quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Os “milhos” de Trás-os-Montes

 Num país tão pequeno como é o nosso parece difícil de acreditar que haja pratos regionais que desconhecemos.
Há pouco tempo comi em casa da minha amiga Adriana, transmontana de gema, pela primeira vez, um prato que na sua região, Pombal de Ansiães, é chamado «milhos». 
O milho moído
Para o fazer, usa-se milho moído de forma grosseira, isto é, não serve a farinha de milho por ter um grão muito fino. Na minha receita usei a farinha de milho que numa das lojas da rua do Arsenal, em Lisboa, onde o comprei, chamam “milho para xerém”. 

A receita é simples. É feito como um arroz de tomate malandrinho. Começa-se por alourar a cebola picada, junta-se tomate picado, eventualmente adiciona-se um pouco de concentrado de tomate para reforçara a cor e o paladar, sal e quando está tudo cozinhado juntam-se 3 chávenas de água quente para 1 de milho. Deixa-se cozer o milho (não em excesso, devem sentir-se os bocados) de modo a ficar com bastante líquido. Uma dos modos de saber quando está pronto é parar o cozimento quando começar a fazer “vulcões”.

Esta receita simples serve de acompanhamento a qualquer tratamento de carne ou peixe, em substituição de arroz, por exemplo. 

Este prato fez-me lembrar o texto de Henry Frederick Link (1767-1851) o botânico alemão que visitou Portugal no século XVIII e que escreveu o livro «Travels in Portugal», publicado em Londres em 1801. Nele mencionava o milho que abundava nas Beiras e dizia que muitas pessoas viviam do pão com ele feito e que se chamava broa
Henry Frederick Link (1767-1851)
Se Link tivesse provado estes “milhos” seguramente que se teria referido a eles com apreço. Pelo menos foi o que aconteceu com as pessoas que o provaram, na minha tentativa de reproduzir o prato transmontano.
Experimentem!.Vão gostar.

4 comentários:

António disse...

Os milhos não servem só como acompanhamento de carne ou peixe, na minha terra fazem-se milhos com coelho, com cogumelos e eu próprio já fiz com frango (estilo arroz de frango). De facto é uma pena este prato tão tipico de tras os montes e tão bom ser ainda praticamente um desconhecido de muita gente.

Ana Marques Pereira disse...

António,
Agradeço as suas achegas que são outras formas adicionais de utilizar este produto.Cumprimentos

Marina disse...

acabei de fazer seguindo esta receita e ficou espetacular :)

Ana Marques Pereira disse...

Marina,
Foi bom o seu comentário para lembrar de os fazer novamente. Andavam esquecidos.