terça-feira, 30 de setembro de 2014

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

As sardinhas Derby

 
Falar sobre um assunto de que nada sei não é a minha especialidade. Não podia contudo deixar de mostrar esta placa litográfica destinada a ser colocada nos estabelecimentos que vendiam as «Sardines Derby».
Apesar de todo o texto estar em francês é provável que as sardinhas fossem portuguesas e se destinassem ao mercado de exportação. Não consegui no entanto obter qualquer informação sobre esta marca e a placa também não apresenta qualquer identificação da litografia.
A marca não se encontra registada nem em Portugal nem no estrangeiro e também não obtive mais qualquer outra referência adicional.
Voltarei ao tema se conseguir saber mais alguma coisa sobre o produtor ou a marca.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Pois, Pois, J. Pimenta

A região de Tomar forneceu muitos dos construtores que alteraram a arquitectura de Lisboa na primeira metade do século XX. A grande maioria chegava como servente e subia depois a construtor, tendo ficado conhecidos por «patos-bravos».
João Pimenta, nascido na aldeia do Souto, perto de Abrantes começou também como servente na construção civil. Em 1956 fundou a empresa «J. Pimenta, SARL » que teve um impacto enorme na construção da época. Começou por construir habitações na Reboleira e posteriormente em Cascais, Paço de Arcos, etc.
Em 1970, nos «Anúncios de Portugal» surgia publicidade ao empreendimento «Miratejo » afirmando-se que tinham sido vendidos em 8 meses mais de 80 lotes e mais de 350 apartamentos.
J. Pimenta apoiou-se bastante na publicidade, quer através da empresa Sistema, quer através da Parodiantes de Lisboa, que terão sido os criadores da expressão «Pois, pois, J. Pimenta», que tanta aceitação teve. O anúncio apresentado na rádio era mais extenso e começava por «Atchim, Santinho», a que outra voz respondia «Santinho não, pimenta», para terminar com «Pois, pois J. Pimenta», que ficou no ouvido e foi repetido com o sentido de «pois sim».
 
A publicidade de 1970 mostra-nos vários blocos em construção em Miratejo, com apartamentos de 2 a 5 divisões e onde era introduzido o modernismo da kichenete. A imagem da cozinha, e a projecção do andar, revela-nos a simplicidade do apartamento que, por 160 contos, era já vendido com móveis Olaio e equipado com máquina de lavar roupa, frigorífico, fogão, esquentador e exaustor eléctrico de fumos. Uma modernidade para a época que foi um sucesso. 
Com o 25 de Abril contudo a empresa, como tantas outras, ficou nas mãos dos trabalhadores e não resistiu aos tempos. Tal como o seu fundador que teve que emigrar para o Brasil. Quando regressou tentou recuperar a empresa mas os tempos eram outros e não foi possível.
Ficou a expressão «Pois, pois, J. Pimenta» e resistiu também este boneco publicitário de louça, sob a forma de cozinheiro que, na realidade era um cinzeiro. Fabricado pela Fábrica de «Cerâmica Madalena», de Leiria, fundada em 1945 e que em 1970 passou a designar-se «Nova Cerâmica da Madalena», aquando da entrada de dois sócios e da Empresa de Empreendimentos J. Pimenta.
Este cozinheiro que apresenta na base a marca «Madalena» será portanto anterior a 1970 e mostra-nos duas coisas: uma afeição de J. Pimenta à ideia de associação da sua actividade à especiaria com o mesmo nome e ao imaginário culinário e um conhecimento anterior da fábrica de cerâmica, o que viria a dar os seus frutos, ao tornar-se sócio.

sábado, 13 de setembro de 2014

Desenhos fabulosos de... «Fábulas»

O mundo encantado das fábulas vive não só das narrativas mas sobretudo das imagens que nos ficam na memória.
No livro «Fables» de Anatole de Ségur (1823–1902) publicado em 1864, o editor J. Hetzel, juntou os dois primeiros livros de fábulas, publicados em 1847, e os outros dois publicados em 1863. O autor foi um conhecido escritor de fábulas nas horas vagas da sua actividade burocrática.
A enriquecer o livro encontram-se gravuras em madeira feitas por Lorenz Froelich (1820-1908). Este pintor e desenhador dinamarquês salientou-se sobretudo na ilustração infantil e os seus desenhos podem encontrar-se nos principais livros deste tipo de literatura, da época.
Escolhi imagens de duas fábulas que permitem observar a riqueza de pormenores das ilustrações e que se adaptam ao tema deste blog. A primeira fábula intitula-se «A raposa convertida» e a segunda «A miséria à procura da fortuna».
Para terminar uma das imagens do livro «O circo em casa», com texto de P.-J. Stahl e que foi igualmente ilustrado por Froelich, desta vez a cores. 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Livro «Receitas usando especiarias Tajmahal»

A implantação de indianos em Moçambique remonta ao século XVII. Seria contudo no final do século XIX e na primeira década do século vinte que um maior número se instalou nesse país, até que a invasão de Goa alterou a forma como eram visto. Embora alheios ao processo foram perseguidos e muitos viram-se obrigados a regressar à Índia.
Uma grande parte dedicou-se ao comércio e foram eles que divulgaram a alimentação indiana, tão apreciada em Moçambique. 
Este pequeno livro de receitas não tem data (anos 50?) e, de acordo com informações na introdução, é já a 3ª edição.
As receitas eram feitas com as especiarias da marca «Osman’s Tajmahal» uma empresa sediada na África do Sul e fundada nos anos 20 por Osmana Karrim Dada. Hoje mantém a actividade e tem na sua direcção Ismail Osman. 
As especiarias eram vendidas no Mercado Chong em Lourenço Marques e o livro «Novas receitas usando especiarias Tajmahal» devia ser uma oferta aos clientes. Nele encontramos 31 receitas que passam por vários tipos de caril, biriani, pilau de carne picada, samoosas, pickles, chutneys, e pães como naan e chapaties.
O mais engraçado é que no site actual da empresa apresentam ainda, além dos produtos, algumas receitas, o que significa que informar resulta.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Tomar café no «Café dos Pretos»

Agora que o espaço da Feira Popular em Entrecampos é um enorme buraco deserto no centro da cidade, lembramos-nos de como a víamos quando éramos pequenos.
 Na minha memória paira ainda uma imagem ténue da primeira Feira Popular, que existiu nos jardins de  Palhavã e onde, pela primeira vez, vi uma televisão. Os visitantes curiosos e incrédulos rodeavam o aparelho de grandes dimensões para terem a certeza que não estava lá ninguém dentro.
Quando em 1961 se mudou para Entrecampos transformou-se em local de visita das famílias que levavam as suas crianças. 
Os preparativos para a Feira Popular em 1952. Foto Armando Marques
Com o tempo foi perdendo magia e passou a ser mais visitada para consumo dos restaurantes. Poucas vezes lá voltei nos últimos anos e as minhas recordações são sobretudo de infância. 

Se juntássemos agora várias pessoas víamos que todos tinham recordações diferentes e, como acontece nos escritos de alguns blogues, só então recuperávamos esses pormenores. Já me tinha esquecido das duas bailarinas que mexiam as ancas de cada um dos lados da porta de entrada para o comboio fantasma.
Do que eu nunca me esqueci foi do «Café dos Pretos» que existiu nas duas feiras. Era uma construção tipo palhota que parece ter sido uma cópia de um café que existia em Luanda, em Sambizanga. 
Imagem tirada do blog Feira Popular
Cá fora tinha uma mesas com bancos que eram troncos e que ficavam debaixo de um chapéu de colmo semelhante aos que agora fazem nas praias para dar um ar tropical.
O café que presumo era angolano era servido por pretas com panos na cabeça, camisas de folhos  e saias floridas. 
Mas o mais típico era a forma de servir o café que era apresentado em copos de vidro que vinham dentro de um recipiente em madeira. 
Nunca os vi a ser utilizados em mais sítio nenhum e imaginem o prazer que foi encontrar uns exemplares que rapidamente identifiquei como sendo do «Café dos Pretos». Aqui fica a imagem para reactivar memórias esquecidas.

PS: A imagem que consegui, tirada do blog «Feira Popular» presumo que representa o café «Mazumbo do Kimbondo» em Luanda, porque apesar de muito semelhante, não é exactamente igual à minha recordação ou às poucas imagens que encontrei.