quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A Fábrica de Bolachas Paupério -1

Cartaz em vidro existente na loja (década de 1940-1950)
Aproveitei uma ida ao Porto para me deslocar a Valongo e visitar a Fábrica de Bolachas Paupério. Fui acompanhada por uma das suas zelosas funcionárias, a Ana Soares, que me foi explicando as várias fases de produção das bolachas.
Fachada actual da fábrica em Valongo
Esta empresa, que começou com uma parceria entre António de Sousa Paupério e Joaquim Carlos Figueira surgiu em meados do século XIX, mas foi em 1874 que se registou como «Paupério &  Companhia».
Fotografia antiga. Note-se a semelhança com as actuais.
Como então era habitual, a firma participou em várias exposições internacionais como a Exposição de Filadélfia em 1876, e a do Rio de Janeiro em 1879, cujas medalhas se iriam juntar à anteriormente ganha na Exposição Hortícula e Agrícola que teve lugar no Porto, no Palácio de Cristal.

Após a morte de António Sousa Paupério, em 1907, os seus herdeiros venderam a sua parte ao outro sócio fundador. Hoje a fábrica encontra-se nas mãos da 5ª geração da família Figueira.

Em 28/6/1935 a firma Paupério & Cª Sucessores, pediu o registo do nome «Fábrica Paupério, Biscoitos e Bolachas»[1], com despacho em 27/4/1936[2].

Em 1938 registaram as seguintes variedades: Roscas Inglesas, Bolacha Comum, Biscoitos de Viseu, Morgadinhos e Provincianos. Alguns meses depois registaram as bolachas «Mocidade»[3], de feitio quadrado e tendo impresso as cinco quinas. No ano de 1941 foi registada a marca «Bolo Rei Paupério»[4], que continuam a produzir. Em 1946 foi feito o registo da marca «Paupério» para compotas, conservas e geleias de frutos e marmelada[5]. 
Registo do modelo de Bolachas Mocidade

Na década de 1950 a fábrica foi apetrechada com moderna maquinaria e, embora posteriormente tenham adquirido novas máquinas, em que se inclui a que faz chocolate, muitas das resistentes máquinas mantém-se ainda hoje ao serviço.
Conscientemente guardaram as máquinas que já não se encontram a trabalhar, num projecto para a instauração de um museu sobre a fábrica, que faço votos se venha a concretizar.

Presentemente produzem cerca de 32 variedades de bolachas e biscoitos, para além do Pão-de-Ló Paupério e do Bolo-rei Paupério produzidos nas épocas festivas. Algumas das receitas mantém-se inalteráveis como é o caso da «Tosta Rainha» fabricada em 1886 em homenagem à rainha D. Amélia.
Ver o funcionamento da fábrica foi um prazer para mim. Pude observar a saída ininterrupta das bolachas, de vários feitios, modeladas por um rolo em metal brilhante e colocadas depois em tabuleiros transportados pelas operárias para serem levadas aos forno, num movimento contínuo coordenado. Uma imagem que não se modificou muito ao longo dos anos, como nos mostram as fotografias antigas.
Apesar da sua idade continua impressionante o grande forno de 9 metros, onde entram os tabuleiros com as bolachas, numa viagem calma, para saírem na outra extremidade ao fim de cerca de 7 minutos, já douradinhas e prontas a embalar.
Zona Final de Embalamento
A fábrica possui uma loja de venda dos seus produtos, aberta ao público, onde recorrem as pessoas da terra para comprar as suas bolachas preferidas a peso. A avaliar pelo movimento não tenho dúvidas que são de grande agrado na região. E serão seguramente no resto do país se se divulgar mais a sua venda.
Um aspecto da loja da fábrica
Estão já a ser vendidas por várias lojas, em embalagens que reproduzem as caixas antigas ou, nos modelos mais pequenos, representando adaptações ao gosto da época.
Este ano vão reproduzir um outro modelo de caixa que já se encontra à venda. Para não me alongar mais falarei sobre as embalagens no próximo poste.



[1] BPI, 1935, Nº 6, p. 237.
[2] BPI, 1936, Nº 4,p. 182.
[3] BPI, 1938, nº9, p. 400.
[4] BPI, 1941, nº 7, p. 233.
[5] BPI, 1946, nº1, p. 55.

4 comentários:

-pirata-vermelho- disse...

Foste lá?
(não existes! és estrórdinária...)

Chegaste a ver a Fábrica de Massas Italy, no Campo Grande, num sítio a que agora chamam Entrecampos, esquecendo (ignorando) que Entrecampos é a zona entre o Campo Grande e o Campo Pequeno?
Tinha graça mas
--> Demolida
--> Mamarracho no lugar
--> CML no seu melhor


beijos&beijos

Ana Marques Pereira disse...

Olá Pirata Vermelho,
Não me lembro nada dessa fábrica.
Em que época foi isso?
Um bj

-pirata-vermelho- disse...

Deve ter sido demolida algures nos anos 80.

Não me lembro.

Na esquina adjacente à Biblioteca Nacional, a sul - não te lembras?

Roberto Almeida disse...

a fábrica encontra-se ainda aberta em valongo