terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Pirolito

O pirolito foi uma bebida muito apreciada durante a primeira metade do século XX. Ficou no imaginário dos que a conheceram não só pelo seu gosto, mas também pela forma da garrafa.
Era uma bebida gaseificada, feita á base de um xarope feito com açúcar, água, ácido cítrico e essência de limão, a que posteriormente era adicionado gás carbónico. A receita deste xarope base variava de fábrica para fábrica, constituindo esse o seu segredo. Para quem não a experimentou, pode dizer-se que o mais parecido, hoje em dia, é o Seven-Up.
Hiram Codd (1838-1887)
Apesar do nosso apego à forma da garrafa o seu formato não é português. A garrafa de pirolito foi inventada por um inglês, Hiram Codd, que registou a patente em 1872. Foi criada com o fim de ser usada para bebidas gaseificadas, como a soda, águas minerais, limonadas e foi usada em toda a Europa e Estados Unidos.
O formato da garrafa, também conhecida por «frasco de bola», distinguia-a de todas as outras bebidas gaseificadas. Tinha uma forma cilíndrica na base, encimada por um gargalo cónico, com um aro de borracha na extremidade superior, que se destinava a fechar hermeticamente a bebida por intermédio de uma bola de vidro. Esta bola de vidro transformava-se num berlinde, apreciado pelos rapazes, quando se partiam as garrafas, usados depois no jogo do berlinde. Um estreitamento bilateral no gargalo, como se fosse feito por dois dedos, permita fixar o berlinde, depois de aberta. Para abrir a garrafa bastava carregar no berlinde e este descia para a sua cavidade própria no gargalo. Ao pegarmos numa garrafa de pirolito ouvimos o som inconfundível do berlinde a bater nas paredes da garrafa.
Quando comecei a procurar a fábrica original de pirolitos, descobri que não era possível saber qual foi a primeira. Em Portugal houve inúmeras fábricas de pirolitos, distribuídas por todo o território. Assim, cada pessoa que conheceu o pirolito acha que o da sua zona foi o primitivo.

Mencionarei algumas das fábricas que encontrei numa busca não exaustiva.
Em Aveiro, em 1922, existiam 2 fábricas de pirolitos, de acordo com os jornais regionais. Em Caria existiu uma fábrica de pirolitos. No Barreiro há referência, em 1927, a uma fábrica de Pirolitos de José Gouveia e o mesmo se passou em Estremoz com a Fábrica do Massano. Em Guetim (Espinho) existiu uma fábrica de pirolitos, feitos com a água da Gruta da Lomba.
Na baixa de Coimbra, há cerca de 80 anos existia uma fábrica de pirolitos, no local onde hoje se encontra o restaurante Carmina de Matos.
Nos Açores existiram várias fábricas de pirolitos: a de Francisco Pereira de Vasconcelos, cerca dos anos 30, na Ilha Terceira , a Fábrica da Rua dos Canos Verdes e a de Melo Abreu, em Ponta Delgada.
Há igualmente referência a fábricas em S. Jorge da Panasqueira, no Louriçal, no Alandroal e em Perafita.
Em Sesimbra existiu, em 1935, a Marítima, de Jorge Amaro Reis Neves.
No Redondo existiram pelo menos duas fábricas: a do Botas, que utilizava a água da Fonte da Bicha e a Fábrica de refrigerantes da Serra d’ Ossa.
Na Marinha Grande existiu a Fábrica de pirolitos e gasosas de Antunes & Reis, em 1929, e em Castelo de Vide a fábrica de Olímpio Gonçalves Novo (1899 – 1960). Esta última com uma referência especial pelo estudo que foi feito sobre esta empresa, e que se encontra disponível no site do Museu de Castelo de Vide.
Também na Venda do Pinheiro, em 1926, Francisco Alves começou a produzir pirolitos, para além de outros refrigerantes. Esta empresa então designada Francisco Alves e Filhos, viria também a produzir a Laranjina C e mais tarde, nos anos 70, a Trinaranjus. Em 1990, foi adquirida pelo grupo Cadbury-Schweppes Portugal, SA.

Na Lourinhã existiu uma fábrica que era propriedade de José Maria de Carvalho e há referência à existência de duas fábricas de pirolitos no Concelho do Cadaval, uma na própria vila do Cadaval, cerca dos anos 30 e outra, no Vilar, no final dos anos 40.

Esta lista de fábricas de pirolitos mostra-nos que devem ter havido muito mais, uma vez que se tratava de uma produção familiar e cuja distribuição era normalmente regional.
Em comum existiam as garrafas fabricadas na Marinha Grande. Do que nos foi possível constatar existiam vários tipos de garrafas. Embora o modelo seja o mesmo os tamanhos e o tipo de vidro variam ligeiramente. Isto deve-se a que eram fabricadas em várias fábricas. Algumas garrafas não tinham qualquer identificação na base, enquanto outras apresentam as marcas das fábricas em que eram produzidas. Identificamos as seguintes marcas: SB- correspondendo á Vidreira Santos Barosa, RG que se refere à fábrica de Ricardo Santos Gallo, CV à Companhia Industrial Vidreira e ainda as marcas DS e P, que desconheço a que fábricas pertencem.

Nos anos 50, preocupações com a higiene levaram a uma legislação que obrigou os fabricantes a melhoramentos nas suas fábricas e à proibição de utilizar este tipo de garrafa de bola, por ser de difícil lavagem. Com resultado muitas fábricas de pirolitos foram obrigadas a fechar.

Acabaram os pirolitos. Ficou-nos a memória.

55 comentários:

-pirata-vermelho- disse...

É muito engraçada a memória do pirolito. Resulta do seu nome... cómico.

Obrigado

Anónimo disse...

Em Castelo Branco existiu a Castraleuca e na Covilhã a familia Proença.No total 3 fábricas.Numa da Covilhã fabricavam a laranjada Nevão, muito boa.

Ana Marques Pereira disse...

Obrigado pela informação. Havia imensas fábricas regionais e é impossível detectá-las todas, mas com a colaboração da memória de todos a lista vai aumentando.

Anónimo disse...

O pirolito deu origem a uma anedota que se referia a madame Carmona..A senhora nunca entendeu como é que metiam o berlinde na garrafa.

Antonio disse...

Tatu

Nas Caldas da Rainha penso que existiram duas fábricas que fabricaram também os famosos "PIROLITOS" :
- Marca Santa Rita ( mais tarde RICAL ) ;
- POLAR.

Faziam as delícias do pessoal e provocavam o "pendurar" nas camionetas de distribuição para o "gamanço"...
Por aqui, nos balcões das tabernas existia um prego pregado no bordo, em forma de " L ", que servia para abrir o "pirolito" (empurrar o berlinde para baixo, de modo ao gás sair e permitir a saída do liquido...).
Além do berlinde existia também um vedante em borracha encarnada...
Velhos tempos...

Ana Marques Pereira disse...

Obrigada pelas suas memórias.

Anónimo disse...

Eu também tenho meia dúzia de garrafas de pirolito, bebida de que me lembro muito bem e que fazia as delícias da miudagem da minha altura. Umas não têm marca nenhuma, outra tem um V no fundo, outra SB, e outra tee a garrafa toda gravada com um desenho de um castelo (como a água do castelo) e diz: G A HALL JOB. REFRIGERANTES - Marca Registada - Lisboa. Tenho ainda outra garrafa alemã, com um formato um pouco mais largo.
A questão do pirolito ter acabado deveu-se de facto A cuasasrelacionadas com a higiene. Para além da dificuldade em lavar a garrafa, penso que o mais importante era o facto de o berlinde estar em contacto com o exterior e com os dedos que o in troduziam na garrafa, ficando assim o liquido em contacto com toda a espécie de impurezase contaminado.
Isabel KIki

Ana Marques Pereira disse...

Vê-se que a minha amiga Isabel Kiki é uma especialista em vidros. Agradeço a tua intervenção. Tens que voltar mais vezes.

Carlos disse...

Ola,
Belo artigo este sobre pirolitos.
Tenho também algumas garrafas, pelo simples facto de ser um ajuntador ou coleccionador de coisas curiosas, como os Pirolitos entre outras temáticas não usuais.
Acresce o facto de na minha terra de criação a Trafaria, também ter havido uma fábrica de gassosas e laranjadas onde também se produziam os famosos pirolitos, Fabrica cujo nome comercial desconheço mas que se chamava "Fábrica do Manuel dos Pirolitos".
Ainda tenho bem presente nas minhas memórias o barulho da máquina e do gáz a entrar nas garrafas.
Quanto aos fabricantes do Vidro das garrafas eles existiam vários,existe por aí no meio dos coleccionadores uma lista de alguns fabricantes de vidro referenciados, mas outros seguramente existiram e não são de todo conhecidos.
Bom Ano 2010.
Carlos Caria

Ana Marques Pereira disse...

Obrigado pelas suas palavras.
Pela memória de várias pessoas confirma-se a profusão de fábricas regionais que existiram. Com os comentários que vão surgindo vai-se compondo o puzzle.
Votos de Feliz Ano Novo.

Eva Afonso disse...

Parabéns pelo seu blogue.O conteúdo e a forma são de excelência.
Obrigado por este post sobre o pirolito porque me fez recuar à minha infância ...

Ana Marques Pereira disse...

Eva,
Obrigado pelas suas palavras. Votos de sucesso na sua nova actividade de pintora.

Anónimo disse...

A marca P que encontrou numa das garrafas era duma empresa que se foi criada na Marinha Grande, em 1923, como Empresa das Fábricas da Marinha Grande, mas que em 1933 passou a designar-se por Empresa Produtora de Garrafas Lda, daí o P da marca que encontrou.Em 1966 a empresa passou a chamar-se Empresa Produtora de Garrafas SARL, em 1975 CIVE- Companhia Industrial Vidreira e em 1993 tendo sido comprada e passou a ser Barbosa e Almeida - Marinha Grande. Hoje é a maior fábrica do maior grupo português produtor de embalagens em vidro que é o grupo BA que detém mais 5 estabelecimentos. Um em Avintes, outro em Lisboa (antiga Sotancro)e mais três em Espanha.
A garrafa pirolito era conformada manualmente a partir dos anos 20 e foi o ex-libris da fábrica Santos Barosa, também na Marinha Grande ainda hoje existente que tem um museu onde poderá obter mais alguma informação.
mslazul

Ana Marques Pereira disse...

mslazul muito obrigado pela sua informação pormenorizada. Nunca visitei o Museu da Fábrica Santos Barosa mas tenho conhecimento de várias publicações sobre vidro, publicadas por esta, muito interessantes, mas que infelizmente nunca consegui obter.

Jose Martins disse...

Não sei que raio me deu hoje na cabeça que me lembrei das garrafas de pirolito que se vendiam a 5 tostões o liquido, gasoso, com sabor a limão nos meus verdes anos.
Mas não sei porque cargas de trabalhos ficou o nome de pirolito até aos dias de hoje (chicos espertos) que a cada passo se dá o nome: a este e aquele pirolito... Seria pelo líquido espirrar quando se abria a garrafa?

Ana Marques Pereira disse...

José Martins
Não sei responder à sua pergunta. Mas sei que voltar aos verdes anos é sempre bom.

o noctivago disse...

Só para ajudar, as iniciais que encontrou nas garrafas referem-se à antiga Produtora ( P) percusora da CIVE ( hoje BA), a DS era a Dâmaso Luis dos Santos da Vieira de Leiria ( hoje desaparecida ) e ainda poderá encontrar dessa altura as iniciais da fabrica de Gaia Rego Lameiro (RL) que deu origem à actual BA .
E para corroborar um comentario anterior foi de facto por questões de higiene que a garrafa acabou:
Se bem se lembram ( os que se lembram )o fecho da garrafa era o berlinde e isso obrigava a garrafa a estar virada para baixo. Como as grades da altura eram de madeira, o açucar escorria para as tábuas e atraía todo o tipo de insectos.
Não era uma visão agradável...

Jose Magalhaes

Ana Marques Pereira disse...

José Magalhães
Agradeço as suas informações. Penso que já deve estar completa a lista das fábricas que correspondem às iniciais existentes nas garrafas. Obrigada.

Carlos disse...

Olá de novo,
Hoje vou deixar mais alguma informação retirada de uma folha de apontamentos de coleccionadores de garrafas de pirolitos, no que respeita aos fabricantes de garrafas de vidro.
Se verificarem no fundo das garrafas tem quase sempre inscritas duas ou mais letras que correspondem às Fabricas:
P - Patais
D ou DS - Damaso dos Santos
CV - Centro Vidreiro
RG - Ricardo Galo
SB - Santos Barosa
VP - Vidreira Portuguesa
BA - Barbosa e Almeida
FC - Ferreira Custódio
CB - Cabo Mondego
CIP - Compª Industrial Portuguesa
FL - Fábrica Lusitania

Existem também outras garrafas sem qualquer inscrição com referência aos fabricantes do Vidro.
Esta é uma lista que eu tive conhecimento e partilho com todos, independentente de outras informações que possam haver mais completas.
Abraço de amizade
Carlos Caria

Ana Marques Pereira disse...

Carlos Caria,
Obrigado pelos aditamentos. Parece que esta é uma tarefa mais vasta do que se adivinhava.
Cumprimentos

ivc disse...

Gostava de saber em que ano foi cancelada a distribuiçao do pirolito em Lisboa?
Sou de 72 e lembro-me de beber esta bebida e aproveitar os berlindes para jogar com os meus irmaos mas há quem teima que o produto foi retirado bastante tempo antes.
Parabens pela iniciativa do tema debatido.
ivc

Ana Marques Pereira disse...

ivc
A minha ideia é também de que já não estava disponível nessa data. Mas sinceramente não lhe sei responder.
Fica aqui a sua pergunta. Pode ser que alguém leia e saiba a resposta, como já aconteceu com outros temas.

Senador disse...

Tive a sorte de há cerca de em finais do mês passado, adquirir um pirolito - garrafa cheia e intacta - que julgo ser das últimas, uma vez que, apesar de ter o berlinde, já era fechada com carica. No rótulo, intacto, apresenta como "marca" "pirolito bilas".
Quanto ao seu fabrico/engarrafamento, diz o seguinte:
Fabricado e Engarrafado por IMPERIAL - União Cervejeira Portuguesas, S.A.R.L
Santa Iria da Azóia.

No fundo da garrafa e em "forma de cruz", encontra-se "gravado" o seguinte: Um R dentro de um C, em estilo monograma.
73 - Ano ?
2 - Mês ?
255 - Lote ?

Das mais antigas, nos anos 50/60, era miúdo, "aviei" largas dezenas" na tasquinha do meu pai

Ana Marques Pereira disse...

Senador,
Obrigado por mais estas achegas. Tendo havido tantas fábricas de pirolitos é natural que haja muita informação dispersa. A pouco e pouco vamos construindo o puzzle.

overstep disse...

Ora viva!
Sou de Cantanhede, e havia aqui uma fábrica de pirolitos que era do Sr Tino que todos o conhecemos como Tino dos pirolitos com a marca S.Jorge, essa fábrica após o fim da produção do pirolito passou a fazer a tradicional gasosa em garrafa de litro de vidro e mais tarde as laranjadas. Obrigado por este site tao rico de experiencias!

Ana Marques Pereira disse...

Olá Bom Dia Overstep,

Obrigado também pela sua informação. Essa fábrica ainda existe? Se existir diga-me o nome da marca e se as garrafas têm alguma característica diferente das outras.
Cumprimentos

Anónimo disse...

Este artigo é genial. Matei saudades e aprendi bastante. Eu era mto pequeno. Não me recordo de marcas mas a sensação maravilhosa de ver o berlinde dentro da garrafa e beber a gasósa é algo que nunca vou esquecer. Obrigado pelo artigo e por todos os que colaboraram com a informação adicional.

Ana Marques Pereira disse...

Anónimo,
Obrigado por expressar oseu entusiamo.

Anónimo disse...

Havia tantos problemas com a higiene que... olha... está cá toda a gente para contar como foi...

É este o problema da dita "evolução".

Amaro Pereira disse...

Olá
Sou da ilha da Madeira e estou a juntar garrafas de pirolitos entre outras, só muito recentemente fiquei a saber que na Madeira também existiu uma fábrica de pirolitos,( Atlantic Brewery ) do Gaulês H.P.Miles que fundou a sua empresa em 1872 e importava as garrafas de pirolitos de Inglaterra e que mais tarde deu origem à empresa de cerveja da Madeira ( 1934) , por aqui podemos deduzir que foi muito provavelmente na madeira que surgiu pela 1ª vez o saudoso pirolito ( Codd ), patenteado pelo Inglês Iram Codd em 1872.

Ana Marques Pereira disse...

Amaro Pereira,
A sua infrmação é interessante. . Foi seguramente uma das primeiras pelo que diz, não sei se pode é tirar essa conclusão na falta de registos.
Cumprimentos

Amaro Pereira disse...

Olá
Voltando aos pirolitos, tenho em posse,algumas garrafas de pirolitos da Fábrica Atlantic Brewery, do Galês H.P. Miles, que chegou à Madeira ainda criança e que com 19 anos apenas fundou a sua Empresa em 1872, curiosamente no ano em que foi patenteada a garrafa de pirolitos, criada pelo Inglês Hiram Codd, como é sabido os Ingleses são pioneiros neste tipo de garrafas, das mais váriadas formas, feitios e côres destacando as Hybrídas e até garrafas de pirolitos com 30cms, de várias côres, os pirolitos da Madeira eram importados de Inglaterra porque ainda não existiam em Portugal, os pirolitos da Madeira são altos e largos e muito robustos, para além de transparentes também existe os de côr verde muito escuro.Os Pirolitos em Portugal surgiram nos anos 20.Quero também lembrar os pirolitos criados Pelo Inglês Dan Rylands que diferem dos de Hiram Codd no formato e tipo de aperto no gargalo.

Jorge Portugal disse...

Deixo a indicação de mais uma fábrica, em Penamacor, a Fábrica de Refrigerantes Carheld.

Ana Marques Pereira disse...

Obrigado Jorge Portugal

A. Barata disse...

Eram bons tempos. Saltávamos os muros da fábrica e lá iamos nós tirar os berlindes das garrafas partidas, que iam amontoando a um canto dentro dos muros da fábrica em Idanha-a-Nova
A. Barata

Ana Marques Pereira disse...

A. Barata
E lembra-se se a fábrica tinha algum nome ou se era conhecida pelo nome do proprietário e, nesse caso, qual era?
Obrigada

ASLO disse...

Boa Noite

Só hoje tive conhecimento deste artigo sobre pirolitos.
Em Estarreja a fábrica de S. Lopes & Alves, Ldª produzia pirolitos, assim como laranjadas, groselhas, fri-cola, gasagram.
Essa fábrica laborou durante a década de 60.
Eu e os meus amigos de infância nas nossas brincadeiras aos cowboys, faziamos assaltos ao banco, que era a fábrica dos pirolitos.
O meu avô apanhava-nos sempre em flagrante e à noite lá tinha sermão e missa cantada.
Partimos dezenas de garrafas depois da fábrica fechar as suas portas para sempre.
Só fiquei com uma garrafa como recordação.
Dava cá um gozo carregar na bolinha de vidro para beber aquele líquido gaseificado com sabor a limão.
Ainda não era comercializada a 7 UP em Portugal.

Ana Marques Pereira disse...

ASLO,
Hoje deve estar bem arrependido de ter partido as garrafas e não as ter guardado.Mas faz tudo parte do processo de crescimento. Cumprimentos

Daury de Paula Junior disse...

Olá,
Sou do Brasil e aqui as "garrafas de bolinhas" foram comercializadas apenas entre as últimas décadas do século XIX e primeira década do século XX. Todas as garrafas da minha coleção são de fabrico inglês ou francês. Tenho, entretanto, garrafas portuguesas, dentre elas uma de "Água de Inglaterra" de Ribeiro da Costa & Cia.. É de fabrico industrial e traz a marca do fabricante do frasco: I.L.V.C.. Alguém sabe o nome desta fábrica? Obrigado.

castanho disse...

Em Beja existiu tambem uma fabrica de gasosa "pirolitos" em que as garrafas eram em relevo com a figura de um gato e com o nome da localização aguas das caeiras beja , pois a fabrica situava-se a norte da cidade de Beja nas caeiras e do pouco que conheço das garrafas de pirolitos é a unica com relevos

Ana Marques Pereira disse...

Castanho,
Agradeço a sua informação.

Paulo Soares disse...

Só cheguei a Portugal em Agosto de 74 e lembro que ainda em 75 havia o refrigerante.
A seguir desapareceu e apareceu a sevenup

António Botas Rei disse...

Um esclarecimento relativamente à produção de refrigerantes em Redondo:
a "fábrica dos Botas" e a "fábrica de Refrigerantes Serra d'Ossa" foram uma e a mesma.
O nome da Empresa era "Refrigerantes Serra d'Ossa, e foi detida pela família Botas entre 1932 e 1976. Conheço esta realidade porque sou da família, e já publiquei sobre a história da Empresa em causa.

Ana Marques Pereira disse...

António Botas Rei,
Obrigada pela sua informação. Fica a correcção. Onde é que escreveu? Cumprimentos

Senador disse...

Vai um pirolito?

http://valdemartrofa.blogspot.pt/search?q=pirolito

Valdemar

Jesus Cristo laico disse...

Há época, nos campos de futebol, ouvi-se com frequência os vendedores de refrigerante apregoarem "gasosa ou pirolito" nascendo então o trocadilho "pirolosas ou galitos".

Jesus Cristo laico disse...

O instrumento mais vulgar para abrir os pirolitos era um pequeno pau circular de diâmetro ligeiramente menor do que o buraco do gargalo das garrafas e o outro extremo esférico de maior diâmetro; o pau era introduzido no buraco do gargalo e com uma pancada fazia descer o berlinde, berlinde este que era de boa esfericidade e fosco servindo para as crianças como abafador de segunda classe.
O método de selecção dos berlindes era fazê-los passar várias vezes por várias tábuas com muitos furos, umas tábuas com furos de diâmetro máximo e outras com furos de diâmetro mínimo, como os instrumentos de medida conhecidos por “passa não passa”, e no final escolhiam-se os berlindes que sobravam.
O jogo do berlinde entre miúdos na Marinha Grande tinha uma característica especial; os miúdos limitavam-se a apontar os berlindes que ganhavam e perdiam a favor de quem e de tempos-a-tempos passavam pelas fábricas e enchiam os bolsos de berlindes surripiados dos caixotes dos rejeitados para pagarem a quem deviam. Claro que os berlindes eram excelentes projécteis de fisga para caça aos pássaros e os mais malandros usavam-nos para atirarem às canecas dos paus de fio, os isoladores das linhas aéreas telefónicas e de energia.

Miguel Correia disse...

Olá, tenho uma garrafa de pirolito com o fundo em bico em vez de achatado, é curioso porque a garrafa não se mantém de pé, alguém sabe a origem desta garafa

Ana Teixeira disse...

Eu estava a viver no Canadá e lembro-me de vir de férias a Portugal pela primeira vez em Dezembro de 1974 e de beber muitos pirolitos e colecionar muitos berlindes. Nessa altura não havia 7-up nem Coca-cola. Depois nos verões de 1976 e 1978 também vim de férias mas já não me lembro dos pirolitos e nessas alturas já havia 7-up e coca-cola. Mas também gostava de saber com certeza quando acabaram os pirolitos.

Fernando Jorge S Cardoso disse...

Em Alhandra, anos 50, tb houve uma "fábrica" de pirolitos, num pátio de uma espécie de palacete que havia nas imediações da estação da CP e junto à praça dos automóveis (táxis).Eram bem bons, custavam 5 tostões e creio que o proprietário era um tal de Capitão Faria.

Ana Marques Pereira disse...

Fernando Cardoso, Obrigado pela sua informação.

sexto sentido disse...

Boa tarde, Sou de Serpa e tenho conhecimento de duas fabricas no concelho de Serpa. Uma em Vila Nova de S. Bento e uma outra na aldeia de Vale de Vargo (no hoje conhecido Monte das Louzeiras).
Sendo que a Garrafa utilizada em Vila Nova de S. Bento tinha na sua base "SB" e a garrafa utilizada no Monte das Louzeiras tinha inscrito "FG".
Por estar a construir a História do Pirolito do Monte das Louzeiras, solicito todas as informações que me possam ser endereçadas ... carlos.santosmalveiro@gmail.com

VITOR FERNANDES FERNANDES disse...

Em Oliveira do Hospital houve a Fábrica das Laranjadas e Pirolitos do Ameal, gerida por Armindo Lousada. Um dos mais importantes empresários da região.

Alberto Guimarães disse...

Boa noite.
Suponho que aqui em Braga, na extinta fábrica de refrigerantes do Sameiro, também se devem ter produzido pirolitos, mas como a fábrica já fechou há muitos anos será muito difícil esclarecer isto.
Apenas por curiosidade: as "caricas" que fechavam as garrafas de qualquer refrigerante eram conhecidas, em quase todo o Norte, como "sameiras", devido aos refrigerantes produzidos em Braga.
As "sameiras" também serviam para jogos infantis, conhecidos como "jogar à sameira".
Alberto Guimarães
Braga

Anónimo disse...

Em Rebordosa- Penacova existia a fábrica do sr Eugénio. ..anos 50/60 ..não recordo se era pirolito se gasosa..penso que era pirolito..talvez alguém saiba mais