Mostrar mensagens com a etiqueta Cartazes publicitários. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cartazes publicitários. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Cartazes Publicitários de Bebidas

Falei já anteriormente sobre a Laranjada Invicta. Volto hoje ao tema a propósito de um outro cartaz publicitário que faz parte da colecção das simpáticas proprietárias da loja Collectus, no Porto.
Esta marca  de refrigerante «Invicta» surgiu em 1956 e foi comercializada nas variedades de Laranjada, Cidra e Lima. Era produzida pela Companhia União Fabril Portuense das Fábricas de Cerveja e Bebidas Refrigerantes - Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada (CUFP), do Porto, que laborava já desde 1904.
O cartaz em causa, que as proprietárias me permitiram fotografar, por si só justificava já um poste. Foi feito pela Empreza do Bolhão, sucessora da Empresa Técnica Publicitária, fundada em 1910 por Raul Caldevilla e que seguiria também esta, no que respeitava à elevada qualidade dos seus cartazes.
A imagem é muito simples: uma jovem aprumada com chapéu na cabeça, bebe um copo de refrigerante com manifesto prazer. Em fundo a identificação de três refrigerantes Invicta: a Laranjada, a Cidra e a Lima.
Em última linha e a encarnado surgia o aviso: «Cuidado com as imitações» e a informação «Vende-se aqui», o que mostra que era feito para ser colocado nos estabelecimentos que a comercializavam. Não existe qualquer assinatura que possa identificar o autor.
Fez-me lembrar um outro cartaz, anterior a este e sem qualquer relação com ele, destinado a publicitar o vinho do Porto Rainha Santa. Este cartaz foi feito em 1946 na Litografia Progresso do Porto e do mesmo modo apresenta no canto a frase «Vende-se aqui».
A imagem feminina que surge igualmente na parte esquerda do cartaz é mais sensual, como acontecia com outro tipo de publicidade ao Vinho do Porto. De pescoço estendido pega delicadamente, com a mão direita, num cálice de vinho do Porto e dirige os lábios para ele.

Há portanto mensagens diferentes em ambos os cartazes. A primeira figura feminina podia ser uma tenista num intervalo de um jogo, enquanto a segunda, de ombros desnudados, nos leva a  pressupor que veste um vestido de noite.
Não devem ser da mesma autoria contudo, e apesar das diferenças referidas, há uma semelhança que vai para além do uso de cores idênticas que me leva a associá-los.
Talvez seja a simplicidade da mensagem, que através de frases directas e da beleza da suposta consumidora nos fica no cérebro, provocando uma sensação agradável. Penso que não se deve pedir mais à publicidade.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O vinho nos cartazes de Mário Costa


O cartaz com as «Regiões Vinícolas de Portugal» foi encomendado pela Junta Nacional dos Vinhos (JNV), fazendo parte das suas campanhas de propaganda a favor do vinho. Esta instituição foi criada por decreto, em 19 de Agosto de 1937, para defesa da produção e comércio do sector vinícola em Portugal, numa altura em que se procurou também incentivar outras áreas da Agricultura.
Para realizar o cartaz foi escolhido Mário Costa (1902-1975) que trabalhara já noutros projectos da JNV logo no início da actividade deste instituto.

Em Junho de 1938 foi aberto um concurso para a execução de três cartazes para propaganda do consumo da uva e do vinho. Neles deviam ser incluídas mensagens que transmitissem a ideia da uva como alimento saudável, considerar o vinho como uma bebida higiénica alimentar e valorizar o papel social do vinho.
Desse projecto, atribuído a Mário Costa, sairiam três potentes cartazes de propaganda, com a estética do Estado Novo, que marcaram a memória dos que os conheceram. Num deles encontramos a expressão: «Quem beber vinho contribui para o pão de mais de um milhão de portugueses»; no segundo a mensagem: «Uvas fonte de saúde e de alegria» e no terceiro, o mais famoso: «Beber vinho é dar pão a 1 milhão de portugueses», todos de 1938.


Mário Costa teve uma actividade variada no campo da arte. Foi pintor, tendo sido discípulo de E. Paula Campos. Fez os cursos de formação artística da Escola Machado Castro e de pintor-decorador da Escola António Arroio.
Foi ilustrador de livros, tendo feito o grafismo para o conto «O quadro Mágico» de Fernanda Mattos e Silva, publicado no «O Senhor Doutor,» a 19 de Maio de 1934, ilustrou o livro de Odette de Saint Maurice «O canto da Mocidade» e ilustrou a capa do livro de João Verdades, «Hipólito do Ó», da Editorial Século, em 1938.
Fez decorações para a Exposição do Mundo Português e ganhou o prémio Roque Gameiro do SNI em 1945.
Foi também da sua autoria a extraordinária capa do relatório comemorativo do XX Aniversário da Campanha do Trigo, 1929-1949, da Federação Nacional dos Produtores de Trigo (F.N.P.T.), publicado em 1949, bem como de cartazes de propaganda aos produtos madeirenses.
Um outro aspecto da sua actividade foi a sua acção como vitralista. Aos 23 anos, começou como aprendiz de Ricardo Leone, na sua oficina em Lisboa, na Rua da Escola Politécnica, de que ainda existe o local. Nas décadas de 1920 a 1940 trabalhou com ele sendo responsável pela continuidade do trabalho de Leone na recuperação dos vitrais do Mosteiro da Batalha. Realizou os vitrais «Camões e os Dez Cantos» e, juntamente com Leone, os da «Travessia do Atlântico», evocativos do feito de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, trabalho que recebeu o Grande Prémio da Exposição do Rio de Janeiro, em 1923, e que se encontra na Sociedade de Geografia de Lisboa.
Mosteiro da batalha. Sala do capítulo. Vitrais do século XVI restaurados

Na década de 1940 reconstruiu os vitrais dos Jerónimos, bem como os vitrais da Sé de Lisboa e do Porto, e das Igreja da Conceição, no Porto. Alguns dos vitrais da Igreja de Fátima e do Santo Condestável, em Lisboa, são da sua autoria.

Foi também autor do vitral da Igreja da Lapa, no Porto, que se intitula «O Nascimento» e de um vitral, mais moderno, para a Pastelaria Mexicana.

No ano de 1963, Mário Costa pintou vitrais para a frontaria da igreja de Nossa Senhora dos Anjos, na Lourinhã, que conhecia bem, por ter casa na Areia Branca.

Dedicou-se, igualmente, ao cinema português onde trabalhou nos decors de vários filmes como: «O Fado», «O Homem do Ribatejo», o «Filho do Homem do Ribatejo», «Camões», «A Mantilha de Beatriz», «Ladrão Precisa-se», «O Costa do Castelo» e «A Vizinha do Lado».

Um homem com uma actividade multifacetada, de que pouco se sabe, e de que ficamos com a impressão de que muito outros trabalhos não foram mencionados. Vou estar alerta.


Bibliografia
Carlos Silva Barros, O vitral em Portugal, 1983.
Informação Vinícola, 30 de Junho de 1938.
Fernando Pamplona, Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses, Livraria Civilização Editora, 1991.
Maria da Conceição Brito, Acção e Património da Junta Nacional de Vinho (1937-1986), Lisboa 2007.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Mais um pouco de Chá-Licungo

Regresso ao tema do Chá Li-Cungo, para prazer dos saudosistas. A lembrança foi despoletada por este cartaz publicitário lindíssimo. Está identificado como tendo sido feito em Lisboa na «Lito Amorim», em 8 de Julho de 1938. Esta tipografia teve grande actividade dos anos de 1930 a 1960 sendo responsável pela impressão e presumivelmente pela criação de material destinado ao Turismo. Estava ainda activa em 1985.

O cartaz, de grande qualidade estética, mostra-nos um criado preto com um «fez» ou chapéu turco na cabeça e um tabuleiro em que repousam uma chávena e um bule onde se pode ler «Chá Li-Cungo».
Nesta imagem está representado um modelo de bule, menos frequente do que os que reproduzi no poste anterior sobre este tema. Trata-se de uma peça saída igualmente da Fábrica de Louças de Sacavém, do período Gilman & Cia, como se pode ver na sua base.

Na parte inferior do cartaz mostram-se vários modelos de caixas de chá, os mais frequentes em cartão, como apresentei anteriormente, e uma caixa em folha-de-flandres azul, onde se identifica a sua proveniência: «Companhia da Zambézia - Gurué - Moçambique», remetendo-nos para a extensa região de plantação de chá no centro daquele país.
Também a representação desta embalagem nos ficou na memória. Um exemplar bem conservado é aqui apresentado e serve para recordar os mais esquecidos ou aqueles que não tiveram a sorte de o conhecer.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Cartazes Publicitários: O Rei do Bacalhau

Inicio hoje uma rubrica sobre cartazes publicitários, relacionados com alimentação ou bebidas e  que se encontram ainda dispersos pelo país.

Começo com o «Rei do Bacalhau», loja situada na Rua do Arsenal, em Lisboa.
Muito própria para a época natalícia.