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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Cocktail Alaska para crianças


 Cresci numa época em que não havia ainda as restrições ao consumo do açúcar. Mas as pessoas tinham bom senso e dar às crianças doces, chocolates ou refrigerantes era a excepção e não a regra.
Lembro-me que o meu avô nunca nos deu um doce. Argumentava que faziam mal aos dentes dos meninos e nós aceitávamos. Com o tempo deixámos de pedir, por sabermos que era inútil. 
Agora as crianças são gordas, comem imenso e especialmente maus alimentos, onde se incluem os doces e refrigerantes. Nunca percebi como se passou de uma geração que não queria comer, não tinha apetite, pelo que era magra, para uma geração de crianças que devora a comida e é obesa.

Por isso mesmo me surpreendeu este anúncio de um cocktail para crianças feito com leite condensado açucarado e uma outra bebida preferida. É verdade que se referem a groselha, laranjada e bebidas à base de sumos de frutas e não propriamente a refrigerantes que então se começavam a divulgar.
O anúncio publicado no jornal O Século Ilustrado em Agosto de 1958, seria hoje dieteticamente incorrecto.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Água fresca e capilé

Há precisamente 110 anos (3 de Agosto de 1908) a revista Illustração Portugueza publicava na sua capa uma fotografia de Benoliel. Duas figuras masculinas, humildemente vestidas, dedicavam a sua atenção a estas refrescantes bebidas, num dia quente de Verão. A imagem, à época comum, não mereceu desenvolvimento no interior da revista pelo que podemos apenas descrevê-la, ou diria melhor interpretá-la.
À esquerda o vendedor retira, com um canivete, a casca de um limão para tornar mais agradável a bebida. Transporta consigo uma bilha de barro com água e uma pequena mesa com três pés e asa metálica para mais fácil deslocação. Sobre esta, duas garrafas com a bebida de capilé, um açucareiro e um copo de vidro.
O cliente é um jovem ardina que transporta o saco dos jornais e tem um exemplar para venda na mão. Descalço, naquele dia de calor, aguarda ansiosamente a preparação da bebida, seguramente uma excentricidade para o seu fraco rendimento (ou uma encenação pedida pelo fotógrafo?).
A cor branca da fotografia faz-nos adivinhar um dia de calor intenso mas o local onde tem lugar a cena não é distinguível. Será provavelmente Lisboa onde esta bebida era também vendida em quiosques e em pequenas lojas de bebidas.
Outra fotografia da época mostra-nos uma loja no Largo do Camões onde ela era consumida, mas os locais de vendas de licores faziam desta uma das bebidas de grande consumo de Verão, comercializada por várias empresas.
Jornal O Século 1929
Quando a propósito do meu livro «Licores de Portugal» entrevistei o sr. Alípio Ramos, actual proprietário da Frutaria Bristol, na Rua das Portas de Santo Antão em Lisboa, contou-me que tinha trabalhado na Ginjinha Popular e que tanto a groselha como o capilé feitos com soda tinham grande saída[1]. Nessa época vários fabricantes produziam esta apreciada bebida, como o comprovam múltiplos rótulos chegados até hoje.
Alguns dos rótulos de capilé da minha colecção.
O quiosque de S. Paulo ostenta ainda hoje nos seus cartazes de vidro pintados a palavra capilé prova de que esta era também aí vendida, tal como acontecia noutros locais semelhantes.
Quiosque do Largo de S. Paulo em Lisboa
A bebida que toma o nome do xarope «capilé» é feita com uma calda com suco de avenca ou capilária (Adiantum capillus-veneris L.). 
A minha avenca, uma planta muito tradicional nos lares portugueses
No século XVIII Lucas Rigaud no livro «Cozinheiro Moderno» dá a receita de Capiler ou Xarope de Avenca[2]. Quanto às donas de casa era frequente confeccionarem elas próprias este xarope.
Rótulo de Capilé para uso doméstico.
Não vou dar a receita, embora isso sempre me prejudique[3] mas remeto-os para um blogue de grande qualidade chamado Outras Comidas, onde podem seguir o modo de confecção ao pormenor, com rigor como é apanágio do autor.



[1] Licores de Portugal (1880-1980). pp 141 e 279.
[2]Cozinheiro moderno ou nova arte de cozinhar, onde se ensina pelo methodo mais facil... / dado á luz por Lucas Rigaud. p. 427.
[3] Há dias num local de venda dos meus livros uma senhora perguntou-me se o livro Ginjinha Portuguesa tinha receitas. Quando respondi que era apenas história pousou rapidamente o livro sobre a mesa e afastou-se.

sábado, 21 de outubro de 2017

A Ginjinha de Lisboa

A ginjinha de Lisboa é um produto distinto do licor de ginjas. Esta “ratafia”, no sentido antigo da palavra, tem características próprias na sua forma de produção e no seu consumo. Conhecer a sua origem e descobrir os percursos tradicionais lisboetas onde ainda hoje se pode consumir é uma proposta que se sugere como uma descoberta doce.


CONFERÊNCIA

Ana Marques Pereira


28 de Outubro 2017 (sábado) às 16 horas

Com prova da Ginjinha Sem Rival

Inscrições: 5,00 € . Inscrições através do mail : palestrasetal@gmail.com 


Fundação Marquês de Pombal, Palácio dos Aciprestes, Av. Tomás Ribeiro, 18, 2795-183 Linda a Velha

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A bebida criada por Friederich Bilz

Utilizando os conceitos naturistas Friedrich Eduard Bilz alargou a sua acção à criação de uma bebida, tipo limonada, feita com água mineral e sumo de limão, que administrava aos seus pacientes na clínica, desde 1902, com o nome Bilz Brause.
Foi a sua associação ao industrial local, Franz Hartmann, que viria a desenvolver a comercialização desta bebida. Registada em 1905 com o nome Sinalco, que ia buscar a etimologia latina para «sem álcool», tornou-se na mais antiga marca de refrigerantes europeia. A partir de 1907 começou a ser comercializada em mais de 40 países, com relevo para a América do Sul e Médio Oriente.
O sucesso da bebida na Alemanha foi interrompido pela I Guerra Mundial e retomado nos anos 30, como resposta aos refrigerantes americanos que chegavam ao país.
Novamente suspensa a produção durante a II Grande Guerra ressurgiu nos anos 50, para uma população ansiosa de bebidas e de doces. 
O consumo deste refrigerante foi sempre apoiado por campanhas publicitárias bem estruturadas que se iam adaptando aos tempos.
Publicidade dos anos 60, tipo flower power. Imagem tirada da internet.
Do mesmo modo também a bebida se foi alterando sendo introduzido vários sabores, com a Sinalco Kola que surgiu logo em 1954. Hoje as múltiplas variedades desta bebida colocam-na em terceiro lugar no consumo de refrigerantes na Alemanha (depois da Fanta e da Sprite).
Publicidade para o Chile de Oscar Ramos
Na América do Sul foi no Chile que esta bebida teve maior desenvolvimento. A Bilz entrou pela primeira vez no mercado chileno em 1902, comercializada pela Cervejaria Ebner cujo dono era um alemão, Andrés Ebner Anzenhofer.
Em 1912, a Cervejaria Ebner foi comprada pela Compañía de Cervecerías Unidas (CCU), que era a maior engarrafadora chilena da época e o refrigerante passou para essa empresa. Foi esta que, em 1927, lançou uma outra bebida gasosa com sabor a papaia chamada inicialmente Papaya Rex que, a partir de 1960, se passou a chamar Pap.
A partir de 1970 surgiu a comercialização das duas bebidas com o nome Bilz y Pap que se tornaram nas mais consumidas no Chile (campanha publicitária com desenhos do ilustrador chileno  Oscar Ramos).
Embora estes refrigerantes, apesar do nome Bilz, já nada terem a ver com a bebida inicial, também esta empresa seguiu o exemplo da alemã com campanhas publicitárias agressivas e imaginativas, tendo transformado Bilz e Pap em figuras da banda desenhada, com aventuras publicadas em revistas infantis.
Por alguma razão a marca Sinalco faz parte das 300 marcas presentes no livro «Deutsche Standards - Marken des Jahrhunderts» («Padrões alemães - Marcas do Século») onde se encontram as imagens mais icónicas dos produtos "Made in Germany". E tudo começou com Friedrich Eduard Bilz e os seus conceitos naturalistas.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Festival do Medronho em Monchique

O alambique, elemento indispensável para a produção de álcool, deve o seu desenvolvimento aos árabes. Foram eles que o introduziram na Península Ibérica. Em Portugal foi na região sul que se deu a sua instalação e com ela o início da destilação do álcool.
Não é conhecida a data exacta dessa actividade, mas pensa-se que tenha sido uma prática introduzida no Algarve e Baixo Alentejo pelos árabes entre 712/713, onde permaneceram por cinco séculos[i]. Considera-se que a serra de Monchique, local onde existiu uma comunidade árabe, terá sido o berço da destilação e preparação de licores[ii].
O que aí teve lugar e se mantém até aos dias de hoje foi a destilação do medronho (Arbutus unedo L.), fruto que cresce nas serras de Aljezur e Monchique. É a partir de Outubro que tem lugar a apanha do medronho, que se destina à destilaria artesanal; a sua colheita representa o aproveitamento de um fruto produzido pela natureza, e facilita a limpeza dos terrenos, traduzindo-se numa fonte de receitas importante para os habitantes da zona[iii].
Feita a destilação obtém-se a aguardente de medronho e, posteriormente, a melosa, a sua versão doce, que como o nome indica leva mel.
Fechadas as antigas destilações existem agora novos produtores. A dignificação dessa actividade e a divulgação deste produto nacional é o fim destes festivais anuais.
No dia 1 de Abril vou lá estar para fazer parte de um painel intitulado: «O que é português é bom». Para quem estiver perto é uma boa oportunidade para contactar com um dos nossos produtos regionais a valorizar.



[i] Catarino, H. «A chegada dos árabes à península ibérica», in O Algarve da antiguidade aos nossos dias, p. 61-67.
[ii]Telo A., 1988. «Destilados e comércio de aguardente na serra de Monchique - Uma abordagem ecológica» in 5º Congresso do Algarve, Racal Club de Silves, p. 77-93.
[iii] Pereira, Ana Marques. Licores de Portugal (1880-1980).p. 101

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Pequeno Guia de Pequenas Recepções

 Em 1964 a Cerveja Sagres, que se apresentava desde 1955 numa garrafa de vidro castanho, bojuda, com o rótulo pirogravado a branco, publicou um pequeno livrinho publicitário.
Pequenos convites sem cerimónia....
O grafismo da obra,  a preto, branco e amarelo, é muito interessante mas as imagens não estão identificadas e não consegui descobrir quem esteve por trás desta pequena obra. 
Depois de jantar.....
O tema lembra o verão e o fácil convívio entre as pessoas, sem ter de esperar por ocasiões especiais. São enumeradas variadas possibilidades de convites despretensiosos mas em que a cerveja, evidentemente, está sempre presente. 
Os homens entre si
Para acompanhar a cerveja sugerem-se bolachas tipo aperitivo, queijo em pedaços, rabanetes, carnes frias variadas, etc. nalgumas ocasiões podem-se apresentar pratos com sanduíches, biscoitos croquetes, salada russa, batatas fritas, amêndoas torradas, etc.
Os jovens divertem-se
É verdade que os convidados podem levar «qualquer coisa»: flores, compotas, bolachas, etc. 
Piquenique....
Os “etcetras” são vários mas concretamente sobre a mesa devem estar várias garrafas de cerveja, na proporção de uma garrafa de cerveja preta para quatro de branca.
Os grelhados são uma festa....
Quanto às ocasiões para estes encontros sem cerimónia são várias: depois de jantar; amigos trazidos pelo marido; jogos de cartas; depois do espectáculo; encontros de jovens; piqueniques; grelhados; festa surpresa; encontros de homens; encontro de amigas; o último copo.
Depois do espectáculo.....
E depois do último copo o repouso merecido e uma boa noite.
O último copo......

domingo, 10 de julho de 2016

O chocolate em Hampton Court

Modo como era feito o chocolate (bebida) no século XVIII no Palácio de Hampton Court, perto de Londres. Cozinha do Chocolate, onde era confecionado o chocolate para a primeira refeição do rei Jorge I, o primeiro rei da dinastia Hanover.

sábado, 25 de junho de 2016

Doce e boa: a ginjinha lisboeta

Na próxima 4ª feira dia 29 de junho, às 18,30 vou falar sobre ginjinha no Gabinete de Estudos Olisiponenses (GEO), no Palácio Beau Séjour, em Benfica.
Aqui fica o convite para quem lhe interessar o tema.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Limoncello caseiro: uma agradável surpresa

 Há receitas tão fáceis que quando as descobrimos interrogamos-nos como nunca as fizemos anteriormente.
O limoncello, um licor de limão italiano, é um desses exemplos. Geralmente compra-se uma garrafa quando o queremos utilizar numa receita, mas depois de saber como se faz, passa-se a usá-lo com maior facilidade e descobre-se o prazer de beber um pequeno cálice após uma refeição.

Na sua confecção usei vodka russa que uma amiga me enviou dessas paragens, mas pode fazer-se com aguardente, embora seja mais difícil de arranjar.
Utilizei apenas 200 cc de vodka e pus o vidrado de 4 limões (sem a parte branca, portanto) a macerar dentro de um frasco de boca larga, durante 3 dias. Algumas receitas que encontrei vão de 4 dias a um mês, mas penso que não precisa de tanto tempo.
Filtram-se e retiram-se as cascas, ficando com um vodka amarelo citrino.
Num tacho colocam-se 200 gr de açúcar e 500 cc de água e leva-se ao lume até o açúcar dissolver. Quando tiver esfriado juntam-se os dois líquidos e já está feito. Pode beber-se logo ou refrescá-lo. Da próxima vez podem adaptar ao gosto as quantidades de água e açúcar, que variam de receita para receita. Eu fiquei contente com esta opção.

À nossa!

domingo, 6 de março de 2016

Depois de beber cada um dá o seu parecer

Tendo como título um provérbio popular e como subtítulo «Servir bebidas» vai realizar-se no Porto, na Casa Museu Guerra Junqueiro, um ciclo de conferências, que acompanha uma exposição e que teve já início no dia 3 de março. 
O bebedor de vinho. Segunda metade do séc. XVIII. Crédito Franz Laktan
Esta iniciativa, e as que se adivinham nesta área, faz-me crer que, finalmente em Portugal,as pessoas começam a perceber que à volta da alimentação há mais vida do que as meras receitas. Num país em que ainda ontem foi anunciado que estamos colocados à cabeça no que respeita à iliteracia europeia, muita coisa fica explicada.

O programa aliciante aqui fica, em especial para as pessoas do Norte, mas também serve de pretexto para quem se puder deslocar à bela cidade do Porto. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Um leque publicitário Mercier

Na primeira metade do século XX uma das formas de publicidade era feita em leques de papel. Este leque publicitário ao Champagne Mercier foi feito em Paris por um lequeiro J. Ganné, representante de uma indústria que teve grande divulgação em França a partir do século XVIII.
 O Champagne Mercier era produzida por uma casa de champanhe  fundada em Epernay em 1858 por Eugène Mercier (1838- 1904 ). O seu proprietário tinha 20 anos quando se lançou nesta aventura que foi coroada de sucesso.

Uma das suas preocupações foi precisamente com a publicidade de que foi um pioneiro. Foi ele que encomendou aos irmãos Lumière o primeiro documentário publicitário de sempre sobre a evolução da uva até ao champanhe, que foi apresentado de Exposição Universal de Paris de 1900.
No ano anterior tinha já apresentado um barril enorme que ganhou o 2º prémio na exposição e que ainda hoje se pode ver na casa mãe. Dele saía champagne da sua produção que os visitantes da exposição podiam experimentar.
Imagem tirada da Internet
As suas ideias para a divulgação do seu produto eram sempre revolucionárias, como a de oferecer champanhe para ser degustado a bordo de um balão fixo que se encontrava a 300 metros de altura.
Imagem tiradada internet
Visto assim, este leque, com características Art Deco, até parece um ideia simples.