
Isso não se aplica ao absinto, que provavelmente nenhum de nós experimentou, mas sobre o qual todos sentimos uma misto de receio e atracção.
( Poster Arte Nova de publicidade ao Absinto)
O absinto é uma bebida amarga feita pela destilação de uma planta a Artemisia Absinthium, a que se adicionam outras ervas como o anis, funcho, hissopo, etc., numa receita que varia segundo o produtor e o país.
A planta Artemisia Absithium L.
A planta Artemisia Absithium L.
Embora tivesse sido usada pelos antigos egípcios (1552 A.C.) como medicamento e tenha sido recomendada por Hipócrates (~460-337 A.C.) para as dores menstruais e reumatismo, seria no século XIX que o seu uso atingiria o apogeu ao tornar-se na bebida mais consumida da Europa. A sua fama como afrodisíaca e os seus atributos de estimulante intelectual, com consequente capacidade criativa, fizeram com que se divulgasse sobretudo na alta sociedade e nos meios artísticos, com destaque para Paris e Praga.
Nomes como os dos escritores Oscar Wilde, Charles Baudelaire, Edgar Allan Poe e dos pintores Toulouse-Lautrec, Gauguin e Vincent van Gogh ficaram conhecidos como consumidores ou chegaram mesmo a retratar esta bebida ou locais de consumo nas suas obras. Van Gogh pintou em 1887 uma «natureza morta com absinto» e há quem afirme que a sua loucura poderia estar relacionada com o consumo de absinto, embora tal nunca tivesse sido provado.
Os cartazes publicitários Arte-Nova, de grande beleza, estimulavam também o imaginário e a aceitação desta bebida.

Vários estudos vieram provar que os problemas surgidos com a bebida Absinto não se deviam a esta e provavelmente também não decorriam de uma substância que surge após a sua destilação, a «trujona», que só é tóxica em altas doses. As principais toxicidades deveram-se a adulterações da bebida, frequentes na época, com adição de outras ervas com maior percentagem de trujona, ao uso de produtos tóxicos, como o antimónio, e à utilização de álcool adulterado. Foi o uso destas bebidas baratas, produzidas em destilarias clandestinas, que levou à proibição europeia do consumo desta bebida, no início do século XX.
A mística que envolvia a «bebida verde» não desapareceu com a proibição. Tratando-se de uma bebida amarga, necessitava da adição de açúcar, não sendo portanto uma bebida pronta a consumir. O ritual da sua preparação, aumentando o tempo de espera que antecedia a sua degustação, adensavam o mistério. Os objectos próprios, usados para esse fim, foram desde sempre alvo de coleccionismo e sobre eles falaremos em breve.
Hoje a bebida está de novo autorizada, já sem os riscos anteriormente descritos, mas também sem o mistério que a envolvia. É produzida em toda a Europa e certamente ficarão surpreendidos ao saberem que existem pelos menos quatro marcas portuguesas nessa lista.
E termino com as palavras de Oscar Wilde sobre os efeitos do absinto:
«Depois do primeiro copo vêm-se as coisas como desejávamos que elas fossem. Depois do segundo copo vêm-se como elas não são. Finalmente vêm-se as coisas como elas são na realidade e esta é a coisa mais horrível do mundo».
4 comentários:
"The herbal ingredients are crushed and macerated in a solution of alcohol and water, and the mixture is distilled to yield a colorless, fragrant alcohol that is later cut with water to yield the desired alcoholic content, usually anywhere from 45% to 72% (90 to 144 proof). It's also possible to make absinthe by dissolving already prepared essences of the herbal ingredients (essence of anise, essence of wormwood, etc.) in potable alcohol - these are the oil mix absinthes." (in http://www.feeverte.net/)
and until recently, um dos poucos destilados que ainda há no mundo é o das Caves Neto Costa de Anadia... o resto são 'preparados'; martelados, como soi dizer-se.
Acabaram os enigmas?
Há cerca de um ano escrevi para as caves Neto Costa, dei-lhes o meu perfil, disse-lhes que tinha escrito sobre absinto. Pedi-lhes se me enviavam rótulos para a minha colecção e para fotografar.
Ainda estou à espera da resposta. É uma empresa portuguesa, concerteza.
Excelente!
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