terça-feira, 22 de setembro de 2009

Jorge Brum do Canto e «O Livro de Pantagruel»

Chegou-me às mãos um folheto sobre «Jorge Brum do Canto», com o subtítulo «Um homem do cinema português». Escrito por Félix Ribeiro, em 1973, relata a sua experiência como crítico de cinema, a partir de Março de 1927, para o «Século», e mais tarde como realizador e actor nos seus filmes.
Não vou aqui falar da sua obra cinematográfica, em que se destacam filmes como «A Canção da Terra» (1938), «João Ratão» (1940) e «Chaimite» (1953), mas de outros aspectos salientados na referida publicação.

Interessa-nos para o tema deste blog a sua acção como gastrónomo e grande conhecedor de culinária.
Nascido em Lisboa, a 10 de Fevereiro de 1910, era filho de Bherta Rosa Limpo, vindo o seu apelido do nome de seu pai Brum do Canto. Para os mais distraídos, recordo que sua mãe foi a autora de um dos mais famoso livros de culinária portugueses: «O Livro de Pantagruel». Este livro foi publicado pela primeira vez em 1946, tendo-se esgotado em apenas 34 dias. Fez parte, durante décadas, dos enxovais de todas as meninas casadouras portuguesas.
Eu sabia que o seu filho Jorge Brum do Canto tinha colaborado nesse livro, em especial na revisão ortográfica. Mas o que me informava o folheto de Félix Ribeiro ia muito para além disso.
Na realidade, a partir da 23ª edição de «O Livro de Pantagruel», para além das 3.000 receitas que constituíam o fundo da obra escrita por sua mãe, foram-lhe adicionadas outras 2.559, muitas das quais da autoria de seu filho Jorge. Ele próprio incluiu novos capítulos como «Temperos», «Vinhos», «Decoração de Mesas», etc.
A foto, que se reproduz, vê-se J. B.C. acompanhado de sua mãe e de sua irmã, os três autores de «O Livro de Pantagruel».

Apesar da grande revolução que a culinária tem sofrido nos últimos tempos, o livro não perdeu o seu lugar, como livro de consulta, e continua a ser publicado. Vai presentemente na 73ª edição, agora a cargo de sua filha Maria Manuela Limpo Caetano.

13 comentários:

Marta disse...

Boa tarde Ana Marques Pereira.

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T disse...

Cheguei a conhecer o delicioso apartamento onde ele viveu, dimensionado para uma pessoa só e desenhada de forma a facilitar a vda do dono da casa.

Ana Marques Pereira disse...

É interessante. Nas fotos de uma entrevista que o mesmo deu surge ainda na casa onde então vivia com a mãe. Numa delas surge diante de um grande armário onde guardavam as especiarias.

T disse...

Este era em Alvalade:) Morava lá o namorado duma amiga minha. E tinha um pequeno quintal.

AVENTUREIROS DA QUINTA À DESCOBERTA DO 2º CICLO... disse...

Gostava de fazer algumas rectificações pois tive o prazer de privar com os tres autores. o nome da autora é BERTHA-ROSA LIMPO com TH e foi uma maravilhosa cantora lirica alem de uma cozinheira colossal.

o Nome da filha é Sra Dª MARIA MANUELA e não Maria Manuel.

Quanto ao post que fala do apartamento do Sr Jorge Brum do Canto era no Areeiro mais precisamente na Avda de Madrid.

T disse...

Sim, deve ter razão. Nessa altura identificava mal essas zonas e foi a memória que guardei.

Ana Marques Pereira disse...

Aventureiros da Quinta,
Obrigado pelas correcções que já confirmei terem fundamento. Vou corrigir e agradeço os pormenores.

Carlos Rodrigues disse...

boa tarde.

engraçado numa altura em pesquisava aqui na internet algo a ver com livros relacionados com a culinaria, dou com o vosso blog, e reparei que tenho o livro referido neste texto da autora mencionada.

obrigado

Ana Marques Pereira disse...

Carlos Rodrigues,
Em meados do século passado este livro existia em quase todas as casas que se preocupavam com culinária e fazia parte do enxoval das meninas casadoiras.

Rita Nicolau disse...

Jorge Brum do Canto fez parte da história da minha família. A mãe do meu avô foi ama de leite do «menino Jorge», colaborava também com a Dona Bertha Rosa Limpo nos estudos e experiências que originaram o Pantagruel, tendo no livro uma receita da sua autoria «Morcelas à Moda de Vila Moreira», a terra da minha bisavó, que erradamente está atribuída à Estremadura, sendo a região correcta o Ribatejo. Ela participou também em alguns filmes do «menino Jorge», como figurante.
Contaram-me também que o pai ou avô dele teria sido um dos conselheiros do rei, e foi também alguém dessa família que inventou a água oxigenada. Estas histórias já não são bem certas, mas tenho uma fotografia da minha mãe com 4 anos em cima de uma tartaruga que o «menino Jorge» tinha. Histórias que se cruzam na família.

Ana Marques Pereira disse...

Rita Nicolau,
Obrigada pelas suas informações que ajudam a completar este poste.
Cumprimentos

Teresinha disse...

Olá Ana
Foi com certa curiosidade e enorme prazer e que complementei aqui informação sobre os meus parcos conhecimentos acerca do Pantagruel.
A minha mãe (com quase 97 anos) tem, em S. Miguel, um exemplar autografado pela autora, Senhora D. Bertha Rosa Limpo, salvo o erro, da 16ª. edição. Quando lá for certificar-me-ei disso!
Mas foi por esse extraordinário livro que a minha mãe confecionou imensos pratos, desde excelentes carnes, peixes e mariscos (abundantes e bons nos mar dos Açores...), até aos deliciosos bolos.
Pelo Pantagruel também aprendi os primeiros passos na culinária e ainda hoje adoro cozinhar, agora inventando e misturando sabores dos 5 continentes por onde viajei, que fazem, ainda hoje, as delícias de quem os saboreia e que publico no meu blogue www.dasmaosdateresinha.blogspot.com.
Parabéns pelo seu blogue. Irei segui-lo atentamente!
Desejo-lhe uma boa tarde.
Teresinha
(residente em Coimbra, nascida em S. Miguel, onde há referências ao nome Brum do Canto)

Ana Marques Pereira disse...

Olá Teresinha,
Obrigada pelas suas palavras. Voltarei ao tema da Rosa Bertha Limpo porque tenho mais alguma informação.
Os meus parabéns pela suas múltiplas actividades.
Um abraço