quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A Toddy e a "Toddymania"

Nada fazia prever um grande sucesso a uma bebida inventada por um natural de Porto-Rico, de nome Pedro Erasmo Santiago, em 1930. Ainda menos se pensarmos que a bebida, uma mistura achocolatada para juntar ao leite, e destinada sobretudo a crianças, ia buscar o nome de uma bebida alcoólica chamada «Toddy».
Com vários séculos de história e muito apreciada pelos escoceses, «Toddy» é uma bebida em que, a uma base alcoólica, se junta água, açúcar e especiarias. É semelhante ao «grog» mas menos alcoólica. Pela descrição parece-me também semelhante ao nosso «ponche». Normalmente é designada por «Hot Toddy» precisamente porque é servida quente.
A origem da palavra vem de taudi, o nome indiano para a bebida alcoólica extraída da palmeira. A palavra em Sanscrito é toldi ou taldi, de tal, suco de palmeira. (Dictionary of Phrase and Fable, E. Cobham Brewer, 1894)
Embora seja esta uma das influências atribuídas para a criação da bebida, com uma associação ao Toddy das Caraíbas, em que ao rum se junta açúcar e cacau, não consigo ver qualquer ligação com o que viria a dar o produto final. A marca foi comercializada no Brasil em 1933 e, em 1940, noutros países como a Venezuela, Espanha e Portugal. Utilizando técnicas publicitárias inovadoras para a época conseguiu um grande sucesso com o seu produto.
Tendo falecido Pedro Santiago em 1966, foi o seu filho que começou a venda de parte das fábricas, inicialmente na Venezuela e, em 1981, vendeu a Toddy Brasil à Quaker Oats. Em 2001 a mesma foi vendida à PepsiCola. Em Portugal a Toddy foi comercializada até, pelo menos, ao final dos anos 80, mas deixou uma doce recordação na mente de todos os que a experimentaram. Vejam-se os exemplos de A. Teixeira e da T.

5 comentários:

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Extraordinário.
Viciante é pouco.

T disse...

Tenho estes 4: http://diasquevoam.blogspot.com/search/label/Toddy

Vou ver se arranjo mais alguns. É tão engraçado ver como a publicidade se adapta.

Gostei muito de a ler:)

Elia disse...

Que interessante a tua "descoberta" da ligação de Jorge Brum do Canto ao Pantagruel!
Na nossa idade, ninguém deve ter escapado a essa influência!
Também tenho um antigo que é fabuloso, mas não tão bom, em termos de culinária, que é "A mulher na casa e na cozinha". Lamento mas deixei-o em Lisboa e não sei de cor nem a autora nem a editora...

Elia disse...

Estou à espera do novo objecto mistério...

Ana Marques Pereira disse...

O título do livro é «A mulher na sala e na Cozinha» e era da Laura Santos.
Teve também muita divulgação junto das noivas, mas não era apenas um livro de cozinha, mas de um género que se integrava mais na noção de Economia Doméstica.