sábado, 8 de maio de 2010

O Licor Beirão ontem e hoje

Tenho por hábito ver os postais publicitários colocados nos restaurantes e cafés. Já fazia isso no estrangeiro e agora, que também já são frequentes em Portugal, faço o mesmo.
Uma grande maioria não me diz nada, há alguns que me deixam espantada e outros, em especial os de “comidas e bebidas” fazem as minhas delícias. Selecciono estes últimos e penso sempre que posso um dia vir a utilizá-los. Ainda não tinha acontecido.
Há dois dias entrei numa casa para tomar um café e, ao sair vi num escaparate vários desses postais. Entre eles encontravam-se dois de publicidade ao Licor Beirão.
Um deles reproduzia uma majorette americana vestida de encarnado, com um curtos calções e um blusa ainda mais curta que, segundo uma entrevista dada pelo fundador da fábrica[1], o senhor José Carranca Redondo (1916-2005), causou na altura grande escândalo. Estava-se em 1951 e a moral então existente achou a imagem demasiado escandalosa, por pouco vestida. As letras LB, na blusa e no megafone da jovem eram a única ligação ao Licor Beirão. A legenda dizia «É de bom gosto servi-lo... É de bom gosto bebê-lo...». A publicidade é que não era de bom gosto, ao contrário de todas as outras que a empresa, grande precursora das técnicas publicitárias, veio a utilizar.

A história do Licor Beirão pode ser consultada no site da própria empresa ou no da Câmara da Lousã, mas vou resumi-la rapidamente.

Nos finais do século XIX, a Farmácia Serrano, na Lousã produzia uma bebida, tipo licor, com várias ervas (funcho, erva-doce, orégãos, etc) e que era vendida como bebida medicinal.

Luís de Pinho um caixeiro-viajante, que vendia vinho do Porto, após ter casado com a filha do farmacêutico, decidiu comercializar a bebida num local separado da farmácia. O licor, após o Congresso Beirão, que teve lugar em 1929, passou a chamar-se Licor Beirão. Foi para essa empresa, a Lousanense, que foi trabalhar José Carranca Redondo, vindo posteriormente a adquiri-la, em 1940, quando Luís Pinho faleceu.

Carranca Redondo teve, desde o início, uma percepção da importância da publicidade, notável para a época.

Se bem que o mais conhecido cartaz publicitário desta bebida seja o que inclui uma placa de madeira com a palavra Licor Beirão, sobre a qual repousa um pequeno pássaro, frente a uma paisagem calma, feito em cartão ou em azulejos, espalhados por Portugal, muitas outras surgiram.
O anúncio feito para televisão, interpretado pelo cantor romântico Tony de Matos, é um momento a recordar com prazer e pode ser visto no youtube ou em vários blogues.
E chegamos agora ao segundo postal que recolhi e que se trata de um anúncio sobre um concurso de design Licor Beirão. Com a imagem tradicional da placa de madeira em várias cores, num grafismo tipo Andy Wharhol, segue as pisadas do fundador da casa e procura manter vivo o imaginário da bebida, agora renovada pela nova geração herdeira.
E para finalizar, deixo a imagem de dois suportes de guardanapo, dos anos 60-70, da minha colecção e que aguardavam um momento para serem apresentados.
Distribuídos por bares e cafés, tinham a mesma missão que sempre guiou o seu fundador: a de divulgar a imagem da bebida e colá-la à ideia de Licor de Portugal.
[1] “Diário de Notícias”, 17 de Junho de 1998.

10 comentários:

T disse...

Belo post, como sempre:)
Obrigada:)

Ana Marques Pereira disse...

T
Eu é que agradeço os seus comentários. Um abraço

Carlos Caria disse...

Penso que existe por aí nas estradas uns painéis de azulejos do Licor Beirão, marca reconhecidissima, que tenho de fotografar.
Logo que os veja, vou caçar a foto e enviá-los.

Ana Marques Pereira disse...

Carlos Caria,
Há uns anos fotografei um painel desses.
Não sei onde anda a fotografia, mas lembro-me que eram da Fábrica Aleluia.Se entretanto encontrar um painel agradeço-lhe o envio.
As suas publicidades Aliança, estão a aguardar uma oportunidade.
Um abraço.

Carlos Caria disse...

Sim a Fabrica Aleluia também produzio os paineis dos Nitratos do Chile, e desses tenho vários fotografados, bem como paineis de azulejos da Mabor, Banco Totta etc,embora não seja tema alimentar é para informação.

Anónimo disse...

Fiquei com vontade de provar.Só não entendo porque é que as aguardentes portuguesas são mais caras que o whisky escoces.Francisco

Ana Maria Job disse...

Oi Ana!Me desculpa a ausência .Passei rápido e sempre me encanto com teu trabalho.Tenho fotos para te enviar de um material.Envio para teu e-mail não é?Me indique direitinho para onde tá?Vou fazer com calma.Abraço.

Ana Marques Pereira disse...

Olá Ana Job,
Pode-me contactar através do e-mail do blog:
garfadasonline@mail.com
Fico a aguardar notícias.
Um abraço

Ana Marques Pereira disse...

Ana Job,
Peço desculpa. O endereço saiu errado. É:

garfadasonline@gmail.com

Luis Ferreira disse...

boa tarde alguem me pode informar de quanto pode valer um suporte de guardanapos do licor beirão?