quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Objecto Mistério Nº 51. Resposta: Pinça para Espargos.

 Foi no século XIX que o serviço de talheres de mesa se expandiu. Surgiram os talheres de peixe (embora a sua divulgação fosse mais tardia) e muitos outros para o serviço de mesa requintado.
Embora muitos deles persistam e tenham entrado no quotidiano, outros já não existem. Um dos utensílios usados à mesa foi a pinça para servir espargos, em prata ou em liga de metal que a incluía, como a Christofle, entre outras. 

Os modelos de pinças para servir espargos foram vários desde a mola larga, sem pega, ao tipo de pinças individuais.
Li em qualquer lado que o modelo aqui apresentado foi mais usado pelos ingleses mas não posso confirmar.

A peça tem apenas uma marca que não consegui identificar, mas será talvez francesa (a ignorância é muito atrevida).

domingo, 21 de agosto de 2016

sábado, 13 de agosto de 2016

O Chá Lig

As duas caixas de «Chá Lig Extra Fino» da minha colecção pareciam-me iguais, à primeira vista e inicialmente pensei tratar-se de uma repetição.
O estado de conservação de uma delas é melhor do que o da outra, tendo a melhor conservada na base uma marca em relevo identificativa de ter sido feita na Casa da Viúva Ferrão em Lisboa, ao que se junta na tampa, escrito a preto «Vª Ferrão, Lda».
A que suponho mais antiga não está identificada mas foi seguramente feita na mesma Litografia, dada a semelhança. Nesta mesma lata pode ler-se na face posterior: «Único importador José Domingos Gil, Porto, Portugal».
Acontece que este Chá Lig foi registado em 25 de setembro de 1943 por Olinda do Espírito Santo Gil que se identificava como comerciante, estabelecida em Mira de Aire.
Estes dados levam-me a pensar que Olinda Gil, que procedeu ao registo em 1943, possa ser viúva de José Domingos, tendo mudado de local de habitação.
Registo da embalagem
Infelizmente não consegui juntar quaisquer outros dados para esclarecer esta situação. 
De qualquer modo não esperava que duas caixas tão semelhantes se completassem e só por isso fico contente.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Pequeno Guia de Pequenas Recepções

 Em 1964 a Cerveja Sagres, que se apresentava desde 1955 numa garrafa de vidro castanho, bojuda, com o rótulo pirogravado a branco, publicou um pequeno livrinho publicitário.
Pequenos convites sem cerimónia....
O grafismo da obra,  a preto, branco e amarelo, é muito interessante mas as imagens não estão identificadas e não consegui descobrir quem esteve por trás desta pequena obra. 
Depois de jantar.....
O tema lembra o verão e o fácil convívio entre as pessoas, sem ter de esperar por ocasiões especiais. São enumeradas variadas possibilidades de convites despretensiosos mas em que a cerveja, evidentemente, está sempre presente. 
Os homens entre si
Para acompanhar a cerveja sugerem-se bolachas tipo aperitivo, queijo em pedaços, rabanetes, carnes frias variadas, etc. nalgumas ocasiões podem-se apresentar pratos com sanduíches, biscoitos croquetes, salada russa, batatas fritas, amêndoas torradas, etc.
Os jovens divertem-se
É verdade que os convidados podem levar «qualquer coisa»: flores, compotas, bolachas, etc. 
Piquenique....
Os “etcetras” são vários mas concretamente sobre a mesa devem estar várias garrafas de cerveja, na proporção de uma garrafa de cerveja preta para quatro de branca.
Os grelhados são uma festa....
Quanto às ocasiões para estes encontros sem cerimónia são várias: depois de jantar; amigos trazidos pelo marido; jogos de cartas; depois do espectáculo; encontros de jovens; piqueniques; grelhados; festa surpresa; encontros de homens; encontro de amigas; o último copo.
Depois do espectáculo.....
E depois do último copo o repouso merecido e uma boa noite.
O último copo......

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Objecto Mistério Nº 50. Resposta: Alfineteiro

 A primeira vez que olhei para este objecto também pensei que era um paliteiro. Daí não admirar que fosse esta a resposta mais frequente. Mas temos que reconhecer que se fosse essa a resposta era muito fácil. 
A diferença entre alfineteiros e agulheiros é por vezes difícil. Mas mais frequentemente os agulheiros são em pano para reterem a agulha, uma vez que não têm cabeça, embora uma outra opção seja deixá-la com uma extensão de linha, ou utilzar caixas fechadas.
O tema deste blog também não facilitou as respostas certas. Habitualmente apresento objectos relacionados com a alimentação. E os paliteiros podem apresentar-se com uma variedade infinita de formas. 
Nesta caso a menina tem sobre os joelhos uma almofada, que alude às usadas para rendas de bilros. Além disso os buracos são mais pequenos do que os que encontramos nos paliteiros. Por último dentro existe ainda um alfinete que aí ficou retido.
É um objecto raro, de maiores dimensões do que as que observamos nos paliteiros. Não tem marca e apresenta apenas um «N» inciso e um número «1773», igualmente inciso na pasta vidrada. Apesar de não ser habitual datar estas peças, e não sei se isto é uma data, penso que seja do século XVIII.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Objecto Mistério Nº 50

Esta delicada peça em porcelana, que penso datar-se do século XVIII, tem de altura 15 cm e a base tem 12 cm por 7 cm.

Como se chama?
A que se destinava?

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Uma ementa americana extraordinária


Descobrir a origem desta ementa não foi uma missão fácil. Demorou-me vários dias de investigação e ficaram ainda por esclarecer alguns pormenores.
É uma ementa do século XIX, feita à mão, com o feitio do que me pareceu ser um balão e, quando aberta se transforma num leque. Não posso no entanto confirmar a associação ao balão porque no ano a que se refere a ementa todas as tentativas de voos em balão resultaram em insucessos completos, que finalizaram em acidentes graves.
As capas da ementa são revestidas no exterior a seda e no interior a cetim. Dentro contém 5 folhas cartonadas onde está escrita a ementa acompanhada de desenhos alusivos aguarelados à mão.
A primeira surpresa deve-se ao facto de não ter títulos nas várias folhas como era habitual numa refeição servida “à russa”, em que a ordem dos alimentos no Menu era a seguinte: Potage, Hors d 'œuvre; Relevés, Entrée chaude; Entrée froide; Roti; Legume; Entremets e Sucrés.
A ementa data de 1875 e seria de esperar que nos Estados Unidos não se encontrasse esta ordem de alimentos em data tão precoce e ainda por cima numa casa particular, quando a divulgação desta forma de apresentação dos alimentos à mesa se deu na Europa, primeiramente nos restaurantes.
 
Mas a resposta deve-se ao facto de estarmos perante um jantar dado por uma das principais socialites da época, famosa em Nova Iorque pelos jantares e festas que organizava.
 
O seu nome era Annette Wilhelmina Wilkens Hicks e descendia de uma antiga família colonial de origem inglesa, na linha directa de Sir Francis Rumbolt. Annette nasceu no Suriname, um país da América do Sul onde se fala holandês, em 1835, filha de Wilco Peter Wilkens, um rico plantador holandês e de Adelina Schenck, descendente da família Rumbolt. A família foi viver para Nova York até à morte do pai.
Foi nessa cidade que conheceu e casou com um homem com o dobro da sua idade, Thomas Hicks, de quem tomou o apelido[1]. O casal foi viver para Manhattan até à morte de Hicks em 1866. A viúva Hicks, como era conhecida, foi depois viver para o nº 10 West da 14th Avenida, onde dava magníficas recepções que a tornaram famosa não só pelos entretinimentos que oferecia mas também pela sua beleza e elegância no vestir.
Annette viajou também pela Europa onde foi apresentada nos mais selectos círculos de Paris e Londres. Em Londres ocupava as melhores suites do Hotel Claridge e em 1874 foi apresentada à rainha Victoria pelo ministro americano general Robert Schenck. Mais tarde em 1877 esteve presente na recepção e jantar oferecido pela rainha ao presidente americano Ulisses Grant, dado em Londres, no Guildhall. Foi apontada como noiva de vários pretendentes nobres britanicos, um dos quais pode ter sido o convidado de honra deste jantar, que não consegui identificar .
NYC Marriage & Death Notices 1843-1856. NY Society Library.

Pagina em que se lê no recorte de jornal a notícia do casamento. NY Society Library.
Em 1877 Annette casou secretamente com Thomas Lord, um rico comerciante, já octogenário o que levantou problemas com os filhos deste e foi objecto de comentários nos jornais da época. Em 1879[2] o marido estava já muito doente e viria a falecer pouco depois. 
Casa Hicks-Lord - Imagem tirada da internet.
No final do século Annette deixaria a sua casa na 14th avenida e foi viver para uma outra casa, construída em 1850, que ficou conhecida como a Casa Hicks-Lord, localizada em 32 Washington Square West. A casa foi destruída em 1925 para ser construído um edifício de 16 andares.
Annette viria a falecer em 6 de Agosto de1896[3].



[1] Casamento 1851: Na quarta-feira, 7 de inst, na igreja holandesa do Norte, pelo Rev. Dr. Schenck, de New Jersey, o Sr. Henry W. Hicks, a Miss Annette Wilhelmina, filha do falecido Wilco Peter Wilkens.
[2] Noticias sobre o seu estado de saúde saíram no jornal The Baltimore Daily News, January 13, 1879 e em muitos outros, que não deixavam de continuara a comentar ainda as condições do casamento.
[3] Óbito noticiado na Gazette of Alexandria.