No meio das fotografias por organizar, encontrei esta imagem de uma família que visitou o Santuário do Sameiro, em 1943. O casal, montado em burros, era acompanhado por um outro indivíduo mais velho, igualmente montado num outro animal. Presume-se que subiram lá acima neste meio de locomoção em alternativa à subida do escadório. À primeira vista podia-se presumir que as duas crianças na frente do casal eram familiares do mesmo. Mas olhando bem vê-se que estão descalças e que o seu à-vontade é total, segurando nas rédeas dos burros. De aí eu concluir que seriam responsáveis pela condução dos animais, talvez trabalhando para o homem mais velho engravatado.
Mas o que me
chamou à atenção foi o local onde foi tirada a fotografia: em frente à Doçaria
Sameiro. Embora os letreiros exteriores estejam parcialmente cobertos, pode
ler-se, debaixo do nome, que vendia “Vinho Verde (?) e Maduro e Laranjadas.”
Por baixo estaria o nome do proprietário de que só se consegue ver o SILVA, estando
obliterada a primeira palavra.
Esta Doçaria, dado o seu nome e localização, venderia seguramente os “sameirinhos”, doces a cuja receita se atribuí uma proveniência conventual e que são considerados como uma das especialidades de doçaria genuinamente bracarense. São pequenos bolos feitos com uma massa estaladiça e são recheados com um doce de ovos e amêndoa. São hoje vendidos em algumas pastelarias tradicionais de Braga, com o formato de um pequeno rectângulo ou barquinho, sendo muito apreciados .


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