terça-feira, 17 de julho de 2018

Convite: Exposição Garrafas de Licores

Vai ter lugar no dia 21 de Julho, sábado, às 16 horas a inauguração de uma nova exposição de Garrafas de Licor, com parte do espólio das cerca de 1000 garrafas desta temática que entretanto fui coligindo.
A exposição desta vez será no Museu Marquês de Pombal, em Pombal e resultou da proposta que a Drª Cidália Botas, desse Museu, fez para levar a exposição que esteve anteriormente no Museu do Vidro da Marinha Grande. Contamos com o apoio deste último museu que nos facilitou fotografias e cópias de modelos industriais que vão tornar a amostra mais completa.
Ao contrário do Museu da Marinha Grande, que possui salas próprias para exposições, este museu de Pombal, de pequenas dimensões, vai integrar no seu espaço as peças de vidro da colecção.
Como o Marquês de Pombal foi um patrocinador do desenvolvimento de várias indústrias, entre as quais a do vidro, as garrafas vão ficar sobre a protecção do Marquês, o que muito me agrada.
O projecto que parecia difícil foi um desafio conseguido e a exposição, que acabamos de montar, ficou muito interessante.
Se tiverem disponibilidade não deixem de ir visitar a exposição no dia da inauguração ou noutro. Não haverá palestra nesse dia que fica adiada para o final da exposição a 31 de Outubro. Mas podem sempre visitar o museu, a exposição e beber um licor, caso estejam presentes no dia 21 de Julho, o que muito prazer me daria.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Palestra: Licores regionais e outros que tais

Integrado no Forum do Pão que acompanha o Festival do Pão em Mafra, vou apresentar esta palestra.
Venham e proveitem para visitar a Exposição e ver a Feira.

terça-feira, 10 de julho de 2018

O talher de D. João V (cadinet ou cadenas) - 1


Réplica do que poderá ter sido o "talher de D. João V". Foto João Oliveira Silva
“Talher” é a designação portuguesa de cadinet ou cadenas que encontrei num documento em que se descreve o banquete de casamento de D. João V em 1708.
Publiquei esta informação no meu livro «Mesa Real» e, até então, desconhecia-se o seu uso na corte portuguesa. Toda a descrição do banquete é de grande interesse mas foco-me aqui nos “talheres”, tomados como designação lata. Estes foram trazidos pelos Reposteiros da Câmara em pratos grandes dourados os Talheres Reais quadrados de S. Majestades, e os redondos ordinários de S. Altezas.
Cadinet com guardanapo em flor de nenúfar para o pão
A descrição pormenoriza: "Virão os Talheres Reais preparados com sal, açúcar e pimenta nos lugares que para isso tem: e no do pão se põe por baixo um guardanapo liso em forma quadrada de sorte que não transborde o talher, e por cima dele o pão com a faca, colher, garfo e dois palitos, coberto tudo com um guardanapo levantado, cujas dobras hão-de ser muito finas»[1].
Cadinet de Guilherme III, 1688, Royal Collection, Londres
Não existe em Portugal qualquer exemplar de cadinet que, tal como noutros países, foram derretidos. O mesmo aconteceu em França, onde, os que existem são mais tardios, do século XIX e encomendados por Napoleão, que desejava retomar o esplendor do ritual da mesa real.
Cadinet feito em Augsbur, 1718. V&A Museum
Os ingleses, mais conservadores, mantiveram vários exemplares e foi um deles, o do rei Carlos II de Inglaterra, casado com D. Catarina de Bragança que tomei como modelo.
Para a exposição sobre o pão na mesa do rei, que esteve a meu cargo, e que se pode ver em Mafra no Festival do Pão até dia 15 de Julho, concebi o que poderia ter sido o cadinet do rei D. João V, com as suas armas na base e mandei efectuar um exemplar.
Pormenor da parte horizontal do cadinet com o guardanapo levantado
Tal como na época coloquei um guardanapo dobrado na parte horizontal e sobre este um outro levantado, para o caso em flor de nenúfar, que permite uma visualização do pão que aqui se pretende realçar.
Ficou lindíssimo e penso que só por si merece uma visita à exposição. Depois não digam que não avisei.




[1] Pereira, Ana Marques, Mesa Real. Dinastia de Bragança, Lisboa, Esfera dos Livros, pp. 65-75.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Convite: O pão à mesa do rei.


De 6 a 15 de Julho, decorre no Jardim do Cerco, em Mafra, o Festival do Pão. Para além do extenso programa o “Fórum do Pão” integra uma exposição, apresentações temáticas e degustações.

A exposição intitula-se “O Pão de todos: da mesa do povo à mesa real” e apresenta a história desde importante alimento.

No mesmo espaço decorrem, sempre às 15h30, diversas actividades.

No dia 7 de Julho, vou falar sobre “O pão à mesa do Rei. O consumo do pão nas Cozinhas Reais”.
Fica aqui o programa e podem consultar as restantes actividades aqui. Acho a iniciativa interessante e sobre ela voltarei a falar. Estão todos convidados. Espero lá vê-los.

terça-feira, 26 de junho de 2018

As cores do pão

Foto de João Oliveira Silva da CMF

Tive o grato desafio de receber um convite da Câmara Municipal de Mafra para organizar uma exposição sobre o pão durante o Festival do Pão que irá decorrer nessa cidade entre os dias 7 e 15 de Julho.
O tema este ano tem a ver com o pão na mesa real, numa referência às estadas da corte de D. João V nessa, então, vila. Mas decidiu-se falar no «Pão de todos: da mesa do povo à mesa real», título da exposição, por ser mais abrangente.
 
Pormenor do quadro «natureza morta com pão e empada de perú» Pieter Claesz, 1627. Cortesia de Rijksmuseum Amsterdam.
Foi um desafio interessante porque me fez pensar de outra forma no pão. Um dos painéis designa-se «As cores do Pão» e remete-nos para uma realidade que presentemente se alterou.


Consumido por todas as classes sociais o pão era, contudo, o elemento base da alimentação das classes mais carenciadas. Apresentava-se com várias formas e características mas era na qualidade do pão (pão branco ou alvo para as classes poderosas, de mistura ou de cereais inferiores como a espelta e o sorgo, para o povo) que se revelava a grande diferença entre as classes sociais.
Era notória uma hierarquia nos pães tal como existia na sociedade e a cor do pão traduzia essa realidade. Até à introdução do milho na panificação as cores do pão variavam do escuro, quase preto, ao branco. A farinha de milho veio alterar a composição dos pães e a sua cor.

O padeiro (c. 1681). Job Adriaensz Berckheyde. Worcester Art Museum.
Para ilustrar esta ideia decidi utilizar um quadro «O padeiro»,  pintado por Job Adriaensz Berckheyde e existente no americano Worcester Art Museum. O preço pedido pela utilização da imagem para este fim era incomportável. Decidiu-se então fazer uma fotografia de uma natureza morta que envolvesse pão (pães de Mafra, pois claro!).
Para isso inspirei-me num quadro que Salvador Dali pintou em 1926 e adaptei a ideia com objectos da minha pertença. O resultado da foto (da autoria de João Oliveira, da CMF) superou as expectativas: ficou lindíssimo, como podem confirmar.
O cesto de pão. Salvador Dali. 1926.
Esta história tem um outro fim: o de alertar para o crescente aumento de preço que alguns museus pedem pela utilização das suas imagens. Enquanto alguns museus pensam que o facto de divulgarmos uma das suas obras já é uma forma de pagamento outros, com acontece com a maior parte dos museus portugueses dependentes da DGPC, fazem-se cobrar bem. 

Este problema surgiu-me com o meu futuro livro «Vestir a Mesa». Com o preço pedido, por exemplo, pela utilização de uma fotografia do Arquivo Fotográfico de Lisboa, eu comprava a foto no mercado, caso ela aparecesse. Resultado: o livro vai ter imagens estrangeiras de bons museus, imagens de peças e gravuras minhas, fotos de conjuntos da minha colecção mas apenas as imagens indispensáveis dos museus portugueses.
Vão ficar com as imagens guardadas nas suas colecções e não será feita divulgação do nosso espólio (com grande pena minha), tanto mais lamentável porque será uma edição bilingue. Não acham que não é por aí que vão encher-se de dinheiro para a Cultura? Praticar preços internacionais num país como o nosso é uma tontaria contraproducente. E que tal rever as tabelas?

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Palestra: «Garrafas de licor uma doce descoberta»


No próximo sábado, dia 23 de Junho às 16,30 horas, irei falar no Museu Municipal de Almada sobre este tema.
A comunicação estará focada nas garrafas de vidro e integra-se no programa que acompanha a Exposição «Uma história engarrafada. O vidro utilitário do séc. XVIII em Almada», de que já falei aqui. 

Estarão em exposição achados arqueológicos de vidro encontrados nas escavações de uma habitação desta cidade. A Exposição que foi inaugurada no dia 9 de Junho estará patente ao público até 31 de Julho.
Quanto à palestra lá os aguardo.

sábado, 16 de junho de 2018

O famoso Agar-Agar

No nosso dicionário gastronómico «Do comer e do falar…» definimos ágar-agar como: «Goma ou colóide hidrofílico extraído de algas marinhas da classe das rodofíceas, tais como Gelidium L., Gracilaria L. e de outras algas vermelhas; apresenta-se sob a forma de barra ou em flocos e é uma mistura de polisacáridos de agarose e agaropectina; serve como gelificante rápido mesmo à temperatura ambiente; derrete a 85ºC e após a dissolução deve ferver 3-5 minutos. 
Do ponto de vista nutricional, funciona como uma fibra alimentar, por ter baixa digestibilidade e consequentemente um valor energético baixo. Gelose.»
Algas vermelhas. Foto tirada do blog Plant Life
Informativo mas pouco atraente sobretudo se o compararmos com a deliciosa história infantil intitulada «O famoso Ágar-ágar».
Achei curioso este pequeno livrinho de histórias, de pequenas dimensões, da colecção Juvenil Bambina. A narrativa é maravilhosa e nas suas 6 folhas, sem gravuras, conta-nos como o pobre Agar-Agar, cordoeiro, casado e com cinco filhos passou a rico na sequência da aposta de dois amigos Set e Sat. A história passa-se na Índia onde o grande califa Casbá foi tomado de curiosidade ao ver um grande palácio que pertencia ao nosso herói.
Embora no início tenha recebido um saco de moedas de ouro de um dos apostadores, rapidamente o veio a perder, quando um milhano lhe roubou o turbante onde havia guardado as moedas. Sucedem-se várias peripécias que justificam o enriquecimento deste homem com nome de gelatina, que manteve contudo a sua simplicidade.
História da autoria de Feral Só
A história demasiado longa para aqui a contar é da autoria de Henriette, provavelmente um nome fictício tal como os dos restantes autores desta colecção, cujos outros nomes: Agallogay, Feral Só e Jovit completam o elenco misterioso.
Além deste livro Henriette escreveu «Baniko e as suas malaguetas» e «A princesa do mar verde», todos publicados em 1955 pelas edições H.G., 1955.
A colecção completa tinha 10 volumes e cada um dos livros incluía um pequeno cromo para recortar, colorir e colar no Albúm Gigante da História de Portugal, que provavelmente nunca chegou a existir.
 Este livro simples, de uma colecção que deve ter tido pouca divulgação, estranhamente não vem mencionado no livro «A literatura Infantil em Portugal» de Domingos Guimarães de Sá, mas daqui não posso tirar qualquer conclusão.  É bom ficarem alguns mistérios por resolver.

domingo, 10 de junho de 2018

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Exposição de Vidros do Séc. XVIII


A minha amiga Inês Coutinho, do Departamento de Conservação e Restauro e investigadora na Unidade de Investigação Vicarte, FCT do Campus da Caparica, enviou-me um convite irrecusável.

Trata-se da inauguração da Exposição de vidro utilitário do século XVIII de Almada, intitulada «Uma história Engarrafada», que terá lugar no dia 9 de Junho às 16,30h no Museu da Cidade em Almada.

Para os lisboetas é só apanhar o barco no Cais do Sodré até Cacilhas (10 min) e tomar o metro de superfície direcção Corroios e saem na Cova da Piedade (10 min).
Ficam convidados. Vai valer a pena!

domingo, 3 de junho de 2018

Crowdfunding do livro «Vestir a Mesa»



Após o 25 de Abril sobre as dificuldades de emprego dos jovens engenheiros formados no Técnico corria uma anedota que não resisto a contar. Um deles conseguiu finalmente um emprego num circo como domador de leões. Receoso entrou na jaula e aproximou-se de um leão que abriu a boca e lhe disse: «Não tenhas medo. É tudo malta do Técnico».

A entrevista apresentada feita pela minha amiga Isabel Almasqué, apoiada pela filmagem do Manuel Rosário e as fotos de Minnie Freudenthal, resultou num trabalho de qualidade extraordinária de divulgação de várias das minhas actividades mas que tem como fim principal promover o crowdfunding do livro «Vestir a mesa»

O texto e imagem podem ser vistos no site do DOMA (De Outra Maneira) que vale a pena visitar e seguir.
Espero que depois disso as pessoas se sintam motivadas para conhecer e apoiar este livro cuja edição depende da acção dos apoiantes da ideia. Não ficam a perder seguramente.

E o que tem afinal a anedota a ver com isto?. É que somos todos de Medicina, de diferentes especialidades, mas que em comum, para além da amizade, temos um gosto em ver a vida como um desafio, de uma forma diferente ou … De outra Maneira.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

A Tecelagem Doméstica por Sereira Amzalak

Noutras mãos estes papéis não seriam grandemente valorizados e esta informação ia perder-se. No meio de amostras de rendas e de tecidos encontravam-se dois papéis. Um deles um folheto de apenas duas folhas que anunciava uma Exposição de Tecelagem Doméstica promovida pelo Secretariado Nacional de Informação (SNI), no Palácio Foz, em 1951.

 Anexo existia uma folha em que se publicitava o «Curso de Tecelagem Doméstica» ministrado pela organizadora Sereira Amzalak. Na exposição apresentavam-se os trabalhos das suas alunas, aproveitando para estimular o interesse por este tipo de manufactura.
Sereira Amzalak, nasceu em 1902 e adquiriu este gosto pela tecelagem feita em teares manuais nos Estados Unidos para onde foi durante a II Guerra Mundial. Segundo as palavras da própria viu teares manuais na «Women’s exhibition» que a entusiasmaram a inscrever-se na Universal Handicrafts School em Nova Iorque, onde obteve o diploma de tecelagem doméstica.
N.Y World's Fair (1939-1940)
Esta escola tinha sido fundada por Edward T. Hall, que havia sido vice-presidente de uma fábrica famosa e que decidiu abandonar o trabalho para fazer uma escola de artes manuais que considerava que fazia bem ao espírito e curava o stress. 
Começou por uma pequena escola, feita com as suas economias em Back Bay, em Boston, onde ensinava artesanato básico. Em 1936 fundou a referida escola em Nova Iorque, segundo ele, com o fim de tornar as pessoas mais felizes, ao serem criativos com trabalhos manuais. Publicou nessa data o livro «Expression of self through handwork».
Este movimento integrado ainda no movimento Arts and Crafts havia sido precedido nos Estados Unidos pelo Kingswood School Cranbrook que em 1931 fundou uma escola para raparigas.
Influenciada por estas ideias Sereira no regresso dos Estados Unidos, em 1947, seguiu para Paris onde visitou um curso de tecelagem da revista «Jardin des Modes». Com estes conhecimentos fundou em 1948 o Curso de Tecelagem Doméstica que ministrava em sua casa na Rua de S. Bernardo, 108, 2º, em Lisboa, a grupos de 12 pessoas.
Maria Josabete Silva Santos
Vieram pessoas de todo o país para frequentar o curso e os seus trabalhos ficaram famosos. Quando em 1960 teve lugar no casino do Estoril o primeiro concurso da «Portuguesa –modelo» a eleita, Maria Josabete Silva Santos, de 21 anos, seguiu para os Estados Unidos com uma mala recheada de toilettes, onde não faltava um «conjunto túnica confeccionado num precioso tecido de lã, algodão e fios de ouro, feito no tear manual de Sereira Amzalak, por mãos portuguesas», como informava o jornal «A província» de Agosto desse ano.
A exposição promovida pelo SNI, de que não encontrei outras informações, vinha na linha de desenvolvimento do artesanato promovido por António Ferro. Os nossos etnólogos iam registando pelo país as actividades que começavam já a definhar e a tecelagem era uma delas, tal como as rendas que estiveram também em evidência nessa mesma exposição.
Sereira casou-se apenas em 1970, aos 68 anos de idade, com Jacques Bensaude, industrial de fiação, nascido em Paris. Viria a falecer em 2000 com 98 anos. Sereira Amzalak faleceu em 2000, aos 98 anos de idade.
Nota: As imagens são de amostras que acompanhavam os referidos papéis e que presumo correspondiam a modelos do curso de tecelagem.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Restaurante A Floresta, em Lisboa

No local deste restaurante situa-se hoje uma óptica. Antes dele esteve o restaurante «Comodoro» que foi também bar e de que muitas pessoas ainda se lembram. Recuando mais um pouco existiu no mesmo local um restaurante chamado «A Floresta».
O local era o Largo D. João da Câmara, nº 20-23. Do seu lado direito ficou em tempos o famoso «Café Martinho».
Se procurarmos na net por este nome de restaurante aparecem-nos pelo menos nove restaurantes, o que nos parece estranho. Infelizmente a informação sobre este restaurante é praticamente nula.
Encontrei notícias da reabertura de «A Floresta» na revista «Vida Ribatejana», infelizmente já sem capa e portanto sem data. A avaliar pelas restantes que a acompanhavam deve tratar-se de uma edição do final dos anos 40.
Salão de jantar de «A Floresta»
O jornalista referia-se ao velho restaurante Floresta agora rejuvenescido o que nos mostra que já existia anteriormente. Adquirido por uma nova empresa a aposta foi feita no arquitecto Fernando Silva (1914-1983), autor de vários projectos, entre eles o Cinema S. Jorge, e que conseguiu ganhar três Prémios Valmor; o engenheiro Nuno Abrantes e o Construtor Columbano Santos. A fachada do edifício é ainda a que hoje se nos oferece ver.
 O seu interior ficou a cargo de dois pintores-decoradores: Manuel Lapa (1914-1979), que fez parte da equipe que decorou o interior do Museu de Arte Popular juntamente com Tom e Jorge Matos Chaves (1912-1988). Este último tinha ganho em 1945 um primeiro prémio num concurso organizado pelo SNI para um cartaz de Turismo. Foi autor de várias capas da revista Panorama, de ementas, como as do restaurante Folclore, de publicidade como às máquinas Oliva e de um painel publicitário às conservas ainda existente em Setúbal, entre muitos outros trabalhos. Os ferros forjados artísticos, tão ao gosto da época, ficaram a cargo da empresa «Stal».
Um canto do bar
A gerência era da responsabilidade do sócio José Vidal e o serviço de cozinha era considerado excelente, o que transformava o local num ponto de encontro de gourmets.
Em 1958 deu entrada na Câmara de Lisboa um novo projecto da autoria do arquitecto Rui Jervis D’Athouguia (1914-1979), com extensa obra em Lisboa de que a mais conhecida é a Fundação Calouste Gulbenkian, para o projecto de um restaurante «Bar D. João – New restaurante Portugal», no mesmo local, no primeiro piso, ficando «A Floresta» na cave, mas o projecto não teve seguimento.
Não me foi possível saber a data de início do Comodoro.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

O Vilanovense Futebol Clube nos anos 40

O cinema sonoro ao ar livre
Na sequência de um poste com uma ementa para árbitros nada mais apropriado do que falar num clube de futebol. Mais concretamente sobre as instalações do Vilanovense Futebol Clube, um clube centenário fundado em 1914 em Vila Nova de Gaia e renovado em 1944. O responsável por estas alterações foi o arquitecto Alberto Silva Bessa, diplomado pela Escola das Belas Artes do Porto.
Campo de ténis e parque infantil ao fundo
 As fotografias da época da recuperação mostram um clube próspero e avançado no tempo com múltiplas actividades desportivas e sociais.
O aspecto mais interessante diz respeito à criação de um cinema ao ar livre, com maquinaria de projecção e som sofisticada fornecida pela Casa P. Soller, mas o clube dispunha de outras acessibilidades como um parque infantil, um campo de ténis, um posto médico, uma sala de jogos, um salão de festas e estruturas de apoio como balneários e escritórios.
Sala do café
Dispunha ainda de uma sala de jantar, de uma sala de café, com uma cozinha comum e de um bar que dava apoio à esplanada. 
Bar da Esplanada
Claro que são estas estruturas que me interessam, mas não posso deixar de referir que no salão de festas se encontrava uma escultura da autoria de Henrique Moreira, “O atleta”, cujo modelo foi Manuel de Oliveira, cineasta, que à época era uma figura importante no Sport Club do Porto, onde praticava atletismo e ginástica.
Sala de jantar (Restaurante)
Tanto o restaurante como o café possuíam mobiliário simples, em madeira, com pequenas mesas circulares no café e quadradas no restaurante. No restaurante estas apresentavam-se cobertas com toalhas de xadrez, com base clara e riscas de cor, uma modernidade na época admitida sobretudo ao almoço. A decoração das paredes e lambris de madeira era feita com pratos de cerâmica florida, enquanto alguns apresentavam quadras populares.
Cozinha
O aspecto caseiro destas instalações e as suas dimensões amplas fazem-nos pensar numa vida associativa activa, partilhada com a família dos adeptos. Foi uma época de prosperidade que, com os anos, se foi esbatendo.
P.S
Já depois de editado o blogue apercebi-me que, para o meu próximo livro «Vestir a mesa», uma das toalhas do século XX que adquiri era igual à que se pode ver em segundo plano no interior do restaurante e que aqui reproduzo. Uma toalha colorida que eu dataria da década de 1950 estava afinal disponível (e seguramente considerada então muito moderna) na década de 1940.


sexta-feira, 27 de abril de 2018

Um jantar de árbitros em 1941


Não sou apreciadora de futebol, mas gostei desta ementa de um jantar de novos árbitros que teve lugar em Dezembro de 1941.
Era muito habitual nestes jantares comemorativos, sobretudo de associações masculinas, que os nomes dos pratos nas ementas fossem humorísticos e apropriado à efeméride.
Foi o que se passou neste caso. Além disso as ementas, escritas à máquina, eram personalizadas com o nome do convidado e uma pequena quadra que, de forma jocosa, definia as características do visado. Neste caso tratava-se do árbitro Luís Vilaça que iremos encontrar, ainda na década seguinte, a arbitrar vários jogos de futebol importantes.

sábado, 21 de abril de 2018

Crowdfunding do livro «Vestir a Mesa»

O meu próximo livro «Vestir a Mesa. Séc. XV-XX» é um projecto em crowdfunding apoiado pelo Paço dos Duques de Bragança, Castelo de Guimarães e respectivas associações juntamente com o Museu de Alberto Sampaio de Guimarães e a Associação Amiguinhos do Museu.
Embora existam muitos estudos parcelares este é a mais completa investigação sobre este tema, mesmo a nível internacional, com valorização de um património nacional cada vez mais esquecido.
Famíla feliz. Rijksmuseum
É uma edição bilingue e de grande cuidado gráfico que pode ser apoiada pela aquisição prévia de livros, a preço mais baixo. A campanha de financiamento é suportada pela aquisição de livros, cujo preço é progressivamente inferior quanto maior for o número de livros adquiridos. No final do livro será incluído o nome do apoiante (pessoal ou empresa) sendo-lhe atribuída uma estrela de cor diferente conforme o número de livros adquiridos. O pagamento dos livros será feito a uma das Associações e o dinheiro devolvido caso não se consiga concretizar o projecto. 
Guardanapos de papel do Japão. Início séc. XX.
Como é difícil explicar com clareza e não posso pôr aqui as condições completas de aquisição, bem como o “mono” do livro para avaliarem a obra, caso desejem mais informação podem contactar-me pelo mail garfadasonline@gmail.com  ou  directamente a Associação de Amigos do Paço dos Duques de Bragança e Castelo de Guimarães, cujo e-mail é: aapdbcg@gmail.com.
A campanha de angariação inicia-se em Abril e termina em Setembro 2018. Estima-se que este livro esteja impresso em meados de Novembro, permitindo que possa ser adquirido a tempo e oferecido como prenda de Natal. Serão apenas comercializados 1000 exemplares.
Espero que achem uma boa ideia. Agradeço o vosso empenho.
Lavadeira. Azulejo Battistini

FICHA DE INSCRIÇÃO (Pode ser impressa ou descarregada)


SUMÁRIO DO LIVRO
PS: Por favor difundam esta mensagem entre os vossos amigos. Podem também associar-se para conseguir preços mais baixos.