quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Objecto Mistério Nº 8. Resposta: Afiador de tesouras

Pensei que fosse mais fácil de identificar mas, a avaliar pelas respostas, não era.
O objecto mistério apresentado serve para afiar tesouras.

A vantagem dos objectos com caixas e instruções é que não nos deixam qualquer dúvida.
No caso presente, o folheto é bem ilucidativo da forma do seu uso.
Apesar de pertencer a uma época em que ainda era possível recorrer aos chamados amoladores de facas e tesouras, que corriam as ruas assobiando com o apito característico, o produtor da marca "Famos" era da opinião que «Cada dona de casa deve ter o seu próprio afiador de tesouras».
Muito semelhante, mas com uma ranhura mais vertical, era o afiador de facas, igualmente da marca "Famos".


Visto assim, não parece tão difícil. Não acham?.

sábado, 8 de agosto de 2009

Objecto Mistério Nº 8

O mistério de hoje é descobrir a utilidade de um utensílio doméstico.

Trata-se portanto de uma utilidade doméstica, daquelas que fazem geito em qualquer casa.

Não posso acrescentar nada excepto, como é hábito, as dimensões: 12 x 7,5 cm.

É relativamente fácil. Fico à espera de palpites.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A Dama de Copas (The Queen of Hearts)

O folheto que se apresenta conta a história de uma canção inglesa para crianças (Nursery Rhymes).
Mais conhecidas em Portugal por cantigas de roda ou cirandas, são muito importantes na aprendizagem das crianças. Têm como característica serem cantadas em rima, o que facilita a sua aceitação e memorização e são habitualmente cantadas em movimento ou com associação de gestos.
Em Portugal a mais conhecida , nos nossos dias, talvez seja «Atirei o pau ao gato», mas os ingleses têm um grande número deste tipo de canções.

Paula Rego foi sensível a este tema e em 1989 apresentou uma primeira exposição intitulada Nursery Rhymes, em Londres, na Marlborough Graphics Gallery e, em 1990, em Lisboa na Galeria 111.

Desta exposição foi publicado um livro com o mesmo título, que reúne essa fase da sua obra.

A «Dama de Copas» (Queen of Hearts) tem sido apresentada de diversas formas gráficas desde a sua primeira impressão em 1782, mas seria a obra de Lewis G. Carroll no livro «Alice no país das maravilhas», publicado pela primeira vez em 1805, que mais a divulgaria.
Conta a história de uma rainha, a Dama de Copas, que fez umas tartes para o seu rei.
O Valete de Copas roubou-as e levou-as.
O Rei descobriu e bateu-lhe.
O Valete devolveu as tartes e prometeu nunca mais roubar.


Se bem que a história tenha um conteúdo moral, o mais importante é a rima, que entra no ouvido das crianças.
O mais engraçado, e que justifica este e o anterior post, é que, nas várias representações, as tartes são apresentadas como pequenas bolachas redondas, com doce no centro, fazendo lembrar as Bolachas Francesas, o que veio a dar origem ao poste anterior e a esta sequência natural com a apresentação da história.

E para terminar só quero acrescentar que o mesmo tema tem sido também muito utilizado na louça infantil, onde surge representada parte da história, como é o exemplo da caneca apresentada.

domingo, 2 de agosto de 2009

A Bolacha Francesa

O meu bolo de pastelaria preferido é a Bolacha Francesa. Encontra-se em muito poucas pastelarias e, de longe, o melhor é o da Confeitaria Cister.
A pastelaria Cister mudou a decoração, modernizou-se de uma forma discreta, mas mantém alguns dos mimos a que estávamos habituados, para além das ditas bolachas. Refiro-me à geleia e à marmelada que continuam a vender e que tem que ser comprada na época porque esgota. Infelizmente ficou um pouco arredada do meu caminho e é difícil estacionar no local. Mas sempre que posso dou lá um salto para comprar uns exemplares. Havia um outro local em que as referidas bolachas eram óptimas. Apenas quem teve a felicidade de o conhecer pode avaliar como Lisboa ficou mais pobre com o seu fim. Era a «Salão de Chá Imperium» e ficava nas Escadinhas de Santa Justa. Era um local requintado, espaçoso, onde se ia beber chá servido por empregados muito antigos, vestidos a rigor. Funcionava como ponto de encontro e descanso para as pessoas que iam fazer as suas compras à Baixa.
Lembro-me de um dia ter pedido as bolachas por «Olho de Boi», outro nome porque também são conhecidas, e de o empregado me olhar com ar reprovador e dizer que o seu nome era « Bolacha Francesa ou Bolacha Confiture».

Estas minhas recordações, perdidas no tempo, foram suscitadas por um desdobrável com uma pequena história em que vêm representadas as referidas bolachas francesas e que apresentarei no próximo post.


Para já deixo-os com a imagem das ditas bolachas e a recomendação para as experimentarem de preferência acompanhadas por um bom chá.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Pérolas Publicitárias. "Cerveja Perola"

Comprei há meses um lote de rótulos de bebidas e outros produtos alimentares e pensei que eram um bom tema para o meu blog.
Ao olhar para os rótulos de uma cerveja chamada «Perola», um nome que hoje seria altamente improvável ser usado numa bebida, ocorreu-me o título de “Pérolas Publicitárias” para este tipo de rubrica. Para fazer alguma sentido teria pois de começar com a apresentação deste rótulo.

Comecei à procura de informações sobre a empresa que a produziu, a Fábrica de Cervejas Estrella e consegui descobrir que, apesar de já não produzir cerveja, existia ainda agora sob o nome de Companhia de Cervejas Estrela, SA.

Consegui a morada e o nome e telefonei para lá. Tudo parecia bem encaminhado. Falei com uma senhora muito gentil que me disse que quem tinha conhecimentos sobre a antiga fábrica era o senhor engenheiro, que não estava de momento presente. Aconselhou-me a telefonar mais tarde. Quando telefonei fui aconselhada a telefonar noutro dia. Telefonei novamente. O senhor engenheiro estava em viagem. Deixei o meu número de telefone e o endereço do blog, após ter explicado a que se destinava a informação. Durante meses telefonei repetidamente. Há pouco fiz a última tentativa. Novamente não estava, o que me fez compreender que não havia qualquer interesse nesta conversa. Em Portugal existe um sentimento estranho, que faz com que as pessoas não tenham orgulho no passado das suas firmas. Numa época em que as empresas aparecem e desaparecem, seria de crer que, ter dezenas ou centenas de anos no mercado, seria um atestado de boa gestão e honestidade.
Em países como a Inglaterra esse orgulho está bem patente quando vemos uma data, a da fundação, junto ao nome da empresa: «since....».

Já tinha tido esta experiência quando contactei a empresa Jerónimo Martins, a propósito do meu livro «Mesa Real». Foram durante o século XIX fornecedores da Casa Real e ostentavam o facto nas cartelas das suas facturas ou no título das suas cartas. Foram também os importadores de Christofle em Portugal e, de acordo com facturas encontradas na Torre do Tombo, os vendedores das mesmas para a corte. Contactei a empresa e falei com uma menina das relações públicas, que me recebeu no seu moderno gabinete, e me disse que de momento não estavam interessados no passado relacionado com a parte de mercearia, mas que agora lhes interessava mais salientar a parte financeira ou de investimento. Não me recordo já das palavras mas sei que fiquei perplexa.

Mas voltemos aos rótulos de cerveja. O pouco que consegui descobrir foram os “Estatutos da Companhia de Cerveja Estrella” publicados em Lisboa na Imprensa Libanio da Silva, em 1926 e uns outros “Estatutos”, de 1938, publicados igualmente em Lisboa na Tipografia Ramos, que nos permitem datar a fábrica nesse período. Ignoro quando suspendeu a laboração.

Os dois rótulos da «Cerveja Perola», que apresento, correspondem a uma cerveja para exportação e a uma outra para o mercado nacional e são, provavelmente, da mesma época.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A pintura de Paolo Veronese reinventada

Paolo Veronese (1528-1588) foi o nome porque ficou conhecido o pintor Renascentista italiano Paolo Caliari, por ter nascido em Verona.

A sua obra sempre me fascinou, pela força das suas personagens e pelo pormenor da sua pintura. A sua representação de banquetes como o «As bodas em Caná» ou a «Festa em Casa de Levi», temas bíblicos transportados para a Renascença, permitem um estudo apurado dos trajes, objectos e costumes dessa época. Voltarei a este tema, mais tarde, para falar dos banquetes venezianos.
Hoje este post tem outro fim. Divulgar como a técnica pode imitar a arte.
O quadro «As bodas em Caná» ficou terminado em 1563, como resposta a uma encomenda dos monges beneditinos de San Giorgio Maggiore, em Veneza. O quadro, de grandes dimensões (9,94 x 6,77 metros) foi pintado para uma das paredes do refeitório do mosteiro.

O convento, fundado em 982, foi durante séculos um importante centro teológico e cultural.
Entre 1560 e 1562 Andrea Palladio foi encarregue de construir o refeitório e mais tarde a igreja. Foi para este refeitório que foi encomendada aquela que viria a ser uma das obras primas de Veronese.

Após a queda da república veneziana, em 1797, Napoleão ocupou o mosteiro e apoderou-se de vários dos seus bens, como os livros e a pintura. O quadro «As bodas em Caná», apesar das suas dimensões, foi levado para Paris, tendo recolhido ao do Museu do Louvre onde permanece.

Em 2006 o museu do Louvre estabeleceu um acordo com a Fondazione Giorgio Cini, italiana, com o intuito de entregar a uma empresa espanhola de nome “Factum Arte” a missão de reproduzir fielmente a importante obra afim de ser colocada no seu local original, isto é, na parede do refeitório, em Veneza. As condições de reprodução eram exigentes e passavam pela utilização de um método em que não houvesse contacto com a pintura, nem uso de luz externa , de forma a não danificar a pintura e ao mesmo tempo não fosse perturbadas as visitas do público. O problema logístico foi solucionado com um sistema de scan que registou toda a obra, com a maior resolução possível. O processo complexo pode ser avaliado consultando o sítio da empresa http://www.factum-arte.com/eng/conservacion/cana/Default.asp.
O resultado foi uma reprodução fidelíssima da obra, graças à tecnologia digital.
Ultrapassando discussões legais para recuperação de obras saídas do país, morosas e na maior parte das vezes infrutíferas, esta fundação cultural veneziana resolveu o problema de uma forma inovadora. O original mantém-se no Louvre, de onde dificilmente sairá, e a cópia fiel ocupa agora a parede do refeitório do convento, devolvendo-lhe o esplendor original.
De momento todos lucram e no futuro as contendas ir-se-ão resolvendo.

sábado, 4 de julho de 2009

Cafés Gelados Gregos 2 : Freddoccino

Falamos hoje na agradável bebida que dá pelo nome de Freddoccino.
À semelhança do “Frappé” é uma bebida gelada de café que se pode beber em qualquer esplanada na Grécia. Quando a bebemos temos a sensação de que lhe foi adicionado gelado de chocolate, tanto pelo gosto como pela consistência.
Procurei receitas para reproduzir a bebida, mas não encontrei, pela simples razão de que é uma marca comercial grega. Pode comprar-se o pó no supermercado e fazer-se em casa. Para isso bate-se num batedor ½ copo de leite com gelo e depois juntam-se 2 colheres de pó do produto comercial. Em alternativa pode pedi-la num café grego, onde é servido num copo próprio com o nome da bebida e a imagem de uma jovem estlizada. Um sucesso garantido no gosto e na imagem. O fabricante do Freddoccino afirma que os principais ingredientes são o açúcar, xarope de glicose seco, cacau, café instantâneo e leite desidratado. Neste momento no mercado grego encontram-se dois tipos desta bebida: o original e o moka. No entanto o fabricante recomenda variações pela adição de xaropes comerciais como caramelo, avelã, morango, banana ou outros, à venda também na Grécia. Não experimentei nenhuma destas modalidades e confesso que também a sua descrição não me entusiasma tanto como as clássicas bebidas de café geladas.
A bebida é na realidade grega, embora a sua inspiração venha de Itália e se refira a outra bebida de café, o freddo cappuccino.
Na impossibilidade de ter acesso ao produto original pode sugerir-se uma alternativa caseira, que fica com gosto parecido.

Receita de “Freddoccino” caseiro

Ingredientes para 2 pessoas:

1 copo de licor de Baileys
2 colheres de chá de café instantâneo
1 chávena de leite
1 bola de gelado de baunilha
1 colher de chá de açúcar
4 cubos de gelo
Chocolate em pó
Numa batedeira juntar o gelo, o gelado, o café em pó, o açúcar e o leite.
Bater bem.
Servir em copos gelados polvilhados de chocolate e polvilhados por cima.
Experimente esta receita como base e corrija-a da próxima vez, se for caso disso. De acordo com o seu gosto pode aumentar o açúcar, o licor ou o gelado ou substiui-lo por gelado de chocolate.
Prometo uma boa experiência.