terça-feira, 17 de julho de 2018

Convite: Exposição Garrafas de Licores

Vai ter lugar no dia 21 de Julho, sábado, às 16 horas a inauguração de uma nova exposição de Garrafas de Licor, com parte do espólio das cerca de 1000 garrafas desta temática que entretanto fui coligindo.
A exposição desta vez será no Museu Marquês de Pombal, em Pombal e resultou da proposta que a Drª Cidália Botas, desse Museu, fez para levar a exposição que esteve anteriormente no Museu do Vidro da Marinha Grande. Contamos com o apoio deste último museu que nos facilitou fotografias e cópias de modelos industriais que vão tornar a amostra mais completa.
Ao contrário do Museu da Marinha Grande, que possui salas próprias para exposições, este museu de Pombal, de pequenas dimensões, vai integrar no seu espaço as peças de vidro da colecção.
Como o Marquês de Pombal foi um patrocinador do desenvolvimento de várias indústrias, entre as quais a do vidro, as garrafas vão ficar sobre a protecção do Marquês, o que muito me agrada.
O projecto que parecia difícil foi um desafio conseguido e a exposição, que acabamos de montar, ficou muito interessante.
Se tiverem disponibilidade não deixem de ir visitar a exposição no dia da inauguração ou noutro. Não haverá palestra nesse dia que fica adiada para o final da exposição a 31 de Outubro. Mas podem sempre visitar o museu, a exposição e beber um licor, caso estejam presentes no dia 21 de Julho, o que muito prazer me daria.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Palestra: Licores regionais e outros que tais

Integrado no Forum do Pão que acompanha o Festival do Pão em Mafra, vou apresentar esta palestra.
Venham e proveitem para visitar a Exposição e ver a Feira.

terça-feira, 10 de julho de 2018

O talher de D. João V (cadinet ou cadenas) - 1


Réplica do que poderá ter sido o "talher de D. João V". Foto João Oliveira Silva
“Talher” é a designação portuguesa de cadinet ou cadenas que encontrei num documento em que se descreve o banquete de casamento de D. João V em 1708.
Publiquei esta informação no meu livro «Mesa Real» e, até então, desconhecia-se o seu uso na corte portuguesa. Toda a descrição do banquete é de grande interesse mas foco-me aqui nos “talheres”, tomados como designação lata. Estes foram trazidos pelos Reposteiros da Câmara em pratos grandes dourados os Talheres Reais quadrados de S. Majestades, e os redondos ordinários de S. Altezas.
Cadinet com guardanapo em flor de nenúfar para o pão
A descrição pormenoriza: "Virão os Talheres Reais preparados com sal, açúcar e pimenta nos lugares que para isso tem: e no do pão se põe por baixo um guardanapo liso em forma quadrada de sorte que não transborde o talher, e por cima dele o pão com a faca, colher, garfo e dois palitos, coberto tudo com um guardanapo levantado, cujas dobras hão-de ser muito finas»[1].
Cadinet de Guilherme III, 1688, Royal Collection, Londres
Não existe em Portugal qualquer exemplar de cadinet que, tal como noutros países, foram derretidos. O mesmo aconteceu em França, onde, os que existem são mais tardios, do século XIX e encomendados por Napoleão, que desejava retomar o esplendor do ritual da mesa real.
Cadinet feito em Augsbur, 1718. V&A Museum
Os ingleses, mais conservadores, mantiveram vários exemplares e foi um deles, o do rei Carlos II de Inglaterra, casado com D. Catarina de Bragança que tomei como modelo.
Para a exposição sobre o pão na mesa do rei, que esteve a meu cargo, e que se pode ver em Mafra no Festival do Pão até dia 15 de Julho, concebi o que poderia ter sido o cadinet do rei D. João V, com as suas armas na base e mandei efectuar um exemplar.
Pormenor da parte horizontal do cadinet com o guardanapo levantado
Tal como na época coloquei um guardanapo dobrado na parte horizontal e sobre este um outro levantado, para o caso em flor de nenúfar, que permite uma visualização do pão que aqui se pretende realçar.
Ficou lindíssimo e penso que só por si merece uma visita à exposição. Depois não digam que não avisei.




[1] Pereira, Ana Marques, Mesa Real. Dinastia de Bragança, Lisboa, Esfera dos Livros, pp. 65-75.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Convite: O pão à mesa do rei.


De 6 a 15 de Julho, decorre no Jardim do Cerco, em Mafra, o Festival do Pão. Para além do extenso programa o “Fórum do Pão” integra uma exposição, apresentações temáticas e degustações.

A exposição intitula-se “O Pão de todos: da mesa do povo à mesa real” e apresenta a história desde importante alimento.

No mesmo espaço decorrem, sempre às 15h30, diversas actividades.

No dia 7 de Julho, vou falar sobre “O pão à mesa do Rei. O consumo do pão nas Cozinhas Reais”.
Fica aqui o programa e podem consultar as restantes actividades aqui. Acho a iniciativa interessante e sobre ela voltarei a falar. Estão todos convidados. Espero lá vê-los.

terça-feira, 26 de junho de 2018

As cores do pão

Foto de João Oliveira Silva da CMF

Tive o grato desafio de receber um convite da Câmara Municipal de Mafra para organizar uma exposição sobre o pão durante o Festival do Pão que irá decorrer nessa cidade entre os dias 7 e 15 de Julho.
O tema este ano tem a ver com o pão na mesa real, numa referência às estadas da corte de D. João V nessa, então, vila. Mas decidiu-se falar no «Pão de todos: da mesa do povo à mesa real», título da exposição, por ser mais abrangente.
 
Pormenor do quadro «natureza morta com pão e empada de perú» Pieter Claesz, 1627. Cortesia de Rijksmuseum Amsterdam.
Foi um desafio interessante porque me fez pensar de outra forma no pão. Um dos painéis designa-se «As cores do Pão» e remete-nos para uma realidade que presentemente se alterou.


Consumido por todas as classes sociais o pão era, contudo, o elemento base da alimentação das classes mais carenciadas. Apresentava-se com várias formas e características mas era na qualidade do pão (pão branco ou alvo para as classes poderosas, de mistura ou de cereais inferiores como a espelta e o sorgo, para o povo) que se revelava a grande diferença entre as classes sociais.
Era notória uma hierarquia nos pães tal como existia na sociedade e a cor do pão traduzia essa realidade. Até à introdução do milho na panificação as cores do pão variavam do escuro, quase preto, ao branco. A farinha de milho veio alterar a composição dos pães e a sua cor.

O padeiro (c. 1681). Job Adriaensz Berckheyde. Worcester Art Museum.
Para ilustrar esta ideia decidi utilizar um quadro «O padeiro»,  pintado por Job Adriaensz Berckheyde e existente no americano Worcester Art Museum. O preço pedido pela utilização da imagem para este fim era incomportável. Decidiu-se então fazer uma fotografia de uma natureza morta que envolvesse pão (pães de Mafra, pois claro!).
Para isso inspirei-me num quadro que Salvador Dali pintou em 1926 e adaptei a ideia com objectos da minha pertença. O resultado da foto (da autoria de João Oliveira, da CMF) superou as expectativas: ficou lindíssimo, como podem confirmar.
O cesto de pão. Salvador Dali. 1926.
Esta história tem um outro fim: o de alertar para o crescente aumento de preço que alguns museus pedem pela utilização das suas imagens. Enquanto alguns museus pensam que o facto de divulgarmos uma das suas obras já é uma forma de pagamento outros, com acontece com a maior parte dos museus portugueses dependentes da DGPC, fazem-se cobrar bem. 

Este problema surgiu-me com o meu futuro livro «Vestir a Mesa». Com o preço pedido, por exemplo, pela utilização de uma fotografia do Arquivo Fotográfico de Lisboa, eu comprava a foto no mercado, caso ela aparecesse. Resultado: o livro vai ter imagens estrangeiras de bons museus, imagens de peças e gravuras minhas, fotos de conjuntos da minha colecção mas apenas as imagens indispensáveis dos museus portugueses.
Vão ficar com as imagens guardadas nas suas colecções e não será feita divulgação do nosso espólio (com grande pena minha), tanto mais lamentável porque será uma edição bilingue. Não acham que não é por aí que vão encher-se de dinheiro para a Cultura? Praticar preços internacionais num país como o nosso é uma tontaria contraproducente. E que tal rever as tabelas?

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Palestra: «Garrafas de licor uma doce descoberta»


No próximo sábado, dia 23 de Junho às 16,30 horas, irei falar no Museu Municipal de Almada sobre este tema.
A comunicação estará focada nas garrafas de vidro e integra-se no programa que acompanha a Exposição «Uma história engarrafada. O vidro utilitário do séc. XVIII em Almada», de que já falei aqui. 

Estarão em exposição achados arqueológicos de vidro encontrados nas escavações de uma habitação desta cidade. A Exposição que foi inaugurada no dia 9 de Junho estará patente ao público até 31 de Julho.
Quanto à palestra lá os aguardo.

sábado, 16 de junho de 2018

O famoso Agar-Agar

No nosso dicionário gastronómico «Do comer e do falar…» definimos ágar-agar como: «Goma ou colóide hidrofílico extraído de algas marinhas da classe das rodofíceas, tais como Gelidium L., Gracilaria L. e de outras algas vermelhas; apresenta-se sob a forma de barra ou em flocos e é uma mistura de polisacáridos de agarose e agaropectina; serve como gelificante rápido mesmo à temperatura ambiente; derrete a 85ºC e após a dissolução deve ferver 3-5 minutos. 
Do ponto de vista nutricional, funciona como uma fibra alimentar, por ter baixa digestibilidade e consequentemente um valor energético baixo. Gelose.»
Algas vermelhas. Foto tirada do blog Plant Life
Informativo mas pouco atraente sobretudo se o compararmos com a deliciosa história infantil intitulada «O famoso Ágar-ágar».
Achei curioso este pequeno livrinho de histórias, de pequenas dimensões, da colecção Juvenil Bambina. A narrativa é maravilhosa e nas suas 6 folhas, sem gravuras, conta-nos como o pobre Agar-Agar, cordoeiro, casado e com cinco filhos passou a rico na sequência da aposta de dois amigos Set e Sat. A história passa-se na Índia onde o grande califa Casbá foi tomado de curiosidade ao ver um grande palácio que pertencia ao nosso herói.
Embora no início tenha recebido um saco de moedas de ouro de um dos apostadores, rapidamente o veio a perder, quando um milhano lhe roubou o turbante onde havia guardado as moedas. Sucedem-se várias peripécias que justificam o enriquecimento deste homem com nome de gelatina, que manteve contudo a sua simplicidade.
História da autoria de Feral Só
A história demasiado longa para aqui a contar é da autoria de Henriette, provavelmente um nome fictício tal como os dos restantes autores desta colecção, cujos outros nomes: Agallogay, Feral Só e Jovit completam o elenco misterioso.
Além deste livro Henriette escreveu «Baniko e as suas malaguetas» e «A princesa do mar verde», todos publicados em 1955 pelas edições H.G., 1955.
A colecção completa tinha 10 volumes e cada um dos livros incluía um pequeno cromo para recortar, colorir e colar no Albúm Gigante da História de Portugal, que provavelmente nunca chegou a existir.
 Este livro simples, de uma colecção que deve ter tido pouca divulgação, estranhamente não vem mencionado no livro «A literatura Infantil em Portugal» de Domingos Guimarães de Sá, mas daqui não posso tirar qualquer conclusão.  É bom ficarem alguns mistérios por resolver.