quinta-feira, 28 de julho de 2016

Objecto Mistério Nº 50

Esta delicada peça em porcelana, que penso datar-se do século XVIII, tem de altura 15 cm e a base tem 12 cm por 7 cm.

Como se chama?
A que se destinava?

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Uma ementa americana extraordinária


Descobrir a origem desta ementa não foi uma missão fácil. Demorou-me vários dias de investigação e ficaram ainda por esclarecer alguns pormenores.
É uma ementa do século XIX, feita à mão, com o feitio do que me pareceu ser um balão e, quando aberta se transforma num leque. Não posso no entanto confirmar a associação ao balão porque no ano a que se refere a ementa todas as tentativas de voos em balão resultaram em insucessos completos, que finalizaram em acidentes graves.
As capas da ementa são revestidas no exterior a seda e no interior a cetim. Dentro contém 5 folhas cartonadas onde está escrita a ementa acompanhada de desenhos alusivos aguarelados à mão.
A primeira surpresa deve-se ao facto de não ter títulos nas várias folhas como era habitual numa refeição servida “à russa”, em que a ordem dos alimentos no Menu era a seguinte: Potage, Hors d 'œuvre; Relevés, Entrée chaude; Entrée froide; Roti; Legume; Entremets e Sucrés.
A ementa data de 1875 e seria de esperar que nos Estados Unidos não se encontrasse esta ordem de alimentos em data tão precoce e ainda por cima numa casa particular, quando a divulgação desta forma de apresentação dos alimentos à mesa se deu na Europa, primeiramente nos restaurantes.
 
Mas a resposta deve-se ao facto de estarmos perante um jantar dado por uma das principais socialites da época, famosa em Nova Iorque pelos jantares e festas que organizava.
 
O seu nome era Annette Wilhelmina Wilkens Hicks e descendia de uma antiga família colonial de origem inglesa, na linha directa de Sir Francis Rumbolt. Annette nasceu no Suriname, um país da América do Sul onde se fala holandês, em 1835, filha de Wilco Peter Wilkens, um rico plantador holandês e de Adelina Schenck, descendente da família Rumbolt. A família foi viver para Nova York até à morte do pai.
Foi nessa cidade que conheceu e casou com um homem com o dobro da sua idade, Thomas Hicks, de quem tomou o apelido[1]. O casal foi viver para Manhattan até à morte de Hicks em 1866. A viúva Hicks, como era conhecida, foi depois viver para o nº 10 West da 14th Avenida, onde dava magníficas recepções que a tornaram famosa não só pelos entretinimentos que oferecia mas também pela sua beleza e elegância no vestir.
Annette viajou também pela Europa onde foi apresentada nos mais selectos círculos de Paris e Londres. Em Londres ocupava as melhores suites do Hotel Claridge e em 1874 foi apresentada à rainha Victoria pelo ministro americano general Robert Schenck. Mais tarde em 1877 esteve presente na recepção e jantar oferecido pela rainha ao presidente americano Ulisses Grant, dado em Londres, no Guildhall. Foi apontada como noiva de vários pretendentes nobres britanicos, um dos quais pode ter sido o convidado de honra deste jantar, que não consegui identificar .
NYC Marriage & Death Notices 1843-1856. NY Society Library.

Pagina em que se lê no recorte de jornal a notícia do casamento. NY Society Library.
Em 1877 Annette casou secretamente com Thomas Lord, um rico comerciante, já octogenário o que levantou problemas com os filhos deste e foi objecto de comentários nos jornais da época. Em 1879[2] o marido estava já muito doente e viria a falecer pouco depois. 
Casa Hicks-Lord - Imagem tirada da internet.
No final do século Annette deixaria a sua casa na 14th avenida e foi viver para uma outra casa, construída em 1850, que ficou conhecida como a Casa Hicks-Lord, localizada em 32 Washington Square West. A casa foi destruída em 1925 para ser construído um edifício de 16 andares.
Annette viria a falecer em 6 de Agosto de1896[3].



[1] Casamento 1851: Na quarta-feira, 7 de inst, na igreja holandesa do Norte, pelo Rev. Dr. Schenck, de New Jersey, o Sr. Henry W. Hicks, a Miss Annette Wilhelmina, filha do falecido Wilco Peter Wilkens.
[2] Noticias sobre o seu estado de saúde saíram no jornal The Baltimore Daily News, January 13, 1879 e em muitos outros, que não deixavam de continuara a comentar ainda as condições do casamento.
[3] Óbito noticiado na Gazette of Alexandria.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Os Biscoitos D' São Cristóvão

Ao descer do castelo entrei na igreja de S. Cristóvão. Sobem-se as escadas e entra-se num espaço repousante. A posição dos bancos, retirados do centro e colocados lateralmente, convidam a repousar e a observar as imagens de um rio a correr projectado num grande ecrã que nos transmitem ainda mais uma sensação de frescura.
O espirito descansa enquanto os olhos vagueiam pela nave única, com o seu tecto pintado e pelas telas laterais pintadas, rodeadas de talha dourada.
Ao entrar reparámos que na entrada e fazendo parte do projecto de recuperação da igreja, que tem também uma actividade artística, pode comprar-se uma telha (20 euros) ou um pacote de bolinhos (3,5 euros) para ajuda das obras.
Os biscoitinhos são produzidos pela Cozinha Popular da Mouraria, especialmente para este projecto e são caseiros. Uma delícia para as nossas papilas gustativas, óptimos para acompanhar o chá, além de nos fazerem bem à alma por nos fazer sentir solidários com uma boa causa.

domingo, 10 de julho de 2016

O chocolate em Hampton Court

Modo como era feito o chocolate (bebida) no século XVIII no Palácio de Hampton Court, perto de Londres. Cozinha do Chocolate, onde era feito o chocolate para a primeira refeição do rei Jorge I, o primeiro rei da dinastia Hanover.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A mesa dos banquetes dos Irmãos Grimm

Os irmãos Grimm (Jacob e Guilherme) nasceram respectivamente em 1785 e 1786 na pequena cidade de Hanau, na Alemanha.
Foram os responsáveis pela recolha de inúmeras histórias de fadas que se tornaram populares e entraram no imaginário das crianças de todo o mundo. Compilaram contos tradicionais tornando famosas histórias como A Bela Adormecida, A Branca de Neve, o Capuchinho Vermelho, a Cinderela, O Pequeno Polegar e muitos outros.
1ª edição. Imagem tirada da internet.
Passaram a maior parte da sua vida em Kassel, trabalhando como linguistas e recolhendo as histórias maravilhosas que foram publicando. É por essa razão que existe um Museu em Kassel dedicado às suas obras, onde a minha amiga Conceição Montez tirou esta fotografia da mesa que me levou a este poste.
Todos os países tiveram inúmeras edições das suas histórias e mostro-lhes aqui um livro meu da Folio, lindíssimo como são todas as suas edições.

Em Portugal foram também publicados vários livros em Português e sobre isso foi feito um livro: «Os irmãos Grimm em Portugal» com coordenação e pesquisa de Manuela Rego e Luís Sá e textos de Luísa Ducla Soares, Maria Teresa Cortez e Rita Taborda Duarte. Feito em formato digital é uma edição conjunta do Museu Grimm em Kassel, (onde se encontra a mesa referida) e da BNP.

sábado, 25 de junho de 2016

Doce e boa: a ginjinha lisboeta

Na próxima 4ª feira dia 29 de junho, às 18,30 vou falar sobre ginjinha no Gabinete de Estudos Olisiponenses (GEO), no Palácio Beau Séjour, em Benfica.
Aqui fica o convite para quem lhe interessar o tema.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Os eirantes no rancho

Há fotografias que nos impressionam pela sua qualidade, mas são as que envolvem seres humanos que mais nos tocam.
Ao folhear a obra "A Arte e a Natureza em Portugal", publicada em 8 volumes, (1902-1908), pela Emílio Biel & Cª. Editores, dirigida por Fernando Brutt e Cunha Morais, com fotos deste último, deparei-me com a imagem dos eirantes, na região de Santarém, durante a hora do almoço.
O texto que acompanha a fotografia intitulado «Debulha de trigo no Ribatejo» é da autoria de Zeferino Brandão, mas muitos autores escreveram sobre as imagens fixadas pela câmara, como Joaquim Vasconcelos, Gabriel Pereira, Manuel Monteiro, Brito Rebelo, Ramalho Ortigão, Augusto M. Simões de Castro, Visconde Vilarinho de S. Romão, Júlio de Castilho, etc.
É a leitura do artigo que nos faz compreender melhor a imagem. Os eirantes eram os homens que trabalhavam na eira do trigo, também designados por rancho ou malta de eirantes.
A refeição tinha lugar numa cabana de colmo, que servia de casa da malta e onde guardavam os alforges, que vemos pendurados nos paus. Sentados em toscos bancos de madeira comem a refeição na tampa da caixa de lata onde transportavam a comida, chamada marmita ou caldeira.
Em primeiro plano vem-se os cântaros ou quartas, para vinho, água ou água-pé, de onde a bebida era servida em púcaros de lata.
Os alimentos, forçosamente simples, eram temperados com azeite que saía das almotolias, feitas em folha-de-flandres, ou dos azeiteiros, chamados no Alentejo cornas azeiteiras por serem feitos de cornos de bois e servirem também para transportar azeite ou azeitonas. Estes podem ver-se ao fundo igualmente pendurados junto aos alforges ou sacos onde transportavam as suas pertenças.
Na mão direita veem-se os garfos de cabo longo, em tubo, com uma curvatura que os assemelha a uma colher ou uma pá.
O traje situa estes trabalhadores no Ribatejo como se constata pelo barrete ou carapuça que quase todos têm na cabeça, habitualmente de cor verde, forrado e orlado do mesmo tecido de cor vermelha, que os protegia do sol. Estão em mangas de camisas e usam colete e um lenço ao pescoço, com nó de pontas, para absorver o suor. Quase todos tem uma faixa na cintura e alguns têm polainas até aos joelhos que os protegem dos cereais secos do chão.
A descrição ajuda-nos a compreender a imagem e a focarmo-nos nos pormenores, mas é a naturalidade da fototipia, técnica então recente no nosso país, que nos transporta para uma outra realidade de um Portugal, há pouco mais de cem anos.
O texto bilingue (português e francês) destinava-se a divulgar as belezas nacionais e tinha subjacente também uma intenção turística, numa linha mais refinada do que os guias Baedecker, que haviam surgido na segunda metade do século XIX.
De forma artística mostrava-se o que tínhamos, numa orientação muito diferente da dos dias de hoje em que teimamos em destruir o que existe para mostrar pastiches do que se espera que os turistas queiram ver.