
Em 1680 foi editada, em Lisboa, a obra "Arte de Cozinha" de Domingos Rodrigues.
Tratava-se do primeiro manual de cozinha redigido, impresso e publicado em Portugal. Poucos anos depois, em 1683, sairia de novo da oficina de João Galrão, tipógrafo de Lisboa, uma edição da obra com uma dedicatória do autor ao Conde do Vimioso, casa onde Domingos Rodrigues serviria muitos anos. A edição aqui apresentada é a terceira.
Quando se comparam as diferentes edições que se lhe seguiram, constata-se que cada uma delas sofreu alterações ou acrescentos da mão do editor/tipógrafo.

A Arte de Cozinha continuaria a ser reeditada até 1849, num total de, pelo menos, quinze edições. Durante este longo período de 169 anos o livro foi sofrendo várias alterações.
As duas edições iniciais eram constituídas por duas partes. A primeira Trata do modo de cozinhar vários manjares e diversas iguarias de qualquer casta de carne, e de muita variedade de pastéis, tortas, empadas e outras muitas curiosidades. A segunda Trata do modo de cozinhar diversos pratos de peixe, mariscos, ervas, frutas, ovos, lacticínios, conserva e toda a sorte de doces. Incluía ainda a Forma como se hão-de dar os Banquetes em todos os meses do ano, que, a partir da edição de 1693, passa a constituir uma terceira parte individualizada. No início do século XIX, pelo menos a partir da edição de 1814, a Arte de Cozinha passou a integrar uma quarta parte que tratava de Fazer Pudins e preparar Massas.
As informações sobre Domingos Rodrigues são escassas. Diogo Barbosa de Machado na Bibliotheca Lusitana, afirma que Domingos Rodrigues nasceu em Vila Cova à Coelheira, Bispado de Lamego, no ano de 1637, vindo a falecer em Lisboa a 20 de Dezembro de 1719, com a idade de 82 anos. Segundo este, terá trabalhado na casa dos Marqueses de Valença e Gouveia antes de ser Mestre da Casa Real. Esta última afirmação necessita contudo de confirmação que nunca foi feita. Até lá, pode considerar-se que, seguramente, Domingos Rodrigues trabalhou como cozinheiro extraordinário nos banquetes oferecidos pela Casa Real, mas não foi ainda possível encontrar documentos que o confirmem como cozinheiro da Casa Real.
A primeira edição deste livro é hoje tão rara que o único exemplar que alguma vez consultei se encontra numa biblioteca fora de Portugal. Vou continuar a procurá-la, tal como o rasto de Domingos Rodrigues nos arquivos portugueses.