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domingo, 19 de janeiro de 2025

Associação de ideias

 

Coincidências! Olhei para o cartaz dos Açores e chamou-me à atenção a Mulher do capote, numa das extremidades da Ilha Terceira. Com o seu traje tradicional, tingido de azul característico, transforma-se numa figura enigmática.

Nem de propósito. Há uma semana que ando a lavar a garrafa com a mesma figura, onde o licor de maracujá, com vários anos, décadas na verdade, secou e se transformou num líquido viscoso.

O dia está escuro e as fotografias ficaram péssimas. Mas decidi associar as duas. Faz sentido!.

sábado, 11 de novembro de 2023

Feliz Dia de São Martinho

 As tradicionais castanhas assadas este ano foram acompanhadas por Licor de Cherovia.

Foi a primeira vez que experimentei, substituindo a jeropiga, mas como confrade da Confraria da Cherovia, reconheço que não podia ser mais adaptado. Muito agradável. Recomendo.



sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Água fresca e capilé

Há precisamente 110 anos (3 de Agosto de 1908) a revista Illustração Portugueza publicava na sua capa uma fotografia de Benoliel. Duas figuras masculinas, humildemente vestidas, dedicavam a sua atenção a estas refrescantes bebidas, num dia quente de Verão. A imagem, à época comum, não mereceu desenvolvimento no interior da revista pelo que podemos apenas descrevê-la, ou diria melhor interpretá-la.
À esquerda o vendedor retira, com um canivete, a casca de um limão para tornar mais agradável a bebida. Transporta consigo uma bilha de barro com água e uma pequena mesa com três pés e asa metálica para mais fácil deslocação. Sobre esta, duas garrafas com a bebida de capilé, um açucareiro e um copo de vidro.
O cliente é um jovem ardina que transporta o saco dos jornais e tem um exemplar para venda na mão. Descalço, naquele dia de calor, aguarda ansiosamente a preparação da bebida, seguramente uma excentricidade para o seu fraco rendimento (ou uma encenação pedida pelo fotógrafo?).
A cor branca da fotografia faz-nos adivinhar um dia de calor intenso mas o local onde tem lugar a cena não é distinguível. Será provavelmente Lisboa onde esta bebida era também vendida em quiosques e em pequenas lojas de bebidas.
Outra fotografia da época mostra-nos uma loja no Largo do Camões onde ela era consumida, mas os locais de vendas de licores faziam desta uma das bebidas de grande consumo de Verão, comercializada por várias empresas.
Jornal O Século 1929
Quando a propósito do meu livro «Licores de Portugal» entrevistei o sr. Alípio Ramos, actual proprietário da Frutaria Bristol, na Rua das Portas de Santo Antão em Lisboa, contou-me que tinha trabalhado na Ginjinha Popular e que tanto a groselha como o capilé feitos com soda tinham grande saída[1]. Nessa época vários fabricantes produziam esta apreciada bebida, como o comprovam múltiplos rótulos chegados até hoje.
Alguns dos rótulos de capilé da minha colecção.
O quiosque de S. Paulo ostenta ainda hoje nos seus cartazes de vidro pintados a palavra capilé prova de que esta era também aí vendida, tal como acontecia noutros locais semelhantes.
Quiosque do Largo de S. Paulo em Lisboa
A bebida que toma o nome do xarope «capilé» é feita com uma calda com suco de avenca ou capilária (Adiantum capillus-veneris L.). 
A minha avenca, uma planta muito tradicional nos lares portugueses
No século XVIII Lucas Rigaud no livro «Cozinheiro Moderno» dá a receita de Capiler ou Xarope de Avenca[2]. Quanto às donas de casa era frequente confeccionarem elas próprias este xarope.
Rótulo de Capilé para uso doméstico.
Não vou dar a receita, embora isso sempre me prejudique[3] mas remeto-os para um blogue de grande qualidade chamado Outras Comidas, onde podem seguir o modo de confecção ao pormenor, com rigor como é apanágio do autor.



[1] Licores de Portugal (1880-1980). pp 141 e 279.
[2]Cozinheiro moderno ou nova arte de cozinhar, onde se ensina pelo methodo mais facil... / dado á luz por Lucas Rigaud. p. 427.
[3] Há dias num local de venda dos meus livros uma senhora perguntou-me se o livro Ginjinha Portuguesa tinha receitas. Quando respondi que era apenas história pousou rapidamente o livro sobre a mesa e afastou-se.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Convite: Exposição Garrafas de Licores

Vai ter lugar no dia 21 de Julho, sábado, às 16 horas a inauguração de uma nova exposição de Garrafas de Licor, com parte do espólio das cerca de 1000 garrafas desta temática que entretanto fui coligindo.
A exposição desta vez será no Museu Marquês de Pombal, em Pombal e resultou da proposta que a Drª Cidália Botas, desse Museu, fez para levar a exposição que esteve anteriormente no Museu do Vidro da Marinha Grande. Contamos com o apoio deste último museu que nos facilitou fotografias e cópias de modelos industriais que vão tornar a amostra mais completa.
Ao contrário do Museu da Marinha Grande, que possui salas próprias para exposições, este museu de Pombal, de pequenas dimensões, vai integrar no seu espaço as peças de vidro da colecção.
Como o Marquês de Pombal foi um patrocinador do desenvolvimento de várias indústrias, entre as quais a do vidro, as garrafas vão ficar sobre a protecção do Marquês, o que muito me agrada.
O projecto que parecia difícil foi um desafio conseguido e a exposição, que acabamos de montar, ficou muito interessante.
Se tiverem disponibilidade não deixem de ir visitar a exposição no dia da inauguração ou noutro. Não haverá palestra nesse dia que fica adiada para o final da exposição a 31 de Outubro. Mas podem sempre visitar o museu, a exposição e beber um licor, caso estejam presentes no dia 21 de Julho, o que muito prazer me daria.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Palestra: Licores regionais e outros que tais

Integrado no Forum do Pão que acompanha o Festival do Pão em Mafra, vou apresentar esta palestra.
Venham e proveitem para visitar a Exposição e ver a Feira.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Palestra: «Garrafas de licor uma doce descoberta»


No próximo sábado, dia 23 de Junho às 16,30 horas, irei falar no Museu Municipal de Almada sobre este tema.
A comunicação estará focada nas garrafas de vidro e integra-se no programa que acompanha a Exposição «Uma história engarrafada. O vidro utilitário do séc. XVIII em Almada», de que já falei aqui. 

Estarão em exposição achados arqueológicos de vidro encontrados nas escavações de uma habitação desta cidade. A Exposição que foi inaugurada no dia 9 de Junho estará patente ao público até 31 de Julho.
Quanto à palestra lá os aguardo.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Convite «Artes do Vidro no Consumo dos Licores»


No próximo dia 7 de Abril às 15,30 vou fazer uma conferência no museu do Vidro da Marinha Grande.
Com o título «Artes do Vidro no consumo dos Licores» será uma revisão pelos objectos que ao longo dos últimos séculos serviram para apresentar ou consumir os licores.
No século XIX, período áureo desta moda, os objectos tomaram formas exuberantes que serviam para orgulhar os anfitriões durante o serviço de licores que tinha lugar após o jantar, juntamente com o café.
 A partir de meados do século XX os licores ficaram cada vez menos na moda e o vidro fazia as suas últimas aparições nos conjuntos de cálices de múltiplas cores, para logo ser suplantado por novos materiais, como por exemplo o alumínio anodizado.
A conferência encerra a exposição que termina no dia 8 de Abril onde se encontram patentes algumas das garrafas da minha colecção.
Última oportunidade portanto para visitar a exposição. Terei muito prazer na vossa presença.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Licores na Fundação Marquês de Pombal

No próximo sábado às 16 horas vou falar sobre a história dos Licores na Fundação Marquês de Pombal, que fica no Palácio dos Aciprestes em Linda-a-Velha e que provavelmente muitos ainda não conhecem.
Para quem gostar deste tema,  que é mais vasto e interessante do que podem imaginar, fica o convite.
Vão poder experimentar o «Licor Eduardino» da Casa Ginjinha sem Rival ou Ginjinha das Portas de Santo Antão.
Confirmação das incrições para o mail:
palestrasetal@gmail.com

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O livro «Ginjinha Portuguesa»

Acabaram de chegar a casa, saídos do “forno” da gráfica, mais dois livrinhos meus. Digo meus de foram enfática porque foram escritos por mim, pensados por mim e editados por mim.
A minha relação com as editoras não tem sido a mais feliz porque, segundo já me disseram, não escrevo para as massas. Como o lucro de ser autora não é nenhum então prefiro perder dinheiro e fazer os livros à minha maneira.
Há maneiras piores de gastar dinheiro e esta dá-me total independência. Tenho mais trabalho, demoro mais tempo, mas fico cheia de livros para dar de presente. Aos amigos claro! Mas também às livrarias que ficam com eles à consignação e nunca me pagam.
O que escrevi anteriormente foi apenas um desabafo, resultado das experiências vividas. Mas agora abre-se novo ciclo e, como sempre, tenho esperança que com este corra melhor.
O livro chama-se «Ginjinha portuguesa» e é uma pequena história desta bebida e da sua evolução em Portugal. Termina com um roteiro das ginjinhas lisboetas, de que eu tenho falado nas minhas conferências e que é uma característica verdadeiramente nacional. 
Fiz também uma versão em inglês «Portuguese Ginjinha» porque penso que é um assunto que interessa aos estrangeiros. Curiosamente houve já vários estrangeiros que compraram (sem saberem uma palavra de português) o meu livro «Licores de Portugal» por acharem o tema interessante. 
De pequenas dimensões tem apenas 54 páginas e custa 10 euros. Se estiverem interessados escrevam-me para o mail (garfadasonline@gmail.com) e eu envio por correio.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Exposição de Garrafas de Licores de Portugal

Recebidos à entrada por D. Afonso Henriques, D. Nuno Álvares Pereira e uma garrafa feita para a Exposição do Mundo Português
Para quem não pode ir à inauguração recomendo uma visita à Marinha Grande. De Lisboa pela A8 demora 1,30 h e vale a pena visitar o Museu do Vidro e ver a exposição.
Claro que sou suspeita, mas ao fim de tantos anos a ver exposições pelo mundo inteiro sei o que é uma exposição interessante.

As nossas garrafas de licores enchem-nos de orgulho. São imaginativas e variadas e reflectem a sociedade portuguesa de meados do século XX.
Procurou-se o registo das mesmas de forma a determinar a data exacta de feitura e essa informação foi complementada, sempre que possível, através de catálogos de fábricas e visitas a algumas fábricas ainda existentes, sempre que as mesmas não apresentavam identificação de origem.
Os desenhos de trabalho, colocados junto das máquinas durante o seu fabrico, pertença do Museu do Vidro, permitiram a confirmação ou identificação dos locais de produção.
Fica aqui uma amostra para abrir o apetite. A exposição é complementada por um catálogo de grande qualidade com fotografias de Jorge Soares, muito experiente neste tipo de trabalhos.

A Exposição vai estar aberta ao público até Abril, mas não deixem para o fim.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Exposição de Garrafas de Licores no Museu do Vidro

As garrafas de licor são diferentes de todas as outras. As de vinho ou de champanhe são sóbrias e obedecem a formas standard.
As garrafas de licor, em especial na primeira metade do século XX, tomaram formas antropomórficas ou geométricas para competirem com o uso dos licoreiros. Desde o século XIX que a moda ditava que o consumo dos licores se devia fazer após as refeições, isto é, no período do café. Era um momento de descontracção dedicado à conversa e em que a dona de casa tinha a oportunidade de mostrar os seus belos licoreiros ou até, como em França, as grandes caves à liquer.
Os comerciantes não se deram por achados e começaram a desenhar garrafas atraentes, que tiveram o seu apogeu nas garrafas figurativas.
São algumas dessas garrafas da minha colecção (que conta já com mais de 600 exemplares) que vão estar expostas no Museu do Vidro da Marinha Grande, até Abril.

A inauguração é no próximo sábado, dia 18 de Novembro às 16 horas e seria um prazer contar com a vossa presença.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Licores de Portugal na Mercearia Santana

A Mercearia Santana, da família Montez, fica situada no centro antigo de Sacavém. O local de comércio e a habitação foram transformados em museu pela equipe do Museu de Sacavém que dinamiza o projecto cultural.
Sobre o espaço em si falarei noutra oportunidade, com maior pormenor.
Hoje quero convidar as pessoas interessadas para estarem presentes amanhã à tarde, dia 10 de junho, para me ouvirem falar sobre licores e degustarem o Arrobe de Arinto, uma cortesia da Master Flavours of Portugal.

O programa cultural pode ser consultado neste link.

Apareçam e aproveitem para visitar o local. São três em um!

segunda-feira, 20 de março de 2017

O mistério do Licor dos Benitinhos: resolvido.

Quando escrevi o livro «Licores de Portugal: 1880-1980» dediquei um capítulo às várias ginjinhas lisboetas e aos seus fabricantes.
Na história da Ginjinha Espinheira conhecida também por “Ginjinha do Rossio” fundada em 1840 pelo pai de Francisco Espiñeira Cousiño (de que se desconhece o nome) surgia um mistério em relação a um dos licores. O fundador foi o primeiro elemento da família a vir da Galiza para Portugal. O seu filho Francisco herdou a pequena loja ainda hoje existente e comprou a primeira fábrica de licores na rua Damasceno Monteiro. Tendo ficado à frente do negócio dos licores naturalizou-se em 1896 português.[1]
Em 1906 fez o primeiro pedido de registo de uma das suas marcas, a «Ginja Bebida Peitoral e Digestiva», bem como do «Licor de Hortelã Pimenta Superior»[2]. Foi também em 1906 que registou a marca «F. Espinheira 1º fabricante», com a foto do mesmo dentro de um círculo, a que se sobrepõe um outro círculo com idêntica imagem do Zé Povinho[3].
Em 1907 registou uma marca chamada «Licor dos Benitinhos»[4] de que nunca vi qualquer garrafa ou rótulo. Apresentava a foto de dois homens risonhos, já de idade avançada. Esta imagem não fazia qualquer sentido dentro da tipologia dos rótulos de licor da época e sobre ela escrevi: «parece só fazer sentido para quem os conhecia e não deixou história».
Há dias ao folhear a revista Branco e Negro de 1890 deparo-me com uma fotografia de A. Bobone com a legenda «Dois moços de recados». A imagem encontrava-se sob o título «Typos de Lisboa» e nada acrescentava.
Não havia dúvida eram os «Benitinhos» que deram lugar ao título do licor e que, a avaliar pelo fisionomia, deviam ser galegos. Ficou esclarecido o mistério. Eu tinha razão quando escrevi que tal imagem só faria sentido dentro de um contexto familiar que neste caso era o de umas figuras que à época deviam ser conhecidos nas ruas de Lisboa.

PS: A expressão «moços» aplicado a homens de idade já avançada não se relaciona com juventude mas com uma função ou ofício:«moço de recados».





[1] ANTT, Registo Geral de Mercês de D. Carlos I, liv. 11, fl.12v, 02/10/1896, Carta. Naturalização.
[2] BPI, 1906, nº 7, p. 270.
[3] BPI, 1906, nº 12, p.449.
[4] BPI, 1907, nº 11, p. 394.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Limoncello caseiro: uma agradável surpresa

 Há receitas tão fáceis que quando as descobrimos interrogamos-nos como nunca as fizemos anteriormente.
O limoncello, um licor de limão italiano, é um desses exemplos. Geralmente compra-se uma garrafa quando o queremos utilizar numa receita, mas depois de saber como se faz, passa-se a usá-lo com maior facilidade e descobre-se o prazer de beber um pequeno cálice após uma refeição.

Na sua confecção usei vodka russa que uma amiga me enviou dessas paragens, mas pode fazer-se com aguardente, embora seja mais difícil de arranjar.
Utilizei apenas 200 cc de vodka e pus o vidrado de 4 limões (sem a parte branca, portanto) a macerar dentro de um frasco de boca larga, durante 3 dias. Algumas receitas que encontrei vão de 4 dias a um mês, mas penso que não precisa de tanto tempo.
Filtram-se e retiram-se as cascas, ficando com um vodka amarelo citrino.
Num tacho colocam-se 200 gr de açúcar e 500 cc de água e leva-se ao lume até o açúcar dissolver. Quando tiver esfriado juntam-se os dois líquidos e já está feito. Pode beber-se logo ou refrescá-lo. Da próxima vez podem adaptar ao gosto as quantidades de água e açúcar, que variam de receita para receita. Eu fiquei contente com esta opção.

À nossa!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Um carnaval em Loulé

Nas décadas de 1950-1960 as empresas tinham preocupações com a divulgação dos seus produtos de uma forma completamente diferente da dos nossos dias.
Não existia ainda o marketing mas os comerciantes e fabricantes sabiam que lhes era vantajoso fazer publicidade dos produtos que produziam ou comercializavam. 
Durante mais algumas décadas, e até à mudança da legislação, os brindes aos clientes eram uma constante. Eram gentilezas que serviam para lembrar o nome da firma num período mais prolongado, que ia  para além do acto da compra. Outra forma de o fazer era participando nas actividades locais e este é um desses exemplos.
Em Loulé, provavelmente nos finais da década de 1950, a firma M. Brito da Mana, estabelecida em Loulé e com filial na Quarteira, participou no corso de Carnaval com um carro alegórico onde publicitava a ginja e o licor Eduardino da Casa Cima, da rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa, de que era «o único representante no Algarve».
Sobre uma carrinha de caixa aberta, ornamentada com flores de papel, dez jovens vestidos com blusas de seda atiravam aos observadores presentes, possivelmente flores ou rebuçados.
Garrafa antiga e moderna do Licor Eduardino
De cada um dos lados eram publicitados os licores referidos e na traseira da carrinha o nome do depositário. Uma forma de festejo simples, à portuguesa, quando ainda não tínhamos sido invadidos pelo carnaval brasileiro.