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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

O Pudim Selvito da Flor da Selva


O pacote de “Pudim Selvito” está ainda cheio. É um pudim de baunilha, em pó, corado artificialmente e a que bastava juntar leite e açúcar e levar ao lume brando para engrossar. Depois era só pôr numa forma e deixar arrefecer. Para fazer creme bastava aumentar a quantidade de leite e seguir a mesma receita.
Era uma modernidade para a época que, pelos vistos, chegou até aos dias de hoje. Na época, a década de 1950, existiam outros pudins deste tipo, sobre um dos quais já falei: o pudimJané.
Este era distribuído pela firma A Flor da Selva, Lda. que se situava na Rua da Esperança, 50, em Lisboa e que foi fundada em 1950 por Manuel Alves Monteiro, natural de Paderne, Melgaço. De acordo com a informação da empresa[1] que ainda hoje existe, pertença dos filhos Vasco Faria Monteiro e Jorge Faria Monteiro, o pai veio para Lisboa aos 13 anos trabalhar na distribuição numa mercearia. Foi recebido, em 1937, por seu tio materno o grande fotógrafo Manuel Alves San Payo, que seria responsável pela fotografia oficial de Salazar e por muitas outras de qualidade que deixaram registos da época.
Pacote de açúcar
A essa actividade associou estudos nocturnos no Ateneu Comercial. Logo que lhe foi possível adquiriu uma quota no estabelecimento de cafés Ferreira & Maurício, Lda., de nome comercial “Flor Africana” que ficava na Rua da Rosa nº 113, em sociedade com Manuel Ferreira. Em 1950 fundou uma nova empresa a designada A Flor da Selva, Lda., com loja na Rua da Esperança nº 50, em Lisboa.
Imagem no registo inicial de 1951
Neste período é possível encontrar em Portugal muitas marcadas e imagens associadas a África, como aconteceu com esta empresa. A marca “Flor da Selva” só foi contudo registada em Agosto de 1951[2]. A insígnia da firma foi a imagem de uma mulher africana a beber café desenhada por seu primo Nuno San Payo, filho do fotógrafo Manuel San Payo. Nascido no Brasil (1926-2014) formou-se em Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes do Porto. Foi também pintor, cenógrafo, desenhou cartazes e ilustrou vários livros e revistas[3].
Registo inicial em 1958
Nuno San Payo adaptou a imagem desenhada para a Flor da Selva com pequenas variações. Embora a principal produção da empresa seja hoje a torrefação do café, numa fase inicial a oferta de produtos era mais alargada como se constata pelo registo da marca que abrangia: «café, chá, farinha, especiarias e sucedâneos do café». O registo da marca “Selvito” da Flor da Selva foi feito em 1958[4]. Sabemos que não se aplicava apenas ao pudim mas a outros produtos por existir uma maqueta para o desenho de uma carrinha automóvel com publicidade às “Especiarias Selvito”. 
Também aqui o tema africano foi utilizado com um jovem negro em ambiente tropical, com palmeiras, apontando para um pudim voador. Uma imagem que me faz lembra o Vicente desenhado por Sara Afonso para as Novas Aventuras de Mariazinha em África, escrito por Fernanda de Castro, uma das minha leituras de infância mais queridas.
A empresa mantém-se ainda hoje pelas mãos dos filhos e netos do fundador.


[2] BPI, Nº 10, 20 de Agosto de 1951.
[3] Como no Jornal da Mocidade Portuguesa, Camarada, Lusito e Diabrete.
[4] BPI, Nº 3 de 10 Maio de 1958.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Cozinha Saborosa e Prática

 
1956
Há livros que passam despercebidos e não são seguramente os piores. Todas as semanas leio o top 5 do jornal Expresso e não paro de me espantar com os títulos. Publica-se muito e lê-se pouco em Portugal de que resulta muitas obras ficarem desconhecidas, ao passo que outras, menos merecedoras de atenção, são amplamente divulgadas.
1944
Tenho este livro «Cozinha saborosa e Prática» há vários anos e não fosse a beleza da capa não lhe tinha dado importância. Foi publicado em 1956 pela Portugália Editora na sua fase inicial e encontrei novas publicações em 1957 e 58. No início da década de 1960 esta editora tinha escritórios na Avenida da Liberdade, tendo publicado sobretudo nas décadas de 1960 e 1970. 
1956
Nos anos 60 era dirigida por Mário Henriques Leiria e as capas dos livros eram desenhadas pelo João Câmara Leme. A capa deste livro não está assinada mas é provável que seja da sua autoria. Nela se apresenta, em posição central, uma dona de casa a bater um bolo manualmente, tendo à sua frente vários utensílios de cozinha de formas modernas.
1957
O autor desta obra é J. Jamar de nacionalidade espanhola, que publicou vários títulos na área da culinária com receitas muito práticas, dedicadas a donas de casa e sobre o qual nada consegui descobrir. A primeira edição deste livro saiu em Madrid, em 1944, e apresentava 770 receitas. A boa aceitação deste livro fê-lo aumentar o número de receitas que, na edição portuguesa traduzida por Maria Ponce, era de 1100 receitas. 

1958
Em Espanha continuou a ser editado e em 1978 ia já na 19ª edição. Em 1956 publicou Cocina con la olla a presión y batidora eléctrica; em 1964 La cocina internacional; em 1965 La cocina rápida e  em 1961 Menús familiares y de invitados, muitos deles reeditados várias vezes.
1961
Em Portugal, deste autor parece ter sido apenas publicado este título que no jornal República de 18 de Abril de 1956 o anunciava como «um novo livro sobre a agradável arte de bem comer… pelo especialista espanhol J. Jamar… indispensável às boas donas de casa». 
1963
No seu interior podemos encontrar um extenso número de receitas agrupadas por temas, como «cozidos e sopas», «sopas secas», «molhos», «ovos», «peixes», receitas de carne divididas por tipo de animal, «acepipes», «aperitivos quentes» e «doçaria», entre outras, todas de excelente qualidade.
1964
O título era apelativo (que mais se pode desejar do que uma cozinha saborosa e prática) pelo que variantes do mesmo surgiram mais tarde como: «Cozinha rápida e saborosa com microondas Sharp», publicado em 1993 por Maria Helena Gomes ou, ainda mais ambicioso, «Cozinha essencial: saborosa, divertida, rápida, inteligente e com estilo...» da autoria de Sabine Sälzer e  Sebastian Dickhaut, publicado em 2003.
 
1970

1971
Mostramos igualmente imagens das edições espanholas da época, que são também interessantes, pelo que se quiséssemos tirar uma conclusão sobre este texto seria mesmo sobre a importância das capas dos livros como forma de nos atrair para o seu interior.

sábado, 11 de abril de 2015

Boa Publicidade

O cartaz que discretamente anuncia a cerveja Guinness, assinado Eckersley, foi publicado no «The Penrose Annual» de 1957.
Esta revista de artes gráficas, foi impressa desde 1895 a 1982, e mostrava os trabalhos mais interessantes de cada ano. 

Neste dia de início de Primavera esta é uma boa sugestão.


sábado, 13 de março de 2010

As refeições nos tempos modernos. A visão da "The New Yorker"

Encontrei à venda num alfarrabista um lote de antigas revistas The New Yorker.
Não resisti e fiz uma selecção das mesmas, como é evidente, focando temas relacionados com a alimentação.
A revista foi fundada em 1925 por Harold Ross e tem mantido uma publicação regular semanal, embora tenha já passado por várias mãos.
Começou por ser uma revista dedicada ao nova-iorquinos sofisticados onde eram publicadas as distracções culturais e sociais da cidade de Nova Yorque. Posteriormente passou a ter uma dimensão mais global com artigos de literatura, politica, cinema e outros tópicos.
Foi sempre considerada uma revista civilizada e com sentido de humor.
Os seus cartoons correm mundo.
Mas foram sobretudo as capas, com um desenho inventivo e humorado, da autoria de cartoonistas famosos, que a tornaram mais conhecida noutros países.
Apresento hoje as primeiras capas do lote escolhido e penso que não faltarão oportunidades para voltar a utilizar as revistas.
As capas seleccionadas são uma crítica à forma que as refeições tomaram nos tempos modernos, com a intromissão da tecnologia à mesa.
Um tipo de humor que dá para pensar.