Anda falta um mês. O lançamento será só no dia 20 de Dezembro, mas como já tenho o convite, optei por o divulgar. Podem pôr nas vossas agendas uma anotação, se tencionarem ir.
Lá nos
encontraremos em boa companhia.
Anda falta um mês. O lançamento será só no dia 20 de Dezembro, mas como já tenho o convite, optei por o divulgar. Podem pôr nas vossas agendas uma anotação, se tencionarem ir.
Lá nos
encontraremos em boa companhia.
A receita reproduzida
tem a data de Novembro de 1939 e não está assinada, mas atrevo-me a pensar que poderia
ser do conhecimento do Abade de Baçal. A razão é simples: encontrava-se entre
os papéis de um colaborador directo do Abade de Baçal, Raul Teixeira, que com
ele trabalhou e o seguiu no cargo de Director do Museu de Bragança (1935-1955).
Não quero aqui
entrar em pormenores, mas é sabido o gosto do Padre Francisco Manuel Alves
(1865-1943), mais conhecido por Abade de Baçal, que sobre este enchido escreveu
que estas eram:” fabricadas de Outubro a Fevereiro” a atestar a sua sazonalidade.
Note-se que esta folha data do mês de Novembro. Não mencionava, contudo, a sua
receita, sendo desconhecido se lhe era familiar o seu modo de confecção. De resto as receitas divulgadas são todas posteriores, o que torna
ainda mais interessante este documento.
Parece provável
que este enchido fosse bem mais antigo. Uma
das personagens de Garcia de Resende, Nuno Pereira, no Cancioneiro Geral,
de 1516,[1]
dirigindo-se ao Doutor Mestre Rodrigo dizia: “Eu comi atabafea…” Não podemos saber a que correspondia então,
mas pode dizer-se que se manteve um enchido muito apreciado pelo menos era-o no
final do século XIX e início do século XX. Dele dizia Trindade Coelho:” O meu
derriço é a tabafeia, que até no nome gosto dela!“, em crónica publicada em O
Reporter, em 26 em Janeiro de 1897. Também Leite de Vasconcelos, sabia do
que falava quando se referiu a ela na Etnografia Portuguesa. Acerca da
tabafeia afirmava: “É, em Bragança, uma espécie de chouriço feito de dobrada,
galinha, pimento, etc.”.

Dr. Raúl Teixeira. Pintura existente no Museu de Abade de Baçal

Casa Comum - Casa Museu Abel Salazar. Pasta: 05404.083
Raul Teixeira expressava nesta carta a confusão que então já alguns faziam entre os dois mais conhecidos enchidos da região. O que se passou nos anos seguintes, em que se salienta a ausência de receitas de tabafeia, nos livros de culinária, como foi o caso de Olleboma, em ambos os seus livros, incluindo a Culinária Portuguesa, ou na Cozinha do Mundo Português, onde também não a encontrei apesar de afirmações em contrário, justificam as confusões sobre do que se tratava realmente.
Não sendo
especialista em comida transmontana, penso que a importância desta receita é
enorme. Por ela se constata como é diferente a receita de tabafeia, onde
predomina a dobrada, da de alheira, com predomínio de aves e, por consequência,
não podem ser usadas como sinónimo. Aliás os enchidos deste tipo, que vão a
concurso localmente, mostram-nos como é confusa a ideia, tanto dos jurados como
dos concorrentes.
Fica aqui disponível a receita para que alguém da região a possa experimentar e restituir à tradição local este enchido que já foi tão apreciado. Fico a aguardar notícias e, já agora, uma verdadeira tabafeia.
[1]
GARCIA
DE RESENDE. Cancioneiro Geral. Fixação do texto e estudo por Aida Fernanda Dias.
Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Vol. III.1990.
Foi a primeira
vez que experimentei, substituindo a jeropiga, mas como confrade da Confraria
da Cherovia, reconheço que não podia ser mais adaptado. Muito agradável. Recomendo.
Durante o
século XIX os portugueses descobriram as bolachas e biscoitos, feitos
industrialmente, pela mão dos ingleses. A indústria de bolachas começou em
Inglaterra com a criação da fábrica Huntley & Palmers, em 1822.
Outras se lhe seguiram e várias fábricas começaram a vender o seu produto em
Portugal, distribuído por diversas casas comerciais, em atrativas caixas
coloridas, geralmente cúbicas, de grandes dimensões.
No que respeita à fábrica aqui mencionada, de que mostramos esta bela caixa, a Fábrica Popular de Bolachas e Biscoitos, foi inicialmente dirigida por MM. Gonçalves e Silva. Fundada em 1890 tinha a sua frente um homem experiente que tinha já trabalhado noutra fábrica do mesmo tipo, provavelmente na Fábrica da Pampulha, fundada em 1870.[1]
Em 1908 mudou as instalações para terreno próprio em Lisboa, na Rua da Junqueira, Nº 288, num edifício que hoje já não existe, e que se encontra documentado na tampa desta caixa e em vários anúncios publicitários.Segundo um artigo de jornal da autoria de H. Léon,[2] que visitou Portugal, nela eram empregues as melhores farinhas. Na sua constituição entravam também manteiga, ovos e perfumes (aromas). Feita a massa, era achatada com rolos, e passava depois a aparelhos especiais (franceses e ingleses) que cortavam automaticamente as bolachas e biscoitos, que iam depois ao forno.
Eram em
seguida colocadas em latas de folha-de-flandres, ornamentadas “com lindas
etiquetas”. Quanto às variedades eram descritas cerca de 91, sendo as mais
conhecidas as de Araruta, Combinação (30 variedades); Maria e
Patriotas. Estas últimas mostravam o retrato de um personagem importante de
Portugal, em pontilhado.
Em 1910
encontramos publicidade como sendo a fábrica, nessa data, de José Manuel da
Silva e dizendo que era a única no país movida a electricidade. Disponibilizava
então já 300 variedades de bolachas. Seguindo o espírito republicano
apresentava nas novas variedades: Homenagem às Câmaras Republicanas; Homenagem
às Cantinas Escolares; Crise, entre outras. 
0 Anunciador Artístico 1913
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| Imagem do IPPAR. Foto de Henrique Ruas. |
O grafismo
republicano nas folhas usada para envolver as caixas de bolachas, é muito interessante
e possuo uma bela colecção que apresentarei oportunamente. Para já ficamos com
estas belas imagens.
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| Figura recortada e aguarelada. Laço em papel |
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| Em cima vestido feito com papel de embrulho e desenho aguarelado e picotado e em baixo vestidos feitos com forro de envelope de carta |
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| Papel de embrulho em cima e em baixo forros de envelopes. |