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sábado, 10 de abril de 2021

Humor gastronómico

O sentido de humor é extremamente variável de pessoa para pessoa mas, o que é mais espantoso, é que apresenta características próprias, ao longo das várias épocas. Quando leio as anedotas em almanaques ou outras colectâneas do século XIX, não acho graça nenhuma e parecem-me sempre muito infantis.

Na primeira metade do século XX surgiu em Portugal um tipo de literatura humorística, publicada em jornais e em livros, que seguia quase uma escola, no que respitava à temática. Conhecemos hoje pouco esses livros e ainda menos os seus autores. Na linha de Gervásio Lobato (1850-1895) surgiram nomes como Armando Ferreira (1893-1968), André Francisco Brun (1881-1926) e também Raúl da Costa entre outros.

Seria Armando Ferreira quem iria fazer o prefácio do 1º livro de Raul da Costa Coisas Que Não Lembram ao Diabo: Páginas Humoristicas, publicado em 1932.

Os dois livros de Raul da Costa aqui apresentados Sopa de Letras e Folar de Alegria foram publicados em 1942. O primeiro título tem ilustração da capa de Francisco Valença e o segundo de Stuart de Carvalhais. Ambos foram também os responsáveis pelos desenhos das capas dos outros autores humorísticos referidos. Francisco Valença ilustrou várias obras de Armando Ferreira entre as quais a célebre Barata Loira e Stuart, na sua extensa obra gráfica, iria também ilustrar a capa do livro Beco do Alegrete, por exemplo, publicado em 1959.

Se a biografia dos restantes autores de humor em Portugal, nesta época é mais ou menos conhecida, já a de Raúl da Costa, permanece um mistério. Sabemos apenas que foi autor de revista e fez parte da redacção da Parada da Paródia, revista publicada pelo programa Parodiantes de Lisboa.

Por coincidência ambas as ilustrações têm a ver com “comes” e são irresistíveis, justificando aqui o seu lugar.

 

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

"Ser atado” ou como levar as expressões à letra

Já anteriormente falei dos fogões da Vacuum Oil, cuja publicidade era interessantíssima. Hoje mostro mais um exemplo de como «os publicitários são uns exagerados», como alguém disse há alguns anos.
Com um desenho de Emmérico Nunes (1888-1968) a criada apresenta-se literalmente atada e a explicação para os atrasos nas refeições não é dela mas da falta do fogão Vaccum que faz um pequeno almoço em 10 minutos, usando é claro, petróleo Sunflower comercializado pela Vacuum Oil Company. 
O anúncio foi publicado na contracapa da revista ABC (25-10-1928), que apresenta na capa o perfil de uma jovem, muito ao gosto dos anos vinte. O tipo de desenho e a assinatura (S.) fazem-me pensar que se trata de António Soares (1894-1978) que assinou as suas obras com «António», «Soares» e «António Soares» e possivelmente «S.», tal como Emmérico Nunes assinou «E».

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Cozinha Saborosa e Prática

 
1956
Há livros que passam despercebidos e não são seguramente os piores. Todas as semanas leio o top 5 do jornal Expresso e não paro de me espantar com os títulos. Publica-se muito e lê-se pouco em Portugal de que resulta muitas obras ficarem desconhecidas, ao passo que outras, menos merecedoras de atenção, são amplamente divulgadas.
1944
Tenho este livro «Cozinha saborosa e Prática» há vários anos e não fosse a beleza da capa não lhe tinha dado importância. Foi publicado em 1956 pela Portugália Editora na sua fase inicial e encontrei novas publicações em 1957 e 58. No início da década de 1960 esta editora tinha escritórios na Avenida da Liberdade, tendo publicado sobretudo nas décadas de 1960 e 1970. 
1956
Nos anos 60 era dirigida por Mário Henriques Leiria e as capas dos livros eram desenhadas pelo João Câmara Leme. A capa deste livro não está assinada mas é provável que seja da sua autoria. Nela se apresenta, em posição central, uma dona de casa a bater um bolo manualmente, tendo à sua frente vários utensílios de cozinha de formas modernas.
1957
O autor desta obra é J. Jamar de nacionalidade espanhola, que publicou vários títulos na área da culinária com receitas muito práticas, dedicadas a donas de casa e sobre o qual nada consegui descobrir. A primeira edição deste livro saiu em Madrid, em 1944, e apresentava 770 receitas. A boa aceitação deste livro fê-lo aumentar o número de receitas que, na edição portuguesa traduzida por Maria Ponce, era de 1100 receitas. 

1958
Em Espanha continuou a ser editado e em 1978 ia já na 19ª edição. Em 1956 publicou Cocina con la olla a presión y batidora eléctrica; em 1964 La cocina internacional; em 1965 La cocina rápida e  em 1961 Menús familiares y de invitados, muitos deles reeditados várias vezes.
1961
Em Portugal, deste autor parece ter sido apenas publicado este título que no jornal República de 18 de Abril de 1956 o anunciava como «um novo livro sobre a agradável arte de bem comer… pelo especialista espanhol J. Jamar… indispensável às boas donas de casa». 
1963
No seu interior podemos encontrar um extenso número de receitas agrupadas por temas, como «cozidos e sopas», «sopas secas», «molhos», «ovos», «peixes», receitas de carne divididas por tipo de animal, «acepipes», «aperitivos quentes» e «doçaria», entre outras, todas de excelente qualidade.
1964
O título era apelativo (que mais se pode desejar do que uma cozinha saborosa e prática) pelo que variantes do mesmo surgiram mais tarde como: «Cozinha rápida e saborosa com microondas Sharp», publicado em 1993 por Maria Helena Gomes ou, ainda mais ambicioso, «Cozinha essencial: saborosa, divertida, rápida, inteligente e com estilo...» da autoria de Sabine Sälzer e  Sebastian Dickhaut, publicado em 2003.
 
1970

1971
Mostramos igualmente imagens das edições espanholas da época, que são também interessantes, pelo que se quiséssemos tirar uma conclusão sobre este texto seria mesmo sobre a importância das capas dos livros como forma de nos atrair para o seu interior.