quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cozinhas e casinhas de brincar

Modelo de cozinha do século XVIII
Não sei se ainda hoje as meninas têm a nostalgia das casas de brincar.

Na minha infância nunca tive uma casa de bonecas. A minha mãe ensinou-me a fazer casinhas de cartão que recortávamos e onde desenhava as janelas e as portas. Com estas faziam-se ruas, com casas dos dois lados.

Em alternativa, brincava «às casinhas» fazendo cozinhas, com os brinquedos, ou quartos, com as caminhas das bonecas. Tínhamos um sótão grande, forrado a madeira, que nos permitia utilizar o espaço e fazer no chão divisões imaginárias, com réguas de madeira.
Lembro-me também de brincar «às mercearias» com o meu irmão. Fingíamos que vendíamos os produtos, distribuindo o próprio ar, com pequenas latinhas. Nunca faltava material. O que contava era o movimento que fazíamos com as mãos para distribuir as hipotéticas mercearias.

Naquele tempo ninguém tinha casas de bonecas. Apesar de existirem desde o século XVI, apenas eram realizadas para a aristocracia dos países ricos. Foi contudo no século XVIII que forma feitos os melhores exemplares que chegaram até hoje. Não conheço nenhum exemplar antigo português.

Foi sobretudo na Holanda e na Alemanha que se reproduziram os modelos da época, em pequenas dimensões. Muitas destas casas tinham a forma de armários fechados, com portas envidraçadas ou não, e o seu interior dividia-se em pequenos quadrados que reproduziam os projectos de arquitectura. No seu interior as pequenas peças eram, em tudo, idênticas às dos adultos.

No século XIX, aumentou a sua divulgação. Já não eram tão ricas como as anteriores e apresentavam as fachadas idênticas às das habitações da época.
Casinha do Museu Nacional de Whashington

Ainda hoje quando visito um museu delicio-me a ver estas casas. O meu interesse, obsessivo, dirige-se sobretudo para as cozinhas e salas de apoio.

Um dia, em Innsbruck, vi à venda uma cozinha do século XVIII, que aqui se apresenta. Demasiada cara para as minhas possibilidades, limitei-me a fotografá-la por detrás do vidro na esperança de um dia fazer uma igual. Hoje ao mexer em fotografias encontrei estas imagens.

O projecto de a reproduzir mantém-se. Talvez um dia seja possível.

1 comentário:

Ciliiinha Rosa disse...

A Mikiki tinha uma casinha. Penso que ainda tem.Tinha, (tem )os brinquedos mais bonitos que já vi. (Com algum exagero meu , claro)