Quando vi, pela primeira vez, este livro de despesas, pensei que era uma pena não ter as receitas originais. Depois comecei a ver os registos com atenção e percebi que estava lá tudo. Embora não esteja identificado estava junto com papéis de uma família do Estoril, sendo provável que quem escreveu estes apontamentos fosse uma senhora chamada Baldomera, cujo marido foi proprietário de uma loja de modas na Baixa, chamada Casa Paris.
Viviam numa
vivenda e seguramente que não eram pessoas necessitadas que precisassem de
fazer pastéis para fora para venda. Eram outros tempos e eu própria conheço
outros exemplos de pessoas que, no início do século XX fizeram o mesmo. Era uma
forma de a mulher ajudar ao pecúlio da família e, tendo conhecimento e gosto,
dedicavam-se a estas vendas particulares, numa altura em que este tipo de
comércio era incipiente.
Como é evidente, eram sempre boas cozinheiras ou doceiras. Tenho outros livros e papéis soltos do mesmo género. O que não tenho são as receitas originais que eram tão familiares a quem as fazia que já não era necessário recorrer ao seu registo.
Neste caso, para
o registo das Despesas, nome atribuído ao livrinho, foi usado um caderno
comercial que tinha no rótulo a data de 1907. As primeiras folhas foram
arrancadas e a data mudada para 1925, embora os primeiros registos digam
respeito a Dezembro de 1924.
Nos primeiros
tempos faziam sobretudo Empadas de galinha, Azevias e Nogados.
De cada vez eram feitas 3 ou 4 dúzias de cada e as despesas totais eram
registadas ao pormenor. De tal modo que ficamos a saber o peso da galinha, as
quantidades de cada elemento e até o preço do papel para as embrulhar. Deste
modo pode perceber-se o que compunha cada receita e daí deduzir como eram
feitas.
A partir de
1927 surgiram as Frituras de Camarão, que devem ter sido um sucesso
porque saíam às dúzias.






