Mostrar mensagens com a etiqueta Bolo de mel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bolo de mel. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Fábrica Santo António. 2 - Os produtos

Na sequência do post anterior, falamos hoje nos produtos comercializados pela Fábrica Santo António, no Funchal.

Com referimos, a principal produção desta fábrica, no seu início, foi de bolachas.
Ainda hoje a variedade de bolachas fabricadas é grande e nela se incluem as bolachas Petit-Beurre, Maria, digestiva de aveia, dietética de amêndoa e de avelã, gengibre e integral.

Para além disso produzem também biscoitos como os biscoitos de canela e de mel e outros.
Produzem também rebuçados como os de eucalipto e os típicos rebuçados de funcho.
No campo da compotas a variedade é grande, sendo interessante notar a utilização de frutas tropicais e semi-tropicais usadas na sua confecção. Assim podemos encontrar, a par de doces mais tradicionais como os de amora ou limão, os doces de tamarilho, pitanga, manga, banana e maracujá, papaia e maracujá, etc.
Frasco de doce tendo em baixo o tecido típico da Madeira, que cobria os frascos, agora substituído por papel idêntico

E como é evidente uma das suas maiores vendas está no tradicional bolo de mel de cana de açúcar da Madeira, cujo berço madeirense se atribui ao Convento de Santa Clara do Funchal, onde começou a ser produzido, pelo menos desde o século XVII. Este bolo, resultado do encontro entre o doce e as especiarias, não foi durante muito tempo considerado, tal como outras doçarias, um manjar popular. Era então associado à época natalícia, mas hoje está disponível todo o ano. Tendo como característica uma longa duração, pode ser consumido tardiamente em relação ao seu fabrico.
João José Abreu de Sousa*, afirma que o bolo de Mel de cana de açúcar nasceu no convento franciscano masculino de Monchique, no Algarve. Foi frei Jordão do Espírito Santo, quem, nos finais do século XV, embarcou para a Madeira levando consigo esta receita. Seriam as freiras franciscanas do Convento de Santa Clara que, ao tomarem conhecimento desta, lhes adicionaram as especiarias vindas do Oriente, com destaque para o cravinho, iniciando assim uma tradição na doçaria madeirense.
Nota final:
Estes meus post tiveram origem numa visita à Ilha da Madeira, há cerca de 2 semanas.
Hoje, perante as notícias da tragédia que atingiu a Madeira, interrogo-me se a fábrica, situada junto a uma das ribeiras que atravessa o Funchal e de que se podem ver as grades que o ladeiam na foto do post anterior, terá sido poupada à destruição.

* João José Abreu de Sousa, O bolo de Mel - Ex libris da Doçaria Madeirense, Funchal, Associação Cultural Memórias Gastronómicas, 2008.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Bolo de Mel de Cana da Ilha da Madeira

A cana-de-açúcar, importada de Sicília, foi cultivada na ilha da Madeira a partir da 2ª metade do séc. XV.
No século XVI existiam cerca de 33 engenhos, a maioria de reduzidas dimensões, mas no século XIX apenas 5 destes se dedicavam realmente à produção de açúcar.
A produção do açúcar, bem como dos derivados da cana, como o mel de cana, foi importante do ponto de vista económico para a Ilha e tem-se mantido até aos dias de hoje.

O mel de cana é utilizado no Carnaval, para acompanhar os "sonhos" e as "malassadas", doçarias consumidas nessa época.

É também com mel de cana que se confecciona o célebre “Bolo de mel da Madeira”, a que se associa a farinha, açúcar, gordura, especiarias e frutos secos.
Depois de cozidos e frios, embrulham-se em papel vegetal ou celofane e guardam-se em caixas. Estes bolos podem conservar-se durante um ano inteiro.
Tradicionalmente o bolo de mel era preparado nas casas a 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, para estar presente na mesa, no dia de Natal.

Hoje é possível consumi-lo durante todo o ano graças à produção de várias marcas que competem entre si pela originalidade das embalagens.
Marcados com um selo que os autentica, desde 2006, apresentam várias formas, em caixas, em cestos com forma de coração ou até mesmo com a forma da própria ilha.
Nas fotos mostramos alguns das variedades disponíveis no mercado, para os apreciadores desta doçaria.