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segunda-feira, 29 de abril de 2019

De volta ao Kumquat

 Há cerca de um ano provei este citrino pela primeira vez e causou-me tão agradável sensação que falei nele neste blogue (ver o citrino kumquat). Tive agora a oportunidade de o tornar a comer, uma vez que estamos na sua época e posso confirmar que é extremamente agradável.
Já se vendem as plantas meio crescidas que aconselho a comprarem porque é um arbusto de crescimento lento.
As pessoas com quem partilhei os exemplares que consegui não o conheciam e não sabem como se come.
Por isso volto hoje a este fruto para dizer:
·         Come-se inteiro com casca, depois de lavado
·         Pode cristalizar-se.
·         Pode acompanhar pratos de carne.
·         Pode fazer-se compota.
·         Serve para fazer chutneys
 Enfim, pode utilizar-se como qualquer citrino. Mas nada bate o seu sabor comido ao natural. Aproveitem, se o conseguirem encontrar.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Festival do Medronho em Monchique

O alambique, elemento indispensável para a produção de álcool, deve o seu desenvolvimento aos árabes. Foram eles que o introduziram na Península Ibérica. Em Portugal foi na região sul que se deu a sua instalação e com ela o início da destilação do álcool.
Não é conhecida a data exacta dessa actividade, mas pensa-se que tenha sido uma prática introduzida no Algarve e Baixo Alentejo pelos árabes entre 712/713, onde permaneceram por cinco séculos[i]. Considera-se que a serra de Monchique, local onde existiu uma comunidade árabe, terá sido o berço da destilação e preparação de licores[ii].
O que aí teve lugar e se mantém até aos dias de hoje foi a destilação do medronho (Arbutus unedo L.), fruto que cresce nas serras de Aljezur e Monchique. É a partir de Outubro que tem lugar a apanha do medronho, que se destina à destilaria artesanal; a sua colheita representa o aproveitamento de um fruto produzido pela natureza, e facilita a limpeza dos terrenos, traduzindo-se numa fonte de receitas importante para os habitantes da zona[iii].
Feita a destilação obtém-se a aguardente de medronho e, posteriormente, a melosa, a sua versão doce, que como o nome indica leva mel.
Fechadas as antigas destilações existem agora novos produtores. A dignificação dessa actividade e a divulgação deste produto nacional é o fim destes festivais anuais.
No dia 1 de Abril vou lá estar para fazer parte de um painel intitulado: «O que é português é bom». Para quem estiver perto é uma boa oportunidade para contactar com um dos nossos produtos regionais a valorizar.



[i] Catarino, H. «A chegada dos árabes à península ibérica», in O Algarve da antiguidade aos nossos dias, p. 61-67.
[ii]Telo A., 1988. «Destilados e comércio de aguardente na serra de Monchique - Uma abordagem ecológica» in 5º Congresso do Algarve, Racal Club de Silves, p. 77-93.
[iii] Pereira, Ana Marques. Licores de Portugal (1880-1980).p. 101

sábado, 30 de maio de 2015

Primícias sobre a mesa ou o mistério do alperce

As ditas primícias, neste caso alperces
PRIMÍCIAS – Os primeiros frutos ou legumes que são colhidos.
ALPERCE – Fruto do damasqueiro. Um mistério, porque não existe «alperceiro» para dar alperces e a etimologia de damasco é ainda mais difícil de explicar do que a de alperce. José Pedro Machado cita uma fonte (Plínio) que diz que este nome se deve «porventura porque os primeiros vieram à Europa da cidade de Damasco».
O «albaricoque romano» no Lindley's Pomology Magazine, 1828, Museu de História Natural de Londres

Quanto ao alperce é classificado em Botânica como Prunus armeniaca L. por se pensar que era natural da Arménia de onde foi trazido pelos romanos para o sul da Europa, em 70-60 aC através da Grécia e da Itália, razão porque no século XIX também foi designado «albaricoque romano». Contudo o seu centro de diversidade foi no nordeste da China, há milhares de anos, de onde se espalhou por toda a Ásia Central.
O alperce no Damasqueiro. Foto de Afonso Oliveira
Os romanos chamaram primeiramente à fruta malum (ou Prunum) Armeniacum "maçã (ou ameixa) arménica" e depois praecoquum malum «maçã que amadurece cedo», comparando-a com os pêssegos, com que eram aparentados. Os gregos pronunciaram a palavra como praikókon, mas em Bizâncio ela mudou para beríkokkon. Na língua árabe a palavra mudou para al-burqoq. Foi dessa origem que veio o nosso albricoque e o espanhol albaricoque.

Mas não ficam por aqui as designações nacionais deste fruto, em especial se incluirmos os regionalismos. É também chamado: damasco, alcácaro, alcocore, abricote (do fr. abricot), alperche, albricoque e aposto que ainda existem mais nomes que eu desconheço. Fica aqui o desafio para aumentarem esta lista, caso conheçam outras designações.

PS. Este poste e as fotos resultam da oferta de um ramo do dito fruto, fotografado na árvore pelo amigo que me o ofereceu. 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Um fruta exótica: a pitaia

Vi este este fruto pela primeira vez há alguns anos num mercado aberto em Viena de Áustria e despertou-me a curiosidade pela sua beleza. Reencontrei-o agora no mercado da Ribeira e não resiste a experimentá-lo.
Fotografia tirada da internet
A planta que dá esta fruta pertence à família dos cactos e o seu nome botânico é Hylocereus undatus. A pitaia vermelha tem dois tipos: a de polpa roxa e a de polpa branca, mas ambas apresentam no seu interior múltiplas sementes dispersas. Existe também uma variedade de casca amarela (Selenicereus megalanthus), que parece ser mais adocicada, mas que não experimentei.
É um fruto nativo da América Central onde se sabe existir desde o século XIII, mas presentemente é sobretudo produzida no Vietname e na Malásia. À Europa chegou na década de 1990 e pelos vistos chegou agora a Portugal ou só agora eu dei por ela.
Há quem diga que o sabor é uma mistura de melão e kiwi, mas devem ser papilas gustativas muito delicadas, porque a mim não me soube a nada. A grande beleza exterior do fruto, designada dragonfruit em inglês (fruto do dragão, devido ás escamas), contrasta com o seu sabor (ou ausência) e é por isso que tem sobretudo utilidade como fruta decorativa. São-lhe atribuídas inúmeras propriedades medicinais, além de ter altos níveis de vitamina C, fibras e anti-oxidantes.
Mas voltando à terra, é um fruto caro (14 euros o kg, o que dá quase 4 euros um fruto) e, a não ser que se seja fanático das suas propriedades naturais, aconselho o seu uso em doces, como gelatinas ou gelados, em que sobretudo as de polpa vermelha permitem fazer camadas de cor contrastante e surpreendente. Mas não há como experimentar.