quinta-feira, 30 de junho de 2016

A mesa dos banquetes dos Irmãos Grimm

Os irmãos Grimm (Jacob e Guilherme) nasceram respectivamente em 1785 e 1786 na pequena cidade de Hanau, na Alemanha.
Foram os responsáveis pela recolha de inúmeras histórias de fadas que se tornaram populares e entraram no imaginário das crianças de todo o mundo. Compilaram contos tradicionais tornando famosas histórias como A Bela Adormecida, A Branca de Neve, o Capuchinho Vermelho, a Cinderela, O Pequeno Polegar e muitos outros.
1ª edição. Imagem tirada da internet.
Passaram a maior parte da sua vida em Kassel, trabalhando como linguistas e recolhendo as histórias maravilhosas que foram publicando. É por essa razão que existe um Museu em Kassel dedicado às suas obras, onde a minha amiga Conceição Montez tirou esta fotografia da mesa que me levou a este poste.
Todos os países tiveram inúmeras edições das suas histórias e mostro-lhes aqui um livro meu da Folio, lindíssimo como são todas as suas edições.

Em Portugal foram também publicados vários livros em Português e sobre isso foi feito um livro: «Os irmãos Grimm em Portugal» com coordenação e pesquisa de Manuela Rego e Luís Sá e textos de Luísa Ducla Soares, Maria Teresa Cortez e Rita Taborda Duarte. Feito em formato digital é uma edição conjunta do Museu Grimm em Kassel, (onde se encontra a mesa referida) e da BNP.

sábado, 25 de junho de 2016

Doce e boa: a ginjinha lisboeta

Na próxima 4ª feira dia 29 de junho, às 18,30 vou falar sobre ginjinha no Gabinete de Estudos Olisiponenses (GEO), no Palácio Beau Séjour, em Benfica.
Aqui fica o convite para quem lhe interessar o tema.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Os eirantes no rancho

Há fotografias que nos impressionam pela sua qualidade, mas são as que envolvem seres humanos que mais nos tocam.
Ao folhear a obra "A Arte e a Natureza em Portugal", publicada em 8 volumes, (1902-1908), pela Emílio Biel & Cª. Editores, dirigida por Fernando Brutt e Cunha Morais, com fotos deste último, deparei-me com a imagem dos eirantes, na região de Santarém, durante a hora do almoço.
O texto que acompanha a fotografia intitulado «Debulha de trigo no Ribatejo» é da autoria de Zeferino Brandão, mas muitos autores escreveram sobre as imagens fixadas pela câmara, como Joaquim Vasconcelos, Gabriel Pereira, Manuel Monteiro, Brito Rebelo, Ramalho Ortigão, Augusto M. Simões de Castro, Visconde Vilarinho de S. Romão, Júlio de Castilho, etc.
É a leitura do artigo que nos faz compreender melhor a imagem. Os eirantes eram os homens que trabalhavam na eira do trigo, também designados por rancho ou malta de eirantes.
A refeição tinha lugar numa cabana de colmo, que servia de casa da malta e onde guardavam os alforges, que vemos pendurados nos paus. Sentados em toscos bancos de madeira comem a refeição na tampa da caixa de lata onde transportavam a comida, chamada marmita ou caldeira.
Em primeiro plano vem-se os cântaros ou quartas, para vinho, água ou água-pé, de onde a bebida era servida em púcaros de lata.
Os alimentos, forçosamente simples, eram temperados com azeite que saía das almotolias, feitas em folha-de-flandres, ou dos azeiteiros, chamados no Alentejo cornas azeiteiras por serem feitos de cornos de bois e servirem também para transportar azeite ou azeitonas. Estes podem ver-se ao fundo igualmente pendurados junto aos alforges ou sacos onde transportavam as suas pertenças.
Na mão direita veem-se os garfos de cabo longo, em tubo, com uma curvatura que os assemelha a uma colher ou uma pá.
O traje situa estes trabalhadores no Ribatejo como se constata pelo barrete ou carapuça que quase todos têm na cabeça, habitualmente de cor verde, forrado e orlado do mesmo tecido de cor vermelha, que os protegia do sol. Estão em mangas de camisas e usam colete e um lenço ao pescoço, com nó de pontas, para absorver o suor. Quase todos tem uma faixa na cintura e alguns têm polainas até aos joelhos que os protegem dos cereais secos do chão.
A descrição ajuda-nos a compreender a imagem e a focarmo-nos nos pormenores, mas é a naturalidade da fototipia, técnica então recente no nosso país, que nos transporta para uma outra realidade de um Portugal, há pouco mais de cem anos.
O texto bilingue (português e francês) destinava-se a divulgar as belezas nacionais e tinha subjacente também uma intenção turística, numa linha mais refinada do que os guias Baedecker, que haviam surgido na segunda metade do século XIX.
De forma artística mostrava-se o que tínhamos, numa orientação muito diferente da dos dias de hoje em que teimamos em destruir o que existe para mostrar pastiches do que se espera que os turistas queiram ver. 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Prémio da Academia Portuguesa de Gastronomia

 
O livro «Do Comer e do Falar…Tudo vai do Começar», um vocabulário gastronómico da minha autoria e da Mª da Graça Pericão ganhou um prémio de «Literatura gastronómica» dado pela Academia Portuguesa de Gastronomia.
O evento teve lugar já na passada semana, mas fiquei a a aguardar fotografias que não vieram e por isso decidi agora divulgá-lo. A cerimónia foi presidida por Bento dos Santos que é também o presidente da Academia Internacional e teve lugar no Grémio Literário. 
Começou com um almoço da responsabilidade do Chefe Francisco Martins (Kiko), de que aqui mostro a ementa e que esteve à altura das expectativas. Também ele foi agraciado pela Academia Internacional de Gastronomia com o «Prix au Chef de l’Avenir», entre outros prémios que foram distribuídos.
 
Ficámos muito contentes, porque um prémio é sempre um reconhecimento do trabalho que se efectuou. Infelizmente este aconteciemnto não teve qualquer divulgação e apesar de já ter passado uma semana aqui fica a notícia, pelos vistos, em primeira mão. 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Uma caixa de receitas da Gibson

As caixas com fichas de receitas foram um sistema muito prático de consulta e por isso muito apreciado pelas donas de casa. Possuo algumas portuguesas mas as aqui apresentadas estão escritas em inglês e foram concebidas pela empresa americana Gibson para ajudar as pessoas que adquiriam os seus frigoríficos e que mensalmente recebiam em sua casa novos cartões que deviam ser enviados pelo comerciante que havia vendido o electrodoméstico. 
No dia 15 de cada mês deviam já ter sido recebidas novas receitas e se tal não acontecesse devia ser contactada a loja vendedora ou mesmo a firma mãe. Esta estratégia de marketing facilitava uma ligação entre a firma e o comprador, que no futuro podia dar novos frutos.
Caixa refrigeradora Gibson não eléctrica. Fotografia tirada da internet.
A empresa que ficou conhecida pela marca Gibson começou com duas companhias independentes: a Belding-Hall Company de Joshua Hall, fabricante de caixas frigoríficas que, em 1877, foi para a região de Belding (Michigan) onde era fácil arranjar marceneiros dinamarqueses para fazer as caixas de madeira e uma outra firma competidora e fabricante do mesmo produto, propriedade de Frank Gibson e John Lewis, que haviam iniciado a sua produção no início de 1900.
Em 1908 Frank Gibson comprou a primeira fábrica e tornou-se no principal industrial do ramo no seu tempo. Produziu milhares de caixas frigoríficas que ainda no início dos anos trinta se apresentavam pintadas de verde água e com três portas de cor creme. As portas destinavam-se a ter de um lado os blocos de gelo enquanto na parte inferior se recuperava a água derretida. Quanto à porta maior dava acesso a um espaço com prateleiras onde se colocavam os alimentos para os conservar a baixa temperatura.
Modelo Monounit de 1932 publicitado como «O mais belo frigorífico do Mundo»
Em 1932 começou a produzir frigoríficos eléctricos que no início, dos anos 30 se assemelhavam às caixas frigoríficas, isto é, tinham ainda semelhanças a um móvel de madeira assente em quatro pernas arqueadas. Apresentavam agora uma única porta. Os seus modelos foram-se adaptando ao longo do tempo.
Catálogo Gibson de 1944
Orgulhosamente a empresa dizia que os seus frigoríficos apresentavam algumas inovações com as duas zonas de temperatura diferente, explicada nas instruções e em que, surpreendemente, é referida como sendo mais fria a zona inferior, ao contrário do que hoje acontece; a luz interior que desligava com o encerramento da porta; o primeiro com prateleiras rotativas, e muitas outras inovações. Em 1936 o novo modelo tinha já perdido as pernas, apresentando-se como uma caixa compacta. A novidade era a «prateleira mágica», colocada na parte superior, sobre a qual eram colocadas as cuvetes de gelo e o seu preço era agora relativamente inferior aos preços anteriores, mostrando a disseminação da refrigeração e o início da vulgarização dos frigoríficos nos Estados Unidos.
Pormenor da publicidade aos frigoríficos Gibson nos anos 50. Foto Pinterest
Durante a Segunda Guerra mundial a Gibson fabricou também aviões e carros de assalto para o exército, sem contudo interromper5 a linha de electrodomésticos. Em 1956 foi adquirida pela Hupp Corporation e em 1967 esta juntou-se à White Consolidated Industries. Finalmente, em 1986, foi adquirida pela empresa sueca Electrolux, continuando a produzir electrodomésticos da marca Gibson até hoje.
O modelo que é apresentado com as receitas era designado «Monounit» era já publicitado em 25 de Abril de 1932 no jornal The Gazette, como tendo múltiplas vantagens e um preço de 139,50 doláres, incluindo a instalação. 
Este modelo foi comercializado no Brasil, mas em Portugal apenas encontramos o registo desta marca em 1955, tendo sido publicitado um modelo mais recente pela loja de venda de electrodomésticos «Estabelecimentos Sida», situada na Rua de São Nicolau, em Lisboa.

domingo, 5 de junho de 2016

Museu virtual: Copo enganador

Nome do Objecto: Copo enganador

Descrição: Copo de parede dupla, de forma troco-cónica, sem pé, apresentando a parede interior forma cónica. A base do copo, em vidro mais espesso, encontra-se perfurada no centro, onde entra uma pequena rolha que permite reter líquido no seu interior. A parede exterior apresenta desenhos vegetalistas gravados a ácido.

Material: Vidro transparente.

Época: Primeira metade do século XX.

Marcas: Não tem.

Origem: Adquirido no mercado português.

 
Grupo a que pertence: equipamento culinário.

Função Geral: servir alimentos.

Função Específica: servir bebidas

Nº inventário: 2164
Copos Bodum

Objectos semelhantes: 1- Copos modernos da Bodum, de parede dupla, para bebidas quentes ou frias. Funcionam como isolantes e não permitem o acesso ao interior.
 2 - Outro tipo de copos semelhantes eram usados no Carnaval. Continham entre as duas paredes um líquido, mas apresentavam-se vazios no interior servindo para brincadeiras.
Observações: As características do copo assemelham-no a copos enganadores. Estes contudo são habitualmente de paredes espessas, parecendo conter mais líquido do que realmente contêm, pelo que eram de uso comum em tabernas. Em casa eram destinados aos anfitriões para poderem fingir que bebiam mais do que parecia, mantendo a lucidez. Apresentei já um desses copos como objecto mistério. A quem interessar pode ver aqui a resposta. 

terça-feira, 24 de maio de 2016

Atum Farol de Aveiro

Esta marca de atum em azeite foi registada em 1949 pela firma M. Saldanha & Cª Lda. que tinha sede em Lisboa, na Rua Augusta 177, 1º Esq.
Era uma empresa comercial de importação e exportação, que foi fundada em 1893. Para além desta conserva registou também em 1949, uma marca de azeitonas pretas com o nome «Eixo» que, em 1943, já era exportada para o Brasil.
Na mesma data foi feito o registo de um azeite finíssimo chamado «Saldanha». Este azeite não era novidade uma vez que anteriormente tinha já sido premiado com uma medalha de ouro na Exposição Internacional do Rio de Janeiro, em 1922.
Nessa exposição ganharam ainda uma outra medalha de ouro, com a cortiça apresentada e uma medalha de bronze com os seus vinhos do Porto, Moscatel e de Mesa.
No Brasil, na Exposição de 1922, não competiram na área das conservas pelo que não é possível saber se já então as comercializavam em Portugal. Outras empresas nacionais produtoras de conservas estiveram presentes nessa exposição, em que o Grand Prix para conservas foi atribuído à Fábrica Lopes, Coelho e Cª, Lda.