida preferida. É verdade que se referem a groselha, laranjada e bebidas à base de sumos de frutas e não propriamente a refrigerantes que então se começavam a divulgar.
O anúncio publicado no jornal O Século Ilustrado em Agosto de 1958, seria hoje dieteticamente incorrecto.