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domingo, 13 de maio de 2012

Água do Vimeiro

Quando vi este autocolante a minha memória voltou à infância.
Quando por acaso alguém, a propósito de outro assunto, dizia «A saúde está primeiro» imediatamente outra pessoa acrescentava «Beba água do Vimeiro». Era o resultado de uma publicidade bem feita que tinha entrado na cabeça das pessoas.

Segundo a empresa que comercializa esta água, esta campanha publicitária começou em 1947. Se eu não tivesse esse dado diria que datava da década de 1950 ou de 1960. Porque, apesar de desconhecer esta imagem, a frase teve imenso sucesso e perpetuou-se durante décadas.
De tal modo que, em agosto de 2008, uma nova campanha publicitária retomou o tema alterando-o para «Viver está primeiro, beba Água do Vimeiro».
Penso que não teve qualquer impacto. Eu pelo menos não dei por isso. E não terá sido a ausência do médico a auscultar a garrafa, uma ideia absurda, que pretendia significar que a água era boa para a saúde, substituída, na nova campanha por um grupo de amigos jovens.
Não, o que foi eficaz foi a frase que soava bem aos ouvidos e tinha sentido de humor. Pelo menos quando as pessoas a repetiam. E isso em publicidade vale ouro.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A valsa da «Água de Castelo» e a lenda de Salúquia

Foi realmente um achado esta partitura para piano da valsa «Sallúquia. A bela Moura».
Saída da pena de Alfredo Keil (1854-1907), mais conhecido por ter composto «A Portuguesa», que se viria a tornar no hino nacional e que foi autor de outras peças, sendo uma das mais conhecidas uma versão para ópera de «A Serrana”. Alfredo Keil foi também pintor.
A bela capa, não assinada, mostra a imagem da moura Salúquia e transporta-nos para a lenda ligada à presente cidade do baixo Alentejo designada Moura. A lenda data do século XII, quando Moura era habitado por árabes e se chamava Al-Manijah. Era governada por uma formosa moura, de nome Salúquia, filha de Abu-Assan. Apaixonada pelo alcaide de Arouche, chamado Bráfama, foi decidido o seu casamento. Na véspera, Bráfama acompanhado da sua comitiva, dirigiu-se para o castelo da sua amada. Sabendo dos preparativos, os irmãos Álvaro Rodrigues e Pedro Rodrigues, à frente de tropas cristãs e sob ordens de D. Afonso Henriques, saíram-lhe ao caminho. Bráfama foi morto e a sua comitiva destroçada. Vestidos de árabes os cavaleiros cristãos dirigiram-se para o castelo, onde Salúquia, pensando tratar-se do seu noivo, deu ordens para baixar a ponte levadiça. A surpresa da investida permitiu uma rápida conquista do castelo pelos cristãos. Apercebendo-se do logro, Salúquia agarrou nas chaves da cidade e atirou-se de uma das torres, que ainda hoje tem o seu nome, a “Torre de Salúquia”.
Foi este tema que Alfredo Keil foi buscar para a sua valsa encomendada pelas Águas de Moura. A água comercializada apresenta uma torre do castelo de Moura e foi por isso designada «Água do Castelo».
Esta água mineral foi criada em 1899 pela empresa Águas de Moura. Foi nessa data que foi feito o arrendamento à firma Assis & Cª, que ficou obrigada à construção de um balneário e de um hotel. Esse estabelecimento termal entrou em funcionamento em 1901 e em 1903 segui-se a inauguração do Hotel. A oficina de engarrafamento pertencia a Assis & Cª - Empresa de Águas de Moura Lda, que em 1906 iniciou também a exploração da nascente de água de Pisões, a 2 km da vila. Estas oficinas eram, ainda em 1947, consideradas exemplares por Acciouoli.
Adquirida pelo grupo Nestlé, as Águas do Castelo voltaram a ser vendidas em Dezembro de 2006 ao grupo espanhol Mineraqua.
A partitura deve datar do final do século XIX, dadas as suas características Arte-Nova.

É de 1906 o anúncio apresentado publicado na Revista Serões. Nele se pode ver no canto direito o símbolo de "Fornecedor da Casa Real" e uma referência aos prémios ganhos pela «Água Castello» nas Exposições de St. Louis (1904) e na do Palácio Cristal do Porto (Agrícola em 1903?).