sábado, 9 de outubro de 2010

Silampos. Publicidade para a mãe, para a filha e para toda a família

A fábrica Silampos foi fundada em 1951 em Cesar, no concelho de Oliveira de Azeméis. A marca foi criada pela firma Silva & Campos, o que explica a presença de um brasão em que numa das partes surge um S e um C, enquanto na outra se podia observar a imagem de uma fábrica, acastelada, com uma grande chaminé central. Esse símbolo surgia nas primeiras panelas de pressão que começaram a ser fabricadas em Portugal, a partir de 1960.
A publicidade a estas panelas foi buscar a história infantil da “Carochinha e do João Ratão” que foi um sucesso na época e que ficou no ouvido de todos. As campanhas publicitárias divulgaram na televisão a mencionada história e a oferta de pequenas panelas a crianças, iguais às das mães, ajudaram a cimentar o uso de panelas Silampos.
O livro de instruções que acompanhava a panela, e que se manteve pela década de 70, mostrava o casal Carochinha-João Ratão felizes com a sua panela Silampos, tal como a moderna dona-de-casa, mimetizada em carochinha, com longas sobrancelhas. A partir dos anos 90 a empresa investiu num programa de tecnologia que lhe permitiu criar um novo tipo de utensílios com fundo térmico (impact disk) seguido, em 2005, por um novo sitema (multidisk) em que o calor se difunde por toda a superfície do utensílio.
A internacionalização da empresa teve lugar a partir de 2000. Uma das parcerias com a empresa inglesa Gavin Thomson Design permitiu-lhes a criação de uma linha a Eazistore, em que é possível encaixar as várias panelas umas nas outras, facilitando a arrumação, uma espécie de “matrioskas” da cozinha. Esta solução inteligente levou à obtenção de um prémio "Technology Innovation Ward“ do jornal Wall Street, em 2010.
Neste época de desaires empresariais a Silampos conta-nos uma história de sucesso, com um fim feliz, tal como a história da linda Carochinha e do João Ratão, de que deixo o anúncio televisivo para recordar.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Objecto Mistério Nº 18. Resposta: Molde para gelado

O objecto mistério Nº 18 é um molde para gelado.
Trata-se de uma forma que confere ao gelado uma apresentação em paralelipípedo rectangular e que se destinava a fazer sandes de gelado.

Os mais velhos lembrar-se-ão seguramente das sandes de gelados que se compravam nas geladarias e que que vinham em grandes blocos que eram cortados em fatias. De cada um dos lados levavam depois uma bolacha Waffle e eram comidos à dentada. Nunca me encantou esta forma de apresentação que me dava sempre a impressão que devia fazer doer os dentes. Mas nunca mais os esqueci porque a minha mãe os adorava.
O mais parecido que eu encontrei com uma sandes de gelado

Na Costa da Caparica havia ao fundo da Rua dos Pescadores, do lado esquerdo, uma casa de gelados óptima e íamos lá comer gelados. Já não me lembro como se chamava, mas recordo-me que nunca mais comi um gelado de marrasquino tão bom como aquele. De resto esta variedade de gelado não está disponível em quase lugar nenhum.
Mas voltemos à peça mistério. A primeira vez que vi uma peça destas foi num ferro-velho que havia em Évora e que já faleceu. Era um homem muito interessante que sabia muitas coisas esquecidas. Foi ele que me vendeu um objecto igual a este, em lata, uma versão portuguesa deste modelo inglês. Quando ele me disse que era para gelado fiquei um pouco incrédula, mas mais tarde vim a constatar que era verdade. Infelizmente está tão bem guardado que não sei dele e não me é possível fotografá-lo para o mostrar.
Este molde é da marca Ergos, que tem outros modelos idênticos, igualmente em cobre com a pega em baquelite. Como se pode ver tem três posições que permitem escolher a altura da fatia do gelado. Foi feito em Sheffield e tem marca registada nº 727258.
Penso que era de uso doméstico, mas não posso pôr de parte que tenha também sido usado comercialmente antes de o gelado ser vendido em barras.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O 5 de Outubro de 1910 e o banquete adiado

«A participação num banquete foi o último acto público do rei D. Manuel.
A 1 de Outubro de 1910 chegou a Lisboa o Presidente da república Brasileira, o marechal Hermes da Fonseca, que ficou alojado no Palácio de Belém. Logo no dia da chegada houve um banquete no Palácio das Necessidades e no dia seguinte Hermes da Fonseca visitou, em Sintra, as rainhas D. Maria Pia e D. Amélia, com quem almoçou.
No dia 3 o presidente brasileiro recebeu o monarca a bordo do couraçado presidencial S. Paulo e à noite ofereceu-lhe um banquete no Palácio de Belém. Foi no início do jantar que se divulgou a notícia de que a revolução republicana estava na rua. Algumas pessoas abandonaram o local. Os criados iam retirando apressadamente os talheres e afastando os pratos, para não se notarem as falhas. No final D. Manuel regressou ao Palácio das Necessidades, de onde partiu no dia seguinte para Mafra. Vindas de Sintra juntaram-se-lhe mais tarde as rainhas D. Maria Pia e D. Amélia. No dia 5 de Outubro era proclamada a República.
A família real dirigiu-se para a Ericeira e embarcou no iate Amélia, a bordo do qual já se encontrava o infante D. Afonso.
D. Manuel partia para o exílio sonhando com um regresso breve e ignorando que não mais veria Portugal.
Para sempre ficaria adiada a programada visita do rei ao Vidago, no dia 6 de Outubro. A recordar essa data ficou a ementa já impressa de um banquete que não passaria do papel.»

Texto extraído do Livro” Mesa Real. Dinastia de Bragança”, da autora, pp. 159-160.

domingo, 3 de outubro de 2010

Objecto Mistério Nº 18

O objecto apresentado tem utilidade doméstica.

O cabo tem 10 cm de comprimento e a parte anterior, rectangular, tem as dimensões de 9,5 cm x 4,5cm.

Para que servia?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Uma caixa da Fábrica de Biscoitos Leal, Santos & Cia

Como o número de leitores brasileiros deste blog tem aumentado progressivamente, achei que devia escrever um artigo sobre um tema brasileiro.
O assunto surgiu naturalmente com o achado de uma caixa em lata de bolachas. Não sabia eu então que esta ia estabelecer uma ponte com Portugal.
Em primeiro lugar não é uma caixa qualquer. Apesar de não estar em bom estado, trata-se de uma caixa da primeira fábrica de bolachas do Brasil, que ainda por cima se caracterizava por ter a sua própria litografia e confeccionar não só os produtos alimentares mas também as respectivas embalagens. Foto da fábrica tirada do Ricardo's Blog

Falo da Fábrica de Biscoitos Leal, Santos & Cia, fundada em 1889. Por coincidência faz 120 anos no dia 20 de Outubro, que é também o meu dia de aniversário. Os brasileiros recordam-se dela como sendo a produtora das «bolachas Maria», mas na realidade foi muito mais que isso.

Pedro da Silva Nava (1903-1984), médico e escritor brasileiro, no livro “Balão Cativo” chamou às bolachas de Leal Santos «históricas» (p.281) e recordou as caixas azuis em que vinham acondicionadas. Não posso dizer se se referia a esta ou a outra lata, uma vez que devem ter mudado, no longo tempo de existência da fábrica.
O que sei é que a fábrica foi fundado no Rio Grande por um português, Francisco Marques Leal Pancada (1822-1903) que, juntamente com outros sócios, fundou no Rio Grande a Leal, Santos & Companhia. Um deles foi o Dr. Moisés Marcondes de Oliveira e Sá, médico brasileiro, licenciado nos Estados Unidos, que em 1890 foi viver para o Rio Grande do Sul, após ter casado em 1884 com a sua prima Zulmira Alves de Araújo Pancada, filha do referido Francisco Marques Leal Pancada e de sua mulher Maria Rosa Alves de Araújo. Mas em 1908 já estava afastado da actividade fabril.

Publicidade publicada na revista "Careta" em 6 de Junho de 1908

A fábrica começou por produzir biscoitos e bolachas mas passou a fazer vários tipos de conservas de legumes, carne, etc. Em 1904 tinha já ganho 3 medalhas de Ouro na Exposição de S. Louis e em 1908 ganhou um Grande Prémio na Exposição do Rio de Janeiro. Apesar de a ter sido feita muita publicidade só encontrei a publicada na revista Careta, em 6 de Junho de 1908, com o título: “Biscoitos Santos Leal, do Rio Grande do Sul. São os mais saborosos, a delícia das crianças.
Mas não eram só as crianças gostavam dos biscoitos e bolachas. Em 1923 uma encomenda para o Exército explicitava: «os biscoitos Leal Santos ou Aymores, ditos de araruta, ditos de farinha de trigo de qualquer espécie, bolachinhas, etc».

Rua de São Clemente, Rio de Janeiro, 1908. Foto tirada do blog Saudades do Rio

As grandes dimensões da fábrica e o grande número de operários, que em 1918 totalizava 300 (200 homens e 100 mulheres), levaram ao aparecimento de vários conflitos laborais, que a tornaria em objecto de estudos sociais (1
Em Maio de 1919 houve uma paralisação de várias fábricas em Rio Grande que se estendeu, a 7 de Maio à secção de biscoitos da Fábrica Leal Santos e Cia, levando os operários desta a aderir ao movimento grevista (2)
No entanto tratava-se de uma fábrica progressista. A Leal Santos construiu 20 casas destinadas aos operários e um armazém onde eram vendidos mantimentos para os trabalhadores. Encontrei também referência a um grupo de teatro e a um grupo desportivo.
O jornal Rio Grande do Sul, Revista Ilustrada, de 1911, referia que nessa data existia na fábrica Leal Santos de biscoitos e bolachas, uma maioria de mulheres. Teriam começado nessa época as greves que levaram a que a fábrica Leal, Santos e Cia., com sede na Rua General Portinho, instituísse a jornada de trabalho de 8 horas uma maioria de mulheres, tendo sido a primeira a fazê-lo quando ainda era hábito trabalhar 14 horas diárias (3) .
Não sei até quando foram produzidas as bolachas e conservas, mas em 1947, a “Indústrias Reunidas Leal Santos S.a.” formou uma frota de barcos pesqueiros. Em 1968 associou-se ao Grupo Ipiranga e tornou-se na maior empresa de pescados brasileira. Em 1994, a Leal Santos foi comprada pelo grupo argentino Benvenuto que a vendeu ao grupo espanhol Actemsa, em 2006. Em 2010, a Leal Santos, juntou-se à espanhola Jealsa, para enlatar sardinhas e atuns. O atum será fornecido pela própria Leal Santos e a sardinha será importada do Marrocos, destinando-se os produtos a serem vendidos no Brasil. Uma longa evolução, que acaba como a história actual de todas as empresas de sucesso, com aquisições e fusões. O destino confirmava a afirmação que se pode ler na tampa da caixa do início do século XX «L’Union fait la force».

Bibliografia
1 - http://www.webartigos.com/articles/37595/1/Uma-breve-historia-da-industrializacao-na-cidade-do-Rio-Grande-apartir-da-segunda-metade-do-seculo-XX/pagina1.html#ixzz10eccEu9r
2 - Correio do Povo. Porto Alegre, 08/05/1919. p. 7.
3 - Edgar Rodrigues, 1977.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Faltava o papel dos caramelos...

Mais raros que os cromos de caramelo, só mesmo o papel do caramelo.

Este é da Confeitaria da Pampulha, situada na Calçada da Pampulha, 48 e data do anos 50.

Estava no meio de cromos e está em estado impecável
.

domingo, 26 de setembro de 2010

Cromos de Caramelos e Fábricas de Caramelos

Falo hoje nos cromos de caramelo.
Chamam-se cromos de caramelo àqueles que eram utilizados para envolver os caramelos. Serviam ao mesmo tempo de protecção e de objecto de coleccionismo, fazendo com que as vendas aumentassem, por qualquer uma das vias. Quando as cadernetas ficavam completas eram apresentadas aos fabricantes, o que permitia receber um ou mais brindes à escolha. Noutros casos as cadernetas eram numeradas ficando o seu possuidor habilitado a um brinde mais valioso.
A grande maioria dos cromos de caramelo eram cromos de futebol, que provocavam um entusiasmo enorme no sexo masculino, mas outras apresentavam outros temas, como por exemplo uniformes militares, ciclismo, ou no caso das agora apresentadas, e que me levaram a escrever este poste, aves e artistas de cinema.
Desaparecidos naturalmente os caramelos, que segundo algumas versões não apresentavam a melhor das qualidades, ficaram os cromos. Mas para o tema deste blog aquilo que interessa são as confeitarias e fábricas de caramelos que os produziram. Com enorme surpresa descobri vários blog em que este tema foi falado e de que me servi para obter algumas informações. Na Santa Nostalgia é feita uma introdução à divulgação dos cromos de caramelos em Portugal.

O autor do blog Cromos-de-Caramelo, desde 2008 sem actualizações, refere que as primeiras fábricas de caramelos surgiram no Montijo, nos anos 20. Uma dessas fábricas foi “ A Trinfadora do Montijo” fábrica de confeitaria de Nunes & Brito Cª, que se situava na Rua França Borges e produzia caramelos de fruta. Também se situava no Montijo a “Fábrica de Rebuçados Joneca, Ldª”, na Rua Agostinho Fortes, bem como a “Fábrica Montijense”.
No Porto existiu a “Fábrica de Rebuçados Victoria”e em Vila Nova de Gaia a "Fábrica de Chocolates Celeste", situada na Rua da Rasa. Na Amadora referimos os “Divertimentos Nelito” que também vendia cromos de caramelo e a “Carsel”, no Rossio ao Sul do Tejo .
A grande maioria situavam-se contudo em Lisboa como a “Fábrica de Confeitaria de Produtos Altesa”, na Rua Tenente Raul Cascais, nº 13; a “Confeitaria Universo” que deu origem à “Confeitaria Universal” de António E. Brito, situada na Rua da Alegria, 22; “A Francesa” na Travessa de Santo António a Santos, nº3; a “ Fábrica Águia”, com depósito geral na Rua da Madalena, 32; A “Fábrica Brazileira” na Rua da Cruz da Carreira, 13; a “Confeitaria Alex”, situada na Rua da Alegria, 126; António Gomes da Silva, na Calçada do Tojal, lote 2. Ficam por falar muitas outra, cuja localização não detectei, como a de “Rebuçados Cotovia” ou a “Sociedade Lisbonense de Confeitarias”.
Por último, para quem se interessa por este assunto, pode sempre consultar a base de dados bibliográficos do Mistério Juvenil e ver todas as cadernetas de cromos publicadas em Portugal, para além das de caramelos.